Acervo

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Campeonato Argentino de 1906- Final anunciado. Alumni campeão


O Campeonato

A Associação Argentina resolveu que para esta nova temporada o número de equipes subiria de sete para onze. Além disso, os times se enfrentariam divididos por zonas. Os ganhadores dessas zonas se enfrentariam pelo título. Entretanto, a entidade determinou que a forma da divisão das chaves seria por sorteio. A zona B acabou ficando muito mais forte, com a presença de Alumni, Quilmes, Belgrano Athletic, Belgrano Extra e Argentino de Quilmes. Ou seja, pelo menos três favoritos ali estavam (Alumni, Quilmes e Belgrano Athletic).

A Zona A ficou com Lomas Athletic, Estudiantes, San Martin, San Isidro, Reformer e Barracas Athletic. Esta, foi vencida com facilidade pelo Lomas Athletic.

Na chave mais forte, o Alumni sobrou. Sofreu apenas uma derrota (para o Quilmes, por 4x2) e mais do que justificou sua presença na decisão.

No dia sete de outubro, o Alumni confirmou todo o seu favoritismo e goleou o Lomas Athletic por 4x0, conquistando assim o bicampeonato e mais um título para sua gloriosa história.

A Campanha do Campeão

06/05/1906- Argentino de Quilmes 0x1 Alumni
20/05/1906- Belgrano Extra 1x5 Alumni
17/06/1906- Belgrano Athletic 0x3 Alumni
01/07/1906- Alumni 9x0 Belgrano Extra
02/09/1906- Quilmes 4x2 Alumni
08/09/1906- Alumni 4x1 Belgrano Athletic
23/09/1906- Alumni 4x0 Quilmes
30/09/1906- Alumni W.O x Argentino de Quilmes
07/10/1906- Alumni 4x0 Lomas Athletic
No total, foram nove jogos, com oito vitórias e uma derrota. 32 gols pró e seis contra

Colocação Final da Zona B

1- Alumni- 14pg-8j-7v-0e-1d-28 gp-6 gc- +22 sg
2- Quilmes- 12pg- 8j-6v-0e-2d-26 gp-13 gc- +13sg
3- Belgrano Athletic- 10pg- 8j-5v-0e-3d- 23gp- 15gc- +8sg
4- Argentino de Quilmes- 2pg-8j-1v-0e-7d- 5gp- 19gc- -14sg
5- Belgrano Extra- 2pg-8j-1v-0e-7d- 9gp- 38gc- -29sg

O jogo do Título

Alumni 4x0 Lomas Athletic
Data:07/10/1906 Local: Porteno Palermo Árbitro: Guilermo A.Jordan
Gols: Lett, aos 24. Eliseo Brown, aos 35 e 43 do 1 tempo. Campbell (contra), aos 35 do 2 tempo.
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.G.Brown. Mack, Buchanan e Browne. Weiss, Lett, Watson Hutton, Ernesto Brown e Eliseo Brown.
Lomas Athletic: R.E.Green, Walker e Campbell, Gebbie, Stirling e Pfeiffer. Cotman, D.H.Cotman, Evans, Jacobs e Lawrie.

Os Jogadores do Campeão

Goleiro: Buruca Laforia
Defensores: C.C.Brown, Reyna, Brown e J.G.Brown
Meio campistas: Mack, Buchanan e Brownne
Atacantes: Weiss, W.Weiss, Ernesto Brown, Alfredo Brown, Lett, Moore, Watson Hutton e Eliseo Brown





sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A Era de Ouro do Flamengo- O Primeiro Turno do Carioca e o início da Libertadores


O Primeiro Turno do Carioca e o início da Libertadores 1981

Zico ficou gostou da proposta feita pelo clube e deve renovar em breve. Sendo assim, mudou de idéia e vai estar em campo na estréia do Campeonato Carioca mesmo sem ter assinado o contrato ainda.

O primeiro jogo foi contra o Serrano, em Petrópolis. Vitória de dois a zero, com gols de Zico, de pênalti e Júnior. Mesmo controlando a partida, o time não esteve bem, mais uma vez.

No coletivo antes da segunda rodada, os reservas fizeram dois a um nos titulares. Anselmo e Lico marcaran para os suplentes e Zico descontou. Sani ficou preocupado com mais uma má atuação de seus jogadores. Disse que estava “propenso a mudanças”.

Contra o Madureira, nem o fato de jogar no Maracanã foi suficiente para fazer o time jogar bem. A vitória veio, por quatro a dois, com gols de Nunes (3) e Baroninho. Mas as vaias da arquibancada davam a entender que o torcedor não estava satisfeito com o desempenho dos atletas. Pelo menos, após a partida, uma grande notícia: Zico finalmente renovou o seu vínculo com o clube. O novo contrato iria até o meio de 1983.

Flamengo 1x1 Bangu
O Flamengo foi a campo com Raul, Carlos Alberto, Rondinelli, Marinho e Júnior, Andrade, Carpegianni e Zico, Chiquinho, Nunes e Baroninho. Aos 10, uma saída errada de Marinho proporcionou ao Bangu a primeira chance. Rubens Feijão aproveitou o erro de passe e bateu de primeira, quase pegando Raul desprevenido.

O rubro-negro forçava o jogo pelo lado direito. Aos 15, Carlos Alberto foi à linha de fundo e cruzou rasteiro, para trás. Nunes tentou a finalização, mas foi atrapalhado pelo goleiro Tobias. Aos 22, Luisão passou como quis pelos defensores do Flamengo, driblou Carlos Alberto e bateu sem chance para Raul. Para sorte do mais querido, a bola explodiu na trave esquerda e não entrou.

Um minuto depois, Zico recebeu de Júnior, ganhou na trombada de Moisés e chutou de pé esquerdo. Tobias fez grande defesa e impediu a abertura do placar. Entretanto, aos 29, não houve nada que o goleiro do Bangu pudesse fazer para evitar o gol do fla. Nunes tabelou com Júnior, que avançou pela esquerda e cruzou na primeira trave. Por lá fechava o João danado, que escorou de primeira, com a perna esquerda, marcando um belo gol. Um a zero!

O rubro-negro teve chance de ampliar a vantagem aos 32, quando Baroninho cobrou uma falta frontal com extrema violência. Tobias voou e conseguiu desviar para escanteio. Era o melhor momento do time na partida. Foram várias finalizações e cruzamentos até o fim da etapa inicial. Porém, nenhuma chegou a levar perigo à meta defendida por Tobias. Pelo contrário, quem quase chegou a igualdade foi o Bangu, através de Rubens feijão, de cabeça, aos 43 minutos.

A primeira chance da segunda etapa também foi do time de Moça Bonita. Mirandinha passou por Júnior e bateu cruzado. Luisão deu o carrinho, mas não conseguiu alcançá-la. O Bangu parecia ter achado o mapa da mina. No minuto seguinte, novamente Mirandinha levou a melhor em cima de Júnior. Dessa vez, o ponta tentou a finalização, assustando Raul.

Aos 13, não teve jeito. Mirandinha, sempre ele, cruzou com perfeição, na cabeça de Luisão. O atacante subiu sozinho e ajeitou para a entrada de Rubens Feijão, que apenas desviou de Raul. Um a um.

Incrível, um minuto depois, Mirandinha aproveitou uma falha de Júnior e bateu cruzado. Raul se esticou todo e desviou a bola para escanteio. O Flamengo estava perdido e não se encontrava em campo.

Preocupado, o técnico Dino Sani mexeu no time aos vinte minutos. Entraram Lico e Peu, nos lugares de Carpegianni e Chiquinho. Taticamente, Peu entrou na ponta direita. Enquanto Lico tentava dar um pé a Júnior na marcação e saia para armar o jogo.
Com o Flamengo desorganizado e o Bangu satisfeito com o empate, nada de mais aconteceu na partida. O rubro-negro perdia seu primeiro ponto no turno, mas seguia na liderança.

Depois do segundo tempo desastroso, a pressão em cima de Dino Sani aumentou. Ele começa a ter seu cargo ameaçado. Para ajudar, Adílio finalmente renova o seu contrato. E Carpegianni começa a fazer sua transição para a Comissão Técnica. Mais, ele diz que se aposenta assim que Vítor retornar do Torneio de Toulon. Tentando dar a volta por cima, os jogadores se reúnem e fazem um pacto pela conquista o tetracampeonato da Taça Guanabara.

Flamengo 7x0 Americano
O jogo foi disputado numa quarta feira a noite, em um Maracanã com público pequeno devido ao alto preço dos ingressos. Bria fez apenas uma alteração na equipe. Adílio, de contrato renovado no lugar de Carpegianni.

Logo aos dois minutos, Nunes recebeu toque de calcanhar de Adílio e arriscou de longe. Gato Félix não conseguiu segurar e a sobra ficou para Chiquinho, que bateu em cima do goleiro. Sete minutos depois, Chiquinho foi a linha de fundo e centrou na segunda trave. Nunes cabeceou com manda o figurino. Para baixo, com força. Mais uma vez o goleiro do Americano fez uma grande defesa.

Aos 20, Zico levou uma pancada de Orlando Fumaça e passou a jogar no sacrifício. O zagueiro campista continuou a distribuir pancadas. Júnior foi a vítima seguinte. Dessa vez, levou o cartão amarelo.

O Flamengo seguia atacando. Aos 33, mesmo machucado, Zico mostrou porque era craque. Cobrou uma falta com extrema categoria. Infelizmente, a bola bateu no travessão, quicou sobre a linha e foi afastada pela zaga.

Um minuto depois, o Americano ficou com um homem a menos em campo. Orlando Fumaça deu mais um de seus pontapés e foi expulso.
Com a vantagem numérica, finalmente saiu o gol rubro negro. Aos 38, Adílio roubou a bola no campo de ataque e deixou Nunes na cara do goleiro. O atacante teve calma suficiente para finalizar fora do alcance de Gato Félix. Um a zero!

Ainda houve tempo para mais uma boa chance. Aos 43, Andrade soltou uma bomba da intermediária que explodiu na trave esquerda do arqueiro de Campos.

No intervalo, Sani teve que tirar Zico, que não agüentou as dores no tornozelo. Peu entrou no seu lugar. O time não sentiu a saída de seu craque. Aos três minutos, Marinho ganhou uma dividida na defesa e avançou com a bola. Ao chegar na intermediária ofensiva, tocou para Adílio. O camisa oito deu um passe magistral por elevação para Chiquinho. O ponteiro encobriu Gato Félix e marcou o segundo tento do Flamengo. Dois a zero!

A equipe da Gávea deitava e rolava. Para recompor sua defesa, o Americano tirou seu ponta direita, Piscina, de campo. Com isso, Júnior, sem ter a quem marcar, passou a jogar solto.

Aos 18, o time de Campos tentou ir a frente. Perdeu a bola e ficou desarrumado atrás. Peu esticou lançamento para Nunes, na esquerda. Sozinho, ele avançou, entrou na grande área e rolou para trás. O passe achou Baroninho, que encheu o pé e marcou o terceiro.

Estava fácil demais. Três minutos depois, veio o quarto gol. Peu recebeu de Andrade e de um drible de corpo no marcador, fugindo inclusive da falta. Depois, passou por outro zagueiro e marcou um golaço. Quatro a zero!

Aos 28, uma obra prima. Adílio, deslocado pela direita, cruzou. A zaga afastou e o rebote caiu nos pés de Andrade, na meia lua. O volante ajeitou, viu o goleiro adiantado e tocou por cobertura, no ângulo. Cinco a zero!

Para piorar ainda mais as coisas, o jogador Ronaldo sentiu uma lesão e ficou em campo apenas fazendo número, deixando o Americano com dois jogadores a menos em campo.

Aos 38, Sérgio Pedro cometeu pênalti em Adílio. Nunes bateu forte, no canto esquerdo e fez seis a zero mengão.

A cinco minutos do fim do jogo, Carlos Alberto foi a linha de fundo e centrou. Mais uma vez, a zaga afastou mal. Nunes aproveitou a sobra para chutar de primeira, rasteiro, e dar números finais ao massacre. Sete a zero! Era também o sétimo gol do artilheiro do campeonato carioca.

Em sua análise final, o comentarista da TVE, José Inácio Werneck falava sobre a grande atuação de Adílio em sua volta a equipe. “Com Adílio, a movimentação do meio de campo volta a ser dinâmica, como era antes. Sua grande performance mostra toda sua importância para o Flamengo. E não se esqueçam que ainda falta o Tita nesse time.”

O último adversário antes da excursão a Europa seria o Vasco. A preocupação de todos na Gávea era com a recuperação de Marinho e Zico, que apresentavam lesões. O galinho era quem mais preocupava, já que o tornozelo duramente atingido por Orlando Fumaça ainda estava inchado e dolorido.

Flamengo 1x0 Vasco
Para alívio de todos, Zico recuperou-se e foi escalado para o clássico. E logo no começo da partida, ele fez um lançamento longo para Nunes, deslocado pela esquerda. O artilheiro do campeonato invadiu a área e mandou uma bomba que assustou o goleiro Mazaropi.

A vitória seria importantíssima para o Flamengo, que embarcaria rumo a Europa no dia seguinte. Aos oito, Chiquinho cruzou. Zico dividiu com o zagueiro e, mesmo caído, conseguiu desviar de cabeça para o meio da área. Nunes aproveitou-se do passe e bateu forte, de primeira. A bola saiu raspando a trave esquerda do Vasco.

O domínio era todo rubro-negro. Aos 16, Carlos Alberto arriscou de longe e obrigou Mazaropi a praticar segura defesa. Chamava atenção a movimentação do time. Zico, muito marcado, recuava para armar o jogo, abrindo espaços para as incursões de Adílio. Nunes se mexia tanto pela esquerda como pela direita e confundia a zaga cruzmaltina.

Aos 18, não teve jeito. Carlos Alberto tocou para Chiquinho. O ponta derivou para o meio e serviu Zico. O galinho entortou Orlando com um drible de corpo e chutou colocado, abrindo o marcador. Um a zero!

Com a desvantagem, o Vasco se viu obrigado a sair mais para o jogo, atacando especialmente pelo lado esquerdo e levando vantagem sobre Carlos Alberto. Mesmo assim, não criou nenhuma oportunidade clara para empatar a peleja.

Aos 38, Baroninho foi derrubado na entrada da área. Zico cobrou de forma magistral. Infelizmente, a bola foi na trave direita, rolou por sobre a linha e acabou aliviada pela zaga. Mazaropi, coitado, ficou parado, só rezando e torcendo.

Logo no recomeço do jogo, após o intervalo, Raul levou a pior em uma dividida com César e acabou se lesionando. Foi substituído por Canterele. A primeira chance do Vasco só aconteceu aos nove minutos, em um tiro longo de Dudu, que passou rente a trave esquerda.

A resposta rubro-negra veio aos doze, quando Marinho se antecipou na defesa, tabelou com Zico e foi à linha de fundo. Lá, ele cruzou rasteiro para o arremate de primeira de Chiquinho. Bem colocado, Mazaropi fez a defesa.

Em seguida, para fechar mais o meio de campo, Bria sacou Baroninho e pôs em campo Leandro, atuando como cabeça de área.
A substituição não fez bem ao Flamengo. Acuado, a equipe cedeu campo ao Vasco e ainda perdeu a saída de contra ataque. Aos 31, Roberto recebeu grande passe de Dudu e perdeu um gol feito.

Faltando sete minutos para o fim do clássico, o Fla finalmente criou uma boa chance. Leandro recebeu na lateral esquerda e centrou na cabeça de Zico. A testada saiu forte, para baixo. Mazaropi se esticou todo e praticou grande intervenção para espalmar a bola, desviando-a para escanteio.

Aos 42, João Luís cobrou falta da meia direita e mandou a pelota no cantinho. Dessa vez, foi Cantarele quem teve que se desdobrar para evitar que o Vasco chegasse a igualdade.

O jogo ficou aberto no final. Aos 44, novamente Leandro fez grande jogada pela esquerda e cruzou. Orlando desviou de cabeça e a sobra caiu nos pés de Chiquinho, dentro da área. O ponteiro ajeitou a redonda e bateu, mas Mazaropi saiu bem do gol, abafando a conclusão.

Mesmo muito recuado na etapa complementar, a vitória no clássico dava uma tranqüilidade muito grande para a equipe, que ia para a Europa na liderança da Taça Guanabara com apenas um ponto perdido.

Depois da série de bons resultados, os jogadores pareciam felizes.

únior disse que a confiança voltou a Gávea. Adílio, por sua vez, declarou que a equipe entraria na ponta dos cascos para a disputa da Taça Libertadores.

Porém, como sempre, nem tudo eram flores. Tita veio a público dizer que não mais atuaria pela ponta direita e que preferia ser negociado. Insatisfeito com a reserva, Cantarele também pediu pra sair. Ambos cabaram multados pela diretoria. O goleiro em 10% do seu salário. O meio campista em 40%. Nesse misto de euforia e crise, o time embarcou para a disputa do Torneio de Nápoles.
Na semifinal da competição, o Flamengo deu show. Bateu o Avelino por cinco a um, com gols de Adílio, Baroninho (2), Zico e Leandro.

No dia seguinte, a decisão contra o Napoli, anfitrião da disputa. Zico conta que antes da partida conversou muito com Nunes. “Expliquei a ele que futebol não se joga apenas com a bola nos pés. O Napoli tinha na defesa o holandês Rudi Krol, que era quem iniciava todas as tramas ofensivas. Pedi a Nunes que marcasse-o em cima. Assim foi feito”.

De fato, com Krol anulado, o mengo deu mais um passeio. A goleada de cinco a zero (três de Zico, Nunes e Adílio) serviu para que a imprensa européia se encantasse definitivamente com o futebol requintado e de muito toque de bola da equipe. Zico, com mais uma atuação de gala, passou a ser cada vez mais especulado como possível reforço de algum grande time do velho continente. Para completar a semana perfeita, Vítor e Mozer conquistaram o título do Torneio de Toulon com a Seleção de novos e ganharam moral com Telê Santana. Mas seguiriam na reserva do Flamengo.

De volta ao estadual, o rubro-negro esbarrou na grande atuação do goleiro Ernani, do América. Com grandes defesas, ele parou o ataque do fla e foi o responsável direto pelo empate sem gols. Apesar de perder o segundo ponto na Taça Guanabara, o mengo ainda era líder.

Sem tempo para descanso, o time rumou para o Estádio Ítalo Del Cima, onde atropelou o Campo Grande por cinco a dois. Zico, duas vezes, Nunes, duas vezes e Rondinelli foram os autores dos tentos.

Flamengo 2x1 Volta Redonda
Dino Sani mandou a campo Cantarele, Leandro, Rondinelli, Marinho e Júnior. Andrade, Adílio e Zico. Chiquinho, Nunes e Baroninho. Aos quatro, Zico girou em cima de seu marcador e de perna esquerda perdeu ótima oportunidade de abrir o marcador.

Apesar de ter o domínio completo da partida e não sofrer qualquer tipo de ameaça, o fla simplesmente não conseguia furar a retranca do voltaço. Impaciente, a torcida começou a vaiar. Afinal, essa vitória era fundamental para que o time conquistasse a Taça Guanabara.

Aos 30, uma rebatida da zaga mal feita sobrou para Nunes. O atacante tinha espaço para progredir, mas resolveu bater de virada, da entrada da área. Acabou finalizando em cima do goleiro. Essa jogada era um retrato da atuação rubro-negra até o momento: preguiçosa!

Finalmente, o gol saiu aos 39. Júnior abriu para Baroninho, que centrou. Nunes subiu mais do que a zaga e testou firme. Um a zero!

A etapa final começou com um susto pra torcida. Amauri, cara a cara com Cantarele, desperdiçou o empate. Na sequência, Nunes achou Zico no meio da zaga. O galinho avançou, mas acabou finalizando em cima do goleiro do Volta Redonda.

O time estava mais ligado. Aos 10, Nunes, deslocado pela esquerda, cruzou na segunda trave. Zico, de voleio, mandou a bola na trave. Depois, a equipe voltou a entrar no modo preguiça. E tomou o castigo aos 27. Leandro falhou no corte. Amauri pegou a sobra, foi a linha de fundo e centrou. O pequenino Betinho subiu completamente desmarcado e empatou a partida.

Imediatamente, Sani pôs Tita em campo no lugar de Baroninho. Ele que não queria jogar na ponta direita, acabou na ponta esquerda. Acuado pelas vaias e pelo resultado, o Flamengo respondeu. Aos 34, Tita achou Júnior na esquerda. O lateral foi a linha de fundo e rolou para trás. Zico ainda teve tempo de dominar e ajeitar a bola antes de tocar para o fundo das redes. Mengo dois a um!

Faltando quatro minutos para o fim do jogo, Rondinelli sentiu a perna e foi substituído por Mozer. Em seguida, Chiquinho puxou um contra ataque pela direita e rolou para Tita bater forte, de primeira. Infelizmente, a conclusão acabou saindo por sobre a meta.

No último minuto, Nunes recebeu grande passe de Adílio, avançou, driblou o goleiro e incrivelmente conseguiu chutar para fora. Digno de Inacreditável Futebol Clube. De qualquer forma, com os dois pontos conquistados, o Flamengo se aproximou ainda mais da conquista do primeiro turno e de garantir sua vaga na decisão do estadual.

O próximo compromisso era o clássico diante do Fluminense. Em crise e já sem chances de conquistar o turno, o tricolor escalaria um time misto. No último coletivo antes do jogo, os reservas bateram os titulares por três (Anselmo, Fumanchu e Peu) a um (Zico). O alerta estava dado.

Flamengo 1x2 Fluminense
Do lado do Fluminense, quatro desfalques. Dino Sani escalou o Flamengo com Cantarele, Leandro, Mozer, Marinho e Júnior, Andrade, Adílio e Zico, Chiquinho, Nunes e Baroninho. Em seu comentário inicial na TVE, José Inácio Werneck foi enfático. “O favorito hoje é o Flamengo. O Fluminense vem cumprindo uma campanha catastrófica e está muito desfalcado”.

A partida começou com o rubro negro tendo mais posse de bola. Entretanto, quem chegava com mais perigo era o tricolor, especialmente pela esquerda, onde Zezé levava vantagem no duelo com Leandro.

Aos 19, Rubens Galaxe apanhou a sobra de um cruzamento de Robertinho e mandou uma bomba que passou raspando a trave direita de Cantarele. Aos 23, saiu o gol do flu. Leandro falhou e permitiu que Rubens Galaxe ganhasse a divida e centrasse na área. Cantarele não saiu. Zezé segundo cabeceou e quando a bola ia entrando, Mozer conseguiu cortar. No rebote, Zezé bateu de primeira e abriu o marcador. Fluminense um a zero.

O empate rubro negro veio um minuto depois. Chiquinho arrancou pela direita e passou por três marcadores. Ao entrar na grande área, ele rolou para Zico, que avançou e da marca do pênalti soltou o tiro para estufar as redes. Um a um. Uma igualdade conquistada na base da individualidade e da qualidade técnica da equipe.

Mesmo com a igualdade, o Flamengo não se achava em campo. Aos 30, Zezé passou como quis por Leandro e bateu para boa defesa de Cantarele. O primeiro tempo chegou ao fim com o panorama inalterado. Um rubro negro confuso e um tricolor atacando pelos flancos e muito mais perigoso.

Lesionado, Nunes saiu no intervalo, dando lugar a Tita, que jogou como um falso nove. Logo aos três minutos, Robertinho levou a melhor em cima de Marinho, foi a linha de fundo e rolou para trás. Zezé segundo chutou rasteiro, cruzado, sem defesa para Cantarele. Fluminense dois a um.

Aos 13, foi a vez de Baroninho deixar o campo. Vítor entrou em seu lugar. Dessa forma, a equipe se reestruturou em um 4-2-1-2-1, com Vítor e Andrade na cabeça da área. Zico, de ponta de lança. Chiquinho pela ponta direita e Adílio na esquerda. E Tita definitivamente foi atuar como centroavante.

Aos 17, Andrade recebeu de Zico aparentemente em posição legal. Mesmo assim, o árbitro assinalou o impedimento e anulou o que seria o tento de empate. A pressão do mengo acontecia muito mais pelo recuo excessivo do Fluminense do que por méritos técnicos.Aos 33, foi a vez de Zico marcar. Novamente, o árbitro anulou, alegando que o galinho estava fora de jogo.

De fato, a atuação do Flamengo foi muito ruim. A diretoria reclamou muito dos gols anulados. Entretanto, mesmo sendo derrotada a equipe permanecia na liderança por pontos perdidos, beneficiada pelo empate no confronto entre Bangu e Botafogo.O fla tinha dois pontos a mais e um jogo a menos que o alvinegro. Os dois gols anulados também foram foco de muita reclamação por parte dos rubro negros.

De qualquer forma, a equipe sabia que precisava esquecer rapidamente o tropeço no clássico. Afinal, a próxima parada seria contra o Atlético-mg, no Mineirão, na estréia da Libertadores. E a preparação não começou nada bem. Adílio, que fora instruído a cair pela ponta esquerda contra o Fluminense e simplesmente não obedecera, foi afastado dos treinos. Além disso, Nunes, ainda sentindo a lesão, era dúvida.

No coletivo, Dino Sani escalou Vítor e Andrade na cabeça da área, para dar maior proteção a defesa. No treinamento, funcionou. Os titulares bateram os juvenis por três a zero, com dois gols de Zico e um de Tita.

No dia da partida, duas boas notícias para a torcida. Primeiro, Adílio pediu desculpas por não ter acatado as instruções do seu treinador e recebeu o perdão. Depois, o Botafogo empatou em casa com o Americano (0x0) e mesmo com dois jogos a mais, seguia atrás na classificação.

No Mineirão, a estratégia de Sani não funcionou. Acuado, o Flamengo levou dois gols do Atlético e parecia que iria estrear com derrota na Libertadores. Mas Flamengo é sempre Flamengo. Na base da garra, Nunes e Marinho marcaram e o time conseguiu arrancar um ponto que parecia muito pouco provável.

A imprensa criticou muito as alterações de Sani. Quando perdeu Andrade, contundido, o treinador colocou Fumachu na ponta direita, deslocando Tita para o meio de campo. Mais tarde, sacou Fumanchu, mandou Tita para a extrema direita e liberou Vítor para encostar no ataque. Aliás, Tita, Nunes e Andrade se contundiram no jogo e foram imediatamente vetados do confronto contra o Olaria.

Antes de ir a Rua Bariri, o Flamengo contou com novo tropeço do Botafogo, desta vez, diante do América (0x0). Com isso, uma vitória diante do Olaria praticamente garantiria o tetracampeonato da Taça Guanabara e a uma vaga na decisão do estadual.

Em campo, o time fez a sua parte. Bateu o Olaria por três a zero, com dois gols de Zico e um de Ronaldo. Agora, a equipe era líder, dois pontos a frente de Botafogo e América. Bastava um empate na última rodada, diante do alvinegro para a conquista do tetra. Ou talvez nem isso.

Devido ao regulamento confuso, o Flamengo poderia ser campeão sem entrar em campo. No sábado, o América jogaria contra o Fluminense. Se vencesse, chegaria aos mesmos 16 pontos do rubro-negro e garantiria a conquista, já que mesmo vencendo o clássico de domingo, o Botafogo também alcançaria os 16 pontos. E com os três rivais empatados, o primeiro critério de desempate era o número de vitórias. O que, nesse caso, garantiria a conquista do mengo.

Escaldado pela derrota frente ao Fluminense, Dino Sani pediu respeito ao Botafogo. O clima era de muita confiança. No coletivo apronto, goleada dos titulares em cima dos reservas, por quatro (três de Tita e Marinho) a zero.

No sábado, o América bateu o Fluminense, por dois a um e o Flamengo pode comemorar por antecipação o tetracampeonato da Taça Guanabara. Mais do que isso, com a vaga garantida na decisão do estadual, a equipe poderia agora focar apenas na Libertadores.

Flamengo 0x0 Botafogo
O clássico não passou de um simples amistoso. Ou de um jogo de entrega das faixas. Dino Sani escalou Cantarele, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior. Figueiredo, Adílio e Zico, Tita, Ronaldo e Baroninho.

A partida começou com o Botafogo tomando mais a iniciativa, especialmente pelo lado direito, nas costas de Júnior. Aos poucos, o Flamengo foi encaixando seus contra ataques. Aos 11, foram duas chances criadas e desperdiçadas. A primeira, por Ronaldo, que não alcançou um desvio de Zico e a segunda com Adílio, que finalizou em cima de seu próprio companheiro.

Aos 17, Júnior tabelou com Zico e cruzou. A zaga do Botafogo falhou e Ronald conseguiu matar a bola no peito, no meio dos dois zagueiros. O centroavante ajeitou o corpo e chutou, mas acabou pegando mal na bola e perdendo mais uma boa chance.

Zico teve a sua chance de abrir o placar oito minutos depois. O galinho recebeu de Júnior, avançou até a meia lua e bateu com violência. O remate passou rente a trave esquerda de Luís Carlos. Apesar da gritante superioridade na etapa inicial, o rubro negro não conseguiu sair do zero a zero.

No intervalo, Dino Sani fez uma alteração. Saiu Leandro e entrou Nei Dias. E logo aos quatro minutos o Flamengo perdeu mais uma ótima chance. Nei Dias tabelou com Tita, avançou e tocou para Zico. O galinho ganhou na corrida de Zé Eduardo e bateu cruzado, raspando a meta de Luís Carlos.

Aos 13, o técnico do mengo fez outra substituição. Sacou Ronaldo, colocando Peu em seu lugar. Claramente, o objetivo era ganhar ainda mais força ofensiva, já que Ronaldo não esteve bem no jogo.

Não foi o que aconteceu. Por conta de sua característica de meia, Peu recuava muito e acabava embolando com Zico, deixando o Flamengo sem presença de área e, conseqüentemente, sem criar muitas chances.

Aos 37, a primeira oportunidade alvinegra. Mirandinha recebeu lançamento de Mendonça, passou com quis por Mozer e finalizou de esquerda. Cantarele se esticou todo e conseguiu desviar para escanteio.

Com sua velocidade, Mirandinha levou pânico a defesa rubro negra. Aos 43, novamente ele ganhou na corrida de Mozer, entrou na área e bateu cruzado. Para sorte do Flamengo ninguém fechou na segunda trave. O zero a zero permanecia. E pelo quarto ano seguido a Taça Guanabara ia para a Gávea!

No próximo texto: O Segundo Turno do Carioca de 81 e o fim da primeira fase da Taça Libertadores. Até lá!





quarta-feira, 13 de maio de 2015

Futebol Pitacos- Jogos de Quarta 13/05

Cruzeiro 1x0 São Paulo

-Se o São Paulo havia sido muito melhor no Morumbi, o Cruzeiro foi bem superior, especialmente na etapa final no Mineirão. Em uma disputa tão equilibrada assim, deu o óbvio. Disputa de pênaltis.

-Ganso e De Arrascaeta, pouco apareceram. O jogo, principalmente dos mineiros, era pelos lados do campo. De qualquer maneira, a partida era disputada com alta intensidade e agradava.

-O primeiro tempo começou com uma pressão total da raposa. Isso durou até os quinze minutos. Depois, o tricolor passou a tocar a bola, valorizar a posse e atacar mais, fazendo boa partida. Porém, existia um sério problema no seu lado esquerdo de defesa. Reinaldo, amarelado, tomava um baile de Marquinhos e não tinha ajuda dos companheiros. Era o mapa da mina para os mineiros.

-A etapa complementar foi toda do Cruzeiro. o time adiantou a marcação, criou oportunidades e marcou por onde já se previa. Em jogada nas costas de Reinaldo, saiu o gol de Leandro Damião.

-Depois disso, a raposa seguiu atacando. E desperdiçando chances de garantir a classificação no tempo normal. Milton Cruz tentou dar mais vida e velocidade ao seu ataque, com as entradas de Luís Fabiano e Centurión. Não funcionou.

-Nos pênaltis, deu Cruzeiro. Justo, como também teria sido se tivesse dado São Paulo. O bicampeão brasileiro segue na luta por seu terceiro título na Libertadores. E o tricolor tem elenco mais do que suficiente para buscar nova classificação para o torneio no ano que vem. Resta saber se terá motivação para tal.

Inter 3x1 Atlético-mg

-O melhor duelo da fase de oitavas de final da Libertadores. Dois jogos muito bons e bem disputados. Mas no fim, passou quem hoje é mais organizado e tem mais elenco.

-O Inter jogou o tempo todo com uma estratégia clara. Recuava suas linhas de marcação (jogou no 4-4-1-1) e deixava o galo propor o jogo e ter a posse de bola. Ao mesmo tempo, tinha espaço para a velocidade de Valdivia e Eduardo Sasha (que depois foi substituído por Jorge Henrique). Foi assim e com dois golaços que ampliou a sua vantagem antes mesmo do intervalo.

-Como de praxe, o Atlético não desistiu e foi com tudo para cima na etapa complementar. Conseguiu diminuir a desvantagem. Porém, uma falha individual de Dátolo deu a Lisandro Lopez a chance de selar a classificação colorada. O que chamou mais atenção nesse lance foi o fato de dois jogadores gaúchos estarem pressionando a marcação na grande área adversária. Palmas para Diego Aguirre.

-O técnico do Inter, aliás, merece todos os parabéns. Questionado até pouco atrás, ele vem fazendo um ótimo trabalho.

-Para o galo, que caiu de pé, lutando, resta tentar nova classificação para a Libertadores nos certames nacionais. Pelo elenco que possui, está entre os favoritos.

-O Inter vai enfrentar nas quartas o bom time do Independiente de Santa Fé. Decide em casa e é favorito a passar as semifinais. Novamente, serão dois jogos espetaculares. Valerá assistir!

Corinthians x Guarani-par

-Não. O Corinthians não era isso tudo que muitos achavam. A eliminação para o Palmeiras no Campeonato Paulista, o empate diante do San Lorenzo e as derrotas para o São Paulo e Guarani já davam mostras da queda. Contudo, a equipe é superior ao Guarani. E era favorito para se qualificar.

-O primeiro tempo nem foi tão ruim. Foram várias chances criadas. As mais claras foram perdidas por um Guerrero ainda sem ritmo de jogo. Mesmo assim, a equipe que se notabilizou por marcar poucos gols trabalhava a bola, trocava passes, tinha a bola. Mas encontrava dificuldades para passar pelo 5-4-1 paraguaio. Até porque Elias não jogava bem e Ralf atrasava as transições ofensivas.

-O gol não saiu, mas a torcida não parou. O time sim. A etapa complementar foi desastrosa. As entradas de Mendoza e Danilo não tiveram o efeito desejado. Poucas chances foram criadas. E o que era ruim ficou ainda pior com o destempero de Fábio Santos e Jádson, justamente expulsos pelo árbitro chileno Enrique Óses.

-Com dois jogadores a mais, o gol do Guarani até demorou a sair. Quando aconteceu, não foi surpresa pra ninguém. Méritos para um time que sabia das suas limitações. Mas que fez o resultado em casa, como havia feito quando venceu o Racing, campeão argentino, na fase de grupos.

-Sem as receitas das fases mais agudas da Libertadores, como o timão fará para acertar os salários? Prevejo semanas difíceis no Corinthians, com saída de jogadores e muita lavagem de roupa suja. É o preço a se pagar pela eliminação precoce. Se conseguir juntar os cacos e focar no brasileirão, tem boas possibilidades de lutar pela vaga na Libertadores do ano que vem. O problema é que a panela de pressão que é o clube está prestes a explodir.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Futebol Pitacos Jogos de Terça- 12/05

Bayern de Munique 3x2 Barcelona

-Deu a lógica em Munique. Cheio de desfalques importantes e com uma grande desvantagem, o Bayern lutou, pressionou, atacou, mas não conseguiu o milagre da classificação. O estrago feito por Messi no Camp Nou já havia selado o destino dos baváros.

-A partida foi muito boa, como todos esperavam. O Bayern saiu pressionando, adiantando Rafinha e Bernat para marcar os laterais do Barcelona no campo de ataque. Xabi Alonso fazia as vezes de terceiro zagueiro quando isso ocorria. A torcida vinha junto e parecia acreditar. E o gol marcado logo aos sete minutos, em um escanteio reforçou ainda mais a esperança.

-Entretanto, o clube catalão não se abalou. Seguiu tocando a bola e achando os espaços, especialmente no lado esquerdo da defesa alemã. Foi por lá que Rakitic desperdiçou boa chance. E também foi por onde Messi achou Suarez, que bateu a linha de impedimento e achar Neymar sozinho para igualar a partida.

-O que já estava ruim ficou ainda pior quando o uruguaio novamente serviu o craque brasileiro para virar o placar ainda no primeiro tempo.

-Messi não foi brilhante como de costume. Mas jogou em prol da equipe. Mais recuado que o habitual, o argentino foi o responsável pelo antepenúltimo toque. e por levar os marcadores a loucura com sua habilidade.

-Com a classificação já garantida, o Barça poupou Suarez e pouco fez na etapa final. Jogando pela honra, o Bayern atacou, pressionou e chegou a virada, sem nunca chegar a ameaçar a vaga do time espanhol.

-Fica agora a torcida desse blogueiro para um superclássico espanhol na final dessa edição da UEFA Champions League. Seria a final dos sonhos. Depende do Real Madrid amanhã!

Palmeiras 5x1 Sampaio Corrêa

-Jogando pelo empate em zero a zero, o Palmeiras começou melhor, inclusive encontrando incrível facilidade para criar jogadas pelo meio da defesa. Foi por ali que perdeu uma grande chance e teve um gol bem anulado, tudo isso antes dos 15 minutos.

-Jogando fechadinho, o time maranhense tentava explorar a velocidade de Pimentinha. E foi com ele entortando o zagueiro Vítor Hugo que saiu o gol de Diones. Gol esse que deixou o verdão extremamente nervoso. A equipe paulista passou a errar passes fáceis e muito pouco criou a partir desse momento. Culpa também do esquema tático de Oswaldo de Oliveira, que atuava com dois volantes (Gabriel e Amaral) diante de um adversário que pouco saia para o jogo.

-No intervalo, o treinador arrumou a casa, tirando Amaral e colocando Robinho. A pressão foi total e, antes dos 10 minutos o Palmeiras já havia virado o marcador. As jogadas pelo lado direito começaram a surgir com naturalidade, já que Lucas apoiava com eficiência, Robinho dava suporte e Rafael Marques caia por aquele setor.

-Precisando pelo menos do empate, o Sampaio tentou ir a frente, mas só tinha como arma a velocidade. Ou os chutes de longe. Mesmo assim, carimbou duas vezes a trave de Fernando Prass e por pouco não igualou o placar.

-Depois que o Palmeiras marcou o seu terceiro gol, o Sampaio sentiu o golpe e baixou a guarda, deixando o alviverde chegar a goleada com naturalidade. Porém, apesar do placar dilatado, que os torcedores não se iludam. A partida foi mais complicada do que o marcador sugere. A classificação a próxima fase foi justa pela qualidade e quantidade do seu elenco. Mas ficou muito claro que o Palmeiras precisa melhorar, e muito, para brigar pelos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- A preparação para o Carioca e Libertadores 1981

A preparação para o carioca e Libertadores 81

Os boatos sobre a reformulação da equipe começaram logo. Adílio seria trocado pelo ponta esquerda Zezé, do Fluminense, para solucionar o já crônico problema da posição. Outro que deve deixar a Gávea é Luís Pereira. O Palmeiras será seu destino. Baroninho, ponta que surgiu no Noroeste e que atualmente estava no verdão será incluído na negociação (o fla recebeu três milhões, mais o empréstimo de Barone até o fim da temporada)

Pelo menos Dino Sani teria 15 dias só de treinamentos para acertar o time. Só depois seriam marcados amistosos. O primeiro reforço anunciado não agradou muito os torcedores. Do Figueirense, chegou por empréstimo o ponta Gersinho. Após ser apresentado, o jogador acabou retornando para o Figueirense e o negócio foi cancelado, já que Lico não aceitou ser emprestado para o time de Santa Catarina.

A ponta direita continuaria a ser prioridade. Nos dias que se seguiram, Fumanchu foi emprestado ao Santos e Chiquinho, ponteiro do Olaria foi contratado.

Ao mesmo tempo, começa a “guerra” para renovar o contrato de Zico. A idéia da Diretoria era marcar um amistoso contra a Seleção Brasileira. Com a renda, renovaria o vínculo do camisa 10. A CBF vetou a realização do jogo. Na mesma semana, Rondinelli renovou. Faltavam Zico e Adílio.

Quase no fim do período de treinamentos, Leandro voltou a treinar e assumir a lateral direita da equipe, após longo período afastado por conta do acidente que sofrera.

O primeiro amistoso foi diante do Democrata, em Minas. Novamente, o Flamengo decepcionou, ao empatar em dois a dois. Chiquinho e Tita marcaram os gols. De bom, a atuação dos novos ponteiros, Chiquinho e Baroninho.

Antes do próximo compromisso, a central de boatos voltou a aparecer. Segundo ela, Adílio seria trocado por Guina, meia do Vasco. Imediatamente, a Diretoria rubro-negra tratou de recusar a proposta.

Contra o Carlos Chagas, veio a primeira vitória. Dois a zero, com gols de Chiquinho e Leandro. O time esteve muito mal no primeiro tempo, mas melhorou na etapa final. Enquanto isso, na excursão da Seleção Brasileira a Europa, Zico mostrava que valia o que pedia. Ele marcou seu gol de número 500, frente a Inglaterra, em Wembley, na primeira derrota dos ingleses para sul americanos em seu estádio.

Ainda sem poder contar com os jogadores que estavam servindo o Brasil, o Flamengo foi derrotado pelo Vasco, em amistoso, por um a zero. Na seqüência, a delegação foi para Porto Alegre, jogar a final do Torneio de Maldonado, que havia sido adiada por conta das chuvas, contra o Grêmio. Empate em um a um (gol de Nunes) no tempo normal e título vermelho e preto, no sorteio.

De volta a Gávea, Zico avisa: Sem contrato, não jogo. O Milan volta a carga para contratar o jogador. Novamente, o rubro-negro recusa a proposta italiana.

No próximo texto: O primeiro Turno do Carioca de 81 e o começo da Libertadores. Até lá!




quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Taça de Ouro de 1981, as fases decisivas


Segunda Fase

Tendo ficado com o segundo lugar do grupo na primeira fase, o Flamengo iria enfrentar Atlético-mg, Colorado e o Uberaba (que veio da Taça de Prata). Todos jogavam contra todos, em ida e volta e apenas os dois primeiros colocados avançariam as oitavas de final.

Porém, antes de voltar ao certame nacional, era hora de faturar. E lá foi a equipe para o Uruguai, participar do Torneio de Maldonado. Na estréia, vitória categórica sobre o Peñarol, por três a zero, com gols de Anselmo, Lino e Peu. Infelizmente, por conta das fortes chuvas, a decisão com o Grêmio foi adiada, ficando para ser disputada em outra data, no Brasil.

De volta a Taça de Ouro, o primeiro jogo era contra o Atlético-mg, no Maracanã, em uma revanche da final do ano passado. Para este clássico, Bria pode contar com Zico, Júnior e Tita, liberados por Telê Santana da Seleção Brasileira que disputava as eliminatórias para a Copa de 82. Da mesma forma, o galo poderia contar com Éder, Reinaldo e Cerezo.

Durante a folga de carnaval, ocorreu um grave problema com o lateral direito Leandro. Ele estava em Cabo Frio, sua cidade natal quando se envolveu em um acidente automobilístico. O jogador teve várias fraturas e estava fora do resto do campeonato. Junto com ele estava o atacante Anselmo, que teve mais sorte. Sofreu apenas alguns arranhões e já foi a praia no dia seguinte.

Preocupada, a Diretoria tratou de contratar logo dois laterais para a sua posição. Carlos veio do São Cristovão. E Nei Dias, do XV de Jaú. Ambos por empréstimo até o fim do ano.

O centroavante mineiro era alvo de preocupação na Gávea. Afinal, havia acabado de ter uma grande atuação na vitória do Brasil sobre a Bolívia em La Paz, por dois a um. Bria designou Luís Pereira para marcar individualmente o camisa nove atleticano.

No coletivo apronto, goleada dos titulares, por quatro (Peu, duas vezes, Nunes e Luís Pereira) a um (Anselmo).

Apesar do bom treino, surgiram problemas de última hora para Bria. Tita, com torção no tornozelo e Júnior, que não acertou a renovação de seu contrato, estavam fora. Dos jogadores da Seleção, apenas Zico jogaria. Apesar dos desfalques do time carioca, a expectativa era de um grande jogo.

Flamengo 2x1 Atlético-mg

Bria mandou a campo o seguinte time: Raul, Carlos Alberto, Luís Pereira, Marinho e Mozer (improvisado na lateral esquerda), Andrade, Adílio e Zico, Lino, Nunes e Édson.

Sem tantos problemas, o time mineiro começou melhor. Logo aos três minutos, Éder cobrou falta da direita e Cerezo, sem marcação, cabeceou para ótima defesa de Raul. Se o treinador rubro negro instruiu Luís Pereira para marcar individualmente Reinaldo não sabemos. Mas que o zagueiro se lançava a frente a todo o momento, deixando a defesa desguarnecida, era fato.

Aos 20, funcionou novamente a dupla Éder e Reinaldo. O ponteiro lançou e o atacante aproveitou a hesitação de Luís Pereira para invadir a área e finalizar rente a meta de Raul.

A improvisação de Mozer na lateral esquerda trazia um grave problema ao Flamengo, já que ele não apoiava e deixava Édson isolado na ponta. Com isso, o time carioca só forçava as jogadas pelo lado direito.

E foi por aquele setor que saiu o lance do gol do galo. Aos 25, o ponta Frazão passou como quis por Mozer e foi derrubado na entrada da área. Éder cobrou de forma magistral, mandando a bola no ângulo superior esquerdo de Raul. Com toda justiça, Atlético um a zero.

Aos 29, o empate rubro-negro Zico, de calcanhar, deixou para Luís Pereira. O zagueiro avançou e tocou para Adílio. O camisa oito descobriu Nunes entrando livre pela meia esquerda, nas costas do zagueiro Osmar. O artilheiro do campeonato bateu forte, de perna esquerda para igualar a peleja. Um a um.

Na etapa complementar, o Atlético continuou melhor, com Éder levando vantagem sobre Carlos Alberto e Frazão em cima de Mozer. Aos 10 minutos, Bria tirou Andrade e pôs Vitor em campo, tentando melhorar a marcação.

Coincidência ou não, no minuto seguinte o Flamengo desempatou. Édson cobrou escanteio da esquerda. A defesa aliviou e a sobra ficou para Adílio, na meia lua. O neguinho bom de bola dominou a pelota e, ao perceber que tinha muita gente na sua frente, deu um toque com o lado do pé, colocando a bola no canto esquerdo de Pereira e marcando um golaço. Flamengo dois a um.

A partir daí, o jogo ficou mais equilibrado. O Atlético saiu pro jogo, tentando chegar ao empate e o mengo teve espaço para explorar os contra ataques. Aos 25, Reinaldo ganhou de Luís Pereira e bateu cruzado. A bola saiu tirando tinta da trave direita de Raul.

Aos 27, Bria tirou Édson e colocou Peu em campo. Na seqüência, Nunes deixou Lino na cara do gol, com um brilhante toque de calcanhar. Ao invés de colocar a bola, Lino optou por chutar forte. Infelizmente, o remate acabou saindo à esquerda de Pereira.

Os espaços apareciam cada vez mais. Aos 31, Lino cruzou. Zico ganhou de Osmar, girou e chutou. Pereira fez um milagre e conseguiu desviar para escanteio. A partida passou a ser disputada em ritmo alucinante. No minuto seguinte, Peu foi desarmado na intermediária. Éder foi lançado por Heleno nas costas de Carlos Alberto, que saia para buscar o ataque. O camisa onze ganhou na velocidade de Luís Pereira e bateu forte. A bola explodiu na trave esquerda e saiu pela linha de fundo.

Aos 38, Cerezo recebeu de Éder, fintou Adílio e mandou uma bomba que explodiu na trave. Dois minutos depois, novamente Éder quase empatou a partida ao cobrar falta com violência. O chute explodiu no peito de Raul. Para sorte do goleiro, ninguém do Atlético estava perto para conferir a sobra.

No fim das contas, o Flamengo levou os dois pontos, mas novamente, não esteve bem no jogo. O Atlético criou mais chances e merecia melhor sorte.

Contra o Uberaba, fora de casa, Bria voltaria a não poder contar com Zico, Júnior e Tita, novamente na Seleção. Mozer foi mantido na lateral esquerda, Peu substituiu o galinho e Lino seguia na ponta. A renda da partida foi recorde do estádio do interior mineiro. Nunes, de bicicleta, deixou mais uma vez a sua marca. Do outro lado, porém, Raul também sofreu um gol e a partida terminou empatada.

A terceira partida seria em Curitiba, diante do Colorado. Bria mais uma vez ia mexer na equipe. Rondinelli foi escalado na lateral direita, com Carlos Alberto passando para a esquerda. Rond não gostou nem um pouco de ser improvisado e reclamou muito. Para completar, mais duas alterações: a entrada de Fumanchu na vaga de Lino. E a volta de Carpegianni, no lugar de Peu.

Como era de se esperar, a equipe esteve desentrosada, confusa e nervosa. Foi goleada por quatro a zero. E se não fosse Raul, o prejuízo poderia ter sido ainda maior. Com o resultado, o Flamengo ficava em segundo lugar, com três pontos, junto do Atlético-mg e um ponto atrás do Colorado, novo líder da chave.

No dia seguinte a derrota, o Milan anunciou que mandaria representantes ao Rio para comprar o passe de Zico. A Diretoria rubro-negra sequer recebeu o ex ídolo e então Diretor do rossonero, Gianni Rivera. Mesmo assim, os italianos apresentam sua proposta. O Flamengo queria 4 milhões de dólares. Os europeus ofereciam apenas 1,6 milhões. Para alívio geral da nação, a negociação foi abandonada. Zico, todavia, avisou que exigiria salários e prêmios ao nível de Europa para renovar.

Pela quarta rodada, o compromisso seria em Belo Horizonte, diante do Atlético-mg. Prestigiado, Bria pensa em promover a estréia de Nei Dias, na lateral direita. Na Gávea, a Diretoria acertou a renovação do contrato de Júnior. O lateral, assim como Zico e Tita ainda não estariam disponíveis para enfrentar o galo. Mas reforçariam a equipe nos dois últimos jogos da fase.

Um clima hostil era esperado em BH. Afinal, ao Atlético também só interessava a vitória. Apesar das expectativas, dentro das quatro linhas, o jogo foi morno. Ninguém quis arriscar demais, sabendo que poderia decidir a sua sorte nas duas rodadas derradeiras, diante de adversários teoricamente mais fracos. E o placar não foi alterado. Zero a zero.

Com isso, bastava ao Flamengo vencer o Uberaba, no Maracanã e contando com a volta dos jogadores que estavam na Seleção para garantir a classificação as oitavas de finais. Para surpresa de todos, a Diretoria acertou com Dino Sani para ser o novo técnico do time. Modesto Bria só ficaria até o confronto diante do Colorado. A razão alegada para a substituição no comando técnico era que o Flamengo precisava de alguém com mais nome, com mais pulso para as fases derradeiras da Taça de Ouro e, especialmente para a Libertadores que se aproximava.

Como precisava arrumar dinheiro para renovar o contrato de Zico, os passes de Adílio e Rondinelli devem ser vendidos ao Corinthians, após o término do Brasileiro.

Flamengo 4x2 Uberaba

Em seu penúltimo jogo, Bria mandou a campo o seguinte time: Raul, Carlos Alberto, Luís Pereira, Marinho e Júnior. Vítor, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Carlos Henrique. Apesar de contar com a volta dos jogadores que classificaram o Brasil para a Copa de 82, o rubro-negro parece que entrou em campo dormindo. Logo aos quatro minutos, Nei entrou num buraco entre Carlos Alberto e Luís Pereira. Para nossa sorte, ele chutou torto, saindo longe da meta do fla.

Dois minutos depois, não teve jeito. Paulo Luciano recebeu na intermediária, driblou Adílio e bateu. Raul falhou e a bola passou entre seus braços. Uberaba um a zero. Aos oito, Zico lançou Nunes que passou pelo goleiro, mas perdeu ângulo. Mesmo assim e apesar do galinho estar sozinho no meio da área, o atacante tentou a conclusão, que acabou indo pela linha de fundo.

O Flamengo tentava reagir. Aos 12, Zico cobrou falta e obrigou o goleiro do time mineiro a fazer uma difícil defesa. A atuação, contudo, era ruim. Carlos Henrique, bastante acionado, não ganhava uma disputa com seu marcador. Pior, seu posicionamento travava as tentativas de apoio de Júnior. Zico pouco pegava na bola. Vítor era obrigado a cobrir as seguidas investidas de Luís Pereira ao ataque, o que deixava o meio de campo fragilizado. E o lado direito, onde Tita se postava, era praticamente esquecido, pois por ali não se atacava.

Na transmissão da TVE, o comentarista Achiles Chirol dizia: “Há muito tempo que não vejo o Flamengo jogar tão mal como nesse primeiro tempo”. E a coisa ainda piorou. Aos 37, Nezinho lançou Nei nas costa de Luís Pereira. Carlos Alberto não estava lá para fazer a cobertura. O ponta passou por Raul e cruzou para Serginho só encostar. Uberaba dois a zero. Silêncio no Maracanã!

O Flamengo voltou do intervalo com uma alteração: Ronaldo no lugar de Carlos Henrique. A equipe mudou a atitude. Inflamada, a torcida veio junto. Aos cinco minutos, Júnior cobrou escanteio da esquerda. O goleiro Diron saiu mal e a bola sobrou para Tita, que bateu meio sem ângulo. A finalização desviou na cabeça do zagueiro Rafael e entrou. Taticamente, ouve apenas uma modificação. Nunes passou a ocupar com mais freqüência o flanco esquerdo, enquanto Ronaldo ocupava seu lugar no meio. Isso confundiu a zaga adversária.

O empate veio aos 14. Zico cobrou falta da direita. Marinho cabeceou prensado com as costas do zagueiro. Para sua felicidade, a sobra ficou na medida para que o zagueiro soltasse uma bomba, de primeira, quase no ângulo esquerdo de Diron. Dois a dois!

Aos 21, a virada. Júnior cobrou escanteio da esquerda na primeira trave. Zico desviou de calcanhar e achou Nunes sozinho, dentro da pequena área. O artilheiro do certame só teve o trabalho de desviar para as redes. Três a dois!

Aos 27, Júnior e Nunes tabelaram pela meia esquerda. O capacete deu um grande passe em profundidade para a penetração de Ronaldo, que cruzou no capricho para Tita pegar de sem pulo e marcar o quarto gol rubro-negro. Um prêmio pela mudança de atitude do time.

Faltando nove minutos para o fim, Zico sentiu uma pancada e foi substituído por Fumanchu, que entrou na ponta direita. Sendo assim, Tita foi para a vaga do galinho, no meio de campo. Sem seu maior astro em campo, o rubro-negro tirou o pé do acelerador e apenas tocou a bola e gastou o tempo. A virada emocionou Bria e os jogadores, que dedicaram a vitória ao treinador.

Como o Atlético-mg venceu o Colorado, no Paraná, o grupo ficou assim para a derradeira rodada. Em primeiro, o Flamengo, com seis pontos. Em seguida, vinham o Atlético e o Colorado, com cinco. Na lanterna, o Uberaba, com quatro. Os confrontos serão Flamengo x Colorado e Atlético x Uberaba.

Na reapresentação do grupo, Tita afirmou que não mais jogaria na ponta direita e que queria brigar pela posição no meio do campo, assim como fizera na Seleção (e Telê nunca mais o chamou). Como a equipe estava praticamente classificada para as oitavas de final, a preocupação da Diretoria passou a ser a renovação do contrato de Adílio e o fim do seguro de 60 dias de Marinho e de Carlos Alberto (naquela época, a legislação permitia que o clube oferecesse um seguro para o jogador seguir atuando após o fim do seu contrato. Esse seguro tinha duração máxima de dois meses e, após o fim, o clube era obrigado a fixar o preço do passe do jogador na Federação. A partir dali, qualquer clube que depositasse o valor, levaria o atleta). Esses três casos aconteceriam durante a fase de mata mata da Taça de Ouro.

Para aliviar um pouco os problemas, Zico foi reavaliado e liberado para o confronto diante do Colorado, que estava atravessado na garganta dos jogadores após a goleada sofrida por quatro a zero.

Flamengo 2x1 Colorado

Para seu último jogo no comando do mengo, Bria manteve a equipe do segundo tempo contra o Uberaba, com Ronaldo na vaga de Carlos Henrique. Fechadinho na defesa, o Colorado explorava os contra ataques e os erros do Flamengo. No primeiro deles, aos quatro minutos, Júnior errou um passe simples para Marinho. Buião interceptou e tocou para Jorge Nobre finalizar com muito perigo.

O rubro negro repetia os erros dos jogos anteriores. Era muito lento na transição ofensiva, o que facilitava a recomposição do time paranaense. A torcida, que comparecia em grande número ao Maracanã, começava a ficar nervosa e a reclamar do rendimento dos cariocas.

Aos 24, teve início uma impressionante seqüência de oportunidades. Zico mandou uma bomba de longe, que passou rente ao travessão de Joel Mendes. Na jogada seguinte, o Flamengo apertou a marcação no campo de ataque e Ronaldo conseguiu roubar a bola. Dali, o toque foi pra Nunes, que carregou e serviu Tita. O chute saiu forte e Joel Mendes fez milagre para defender. Aos 25, foi a vez de Vítor tomar a pelota e lançar Nunes, em posição duvidosa. O atacante mandou o tiro longe do goleiro. Infelizmente, a bola saiu raspando a trave direita. A pressão não parava. Aos 27, Zico ganhou com falta do zagueiro Caxias, foi a linha de fundo e cruzou para trás. Adílio dominou e chutou. A bola desviou em um defensor e novamente Joel Mendes estava lá para evitar o primeiro gol rubro negro.

Aos 39, a zebra apareceu. Jorge Nobre recebeu dentro da área, protegeu a bola com o corpo e abriu para Buião, na direita. O ponta foi a linha de fundo e cruzou rasteiro, forte. Aladin, sozinho, completou na segunda trave e fez um a zero para o Colorado. Esta derrota, combinada com a vitória do Atlético-mg sobre o Uberaba eliminava o Flamengo da Taça de Ouro. Para variar, a equipe deixou o gramado sob vaias.

Com o apoio da torcida, o Flamengo começou a etapa final em cima, porém sem criar uma grande oportunidade. E pior, dava espaço para os contra ataques do Colorado. Na transmissão da TV Globo, Gérson dizia: “Tá fácil, fácil entrar na defesa do Flamengo. A coisa ta complicando.” Aos nove, quase o time do Paraná aumenta. Nílton tabelou com Aladim, recebeu na frente e soltou um pombo sem asa que explodiu no travessão de Raul.

Aos 16, Bria pôs Nei Dias em campo, para substituir Carlos Alberto, que pediu para sair pois estava errando tudo o que tentava. O dia parecia que não seria mesmo rubro-negro. Aos 18, Nei Dias cruzou na cabeça de Zico, que estava desmarcado. O galinho testou com consciência mas a bola caprichosamente explodiu na trave de Joel Mendes.

Aos 22, Zico e Luís Pereira foram tabelando desde o meio campo. O camisa 10 tentou a finalização, mas o chute saiu a direita da meta do Colorado. No minuto seguinte foi a vez de Tita assustar o goleiro com um tiro de fora da área.

A pressão era toda rubro-negra. Muito mais na base da raça e do apoio da torcida do que da organização, o time se lançava a frente. Aos 29, Bria tirou Ronaldo e colocou Fumanchu, que foi jogar na ponta direita, com Tita passando para a extrema esquerda.
No lance seguinte, Joel Mendes fez duas defesas espetaculares. Primeiro em uma cabeçada de Adílio. Depois, num chute a queima roupa de Nunes. O tempo ia passando e nada do gol sair. Aos 33, Adílio saiu carregando da intermediária e rolou para Zico. O galinho entrou na área e na saída do goleiro tocou com imensa categoria, empatando o jogo. Um a um.

Aos 35, Tita tocou para Zico, que passou no meio de dois marcadores e de bico, de perna esquerda, desempatou e garantiu a virada e a classificação rubro negra. Dois a um e com um golaço com a assinatura do camisa dez da Gávea!

Uma análise um pouco mais fria mostra que as duas últimas viradas aconteceram muito mais na base do talento individual e do recuo excessivo dos adversários do que por méritos do Flamengo. Estava claro que para poder brigar pelo título, a equipe ainda teria que melhorar muito.

Com o primeiro lugar garantido, o próximo adversário seria o Bahia, já pelas oitavas de final da competição. Dino Sani assume no lugar de Bria e já realiza uma alteração tática: Adílio vai para a ponta direita e Tita passa a jogar no meio. Acaba desistindo, pois só teve dois dias de treinos para o primeiro jogo.

Na Fonte Nova lotada, o Flamengo foi inteligente, tocou a bola e não correu grandes riscos, segurando o zero a zero com o Bahia. O novo treinador acabou optando por tirar Vítor da equipe, escalar Adílio e Tita no setor e Fumanchu na ponta direita. Ao ser substituído, Adílio deu a seguinte declaração: “Estão querendo me derrubar. Isso é coisa do Tita que quer jogar no meio de qualquer jeito”. Pronto, Dino Sani mal havia chegado e já tinha que enfrentar a sua primeira crise.

Flamengo 2x0 Bahia

Dino Sani novamente mudou o time. Fumanchu foi para a ponta direita e Tita para a esquerda. Além disso, Nei Dias foi efetivado na lateral direita. A partida começou em marcha lenta. Só aos 10 minutos, Zico fez lançamento longo para Fumanchu que centrou para Nunes finalizar de primeira. O remate passou raspando a trave esquerda.

Aos 14, Nei Dias cruzou na segunda trave. Nunes ajeitou de cabeça e Adílio bateu firme, para boa defesa do goleiro Renato. A atuação rubro-negra não era boa. De novo. Aos 29, Gílson Gênio arrancou da intermediária, driblou Vítor e Luís Pereira e bateu com muito perigo para Raul. Aos 40, Fumanchu sentiu uma pancada no joelho direito e foi substituído por Anselmo. E nada mais aconteceu no primeiro tempo.

Logo aos dois minutos da etapa final, quase o Bahia abre o marcador em duas oportunidades. Na primeira, Leo Oliveira deu grande passe para Washington, que invadiu a grande área, nas costas de Júnior e chutou. Raul conseguiu desviar e a zaga mandou para escanteio. Na cobrança, Gílson passou por Marinho e finalizou a direita do goleiro carioca.

O Flamengo somente ameaçou aos 26, quando Zico cobrou uma falta com perigo para Renato. Aos 31, finalmente saiu o gol rubro-negro. Nei Dias cruzou da direita. A bola passou por toda a defesa baiana e se ofereceu para Nunes só completar na segunda trave. Um a zero.

Aos 45, Tita roubou a bola no campo de ataque, passou pelo seu marcador e cruzou. Nunes, de peixinho, mandou para o fundo das redes, marcando o seu décimo sexto gol na Taça de Ouro. Flamengo, classificado para as quartas de final, dois, Bahia zero.

Apesar de estar a seis jogos de conquistar o bicampeonato nacional, mais uma vez a atuação foi duramente criticada pela torcida e pela imprensa. Os especialistas diziam que sem pontas autênticos, o que embolava o jogo pelo meio. Na Gávea, os jogadores fizeram uma reunião para selar a paz e fazer um pacto pelo título.

O adversário das quartas de final seria um velho conhecido, o Botafogo, que despachara o CSA. O alvinegro teria a vantagem de jogar por dois resultados iguais. No coletivo apronto, vitória dos titulares, por três a um. Gols de Nunes (2) e Zico, com Peu descontando para os suplentes. Para melhorar ainda mais o clima, Marinho e Carlos Alberto renovaram seus contratos e estavam aptos a enfrentar o rival.

Flamengo 0x0 Botafogo

Chovia muito no Rio de Janeiro. O gramado, apesar de estar em boas condições, estava bastante pesado. Mesmo assim, mais de 117.000 pessoas foram ao estádio. Apesar de precisar da vitória, para reverter a vantagem alvinegra, Dino Sani mandou o time a campo com dois volantes. Raul, Carlos Alberto, Luís Pereira, Marinho e Júnior. Vítor, Andrade e Zico, Tita, Nunes e Adílio foi o time escolhido pelo treinador para começar o clássico. Na realidade, era o 4-2-3-1 tão usado hoje em dia.

A partida começou com o Flamengo tomando a iniciativa, atacando muito e com o Botafogo fechadinho na defesa, tentando explorar os contra ataques e cometendo muitas faltas para truncar o jogo.

Só aos 23 minutos, o rubro-negro conseguiu vencer o forte bloqueio defensivo do rival e ameaçar a meta de Paulo Sérgio. Zico e Adílio tabelaram pela meia esquerda. O galinho finalizou prensado por Ademir Lobo e o remate saiu rente a trave direita.

Aos 30, Júnior recebeu na intermediária ofensiva, ajeitou e mandou uma bomba. A bola quicou na frente de Paulo Sérgio e ganhou velocidade no campo molhado. O goleiro do Botafogo fez uma grande intervenção e conseguiu desviar o tiro para escanteio.

O grande problema do Flamengo seguia sendo a falta de jogadas pelas pontas. Na direita, Carlos Alberto era limitado e Tita circulava por todo o campo. Na esquerda, Júnior estava acostumado e funcionava melhor entrando mais pelo meio. E Adílio pouco aparecia na extrema. Dessa forma, o time embolava pelo meio e facilitava a marcação alvinegra.

O rubro-negro voltou do intervalo com uma alteração. Peu substituiu Adílio. Só que a deficiência permanecia. Em um lance, logo aos cinco minutos, Júnior recebeu a bola pela meia esquerda e teve que parar a jogada para pedir desesperadamente a presença de alguém naquele lado.

Aos 16 minutos, Perivaldo recebeu um escanteio curto, derivou para o meio e bateu forte, de perna esquerda. Raul desviou para corner, no que foi a primeira chance do Botafogo em toda a partida.

Aos 20, a melhor chance do Flamengo em todo o clássico. Tita cobrou tiro de canto da direita. Luís Pereira cabeceou para cima. Nunes dividiu com Paulo Sérgio, que conseguiu dar um soco e mandar a bola para a entrada da área. Andrade viu que o goleiro estava adiantado e tentou encobri-lo. Para seu desespero, a bola tocou no travessão e saiu. No minuto seguinte, Carlos Alberto centrou e Tita, sozinho, testou para segura defesa do camisa um do Botafogo.

Porém, as coisas se complicaram aos 28. Nunes deu uma entrada desleal, por trás, em Perivaldo. O árbitro Romualdo Arppi Filho não teve dúvidas e mostrou cartão vermelho para o artilheiro do Campeonato. Pior, ele já era desfalque certo para o jogo de domingo, que decidiria a classificação.
Com um homem a mais, o Botafogo tratou de tocar a bola e não correr riscos desnecessários. E ainda teve tempo para perder mais uma oportunidade. Aos 43, Perivaldo recebeu passe longo de Marcelo, entrou no espaço deixado por Júnior em suas costas e bateu forte. Raul fez grande defesa e impediu que o prejuízo rubro-negro fosse ainda maior. No fim das contas, a partida terminou mesmo no zero a zero.

Sem muito tempo para treinar qualquer alternativa, Dino Sani confirma Peu na vaga do suspenso Nunes. Sua idéia era ter um ataque sem centroavante fixo, com muita movimentação, para tentar envolver o sistema defensivo alvinegro na base do toque de bola.

Flamengo 1x3 Botafogo

O Botafogo entrou com Jérson, um homem de meio de campo no lugar do atacante Mirandinha. Ou seja, ia jogar fechadinho novamente, já que o empate lhe favorecia. Só que o Flamengo conseguiu reverter a vantagem logo aos quatro minutos. Júnior cruzou, a zaga afastou e Adílio emendou. A bola bateu em Zico e enganou Paulo Sérgio. Um a zero. E o alvinegro teria que sair para o jogo.

Peu, caindo mais pela esquerda, dava uma canseira em Perivaldo. Apesar de não criar grandes oportunidades, o rubro-negro jogava bem e mandava no jogo. O Botafogo assustou aos 20, em uma bola parada. Depois de um escanteio cobrado por Marcelo, Mendonça cabeceou com perigo para Raul.

Aos 24, Júnior ganhou na base da vontade de Rocha e tocou para Zico. O galinho invadiu a grande área, mas chutou fraco, de perna esquerda, desperdiçando excelente oportunidade. Doze minutos depois, o camisa 10 teve nova chance de aumentar a vantagem e dar tranqüilidade ao Flamengo. Adílio fez jogada individual pela esquerda e rolou para Zico, que dominou de direita, girou e bateu de esquerda. A pelota passou tirando tinta da trave esquerda de Paulo Sérgio, que pulou, mas não alcançaria se a redonda fosse para o gol.

Aos 44, Júnior perdeu a bola na intermediária para Rocha. O volante lançou Perivaldo, que cruzou. Raul saiu mal do gol e Mendonça se antecipou e empatou o clássico. Voltava a dar Botafogo.

Precisando da vitória, o Flamengo foi com tudo para frente, dando ao alvinegro o contra ataque que ele tanto queria. Aos dois minutos, Marcelo só não fez o segundo porque dominou mal a bola. Dois minutos mais tarde, Adílio respondeu com uma finalização que passou raspando a trave.

Aos 14, Dino Sani mexeu no time. Saiu Andrade e entrou Carpegianni, voltando depois de um longo período lesionado. Segundo o treinador, a substituição era “para ganhar qualidade e entrar mais na área do Botafogo”. Os microfones da TV Globo flagraram Sani cometendo uma gafe ao chamar Andrade de Júnior, quando o volante deixava o gramado.

Aos 31, Sani colocou Anselmo em campo, no lugar de Peu. A tentativa era dar um pouco mais de presença física na briga contra os zagueiros. Não funcionou. Cada vez mais exposto, o Flamengo dava mais e mais espaço para o contra ataque.

Aos 38, Zico cobrou falta na barreira. A sobra ficou com Rocha que lançou Mirandinha. O atacante invadiu a área, tocou por cima de Raul, mas Vítor salvou em cima da linha. Aos 40, não teve jeito. Mirandinha Laçou Édson, que disparou pela direita e centrou na segunda trave. Mendonça desviou para o meio e Jérson completou para as redes.

A cereja no bolo alvinegro veio aos 42. Édson cruzou. Mendonça dominou, entortou Júnior com um drible desconcertante e com extrema categoria tocou na saída de Raul. Botafogo três a um. Os planos para o bicampeonato nacional ficavam para 1982.

Nas semifinais, o São Paulo eliminou o Botafogo e o Grêmio a Ponte Preta. Na decisão do título, o tricolor gaúcho venceu duas vezes o tricolor paulista e conquistou pela primeira vez o campeonato brasileiro.

No próximo texto: A preparação para o Campeonato Carioca e para a Libertadores. Até lá!



terça-feira, 28 de abril de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- A Taça de Ouro de 1981, Primeira Fase


Taça de Ouro de 1981

Primeira Fase

O grupo rubro negro na fase inicial era composto por Nacional de Manaus, Paysandu, Sampaio Correia, Itabaiana, Fortaleza, Cruzeiro, CRB, Santa Cruz e o adversário da estréia, o Santos.
Flamengo 0x0 Santos

Bria mandou a campo o seguinte time: Raul, Leandro, Rondinelli, Marinho e Carlos Alberto, Andrade, Carpegianni e Adílio, Fumanchu, Nunes e Júlio César.

Sob forte calor, a partida começou de maneira equilibrada. João Paulo travava ótimo duelo com Leandro. E foi o ponta santista quem teve a primeira chance de gol. Aos seis, ele cobrou falta da direita e mandou a bola no travessão de Raul. Aos oito, Júlio César tentou driblar no campo de defesa e acabou desarmado por Nelson, que avançou, passou como quis por Marinho e bateu de perna esquerda. O tiro saiu rente a trave direita.

O jogo era bom. O Flamengo reagiu criando duas boas chances. Aos onze, Leandro foi a linha de fundo e centrou. Nunes fez o corta luz e Adílio finalizou de primeira. Para azar do neguinho bom de bola, o remate saiu por muito pouco. Quatro minutos depois, Júlio César cobrou falta da intermediária com extrema violência. A bomba saiu rasteira e explodiu no poste esquerdo de Marolla. Nunes ainda teve duas oportunidades de abrir o placar, mas desperdiçou ambas.

Depois de um início intenso, a partida caiu muito, a partir dos 25 minutos. Só aos 43 aconteceu nova jogada perigosa. Júlio César bateu escanteio da direita na segunda trave. Adílio emendou de primeira, sem que a bola caísse. Marolla foi ao cantinho esquerdo e fez grande defesa. Chegava assim ao fim um primeiro tempo em que o Flamengo teve três chances claras, contra duas do peixe.

O rubro negro voltou do intervalo com uma alteração tática importante. Carlos Alberto foi para a lateral direita, marcar João Paulo e Leandro foi para a esquerda. Sem ter a quem marcar, pelo menos na teoria, ele estaria livre para apoiar o ataque o tempo todo.

Apesar da mudança, a primeira chance santista aconteceu justamente em cima de Leandro. Claudinho recebeu na meia esquerda e tocou nas costas do lateral para a penetração de Nelson. O lateral do peixe soltou uma bomba, que bateu na trave esquerda de Raul e saiu pela linha de fundo.

Bria logo percebeu que a mudança não surtiria efeito. Com 18 minutos, Leandro retornava para a direita e Carlos Alberto para a esquerda. Aos 21, a primeira alteração no Flamengo. Andrade deixou o campo, sendo substituído por Vítor. Um volante por outro. Dois minutos mais tarde, foi a vez de Ronaldo entrar no lugar de Julio César. Taticamente, o mengo ficou no 4-2-1-3. Vítor e Carpegianni marcavam e saiam pro jogo. Adílio fazia o papel que caberia normalmente a Zico. Fumnachu era o ponta direita. Ronaldo atuava mais centralizado e Nunes era quem ocupava a ponta esquerda. Confuso, o time nada mais criou.

Aos 25, Zé Carlos arriscou de fora da área e a bola quase foi no ângulo esquerdo de Raul. Na transmissão da TV Globo, Luciano do Valle já profetizava: “vai ser difícil alguém tirar esse zero do placar”.

E ele estava certo. A busca pelo bicampeonato nacional começava com vaias da torcida e um empate em zero a zero. Questionados sobre as razões para a má atuação, os jogadores do Flamengo foram quase que unânimes em apontar o calor como principal fator para o jogo ruim. Já pensando em mudanças, Bria disse que não havia gostado do rendimento do time na estréia e que Vítor deveria ganhar a vaga de Adílio.

O problema é que não haveria tempo hábil para treinar, já que na quarta feira a equipe tinha que estar em Manaus. Diante do Nacional, mais uma atuação pífia do Flamengo, que foi inteiramente dominado pelo adversário. Por sorte, Nunes achou um gol e deu o primeiro triunfo ao clube da Gávea.

Modesto Bria mostrava-se perdido. Novamente barrou Vítor e voltou com Adílio. De nada adiantou. Em Belém, derrota acachapante por três a zero para o Paysandú. A crise estava instalada. Começaram a pipocar nomes de possíveis novos treinadores. Sem alternativas e extremamente pressionado, o técnico mudou novamente a equipe. Barrou Andrade e lançou Peu. No coletivo, funcionou. Goleada de quatro a um para os titulares. Marcaram o próprio Peu (2), Adílio e Nunes. Anselmo descontou.

O próximo compromisso era em casa, diante do Sampaio Correia. Uma derrota e Bria perderia seu cargo. Mesmo sem jogar bem, o Flamengo venceu. Dois a zero, dois gols de Fumanchu.

Perseguido pela torcida, o ponta esquerda Júlio César é negociado com o Talleres, da Argentina. Em seu lugar, é confirmado Édson. Leandro, com dores na coxa, também é vetado. Vítor é improvisado na lateral direita. Em busca de maior entrosamento, um coletivo foi marcado para a véspera da viagem para o Sergipe. Nunes, Peu e Fumanchu marcaram para os titulares. Édson descontou para os suplentes.

Diante do Itabaiana, o mengo consegue novo triunfo de dois a zero (gols de Peu e Nunes). Porém, o péssimo futebol persiste e as críticas não param.

Na sexta rodada, uma goleada no Maracanã. Oito a zero em cima do Fortaleza. A noite foi de Nunes, que marcou cinco vezes e se isolou na artilharia da competição. Peu (2) e Vítor completaram o massacre. Pela primeira vez, a equipe recebia elogios.

Bria elogiou o time, mas os problemas continuavam a aparecer. Para a partida diante do Cruzeiro, no Mineirão, Rondinelli foi vetado e Nunes, que se casa na véspera do confronto foi liberado pela Comissão Técnica. Na zaga, entra Luís Pereira. No comando do ataque, Ronaldo.
Com tantos desfalques, o Flamengo voltou a jogar mal e empatou com a raposa em zero a zero.

Preocupados com as condições físicas de Leandro, a diretoria passa a buscar a contratação de um lateral direito. Mauro, do Guarani, fecha por 800 mil cruzeiros, ficando emprestado até o fim da temporada e com passe fixado em oito milhões.

No coletivo, cinco a um para os titulares, gols de Carlos Alberto (2), Nunes, Luís Pereira e Édson. Carlos Henrique descontou.

Em seu penúltimo compromisso nessa fase, a equipe viajou até Maceió, e bateu o CRB por três a dois. Nunes, duas vezes e Peu foram os autores dos tentos. Aliás, o alagoano Peu foi o grande destaque do jogo.

Já classificado, o Flamengo precisava derrotar o Santa Cruz no Maracanã e torcer para que o Santos fosse derrotado pelo Fortaleza na capital cearense se quisesse ficar com o primeiro lugar da chave. Com Édson e Fumanchu contundidos, Bria escalou Carlos Henrique e Lino como seus substitutos.

Nos bastidores, Adílio recebe proposta de 21 milhões de cruzeiros do Dallas Tornados. Mais uma vez, o meia recusa a proposta e segue no rubro negro.

No coletivo apronto, nova vitória dos titulares sobre os reservas, dessa vez por quatro (Nunes , duas vezes, Peu e Lino) a dois (dois de Ronaldo).

Flamengo 2x2 Santa Cruz

A grande atração do tricolor era a presença de Dario, o Dadá maravilha. Como de costume, ele prometeu marcar um gol, que chamou de “gol Márcio Braga”.

Como jogava em casa, o rubro negro tomou a iniciativa do jogo. Taticamente, a equipe se postava no 4-1-3-2 com a bola e no 4-2-3-1 sem a pelota. Leandro, Luís Pereira, Marinho e Carlos Alberto formavam a primeira linha. Andrade era o cabeça da área, Lino, um falso ponta direita. Adílio e Peu eram os meias, sendo que Adílio era quem mais ajudava na marcação, recuando para ajudar a organizar a saída de bola. Na frente, Nunes e Carlos Henrique, que sem a bola voltava para recompor a marcação.

Aos 14, Dario recebeu entre os zagueiros e bateu forte. Raul deu rebote e Baiano acabou finalizando para fora. Nesse lance, Luís Pereira estava visivelmente fora de posição.

O Flamengo finalizava mais, porém sem levar perigo ao gol do Santa. Na transmissão da TV Educativa, o comentarista Sergio Noronha resumia a partida. “O Flamengo toca a bola, toca bola e nada de concreto acontece. Nunes fica muito isolado lá na frente”.

Somente aos 25, o mengo teve a primeira chance de abrir o marcador. Nunes, deslocado pela direita, cruzou na segunda trave. Adílio, da pequena área, sozinho, cabeceou de nariz e tornou a defesa de Wendell tranqüila.

Aos 32, Luís Pereira cortou uma investida do ponta Joãozinho. A sobre ficou com Peu, que lançou Nunes pela meia direita. O atacante avançou e bateu firme. Wendell fez boa defesa e salvou o tricolor.

Um minuto depois, não teve jeito. Andrade roubou a bola, que ficou para Peu. O alagoano tocou para Adílio, que lançou Nunes no mesmo buraco da jogada anterior, entre o lateral esquerdo e o quarto zagueiro do Santa, na meia direita. O artilheiro do campeonato levou a bola e chutou forte. Desta vez, Wendell nada pode fazer. Flamengo um a zero!

Na saída das equipes para o intervalo, o repórter José Luiz Furtado foi entrevistar o jogador Isidoro e uma coisa muito curiosa aconteceu. No lance do gol, esse jogador ficou no chão, pedindo falta de Andrade. Ao ser perguntado se havia achado que sofrera falta no lance do gol, ele respondeu surpreso. “Que gol? Sério que saiu gol naquele lance? Eu estava caído e não vi”. Simplesmente antológico!

Curiosidades a parte, o Santa Cruz voltou para a etapa final melhor. Logo aos quatro minutos, Baiano fez excelente lançamento para Joãozinho, nas costas de Leandro. O ponteiro avançou e na saída de Raul deu uma cavadinha por sobre o arqueiro, empatando a peleja. Um a um.

Não deu nem tempo do tricolor comemorar. Aos seis, Andrade passou por três marcadores e tocou para Carlos Henrique, que de primeira, abriu na esquerda para Carlos Alberto. O improvisado lateral foi à linha de fundo e centrou. Nunes pegou de prima, de virada e marcou o segundo gol. Flamengo dois a um.

Aos 12, Carlos Henrique foi lançado por Peu, ganhou a dividida do lateral Celso e ficou cara a cara com Wendell. Infelizmente, o remate não saiu como ele queria e o arqueiro conseguiu desviar para escanteio.

Aos 22, o Flamengo adiantou sua marcação e Andrade roubou a bola no campo de ataque e tocou para Nunes. O artilheiro abriu para Peu, que invadiu a área e bateu na rede pelo lado de fora. No minuto seguinte foi a vez de Nunes arriscar de longe e assustar o goleiro Wendell. Sergio Noronha profetizou “o Flamengo vive um bom momento e voltou a dominar o jogo. Agora, precisa ter mais calma nas finalizações para marcar logo o terceiro gol e ter tranqüilidade. Afinal, no futebol, quem não faz, leva”.

Ele estava certo. O auto falante do Maracanã anunciou o fim do jogo em Fortaleza. O Santos vencera por dois a um e mesmo que o Flamengo conquistasse os dois pontos terminaria em segundo lugar do grupo. A equipe parece que sentiu isso e baixou a intensidade. Aos 31, Joãozinho chutou na trave de Raul. O rebote ficou vivo na área rubro negra. Baiano tentou nova finalização. A bola bateu na zaga e continuou por lá. Adílio chegou desesperado, tentando cortar o perigo. Só que ao invés de dar um chutão, o neguinho bom de bola tentou tirar com o lado do pé. Caprichosamente, a pelota entrou mansa, no canto esquerdo de Raul. Dois a dois.

Se o Santa Cruz vencesse a partida, tomaria o segundo lugar do Flamengo. Em termos de classificação, nada mudaria, pois os seis primeiros estavam qualificados para a próxima fase. Mas seria razão suficiente para a crise voltar a rondar a Gávea.

Tentando dar um pouco mais de poder de fogo ao time, Bria colocou Anselmo em campo, no lugar de Peu. Na prática, o treinador mexeu demais no time. Lino passou para o meio. Adílio foi avançado para a meia. Anselmo, que é atacante, entrou na ponta direita. Uma tremenda confusão! Não foi surpresa que nada mais de bom tenha acontecido. A única coisa que se viu, ou melhor, ouviu, foram as vaias da torcida, inconformada com o desempenho do time.

No próximo texto: As fases decisivas da Taça de Ouro de 1981. Até lá!


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