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terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Era de Ouro do Flamengo Parte 26- O início do Segundo Turno do Carioca e o fim da Primeira Fase da Libertadores


O início do segundo turno do carioca e o fim da primeira fase da Libertadores

Não deu nem tempo de comemorar o tetra da Taça Guanabara. Dois dias depois, o Flamengo voltava a campo, em partida válida pela Libertadores. No Maracanã, a equipe jogou bem e goleou o Cerro Porteno, por cinco a dois, com dois gols de Zico, dois de Nunes e um de Baroninho.

Preocupado com o desgaste apresentado pelos atletas, Dino Sani resolveu dar dois dias de folga ao elenco antes da estreia no segundo turno do Campeonato Estadual. A medida foi importante, especialmente para recuperar alguns jogadores. Era o caso de Chiquinho. Ele foi confirmado no onze titular, assim como Adílio. Assim, Tita foi para o banco de reservas.

Diante do Serrano, vitória de dois a zero. Zico e Renato, contra marcaram. Contudo, um fato inusitado aconteceu neste jogo e que pode ter mudado a história do clube. Mozer deixou o campo aos prantos ao ser substituído aos 17 minutos do segundo tempo, acusado por Sani de estar brincando demais dentro da área.De fato, os jornais da época dizem que o zagueiro saiu driblando quem aparecesse na sua frente em duas oportunidades. Com isso, Rondinelli volta a ganhar status de titular do time.

Os jogadores saíram em defesa de Mozer e a crise foi instalada na Gávea. Para amenizar o clima, os atletas prometeram ganhar do Olimpia, chegar aos cinco pontos e evitar passar sufoco nos jogos no Paraguai.

Pressionado, Sani perdoa Mozer. Porém, o gesto não foi suficiente para convencer a Diretoria rubro-negra que ele deveria permanecer no comando, especialmente pela forma como conduziu o ocorrido. Sem alternativas, o treinador foi demitido. Carpegianni, que já estava trabalhando como auxiliar técnico assumiu interinamente o cargo. Enquanto isso, os cartolas tentavam fechar com Nelsinho Rosa, ex Fluminense.

Carpegianni já contava com o apoio dos jogadores, afinal, havia sido um deles até pouco tempo atrás. Mesmo assim, para ganhar de vez o grupo, o novo treinador confirmou Mozer no time titular contra o Olimpia, que fora campeão da Libertadores em 79 e era base da Seleção Paraguaia.

Apesar de tudo, o Flamengo não esteve bem. Acabou empatando em um a um (gol de Adílio). Revoltados, os torcedores rasgaram a camisa de Tita e pediram em coro a volta de Dino Sani. Era mais uma prova da falta de paciência da torcida....

Apesar do tropeço, o fla permanecia na liderança junto com o Atlético-mg, ambos com quatro pontos. As notícias ruins não paravam. Marinho fraturou um dedo do pé e fica afastado por pelo menos 45 dias. E Nelsinho, sonho de consumo da Diretoria aceita proposta do Catar. Carpegianni é efetivado no cargo. Os atletas comemoram a decisão e dizem que darão o sangue pelo treinador. Tita, em baixa, tem proposta da Portuguesa de 40 milhões e diz que quer sair. Para completar, Nunes machuca o joelho e vira dúvida para os próximos compromissos.

De volta ao Carioca, a equipe viaja até Volta Redonda e tropeça mais uma vez, empatando em um a um, gol de Zico. Pior, o galinho deixa o campo mancando e também é dúvida para a “decisão” frente ao Atlético-mg.

Com tantos problemas, a Diretoria exige que Tita cumpra seu contrato e permaneça até 1982. O jogador conversa com Carpegianni e, mesmo insatisfeito, pede desculpas a torcida e aos companheiros. Mas deixa bem claro que ao fim do contrato deixará o clube.
O clima no Maracanã era de final de campeonato. Apesar de ter tudo a favor, mais uma vez a equipe se complicou. O empate em dois a dois (Tita e Nunes) obriga o time a conseguir os quatro pontos que irá disputar em Assunção para avançar a fase semifinal. Se conquistar três desses quatro pontos, acontecerá um jogo extra com o Atlético-mg, em campo neutro. Qualquer coisa abaixo disso e o galo mineiro avança. Nos vestiários, o clima era de derrota. Carpegianni diz que time desperdiçou a oportunidade de praticamente garantir a vaga e que agora a situação estava difícil.

Quem foi ao aeroporto acompanhar o embarque da delegação para Assunção pode comprovar o desânimo que tomou conta de todos. Zico era o único a dar esperanças a torcida. “Vamos com calma. Se vencermos o Cerro, precisaremos ao menos de um empate diante do Olimpia para dependermos só das nossas forças. A torcida pode ter certeza que faremos de tudo para voltarmos do Paraguai ou classificados ou em igualdade de condições com o Atlético”, disse.

Cerro Porteno 2x4 Flamengo

De branco, o Flamengo partiu para a “primeira decisão” enfrentando o gramado irregular e a iluminação ruim do estádio Defensores Del Chaco. A equipe escolhida por Carpegianni foi Raul, Leandro, Rodinelli, Mozer e Júnior, Vítor, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Baroninho. Logo aos 20 segundos, o rubro negro mostrou que ia com tudo para o ataque. Zico finalizou de longe e Fernandez defendeu. Aos três, Vítor recebeu de Adílio e bateu de perna esquerda. Mais uma vez o goleiro paraguaio fez boa defesa e evitou a abertura da contagem.

Aos sete, não teve jeito. Zico passou como quis pelo seu marcador e enfiou ótimo passe para Baroninho. O ponta chutou forte e fez um a zero, aliviando a torcida do fla.

Mesmo em vantagem, o time carioca seguia pressionando. Aos 18, Nunes foi lançado por Zico. O atacante esperou que algum companheiro aparecesse sem ser incomodado. Quando Tita passou pela sua direita, o atacante cortou para o meio e finalizou com violência. A bola explodiu na trave direita e se perdeu pela linha de fundo.

Aos 20, Leandro fez grande jogada individual pela direita, foi a linha de fundo e cruzou para trás. A bola bateu no peito do zagueiro Sandoval e foi na trave de Fernandez.

Estava muito fácil. Aos 26, Adílio entrou sozinho pela ponta direita e rolou para Zico, que vinha sozinho pelo meio. Da marca do pênalti, o galinho chutou. A bola explodiu na zaga e voltou para o camisa 10, que finalizou novamente. Mais uma vez, a pelota resvalou em um monte de defensores e não entrou. Incrível!

Aos poucos, o Flamengo diminuiu seu ritmo. Aos 36, Florentin chutou de longe e quase pegou Raul adiantado. O goleiro teve que se esforçar muito para mandar a finalização para corner. Aos 41, Rivas cobrou escanteio pela direita. Sandoval ganhou no alto e cabeceou como manda o figurino. De cima para baixo. Raul fez excelente defesa e evitou o empate. Aos 43, Ignácio Martinez entrou nas costas de Júnior e bateu cruzado, levando perigo ao goleiro carioca.

Aproveitando-se do embalo, o time paraguaio começou a etapa final tentando se impor, atacando o Flamengo. Em compensação, dava todos os espaços que o clube da Gávea podia querer. Zico, jogando completamente livre, comandou o show.

Aos sete, Júnior escapou em diagonal e lançou Baroninho. O ponteiro entrou sozinho e só desviou do goleiro Fernandez. Entretanto, o árbitro uruguaio Roque Cerullo anulou, assinalando impedimento. Mas a jogada era um aviso do que viria por aí.
Aos 10, Rondinelli levou a pior em uma dividida com Florentin e acabou tendo que deixar a partida, Figueiredo entrou em seu lugar. Três minutos depois, um chutão do goleiro Raul pegou Tita completamente sozinho na ponta direita. Ele avançou e rolou para Nunes. O atacante dominou mal a bola, que acabou sobrando para Zico. O galinho então invadiu a área e chutou com categoria, marcando o segundo gol rubro negro.

Impressionava a facilidade com que o mengo jogava. O Cerro se lançava todo a frente e não voltava para marcar! Aos 20, Baroninho cobrou escanteio pela direita rolando para Tita. O camisa 12 deu um drible seco em seu marcador e cruzou a meia altura. Zico, emendou de primeira, de sem pulo e marcou um golaço. Flamengo três a zero.

Com o resultado garantido, o time tirou o pé do acelerador. Aos 23, Jimenez foi a linha de fundo pela esquerda e cruzou fechado. Raul não cortou e Acosta, livre, na segunda trave só escorou para diminuir o prejuízo paraguaio.

Não deu nem tempo de se preocupar. Aos 25, Zico ganhou uma dividia no meio de campo. A sobra ficou com Adílio, que avançou sem ser incomodado. Quando a marcação chegou, o neguinho bom de bola rolou para Zico, que ajeitou e tocou sem chance para Fernandez, coroando uma atuação espetacular com um hat trick. Quatro a um.

Aos 28, Carpegianni sacou Baroninho e colocou Chiquinho em seu lugar. Um minuto depois, Nunes perdeu ótima oportunidade ao chutar em cima de Fernandez. Aos 31, Nunes cruzou e Adílio, sozinho, cabeceou para fora. O Cerro estava completamente entregue.
Aos 37, o time paraguaio se aproveitou que o Flamengo parou no jogo e dimnuiu. Florentin fez boa jogada pela direita e cruzou. Mozer e Figueiredo falharam e Jimenez, de cabeça, marcou. Quatro a dois. Um grande jogo da equipe carioca!

A primeira parte da missão havia sido cumprida. Três dias depois, diante do Olimpia, no mesmo Defensores Del Chaco, o Flamengo jogaria sua vida na Libertadores. Se vencer, estará classificado a fase semifinal. Se empatar, terá que disputar um jogo extra, em campo neutro, com o Atlético-mg. Se for derrotado, a vaga será do galo mineiro.

Encantada, a imprensa paraguaia diz que o Flamengo vence. Empolgado, Zico avisa. “Não posso prometer a vitória. E sim muita luta. No mínimo, vamos disputar a vaga com o Atlético, no Brasil”.

Carpegianni confirmou Figueiredo na zaga no lugar do lesionado Rondinelli. Além disso, na véspera da partida, Baroninho sofreu uma torção no tornozelo e virou dúvida. Se ele não puder jogar, Chiquinho entra na ponta direita e Tita passa para a esquerda.

Olimpia 0x0 Flamengo

Não houve necessidade de mexer na equipe. Carpegianni mandou a campo Raul, Leandro, Mozer, Figueiredo e Júnior, Vítor, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Baroninho. Com dez segundos, Zico fez boa jogada na ponta esquerda e cruzou. A zaga afastou e cedeu escanteio. Ficou a impressão que o Flamengo vinha com tudo para cima.

E o início realmente pareceu promissor. Aos seis, Baroninho centrou. Zico dominou e só rolou para Leandro, que vinha na corrida. O lateral bateu de primeira, rasteiro, cruzado. A bola passou raspando a trave direita paraguaia.

Só que o Olimpia, além de mais qualificado tecnicamente, assistiu o passeio rubro negro diante do Cerro e tratou de não cometer os mesmos erros. Fechou-se na defesa e marcou mais atrás, evitando assim que o fla tivesse os espaços para seu toque de bola. Aoas 12, Ortiz obrigou Raul a fazer duas boas defesas, assustando os cariocas pela primeira vez.

A partida transcorreu sem grandes emoções depois desse lance. O Flamengo não jogava bem e não encontrava as mesmas facilidades da terça feira. Portanto, passou também a não se arriscar muito na frente, afinal o empate ainda mantinha a equipe na disputa pela vaga.

Só aos 41, em um tiro longo de Baroninho, o time carioca voltou a ameaçar a meta de Almeida. O goleiro, no entanto, fez uma boa defesa e salvou o Olimpia de levar o primeiro gol.

Carpegianni voltou do intervalo com uma alteração. Saiu Leandro e entrou Carlos Alberto. Aos seis minutos, Zico achou Nunes dentro da área. O atacante bateu forte, de perna esquerda. O remate passou a direita da meta de Almeida.

Aos 16, o treinador mexeu novamente na equipe. Sacou Baroninho e pôs Chiquinho em campo. Não adiantou quase nada. Satisfeito com o empate, o Flamengo pouco se arriscava a frente. O time preferia tocar a bola e fazer o tempo passar.

Aos 42, Tita, deslocado pela esquerda, mandou uma bomba. Almeida bateu roupa e Chiquinho, sem ângulo, tentou a finalização, desperdiçando a chance de dar a classificação antecipada ao rubro negro.

Com a igualdade, Flamengo e Atlético se enfrentariam em Goiânia, no estádio Serra Dourada pela vaga na fase semifinal. Raul, sem contrato, diz que não pretende renovar. As falhas de Cantarele voltam a atormentar a torcida, ainda mais as vésperas de um jogo tão decisivo.

Na volta ao Brasil, Zico tratou de acalmar a torcida. “Fiquem tranquilos. O Atlético é um velho freguês. Claro que seria muito melhor já ter voltado do Paraguai classificados. Mas temos tudo para vencer o time mineiro”.
A guerra entre os dois rivais começou na escolha do local para a partida extra. O Flamengo queria jogar no Serra Dourada. Já o Atlético preferia o Morumbi. A Comebol realizou uma reunião no Rio de Janeiro e decidiu que o mengo ganharia esse round. Goiânia sediaria o jogo.

Dentro das quatro linhas Carpeggianni tinha problemas. Leandro e Figueiredo eram dúvidas. A coisa ficou ainda pior quando Vítor estourou o músculo da coxa e foi imediatamente vetado. Sem muitas opções, o treinador confirmou que escalaria Leandro e Figueiredo mesmo que eles não estivessem cem por cento recuperados.

O Galo também tinha seus percalços. Luisinho estava fora da partida. E Cerezo dizia que caso não renovasse o contrato, não atuaria. A Diretoria mineira agiu rapidamente e entregou ao jogador um ofício obrigando que ele jogasse, já que em 79 ele havia sido suspenso por dois jogos. Incrivelmente, a lei dizia que ele deveria “pagar” essas duas partidas, prorrogando automaticamente o seu vínculo. Sem ter o que fazer, o atleta calou-se e colocou-se a disposição.

Outro que voltava era o volante Chicão. Ele havia brigado com os cartolas e havia sido afastado. Mas foi reintegrado para o clássico. Isso levantou suspeitas que ele entraria em campo apenas para tirar Zico do jogo. Apesar de dizer que não acreditava nessa hipótese, Carpegianni mandou seu craque ficar esperto.

De qualquer forma, o Flamengo possuía uma vantagem dada pelo regulamento. Como teve um saldo de gols melhor, poderia empatar no tempo normal e na prorrogação para ficar com a vaga. Só faltava esse grupo ser definido. O Nacional do Uruguai, atual campeão, estava esperando, junto com Deportivo Cali, Jorge Wilstermann, Penarol e Cobreloa o sorteio das duas chaves semifinais.

Carpegianni confirmou o time sem mistérios. Raul, Carlos Alberto, Mozer, Figueiredo e Júnior. Leandro, Adílio e Zico. Tita, Nunes e Baroninho. O vôo para Goiânia foi tumultuada. Na escala em Belo Horizonte os jogadores do Atlético embarcaram. Os rivais viajaram o trecho final lado a lado. A guerra começava ali. E só terminaria no gramado do Serra Dourada.

Flamengo 0x0 Atlético-mg

Se o primeiro tiro ao gol foi do galo, a primeira boa jogada foi rubro-negra. Carlos Alberto tomou a bola de Jorge Valença, avançou, foi a linha de fundo e cruzou rasteiro. João Leite conseguiu interceptar e evitar que Nunes abrisse o marcador.

Aos seis minutos, Leandro arrancou e foi seguro por Cerezo. José Roberto Wright não teve dúvidas e amarelou o volante mineiro. A partida era bem truncada. Era nítida a preocupação do árbitro em apitar todas as faltas e segurar o jogo.

Aos poucos, o Flamengo foi tomando conta do jogo. Foram três boas chegadas até os 18 minutos. Por outro lado, o Atlético só ameaçava nas bolas longas para Reinaldo e nos chutes de Éder.

Aos 19, Palhinha que já havia levado uma bronca de Wright, fez falta por trás em Leandro e levou o amarelo. Dois minutos depois, Vaguinho deixou a sola em Júnior e também foi amarelado. Aos 27, Éder reclamou e recebeu o seu cartão. O festival de cartões continuou. No minuto seguinte Mozer empurrou Vaguinho e adivinhem? Amarelo para o zagueiro carioca. Na sequência, Wright chamou os dois capitães e avisou que a próxima entrada forte seria rua.

Aos 33, mudou a cor do cartão e começou a confusão. Reinaldo deu uma entrada forte, por trás em Zico. Wright expulsou o atacante mineiro. Dois minutos depois, Éder deu uma trombada no árbitro, falou qualquer besteira e também foi expulso. Depois disso, foi o caos. Os dirigentes mineiros invadiram o campo e pediram para que o time deixasse o campo.

Sem conseguir o objetivo, Chicão forçou a sua expulsão. Palhinha fez o mesmo. Na transmissão da TV Globo, Luciano do Valle dizia que “era um desrespeito a quem foi ao estádio”. Convidado como comentarista, Telê Santana, técnico da Seleção Brasileira foi veemente. “Wright estragou o espetáculo”.

Não restou outra alternativa ao Atlético a não ser pedir para que João Leite rolasse no gramado e alegasse não ter mais condições de jogo. Com seis jogadores apenas, não houve mais bola rolando. Teve dirigente do Atlético pedindo para que o Presidente João Figueiredo moralizasse o futebol nacional e que tomasse providências contra o golpe baixo dado pelo árbitro e pelo Flamengo.

O fato é que a vaga seria decidida nos tribunais da Comebol. A torcida rubro-negra teria que esperar cerca de uma semana para saber se estava na fase semifinal da Libertadores ou não.

Como esperado, os dias após o jogo foram bastante agitados. O Atlético contratou o advogado Valed Perry, tentando anular a partida alegando erro de direito. O Flamengo estava tranqüilo. Os Dirigentes tinham certeza que não fora o rubro-negro o causador dos problemas. Era certo, então, que o resultado de campo fosse mantido e a vaga assegurada. A grande preocupação dos cariocas era não cair no grupo dos uruguaios (Nacional e Penarol, que pelo regulamento teriam que estar na mesma chave na fase semifinal). A única unanimidade(endossada pela revista Placar em sua edição de de 28 de Agosto de 81) era a seguinte: Jose Roberto Wright era o responsável por ter atrapalhado o grande jogo.

Mas não havia tempo para chorumelas. Menos de 48 horas depois de enfrentar o Atlético, o Flamengo entraria em campo mais uma vez, desta vez pelo estadual, enfrentando o América. Para variar, Carpegianni tinha problemas. Figueiredo levou uma pancada em Goiânia e foi vetado. Leandro foi deslocado para a zaga e Andrade entrou na cabeça da área. Na meta, Raul deu lugar a Cantarele. O restante do time era o mesmo do Serra Dourada.

Flamengo 3x1 América

O América prometia se fechar na defesa no primeiro tempo e só se soltar na etapa complementar, explorando assim o cansaço rubro-negro. A primeira chance foi do Flamengo, em um contra ataque. Adílio lançou Nunes no costado da zaga, pela esquerda. O atacante carregou e tinha a opção de servir a Zico, que acompanhava a jogada pelo meio. Entretanto, Nunes preferiu finalizar de perna esquerda. Ernani segurou firme e não deu rebote. O América respondeu aos 18. Júnior deu bobeira e perdeu a bola na entrada da área para Manoel. Este tocou para Luisinho, que driblou Mozer e bateu forte, rasteiro. Cantarele se esticou todo e conseguiu uma excepcional defesa, desviando para escanteio.

A partida transcorria exatamente como a equipe rubro planejara. O fla só foi ameaçar novamente aos 36 minutos, novamente em uma bola roubada no campo de ataque, desta vez por Zico. O galinho tocou para Tita que viu Nunes nas costas de Heraldo e fez o passe. O João Danado passou pelo goleiro, mas adiantou demais a pelota, perdendo o ângulo. Mesmo assim, preferiu tentar a sorte. Pires tirou onda e saiu com a bola dominada.

Só que a qualidade técnica do Flamengo acabou aparecendo. Aos 42, Zico balançou na frente do marcador e foi derrubado dentro da área. Pênalti assinalado pelo árbitro Wilson Carlos dos Santos. O camisa 10 foi para a cobrança, mas surpreendentemente, pegou mal na bola. Ernani conseguiu a defesa. Porém, O árbitro mandou voltar a cobrança, alegando que o arqueiro havia se mexido. Aos 44, Zico cobrou forte, no canto direito baixo e fez. Flamengo um a zero. Mesmo sem atuar bem!

A etapa complementar começou de maneira lenta. O rubro negro mostrava-se satisfeito com a vantagem obtida e o América, mesmo tentando ser mais ofensivo, não levava perigo e pouco criava.

Aos 22, saiu o segundo gol do Flamengo. Zico recebeu na intermediária e deu ótimo passe para Júnior, deslocado pela meia direita. O capacete passou pelo goleiro Ernani e só tocou para as redes vazias.

Três minutos depois, Jurandir cruzou e Porto Real desviou com o pé direito. Para azar do América a bola bateu na trave esquerda e voltou direto para as mãos de Cantarele.

Aos 35, um golaço de Tita. Ele recebeu na meia direita, deu uma gaúcha no seu marcador e tocou pelo alto, na saída de Ernani. Flamengo três a zero.

Ainda haveria tempo para o América descontar. Aos 42, Porto Real passou por Tita e Zico até ser derrubado por Andrade dentro da grande área. Pênalti que Luisinho cobrou com perfeição e deu números finais ao confronto. Três a um.

No próximo texto: O fim do segundo turno do estadual e a fase semifinal da Libertadores. Até lá!





segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- A preparação para o Carioca e Libertadores 1981

A preparação para o carioca e Libertadores 81

Os boatos sobre a reformulação da equipe começaram logo. Adílio seria trocado pelo ponta esquerda Zezé, do Fluminense, para solucionar o já crônico problema da posição. Outro que deve deixar a Gávea é Luís Pereira. O Palmeiras será seu destino. Baroninho, ponta que surgiu no Noroeste e que atualmente estava no verdão será incluído na negociação (o fla recebeu três milhões, mais o empréstimo de Barone até o fim da temporada)

Pelo menos Dino Sani teria 15 dias só de treinamentos para acertar o time. Só depois seriam marcados amistosos. O primeiro reforço anunciado não agradou muito os torcedores. Do Figueirense, chegou por empréstimo o ponta Gersinho. Após ser apresentado, o jogador acabou retornando para o Figueirense e o negócio foi cancelado, já que Lico não aceitou ser emprestado para o time de Santa Catarina.

A ponta direita continuaria a ser prioridade. Nos dias que se seguiram, Fumanchu foi emprestado ao Santos e Chiquinho, ponteiro do Olaria foi contratado.

Ao mesmo tempo, começa a “guerra” para renovar o contrato de Zico. A idéia da Diretoria era marcar um amistoso contra a Seleção Brasileira. Com a renda, renovaria o vínculo do camisa 10. A CBF vetou a realização do jogo. Na mesma semana, Rondinelli renovou. Faltavam Zico e Adílio.

Quase no fim do período de treinamentos, Leandro voltou a treinar e assumir a lateral direita da equipe, após longo período afastado por conta do acidente que sofrera.

O primeiro amistoso foi diante do Democrata, em Minas. Novamente, o Flamengo decepcionou, ao empatar em dois a dois. Chiquinho e Tita marcaram os gols. De bom, a atuação dos novos ponteiros, Chiquinho e Baroninho.

Antes do próximo compromisso, a central de boatos voltou a aparecer. Segundo ela, Adílio seria trocado por Guina, meia do Vasco. Imediatamente, a Diretoria rubro-negra tratou de recusar a proposta.

Contra o Carlos Chagas, veio a primeira vitória. Dois a zero, com gols de Chiquinho e Leandro. O time esteve muito mal no primeiro tempo, mas melhorou na etapa final. Enquanto isso, na excursão da Seleção Brasileira a Europa, Zico mostrava que valia o que pedia. Ele marcou seu gol de número 500, frente a Inglaterra, em Wembley, na primeira derrota dos ingleses para sul americanos em seu estádio.

Ainda sem poder contar com os jogadores que estavam servindo o Brasil, o Flamengo foi derrotado pelo Vasco, em amistoso, por um a zero. Na seqüência, a delegação foi para Porto Alegre, jogar a final do Torneio de Maldonado, que havia sido adiada por conta das chuvas, contra o Grêmio. Empate em um a um (gol de Nunes) no tempo normal e título vermelho e preto, no sorteio.

De volta a Gávea, Zico avisa: Sem contrato, não jogo. O Milan volta a carga para contratar o jogador. Novamente, o rubro-negro recusa a proposta italiana.

No próximo texto: O primeiro Turno do Carioca de 81 e o começo da Libertadores. Até lá!




segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Carioca de 80, Segundo Turno


Carioca 80- Segundo Turno

Com o fracasso no turno inicial, Coutinho tratou de mexer no time. Luis Pereira, que estava jogando como quarto zagueiro, passou a zaga central. Vitor foi efetivado na cabeça da área e Júlio César recuperou seu lugar na ponta esquerda.

Mas a maré de azar continuava. Nunes sofreu distensão na coxa e não sabe quando poderá retornar a equipe. Além disso, os Dirigentes reclamaram muito da tabela do segundo turno. O Flamengo teria as três primeiras partidas disputadas fora de casa. Coutinho diz “que estão tentando prejudicar o Flamengo”.

Para a vaga de Nunes, o treinador confirma a escalação de Ronaldo. E contra as retrancas, o “capitão” acreditava em Júlio César. “Os dribles e arrancadas dele serão nossa principal arma contra esses times que nos enfrentam fechados na defesa, pensando apenas no empate”.

Antes da estréia, surge na imprensa uma notícia bombástica. A Diretoria está negociando e espera a contra proposta de Cruyiff, craque holandês que estava jogando nos Eua. A negociação contudo, não foi adiante já que o jogador pediu quatro milhões por mês de salários.

No acanhado estádio de Ítalo Del Cima, vitória rubro-negra por três a um sobre o Campo Grande. Zico, Ronaldo e Anselmo marcaram.
Em busca do acerto do time, Coutinho comandou mais um coletivo, mesmo sem Zico, Tita e Júnior, que estavam servindo a Seleção. Os titulares vencem, por dois (Luis Pereira e Ronaldo) a um (Fumanchu).

No amistoso da Equipe Nacional, Zico (2) e Tita marcam na goleada por seis a zero sobre os paraguaios. Enquanto isso, na Gávea, uma pequena crise se fazia presente. Barrado do time titular, Rondinelli se recusa a ficar no banco.

Sem poder contar com os atletas que estavam na Seleção, o clube consegue adiar o jogo com o Volta Redonda, pela segunda rodada. Nos treinamentos, Coutinho barra Carlos Alberto e confirma Leandro como novo titular da lateral direita.

Contra o Fluminense, empate em dois a dois. Gols de Tita e Carpegianni. O novo titular Leandro foi eleito o melhor jogador em campo.

Insatisfeito com o desempenho do ataque, Coutinho ameaça barrar Nunes e Júlio César e colocar os ex juvenis Ronaldo e Édson. Os “veteranos”terão diante do Bangu a derradeira chance.

No coletivo, atuação ruim da equipe e empate de um a um com os reservas, gols de Zico e Rondinelli.

No Maracanã, o time conseguiu bater o Bangu por dois a um. Júnior e Nunes fizeram os tentos. Mais uma vez, Luis Pereira joga mal e Coutinho anuncia que ele está barrado. Marinho e Rondinelli formam a nova zaga da equipe.

Paralelamente, Tita renova seu vínculo com o clube por mais 15 meses. Ele passará a receber 350.000 cruzeiros por mês.

Na quinta rodada, mais uma oportunidade desperdiçada. Um a um com o América. Gol de Zico. Não importa quantas e quais alterações Coutinho fizesse. A equipe parecia que não se encontrava de maneira alguma.

O próprio treinador parecia perdido. Depois dessa partida, mais três mudanças foram anunciadas. Nunes, Carpegianni e Júlio César foram barrados. Adílio, Anselmo e Édson estavam escalados.

Surpreendentemente, dessa vez as mudanças parecem que foram acertadas. No coletivo, goleada dos titulares por quatro a zero (Tita, Zico, Anselmo e Édson).

Em Campos, diante do Americano, mais uma excelente vitória. Quatro a um, gols de Zico, Adílio, Tita e Anselmo. A equipe parecia retomar o fôlego e a confiança.

O compromisso seguinte era decisivo. O clássico com o Vasco. E a vitória de dois a zero (Júnior e Adílio) não só recolocou o mengo na liderança do turno (ao lado do próprio Vasco) com 10 pontos, como deixou a torcida em êxtase, acreditando cada vez mais no tetra. Faltavam três vitórias para a vaga na final.

Novamente confiantes os jogadores e os Dirigentes convocam a nação a invadir Petrópolis, para o jogo contra o Serrano. No dia da peleja, entretanto, choveu muito na cidade. O campo já era acanhado e ruim. Com a chuva, tornou-se enlameado. A serração junto com a iluminação fraca também era um problema. O Presidente Márcio Braga foi até os vestiários e perguntou se o time queria jogar mesmo naquelas condições. Segundo ele, a partida poderia ser adiada para o dia seguinte a tarde, quando a chuva deveria ter cessado e a iluminação seria melhor. Talvez confiante demais no bom momento de seus comandados, Coutinho mandou a equipe a campo.

Sem poder tocar a bola, o Flamengo se perdeu no início. Melhor adaptado a cancha e jogando fechadinho na defesa e explorando os contra ataques, o Serrano saiu na frente, com um gol de Anapolina. Depois disso, o rubro-negro passou a tentar os chuveirinhos para a área. Até conseguiu algumas finalizações, mas a noite era do goleiro Acácio, mais tarde contratado pelo Vasco. No fim das contas, derrota por um a zero e o sonho do tetra acabou ficando mais distante.

Para piorar ainda mais as coisas, Zico sofreu nova distensão e não joga mais em 80, podendo até mesmo desfalcar a Seleção Brasileira no Mundialito do Uruguai.

Para a vaga do galinho, Coutinho fica em dúvida se escala Lico ou Tita, passando Fumanchu para a ponta direita neste último caso. Depois dos treinamentos, o técnico resolve escalar Rondinelli na zaga e Fumanchu na direita.

As esperanças do Flamengo voltaram a ficar vivas depois da boa vitória de três a um sobre o Botafogo. Tita, Júnior, de pênalti e Nunes foram os autores dos tentos. No dia seguinte, os rubro-negros secaram o Vasco, que só empatou com o Fluminense. O resultado não era suficiente. A liderança seguia sendo do time de São Januário, com 13 pontos. O Flamengo vinha atrás, com 12. Agora, o fla precisava derrotar o Volta Redonda, fora de casa e torcer por um tropeço do Vasco, em casa, diante do Americano.

Em São Januário, o Americano segurou o um a um com o Vasco até o fim da partida. Aos 44, no entanto, os cruzmaltinos marcaram o segundo gol e garantiram a conquista do segundo turno e a vaga na decisão do campeonato contra o Fluminense.

Com o sonho do tetracampeonato tendo ido por água abaixo, restava acabar com dignidade a competição. Sem Zico e Tita, o Flamengo foi a Volta Redonda e venceu o time da casa por quatro a três, com gols de Nunes (2), Júnior e Leandro.

Na grande final, o Fluminense bateu o Vasco, por um a zero, gol de Edinho e conquistou o Campeonato Carioca encerrando o domínio rubro-negro no Rio de Janeiro.

No próximo texto: Os últimos jogosde 80, as férias e a pré temporada de 81. Até lá!



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Era de Ouro do Flamengo- Taça Guanabra de 80


A Taça Guanabara de 1980

Apesar dos desfalques e de um churrasco realizado em Jacarepaguá para comemorar o título brasileiro, o Flamengo estreou com vitória na Taça Guanabara, competição que não valia pelo Campeonato Carioca, sendo um certame a parte, com apenas seis clubes. Os quatro grandes mais Americano e América, adversário inicial. Um solitário gol de Zico deu os dois primeiros pontos ao time na busca pelo Tricampeonato.

A lista de desfalques só aumentava. Marinho, com verminose estava fora do fla x flu. Carpegianni, com lesão na coxa, também. Buscando reforçar o elenco, a diretoria mandou para o Vitória o zagueiro Manguito e o meia Jorge Luís, trazendo o ponta esquerda Sivaldo e o goleiro Gélson. Com tantos problemas, Coutinho foi obrigado a lançar a prata da casa. Mozer e Vitor seriam os próximos. No coletivo, atuação ruim e empate de zero a zero com os reservas.

No clássico, com Mozer ao lado de Rondinelli na zaga, nova vitória. Dois a zero, gols de Adílio e Tita. Mozer, aliás foi eleito o melhor jogador em campo. Com o tropeço dos concorrentes, o mengo já abre dois pontos de vantagem.

O próximo compromisso seria em Campos, diante do Americano. Os cartolas passaram a temer por algum tipo de confusão no acanhado Estádio Godofredo Cruz. Carpegianni fará um teste no vestiário, para saber se reúne condições de jogo.

A semana foi agitada também nos bastidores. Primeiro, a Diretoria recusou uma proposta da Roma de 90 milhões de cruzeiros por Zico. Insatisfeito, o galinho disse que exigiria um salário de nível internacional para renovar o seu vínculo.

Depois, o passe do ponta Reinaldo foi vendido para o Universidad de Guadalajara, por 10,6 milhões. Por empréstimo até o fim do ano, chega o lateral Gilson Paulino, do Vasco.

Como já estava virando tradição, o último coletivo foi ruim. Derrota de dois a zero para os reservas, com dois gols do recém contratado Sivaldo.
Em Campos, nem o campo ruim foi capaz de parar o rubro-negro. O dois a zero, com gols de Zico e Adílio só não foi mais comemorado porque Nunes foi expulso e Rondinelli e o galinho deixaram o campo contundidos. No julgamento, o atacante acabou suspenso por duas partidas e ficou de fora do restante da competição.

Para evitar acomodações, Coutinho usou o programa Globo Repórter, exibido pela TV Globo e que falava sobre a derrota brasileira na Copa de 50. Os atletas entenderam o recado. Tanto que no coletivo, já contando novamente com Zico e Rondinelli, os titulares golearam por quatro a zero (Zico, duas vezes, Júnior e Júlio César).

Uma vitória frente ao Botafogo já seria suficiente para garantir o título com uma rodada de antecipação. Luisinho das Arábias abriu o placar, mas o alvinegro conseguiu chegar a igualdade e adiou a volta olímpica.

A situação ainda era muito cômoda. O Flamengo tinha sete pontos e enfrentaria o Vasco. O Americano, tinha cinco e receberia o América. Mesmo que o fla fosse derrotado e a equipe de Campos vencesse, ainda haveria um jogo extra, no Maracanã.

A fim de tumultuar o ambiente, o Vasco apresenta uma proposta de 120 milhões de cruzeiros por Zico. Márcio Braga rechaça com a habitual ironia. Enquanto isso, mais um reforço se aproxima da Gávea. O Flamengo consegue a prioridade para contratar o jovem meia Peu, destaque do CSA de Alagoas.

No último coletivo antes do clássico dos milhões, vitória dos titulares por dois a um. Luisinho e Tita marcaram para a formação inicial e Vitor descontou.

Na véspera do jogo, uma notícia ruim. Zico, com lesão na coxa estava fora da decisão. O craque teria que passar por exames na segunda feira para avaliar o grau da contusão e se ele poderia ir com os companheiros para a nova excursão a Europa.

Flamengo 0x0 Vasco

De camisa branca, o Flamengo jogou com Cantarele, Carlos Alberto, Rondinelli, Mozer e Júnior, Andrade, Carpegianni e Adílio. Tita, Luisinho e Júlio César. Jogando pelo empate e sem sua maior estrela, o rubro-negro começou sem forçar muito o ataque, tocando apenas a bola. E se no Maracanã nada acontecia de bom, em Campos o Americano fazia um a zero no América.

A partir dos 30 minutos, vendo que o Flamengo não sairia para o jogo, o Vasco passou a atacar mais. Roberto cobrou uma falta para boa defesa de Cantarele. Aos 37, Guina deu bom toque para Catinha, nas costas de Júnior. O ponteiro bateu rasteiro, forte. O goleiro rubro-negro fez a defesa com os pés.

O fato é que o primeiro tempo foi muito chato, com pouquíssimos momentos que se salvaram.

Na volta do vestiário, Coutinho disse ao repórter Raul Quadros, da TV Globo que o time precisava se agrupar mais em campo e tomar mais cuidado com a marcação a Catinha, explicitando o problema do lado esquerdo de sua defesa.

Aos dois minutos, houve falha do lado direito a defesa rubro-negra. Marco Antonio cobrou uma falta lateral na área. Adílio errou a cabeçada e a sobra ficou com Zandonaide que chutou para boa defesa de Cantarele.

A torcida, presente em número muito superior a do adversário, bem que tentava ajudar gritando “mengo, mengo”. Mas o time não correspondia em campo e o domínio vascaíno era cada vez maior. Tanto que Coutinho mexeu cedo, logo aos nove minutos, colocando Anselmo na vaga de Luisinho.
Aos 12, Catinha passou como quis por Júnior e cruzou. Rondinelli afastou e Andrade tinha a bola dominada, mas escorregou e perdeu-a para Guina, que entrou na área e finalizou. Canterele espalmou. Mozer cortou para o alto. Porém, a pelota ganhou altura e não distância. Quando caiu, Guina cabeceou no travessão. Finalmente, Mozer afastou o perigo, jogando a redonda para escanteio. Enquanto isso, em Campos, o Americano marcava seu segundo gol e colocava mais pressão ainda sobre o clube da Gávea.

Com mais gente no meio de campo, o Flamengo conseguiu equilibrar a partida. Anselmo não ficava parado entre os zagueiros. Ele revezava com Tita na função de comandante de ataque. Aos 25 minutos, a primeira chance do fla em todo o jogo. Júlio César soltou uma bomba cruzada, de fora da área. Mazaropi teve que se esticar todo para fazer a defesa. Dois minutos depois, foi a vez de Tita arriscar de longe e o goleiro agarrar em dois tempos. O caminho parecia ser esse. Aos 29, foi a vez de Carpegianni bater de longe e assustar o arqueiro cruzmaltino.

Aos 41, nova e derradeira chance do Vasco. Orlando cobrou escanteio de três dedos. Guina desviou e Wilsinho cabeceou como manda o figurino. Para baixo, forte. Cantarele foi junto a trave direita e fez excepcional defesa para garantir o título.

Com o empate, mesmo jogando mal, o Flamengo conquistou o Tricampeonato da Taça Guanabara. O triunfo só não foi mais celebrado porque não dava vaga na final do Estadual. E como veremos a seguir, isso faria falta ao rubro-negro.





A Era de Ouro do Flamengo- Carioca de 80, Primeiro Turno


Carioca 80- Primeiro Turno

A estréia no primeiro turno foi diante do Bonsucesso, no Maracanã. A equipe jogou em ritmo de treino, sentindo o desgaste da viagem a Europa. O dois a zero, gols de Nunes e Júlio César ocorreu em ritmo de treino.

Na Gávea, a semana foi agitada. Primeiro Fumanchu se apresentou para aumentar o poderio ofensivo do time e reeditar com Nunes a parceria que tanto sucesso fez no Santa Cruz e no Fluminense. Coutinho comemorou a chegada dele e de Luis Pereira, dizendo que tinha em mãos “um senhor elenco”. O treinador foi além, para ele, “Com a chegada de Pereira, caminhamos a passos largos para tomar o lugar do Santos no futebol brasileiro e mundial”.

Sem Carpegianni, vetado pelo Departamento Médico, o Flamengo voltou ao Maracanã para enfrentar o Niterói. Como era esperado, veio uma avalanche de gols. Sete a um. Zico marcou quatro vezes. Tita, outras duas. Nunes completou o massacre. O detalhe dessa partida foi a presença de Luis Pereira. O defensor assistiu ao jogo de uma cabine de rádio e estava radiante com a boa fase do time. Sua estréia ia acontecer na terceira rodada, no clássico frente o Fluminense.

Para entrosar a nova dupla de zaga, Rondinelli e Luis Pereira, Coutinho marcou um coletivo. A vitória foi dos reservas por três (dois de Anselmo e Lico) a dois (Zico e Adílio). Pior, o novo defensor esteve mal. Lento, sem ritmo de jogo e foi batido constantemente. O técnico tratou logo de minimizar a má atuação, exaltando sua experiência e liderança.

No domingo, um Maracanã repleto de rubro-negros esperava ver o novo zagueiro parar Cláudio Adão. Não foi o que aconteceu. O empate de um a um, gol de Júlio César acabou sendo um prêmio para o Flamengo, que foi dominado pelo tricolor. Pereira esteve discreto e não comprometeu. Nunes acabou expulso e Tita contundido. A equipe perdia o seu primeiro ponto na competição.

Graças a tabela elaborada pelos cartolas, o mengo jogaria novamente no Maracanã, desta vez diante do Americano. O time de Campos já havia provado na Taça Guanabara que não deveria ser menosprezado. Sem Nunes, Tita e Carpegianni, o time não se encontrou em campo e o empate, em dois a dois (Adílio e Zico) acabou sendo justo. Coutinho teve que mexer muito na estrutura da equipe e escalou Lico no meio, Adílio na ponta direita e Anselmo no comando do ataque. Com tantas alterações, o tropeço foi considerado normal.

Julgado pelo Tribunal, Nunes pegou dois jogos de gancho. Com isso o juvenil Ronaldo deve jogar como centroavante e formar o ataque junto com Adílio e Anselmo, já que Fumanchu foi regularizado, mas vetado por estar com dores na virilha.

Na quinta rodada, a primeira viagem. O fla foi a Campos, pegar o Goytacaz. Uma magra vitória de um a zero, com gol de Ronaldo e com Raul garantindo o resultado lá atrás. Foi o suficiente para que uma chuva de críticas começasse a cair sobre o time.

E o panorama ainda ficaria pior, para o compromisso com o Volta Redonda, no Raulino de Oliveira, Coutinho não poderia contar com Zico e Júnior (servindo a Seleção). Em compensação, Nunes estaria de volta e Fumanchu estava liberado para fazer a sua estréia.

Novamente a equipe foi muito mal. Dominado pelo adversário durante todo o jogo, o rubro-negro se garantiu nas defesas milagrosas de Raul e no solitário gol de Luis Pereira para garantir mais dois pontos.

Havia uma grande expectativa para a volta de Carpegianni no clássico com o América. No teste para saber se jogaria ou não o gaúcho acabou vetado. Vitor entrou em seu lugar e deu outra cara ao meio de campo da equipe. A vitória de dois a zero, gols de Nunes e Fumanchu ficou em segundo plano. Só se falava na grande atuação do cabeça de área que deve ser mantido no onze titular.

A sorte parecia voltar a sorrir para o Flamengo. Na oitava rodada, vitória em cima do Olaria, fora de casa, por dois a zero (Adílio e Zico). Melhor ainda, no Maracanã o Vasco tropeçou diante do Volta Redonda (0x0) e agora divide a liderança do turno com o grande rival.

O compromisso seguinte foi diante do Bangu, em Moça Bonita. E aí, veio o tropeço fatal. Derrota de um a zero. No clássico da rodada, o Fluminense bateu o Vasco, por dois a um e assumiu a liderança, um ponto a frente de Flamengo e Vasco. Para sonhar com o título, o rubro-negro precisava vencer os quatro jogos restantes e torcer por um resultado ruim do tricolor. A situação estava complicada.

Na rodada seguinte, vitória contra o Serrano, em casa, por quatro a dois. Zico (2), Rondinelli e Adílio marcaram. Mas apesar de voltar à liderança provisória, com um jogo a mais que o Flu, o que chamou mesmo a atenção foi a quantidade de erros defensivos, diante de um adversário fraco.

Tita, recuperado de lesão diz que só entra em campo se renovar contrato. Sem ele, o Flamengo empata com o Botafogo em um a um, gol de Zico. O galinho, aliás acabou expulso numa jogada com Perivaldo e não pega o Campo Grande.

Os demais resultados da rodada foram América 1x0 Fluminense e Americano 1x2 Vasco. Com isso, o Vasco lidera com 18 pontos. Flamengo e Botafogo (com um jogo a mais) vem a seguir, com 17. O Bangu vem em quarto, com dezesseis e o Fluminense em quinto, com 15. Faltavam apenas duas rodadas para o fim do turno.

Pensando em contar com Zico, o clube planeja adiar o julgamento do galinho. Se o camisa 10 não puder mesmo jogar, Coutinho quer escalar Tita, colocando Fumanchu na ponta. Mas pra isso, depende de um acerto da Diretoria com o meia. Luis Pereira segue sendo massacrado por suas atuações ruins.

Na décima segunda rodada, mesmo jogando no Maracanã, o rubro-negro não passa de um zero a zero com o Campo Grande, resultado que praticamente o deixa fora da disputa pelo título do primeiro turno. Perguntado sobre a queda de rendimento da equipe, Coutinho diz não saber o que está havendo, mas que confia na volta por cima no returno.

Para completar, no dia seguinte o Vasco vence o Bangu por um a zero e elimina o Flamengo.

Zico, julgado pelo Tribunal, pega apenas um jogo de suspensão e está liberado para enfrentar o Vaso, na última rodada.

O zero a zero no clássico dos milhões mostra bem o momento ruim vivido pelo time da Gávea. Como o Fluminense venceu o Americano em Campos (1x0), Vasco e Fluminense vão se enfrentar em um jogo extra pelo título do primeiro turno. Pela primeira vez, desde 78 e sete turnos, mais a Taça Guanabara de 80, não seria o Flamengo a dar a volta olímpica.

A partida extra terminou empatada em um a um, após 120 minutos de futebol. Nos pênaltis, deu Fluminense.

No próximo texto: O Segundo turno Do Carioca de 80. Até lá!



segunda-feira, 9 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 11- O Segundo Turno do Estadual de 79


Campeonato Estadual 1979

Segundo Turno

Antes de iniciar o segundo turno, o Flamengo jogou um amistoso contra o ABCR, de Juiz de Fora. Tita (4), Cláudio Adão, Adílio e o juvenil Anselmo marcaram, no massacre de 7 a 0. Toninho e Manguito foram suspensos pelo Tribunal e estavam fora da estréia. Carpegiani, contundido, também.

Mesmo com esses desfalques, o rubro-negro começou a campanha com vitória. No Maracanã, fez 3 a 0 no Campo Grande. Tita, Cláudio Adão e Zico anotaram os tentos. Nos bastidores, a semana foi agitada na Gávea. Primeiro, o time acertou a contratação do meio campista Ademir Vicente. Depois, fez uma proposta de 4 milhões de cruzeiros pelo centroavante Bira, artilheiro do Remo. O clube paraense recusou o valor, mas estava disposto a seguir com a negociação. Para completar, Luisinho e Jorge Luís foram vendidos ao Al Nassr, por 5,5 milhões.

A segunda rodada marcou um tropeço, que ninguém esperava. Jogando no Maraca, o Flamengo foi derrotado pelo Americano, por 1 a 0. Apesar dos protestos da torcida após o revés, Coutinho disse ao jornal O Globo “que não havia motivos para desespero. O time jogou mal e pronto. Não vão transformar um tropeço em crise”.

Antes de tentar a recuperação no estadual, o time tinha que ir até Vitória, jogar contra a Desportiva, em amistoso que servia como parte do pagamento do passe de Carlos Henrique. A vitória, de 3 a 2, não foi suficiente para apaziguar os ânimos. Tita, Zico e Cláudio Adão marcaram. A nota triste ficou por conta da contusão de Adílio, que deixou o gramado com o tornozelo esquerdo bastante inchado.

De volta ao certame carioca, o mengo recuperou-se e goleou o Serrano, por 5 a 1, com gols de Zico (3), Cláudio Adão e Carpegiani. Precisando de um atacante para repor a saída de Luisinho e acalmar os torcedores, o clube anuncia a contratação do atacante Beijoca, do Bahia, por 5,5 milhões, mais o passe de André e a renda de um amistoso em Salvador.

A nova contratação chegou acima do peso e ainda ia demorar um pouco para estrear. Antes de embarcar para a Europa, onde disputaria o Troféu Ramon de Carranza, o Fla ainda bateu o América, por 2 a 0. João Luís (contra) e Cláudio Adão marcaram.

Na Espanha, a estréia era uma pedreira. O Bicampeão carioca enfrentaria ninguém mais, ninguém menos do que o Barcelona. Para piorar, Toninho, Carpegiani, Júnior, Tita, Zico e Coutinho só desembarcaram em terras espanholas cerca de 10 horas antes da partida. Todos eles estavam com a Seleção Brasileira que empatara com a Argentina, em Buenos Aires, garantindo a classificação para a semifinal da Copa América.

Nem todos esses problemas foram capaz de frear o Flamengo. Com gols de Júlio César e Zico, o time bateu o Barça, por 2 a 1. No dia seguinte, a decisão, diante do Ujpest, da Hungria. Sabendo que o adversário não tinha muitas informações a respeito do seu time, Coutinho, espertamente, mandou Cláudio Adão entrar com a camisa dois e Toninho, com a nove. Quando os húngaros se deram conta de que o seu zagueiro marcava o lateral direito do mengo, o placar já estava aberto. Aos 20 segundos, Zico fez 1 a 0. O mesmo Zico marcaria mais um e daria ao rubro-negro o título, fortalecendo ainda mais o nome da equipe na Europa. Essa conquista era apenas a segunda de um time brasileiro, nessa competição (o outro havia sido o Palmeiras). A imprensa espanhola se derreteu em elogios ao time de Coutinho. Diziam que era um futebol de outra galáxia. Estavam encantados!

De Cádiz, a delegação foi para a capital espanhola, onde enfrentou o Atlético de Madrid, dos brasileiros Leivinha e Luís Pereira. Zico, para variar, foi o autor do gol que garantiu o empate. Finalizando a excursão, a equipe foi até Paris, jogar contra o PSG. Desta vez, a atuação foi ruim e a derrota, por 3 a 1 (gol de Zico), justa.

Preocupado com o cansaço do time, Coutinho vetou a realização de novos amistosos. Queria os jogadores focados apenas na conquista do Tri. Enquanto isso, maravilhado com o futebol do jovem Leandro, o treinador dava seu aval a venda de Ramírez para o Independiente.

Na volta ao estadual, novo tropeço. Empate em 1 a 1 (gol de Júnior), diante do Bonsucesso. Insatisfeitos, os torcedores invadem o gramado e cobram dos jogadores, “rebolado, não”!

O pior ainda estava por vir, na sexta rodada, o time confirmou a má fase e foi derrotado pelo Vasco, por 4 a 2 (Cláudio Adão e Zico). O que mais impressionou e irritou a torcida foi que o mengo ganhava o jogo e tomou a virada com um homem a mais. No dia seguinte, a Diretoria reuniu-se com Coutinho e exigiu mudanças na equipe. Tranqüilo, o treinador lembrou que para conquistar o segundo turno, bastava o Flamengo vencer o Goytacaz, em Campos e os clássicos frente à Fluminense e Botafogo.

Em Campos, precisando desesperadamente dos dois pontos, o time mais uma vez não jogou bem. Um solitário gol de Tita manteve a esperança na conquista do título. Só que, para jogar um balde de água fria nos rubro-negros, Zico deixou o campo com uma lesão muscular. Ele ficaria afastado do time por um longo período.

Na penúltima rodada, o time mostrou porque era o atual bicampeão. O Botafogo fez 1 a 0, com Renato Sá, aos 21 minutos do segundo tempo. Na base da raça, o rubro-negro conseguiu a virada, com dois gols de Cláudio Adão. E com direito ao tento da vitória ser marcado no último lance do jogo. Bem como os flamenguistas adoram!

A situação do campeonato a esta altura era a seguinte: Botafogo e Fluminense lideravam, com 4 pontos perdidos. O Flamengo vinha em seguida, com 5 pontos perdidos. E, o Vasco era outro que ainda tinha possibilidades, pois tinha 6 pontos perdidos.

No meio de semana, tricolores e alvinegros ficaram no 0 a 0, resultado que deixava o Flamengo na liderança, junto com os dois. Em Campos, o Vasco bateu o Americano (2x1) e manteve suas possibilidades. A última rodada marcava pro sábado, Botafogo x Vasco e, no domingo, Flamengo x Fluminense.
Para tentar melhorar o ambiente e dar tranqüilidade aos jogadores, a Diretoria anunciou a renovação do contrato de Toninho, que assim, retorna ao time diante do Flu. O último coletivo, porém, não foi nada animador. Empate em 3 a 3, diante dos juvenis, com gols de Tita, Manguito e Cláudio Adão.

No sábado, toda a delegação ficou ouvindo no rádio, o empate de 1 a 1 entre Vasco e Botafogo. Com o resultado, quem vencesse o fla x flu seria o campeão do segundo turno. O Mengo tinha a vantagem do empate, pois possuía melhor saldo de gols.

O jogo diante do Fluminense foi truncado. Mesmo precisando da vitória, o tricolor não se expunha demais, por saber que era inferior. A partida já caminhava para o empate sem gols, quando Tita, a dois minutos do apito final, marcou o gol do título. Flamengo 1x0 Fluminense. Era o sexto turno em seqüência conquistado pelo time da Gávea. O Globo, do dia 24 de Setembro (dia seguinte ao jogo) estampava em sua primeira página os seguintes dizeres: “Flamengo (outra vez) campeão”. Para o terceiro e decisivo turno, o Fla entraria com 2 pontos extras e já em vantagem diante dos outros 7 rivais. O Tricampeonato estava se aproximando!

No próximo texto: O Terceiro turno e a conquista do Tricampeonato



sexta-feira, 6 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 10- Taça Guanabara 1979


Campeonato Estadual de 1979

Primeiro turno

A cabeça dos cartolas era realmente uma coisa incrível. Depois do Campeonato Especial, iria começar o Estadual 79. E, como não poderia deixar de ser, o regulamento era dos mais confusos e deficitários para os grandes, especialmente para o Flamengo, que possuía a mais alta folha salarial do Rio.

O primeiro turno seria disputado por 18 clubes, jogando todos contra todos, em 17 rodadas. Os 10 mais bem colocados, jogariam o segundo turno, em nove rodadas e também classificatório para o turno final, com os 8 primeiros, onde se definiria o campeão. Sabe qual era a vantagem que o vencedor do primeiro e do segundo turno levavam para o terceiro? Um mísero ponto de bonificação. Que confusão, hein?

Independente disso, o fla era o grande favorito a conquistar o tricampeonato. A preparação começou na Capital Federal, onde o time quase perdeu sua longa invencibilidade diante do Brasília. Cláudio Adão marcou, a seis minutos do fim e decretou o empate.

Na seqüência, a equipe foi a Natal, jogar contra um combinado do ABC, América e Alecrim. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Cláudio Adão. Enquanto isso, no Rio, a Diretoria começava a reforçar o elenco. Foram anunciadas as contratações do meia Bruno, do São Cristovão e do ponta esquerda Carlos Henrique, da Desportiva.

Ainda havia dois amistosos a serem disputados, antes da estréia no Estadual. Em Itabuna, vitória tranqüila sobre o time da casa, por 3 a 1 (Zico, Adílio e Adão). E, no chamado “jogo dos invictos”, pois o Vitória também não era derrotado fazia um bom tempo (29 jogos), um empate, em 1 a 1, com gol de Zico.

A primeira partida na competição carioca aconteceu no Maracanã, diante do Bonsucesso. Goleada de 5 a 0, com tentos de Zico (2), Cláudio Adão, Adílio e Tita. No dia seguinte, Coutinho convocou a Seleção Brasileira. E na lista estavam Zico, Carpegiani, Toninho, Júnior e Rondinelli. E, para reforçar ainda mais o elenco, vinha por empréstimo do Guarani, o zagueiro Gilberto.

O segundo compromisso foi em Petrópolis, contra o Serrano. O campo, pequeno e ruim, atrapalhou demais a equipe. Os dois pontos só vieram graças a um solitário gol de Zico. Assim, o time chegava a 50 partidas invictas e aproximava-se do recorde do Botafogo.

Na terceira rodada, o mengo voltou ao maior do mundo e não teve dificuldades para golear o São Cristovão. Zico e Cláudio Adão marcaram duas vezes cada. A nota triste ficou pela contusão de Tita, que iria ficar afastado por 3 semanas.

Sua ausência, entretanto, não seria sentida diante do Campo Grande, em Ítalo Del Cima. A vitória de 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão), garantiu o jogo de número 52 invicto, igualando o recorde nacional do Botafogo. E quem seria o próximo adversário do rubro-negro? Justamente a equipe alvinegra.
A cidade parou para falar do clássico. A Diretoria rubro-negra exigia exame antidoping nos jogadores do Botafogo. Além disso, o clima era de total confiança no clube. Zico acertara sua renovação, por mais um ano. Coutinho poderia escalar o time quase completo (a exceção de Tita), para a quebra do recorde. Foi prometido um prêmio extra aos atletas e foram feitas medalhas comemorativas do feito. No último coletivo, com a Gávea lotada, empate em 2 a 2, com Zico e Cláudio Adão marcando para os titulares e Luisinho e Ronaldo para os suplentes.

O Maraca estava lotado no domingo. Tudo conspirava a favor. Porém, um gol no começo do jogo, marcado por Renato Sá (curiosamente, foi ele quem marcou duas vezes, na derrota do Botafogo para o Grêmio por 3 a 1, quebrando a série invicta do alvinegro) e uma brilhante atuação do goleiro Borrachinha acabaram dando a vitória a equipe de General Severiano. Para Coutinho, a derrota foi um “alívio”, já que assim os jogadores poderiam pensar exclusivamente na conquista do tricampeonato, sem a pressão de ter que manter a invencibilidade.

Era importante dar uma resposta imediata ao torcedor. Antes de enfrentar o Bangu, Coutinho comandou um coletivo, vencido pelos titulares, por 2 a 0 (Luisinho e Reinaldo). Na partida, válida pela sexta rodada, o time venceu, mesmo sem convencer, por 3 a 1. Os gols foram todos de Zico.
Enquanto isso, os dirigentes do Olimpique de Marselha foram a Gávea, tentar comprar o passe de Carpegiani. A proposta francesa era de 15 milhões de cruzeiros, em 3 anos, só de salários para o atleta. Carpegiani queria mais e recusou a proposta.

A partida seguinte, contra o ADN, de Niterói, foi histórica para o galinho. Não só pelos seis gols marcados, no massacre de 7x1. Mas, principalmente, pelo sexto tento da equipe, quando ele driblou o goleiro sem tocar na bola e empurrou para as redes vazias. Foi o gol que Pelé não fez, em 70 contra o Uruguai. Para a nação, pouco importava se o rei tinha falhado. Zico fez.

Nem tudo era festa. O Santos entrou na justiça, cobrando uma dívida de um milhão de cruzeiros, referente a compra do passe de Cláudio Adão. Pior, se o fla não pagasse, estaria suspenso e perderia por WO para o Volta Redonda, pois estaria impossibilitado de atuar. Sem dinheiro, a solução foi recorrer a Otávio Pinto Guimarães, Presidente da FERJ, que emprestou a quantia.

Com isso solucionado, o Flamengo foi até Volta Redonda e saiu de lá com mais dois pontos na bagagem. Triunfo de 3 a 0, com gols de Edinho (contra), Zico e Cláudio Adão. Esta partida também foi especial, pois marcou a centésima vitória de Coutinho no comando da equipe.
Para tentar manter a liderança, o Fla foi até Campos, enfrentar o Americano. Derrotou os donos da casa por 5 a 2. Novamente, a dupla desequilibrou. Cláudio Adão marcou 3 e Zico, 2.

Com mais da metade do turno disputado, o Flamengo liderava a competição com apenas 2 pontos perdidos, seguido de Vasco e Botafogo, com 4 e Fluminense, com 5. O título começava a se aproximar.

Toninho, Júnior, Rondinelli e Zico foram jogar pela Seleção, que enfrentou o Ajax em partida amistosa. Sem eles e sem Coutinho, houve um coletivo na Gávea, com vitória dos titulares sobre os reservas, de 5(Adão, três vezes, Tita e Reinaldo) a 3(Luisinho e Carlos Henrique, duas vezes).
Para melhorar ainda mais o astral de todos, Zico marcou dois gols na goleada brasileira diante dos holandeses, por 5 a 0. Além disso, ele e Toninho foram convocados por Enzo Bearzot para integrar a Seleção do Mundo que iria enfrentar a Argentina, em Buenos Aires.

O jogo da décima rodada era o clássico diante do Fluminense. No coletivo apronto, 2 a 0 para os titulares, tentos de Tita.

No domingo, vitória por 2 a 1. Zico e Cláudio Adão foram os autores dos gols. Só que as melhores notícias vinham de outros estádios. O Vasco perdia para o São Cristovão (1x0) e o Botafogo empatava com o Americano (2x2). Com esses resultados e apenas um clássico para jogar, o título da Taça Guanabara estava praticamente garantido, apesar de ainda faltarem sete rodadas.

No dia seguinte do fla x flu, Zico entra no segundo tempo e tem grande atuação na Seleção do Mundo, marcando o gol da vitória, em jogada toda rubro-negra, com a participação de Toninho. Na quarta, dois dias depois, o galinho já estava em campo, ajudando o Flamengo a bater o Madureira, por 4 a 0. Adílio (2), o próprio camisa 10 e Cláudio Adão marcaram. A goleada poderia ter sido ainda maior, mas Zico acabou perdendo um pênalti e Júnior foi expulso de campo.

A Diretoria aproveita a boa fase da equipe e desafia o Santos, campeão paulista para dois amistoso desafio. A falta de datas impede que os jogos aconteçam.

Depois de duas semanas afastado, Carpegiani volta ao time contra o Fluminense de Friburgo, na Serra. E sua presença acabou sendo fundamental, já que foi dele o gol da vitória de 1 a 0. Mais uma vez, em um campo pequeno e ruim, o time esteve mal. Acabou salvando-se por sua individualidade. E para deixar os rubro-negros ainda mais próximos da conquista, no Maracanã, Vasco e Botafogo ficavam no 0 a 0.
Antes de enfrentar o América, uma pausa para faturar. Com uma cota de 800.000 cruzeiros, o Flamengo foi a Recife e acabou derrotado pelo Sport, por 1 a 0. Para não cansar ainda mais o time, a Diretoria cancelou o amistoso diante do Ceará, que seria disputado dois depois. Mesmo sem receber a cota de um milhão de cruzeiros, era necessário que se desse um descanso aos atletas. No Rio, Júnior foi julgado pelo STJD e pegou apenas uma partida de suspensão.

No domingo, mais uma vitória, desta vez, por 2 a 1 em cima do América. Os gols foram de Luisinho e Zico. Com este resultado, a equipe precisava apenas de duas vitórias, nos últimos quatro compromissos, para garantir a conquista da Taça Guanabara.
Todos esperavam um jogo tranqüilo contra o Goytacaz, ainda mais por ser no Maracanã. Pois estavam errados. A partida foi complicadíssima e a vitória veio na bacia das almas, por 4 a 3. Zico, mais uma vez foi o salvador da nação, marcando todos os gols. Faltava apenas uma vitória para o caneco estar garantido.

E a rodada seguinte dizia que o Flamengo teria que ir até a Ilha do Governador, enfrentar a Portuguesa, em seu acanhado estádio. A Diretoria tentou de todas as maneiras levar a partida para o Maracanã. Mas era necessária unanimidade no Conselho Arbitral e o Vasco foi o único a votar contra, o que provocou grande revolta entre os cartolas rubro-negros. De qualquer forma, o time cumpriu o que dele se esperava. Foi à casa do adversário e venceu, por 2 a 0, com mais dois gols do galinho. Com duas rodadas de antecipação, o Flamengo era Campeão da Taça Guanabara. Era o quinto turno seguido vencido pelo time da Gávea.

Na penúltima rodada, a equipe voltou ao Maracanã e bateu o Olaria com tranqüilidade, por 3 a 0, com gols de Cláudio Adão, Zico e Esdras (Contra). Antes de encerrar a participação no primeiro turno, o mengo foi até Goiânia, enfrentar o Vila Nova. O triunfo por 2 a 0 (Zico e Cláudio Adão) e a atuação irrepreensível do time fez com que a torcida presente ao estádio aplaudisse os cariocas de pé.

A última rodada marcava o clássico diante do Vasco. Coutinho prometeu time completo e a Diretoria, ainda revoltada com o veto vascaíno a mudança do local contra a Portuguesa, prometeu um prêmio extra e exigia uma goleada. Com todo esse clima, o jogo foi quente. Foram cinco cartões vermelhos: Manguito e Toninho, do lado rubro-negro e Guina, Gaúcho e Paulinho, pelo lado do Vasco. Com tanto espaço, prevaleceu a melhor qualidade técnica do Flamengo. Vitória de 4 a 2, com gols marcados por Júnior (2), Tita e Zico. A vingança estava completa.

O domínio rubro-negro foi tão inquestionável que a equipe acabou a Taça Guanabara sete pontos a frente do Vasco e nove a frente do Fluminense. Um verdadeiro passeio!

No próximo texto: O segundo Turno e a excursão a Europa. Até lá!




quinta-feira, 5 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 9- O Segundo turno do Carioca Especial de 79



O Campeonato Carioca Especial de 79

Segundo Turno

Antes de começar a campanha no returno, o time foi até o Espírito Santo, enfrentar o Rio Branco. Para este amistoso, Coutinho não pode contar com seis titulares. Mesmo assim, o mengo conseguiu vencer pelo placar mínimo, gol de Júlio César.

A estréia no segundo turno aconteceu no Maracanã, frente ao São Cristovão. Zico, Toninho e Rondinelli estavam de volta, diminuindo o número de ausências para “apenas” três. No primeiro tempo, a equipe não rendeu. O empate em 1 a 1 mostra bem isso. Furioso, Coutinho mudou tudo no vestiário. Sacou André, substituindo-o por Reinaldo, que foi jogar na ponta direita. Tita passou para o meio de campo, ajudando Zico na criação. As alterações deram certo e o mengo deslanchou, chegando aos 6x1, com gols de Zico (3), Tita (2) e Luisinho.

Satisfeito com a atuação no segundo tempo, o treinador confirmou que aquela seria a equipe que iniciaria a partida diante do Goytacaz. Nos treinamentos, Zico seguia arrebentando. Foram deles os dois tentos da vitória sobre os reservas, no coletivo apronto. Sobre o galinho, Coutinho declarou ao jornal O Globo: “é um dos melhores do mundo no momento. Temos muita sorte dele estar do nosso lado”. Um justo reconhecimento.

Paralelamente ao estadual, a Diretoria trabalhava em duas frentes. A primeira, querendo marcar dois amistosos desafio contra o Guarani, então campeão nacional e representante do país nas semifinais da Libertadores. E, na segunda, crescia a expectativa pelo amistoso do dia 6 de Abril, onde o Flamengo receberia o Atlético-mg, com a renda toda revertida para as vítimas das enchentes em Minas. O motivo para tanto alvoroço? Uma certa dupla de meio campistas que atuaria pelo mais querido: Zico e Pelé!

Antes disso, porém, a equipe teria dois compromissos pelo carioca, ambos no Maracanã. No primeiro, goleada de 7 a 1 no Goytacaz e novo show do galinho, que marcou incríveis 6 gols (o outro foi de Júlio César). No segundo, o primeiro tropeço do returno. Empate de 1 a 1 diante do América, com direito a gol salvador de Rondinelli no fim do jogo.

A torcida nem ligou. O frisson por Zico e Pelé aumentava a cada dia. A Diretoria chegou a cogitar cobrar ingressos de quem quisesse assistir aos treinamentos com a dupla, mas acabou desistindo. No primeiro coletivo, 2x0 para os titulares, ambos marcados por Zico. Pelé, sem ritmo de jogo, pouco apareceu.

Perguntado sobre o esquema tático, Coutinho disse que Pelé jogaria na armação, com o galinho mais adiantado. No segundo e último coletivo, empate em 2 a 2. Marcaram Zico e Júnior para os titulares e Adílio e Lino para os reservas. Bem mais a vontade, Pelé fez boas jogadas e procurou Zico para tabelas o tempo todo.

Apesar da euforia, o cansaço ameaçava atrapalhar a caminhada rubro-negra. Menos de 48 horas depois de vencer o galo, o time já estava em campo, enfrentando o Volta Redonda, no Raulino de Oliveira. Aproveitando-se disso, os donos da casa impuseram um ritmo veloz e foram melhores durante quase toda a partida. Um gol de Reinaldo acabou dando a vitória e mais dois pontos ao Flamengo.

Na quinta rodada, o time foi até Campos, enfrentar o Americano. Mais uma vez, o jogo foi complicado. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Zico e Cláudio Adão. Agora, era descansar para pegar o Vasco.

Flamengo 2x1 Vasco

O rubro-negro contava com a volta de Júnior e Adílio. A primeira oportunidade não demorou a acontecer. Júlio César tocou para Júnior. O lateral foi à linha de fundo e cruzou. Adílio desviou e Zico, atrapalhado pelo zagueiro, acabou chutando para fora. O Vasco respondeu com grande jogada de Guina, que passou como quis por Júnior e Nelson, derivou para o meio e bateu na rede, pelo lado de fora.

Aos 25, nova chance do fla. Júlio César tentou cruzar e acabou surpreendendo Leão, que deu rebote. Zico tentou uma puxada, a bola subiu e sobrou para Luisinho cabecear para segura defesa do arqueiro vascaíno. E assim, chegou ao fim o primeiro tempo.

Logo no começo da etapa final, aos quatro minutos, um susto. Orlando fez um cruzamento despretensioso para a área, Toninho Vanusa fez o corta luz, a zaga rubro-negra bateu cabeça e Roberto, de virada, mandou para as redes de Cantarele. Vasco um a zero.

Em desvantagem, Tita saiu da ponta direita e foi jogar pelo meio, abrindo o corredor para a passagem de Toninho. Aos 16, Júlio César teve que ser substituído. Reinaldo entrou no seu lugar e foi ocupar a extrema direita. Tita foi obrigado a ocupar a ponta esquerda, e Adílio recuou um pouco mais, para dar um pé a Carpegianni na organização do time.

Aos 21, o gol de empate. Júnior lançou Toninho em profundidade. O lateral foi derrubado por Marco Antônio. Mesmo assim, levantou-se e cruzou na cabeça de Carpegianni. O volante ajeitou para Luisinho que, também de cabeça, devolveu para o galinho testar firme e vencer o goleiro Leão. Um golaço! Tudo igual no clássico. Um a um.

O Flamengo virou o jogo em mais um contra ataque mortal. Adílio recebeu não meio de campo, avançou com velocidade e tocou para Zico, que chutou rasteiro. Leão deu rebote e Adílio aproveitou para empurrar para o gol vazio. Dois a um!

Aos 31, Guina foi expulso por reclamação e facilitou ainda mais as coisas para o rubro-negro, que passou apenas a tocar a bola e fazer o tempo passar, garantindo assim a liderança do campeonato e a sua invencibilidade.

Contra o Fluminense de Friburgo, Coutinho promoveu a estréia do zagueiro juvenil Figueredo. Em contra partida, o treinador recebeu a confirmação que Júlio César estava fora do restante do campeonato. Atuando no Maracanã, o time não encontrou dificuldades para chegar aos 4 a 0. Zico, Tita, Luisinho e Adílio fizeram os gols.

Faltavam apenas duas rodadas para o bicampeonato. Dois clássicos. Duas pedreiras.

Flamengo 1x1 Fluminense

Logo aos 20 segundos, o Flamengo foi mostrando suas credenciais. Reinaldo tocou para Zico, que chutou prensado por Edinho. Na sobra, a zaga tricolor falhou e Luisinho finalizou de virada, quase abrindo o marcador. O flu não demorou a responder. Aos cinco, Nunes tocou para Fumanchu, que avançou e bateu de bico. A bola desviou em Adílio e matou Cantarele. Novamente, o mengo saia em desvantagem em um clássico.

Aos 15, Zico teve nova chance, após boa jogada com participação de todo o ataque. Mas sua finalização foi bem defendida por Paulo Goulart.
Com o desfalque de Júlio César, Coutinho repetiu a fórmula do final do jogo contra o Vasco. Adílio ajudava Carpegianni na marcação e na criação. Reinaldo jogava na ponta direita. Luisinho, o centroavante e Tita, o ponta esquerda.

Os últimos minutos do primeiro tempo foram pegados. Com entradas violentas de parte a parte. Apesar da disposição de ambos, o placar permaneceu um a zero Fluminense.

A etapa complementar começou com Tita tendo liberdade para se movimentar por todo o ataque. Ele foi visto na direita, no meio e, ocasionalmente, até mesmo na esquerda. Coutinho também colocou em campo Cláudio Adão no lugar de Luisinho. Uma troca pura e simples de centroavantes.

E foi Adão quem perdeu a primeira chance de empatar a partida, ao cabecear em cima do goleiro um cruzamento sob medida de Toninho. A igualdade não tardaria a chegar. Júnior lançou Zico em profundidade, na ponta esquerda. O galinho avançou e cruzou rasteiro. Cláudio Adão acompanhou o lance e só tocou para o fundo das redes do flu. Tudo igual no Maraca. Um a um.

A torcida rubro-negra, presente em maior número no estádio, começou a soltar o grito de “É campeão, é campeão”!

O domínio rubro-negro passou a ser indiscutível. Aos 28, Júnior quase marcou o gol da virada, mas Paulo Goulart fez boa defesa. Em seguida, foi a vez de Toninho ir a linha de fundo e cruzar. Cláudio Adão teve tempo de matar a bola no peito, antes de finalizar com perigo, sem a deixar quicar.
Como o empate era um ótimo resultado para o Flamengo, Coutinho pôs Andrade em campo, para substituir Tita. Assim, o time ficou sem ponta esquerda, mas com a defesa mais protegida e Carpegianni e Adílio puderam ter mais liberdade para apoiar o ataque.

Aos 35, Júnior puxou contra ataque pela esquerda, avançou ate a área tricolor e rolou para Zico. O camisa 10 parou, ajeitou o corpo e colocou, de lado de pé. Paulo Goulart fez ótima defesa e espalmou a escanteio.

Com o empate, o título antecipado estava praticamente garantido e a equipe deixou o gramado sob os gritos de bicampeão.

Para se ter uma idéia, a vantagem era tão grande que se o tricolor não derrotasse Americano (em jogo adiado) e o Vasco, o caneco já seria nosso. A festa do bi já estava preparada. Seriam 30 mil litros de chope e dois trios elétricos.

O Fluminense suou, mas venceu o Americano, por 4 a 3, mantendo suas remotas possibilidades. Assim, o tricolor enfrentaria o Vasco no sábado e Flamengo e Botafogo. duelariam no domingo, na última rodada. Pior, para passar o fla no saldo de gols, o flu precisaria golear o Vasco por oito gols de diferença.

Na sexta-feira, o coletivo apronto deu a certeza do título. Os titulares golearam os reservas, por 4 a 0. Adílio, Tita. Adão e Júnior foram os marcadores. A Gávea estava cheia e em festa. No dia seguinte, a conquista foi confirmada. Fluminense e Vasco ficaram no 0 a 0. Mesmo sem entrar em campo, o mengo já era bicampeão estadual.

Apesar disso, os jogadores não queriam ser derrotados. Era questão de honra ser campeão invicto. O Botafogo tentaria estragar a festa rubro-negra. Zico fez dois gols e, apesar do empate, todos deixaram o estádio com a certeza da missão cumprida. Mais de 20.000 pessoas acompanharam os trios elétricos até a Gávea, onde a festa comeu solta. Entusiasmado, Coutinho prometeu o tri aos torcedores “Somos o melhor time do Rio, não tenho dúvidas. O tri virá. E depois, vamos em busca da conquista nacional, para provar a todos que não somos apenas um time do Maracanã. Somos o melhor time do Brasil”.

No próximo texto: o primeiro turno do campeonato estadual de 79. Até lá!





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