terça-feira, 10 de março de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- O terceiro Turno do Carioca de 79
O terceiro turno do Campeonato Carioca de 79
Por ter vencido os dois turnos anteriores, o Flamengo entrou no derradeiro com dois pontos de vantagem sobre os demais sete rivais. Era uma dianteira considerável, considerando-se que apenas sete partidas seriam disputadas e a inegável qualidade do elenco rubro-negro.
Antes da estréia, mais um reforço chegou a Gávea. Por empréstimo até o fim do ano, o clube contratou o zagueiro Boca, da Francana.
No último coletivo antes do jogo com a Portuguesa, os titulares venceram por 5 a 3, gols de Cláudio Adão (2), Adílio, Júlio César e Tita. Luisinho (2) e Boca. Nesse treino, ficou decidido que Andrade seria o lateral direito, já que Toninho estava suspenso e Leandro, sem ritmo de jogo. Para completar o clima de otimismo, Júnior, em entrevista a O Globo, diz que prefere o tricampeonato pelo Flamengo a Copa América pela seleção.
Apesar disso e da vitória de três a zero (Tita, Reinaldo e Leandro), o time não esteve bem e deixou o gramado sob vaias. Diante da fragilidade do oponente, a torcida queria mais gols!
A próxima partida seria frente ao Goytacaz, novamente no Maracanã. No coletivo apronto, goleada dos titulares por cinco a zero em cima dos juvenis. Tita (3), Júnior e Adílio marcaram.
Se na rodada anterior, o time não esteve bem, no confronto contra o time de Campos, a equipe se acertou. A goleada veio, por cinco a um, com gols de Cláudio Adão (2), Tita (2) e Adílio. Dessa vez, a torcida não reclamou.
Na terceira rodada, uma difícil vitória sobre o Bangu, por apenas um tento a zero, deixou a equipe rubro-negra com 100% de aproveitamento. Tita, o autor do gol, mostrou que vivia grande fase. Atuando em sua real posição (a mesma que Zico), ele desandou a marcar gols e jogar bem.
O que ninguém esperava era o tropeço que se seguiria. Uma acachapante derrota para o Fluminense, por três a zero, em um dia que nada funcionou na equipe. Zico, ainda sentindo a lesão, entrou no segundo tempo, perdeu um pênalti e agravou a contusão. Mesmo assim, o time seguiu na liderança da competição, já que entrou com dois pontos de bonificação. Após o jogo, Coutinho, disse que um tropeço era possível e que a vantagem de ter conquistado os turnos anteriores havia causado certo relaxamento. Agora, era voltar a vencer para conquistar o Tri!
A preocupação de todos na Gávea era como o time ia reagir a essa derrota. Para sorte de todos, a semifinal da Copa América, diante do Paraguai desviou o foco e deixou o clube se preparar para os três últimos compromissos em paz.
Na quinta rodada, o Flamengo se recuperou. Zico, mais uma vez tentou forçar a sua escalação. Saiu jogando e teve que ser substituído no intervalo. Ele não voltaria mais a atuar no campeonato. Mesmo assim, jogando no Maracanã, o time bateu o Americano, por três a zero. Todos os gols foram marcados por Tita, em forma exuberante.
Pela mesma rodada, o Botafogo goleou o Fluminense (4x0). Com isso, Flamengo e Vasco lideram o turno final sem pontos perdidos. Botafogo e Fluminense vinham a seguir, com dois pontos perdidos. Faltando duas rodadas para o fim, a briga estava boa.
No clássico da sexta e penúltima rodada, o rubro-negro iria enfrentar o Vasco, em jogo que poderia garantir o Tricampeonato antecipado ao clube da Gávea.
Na rodada, o Botafogo bateu o Goytacaz e o Fluminense, a Portuguesa, mantendo as chances de ambos no campeonato.
Flamengo 3x2 Vasco
Taticamente, Coutinho mantinha o time e o esquema habituais. Carpegianni e Adílio jogavam um pouco mais recuados, marcando e organizando o time. Tita era o ponta de lança, substituindo Zico. Reinaldo atuava aberto pela direita. Cláudio Adão era o centroavante e Júlio César, o extrema esquerda. O Vasco atuava no clássico 4-3-3 da época.
Aos cinco, Adão ajeitou de calcanhar para a penetração de Adílio. O neguinho bom de bola invadiu a grande área e bateu rasteiro. A bola passou raspando a trave direita de Leão.
Aos 11, o primeiro gol rubro negro. Para variar, nascido de um contra ataque mortal. Adílio lançou Júlio César em profundidade, nas costas de Orlando. Na base da velocidade, Uri Geller foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Ivã se antecipou a Cláudio Adão, mas acabou marcando contra. Flamengo um a zero.
Em desvantagem no marcador, o Vasco se perdeu. Dois minutos depois, Tita ficou cara a cara com Leão, depois de uma bola mal cortada por Marco Antônio. O camisa 10, entretanto, acabou tocando para fora e desperdiçando ótima chance de ampliar o marcador.
Aos 21, Júlio César passou por dois e tocou para Cláudio Adão. O atacante ganhou a dividida com Gaúcho e saiu na cara de Leão. Porém, ao tentar driblar o goleiro, acabou perdendo a bola. A sobra ficou com Júlio César, que acabou desarmado. Na seqüência da jogada, a redonda chegou até a ponta direita, para Reinaldo. O bigodudo finalizou fraco, mas com muito efeito. Leão falhou e bateu roupa e Tita, oportunista como sempre apenas teve o trabalho de tocar para as redes. Com menos da metade do primeiro tempo jogado, o fla já vencia por dois a zero.
O rubro negro tinha tudo sob controle. Tocava a bola, marcava bem e não era ameaçado pelo Vasco. Até que aos 38, Orlando cobrou lateral, Guina cruzou, de maneira despretensiosa. Roberto cabeceou para baixo. Toninho tentou cortar, mas errou a cabeçada e ainda desviou a bola, tirando qualquer chance de defesa de Cantarele. Dois a um.
O apagão do Flamengo continuou. Aos 42, Guina bateu por cima, depois de uma bela ajeitada de Dudu. Um minuto depois, não teve jeito. O Vasco cobrou uma falta rápida. Wilsinho foi a linha de fundo e cruzou para trás, rasteiro. Roberto fez o corta luz. Guina ajeitou de calcanhar para Catinha, que, de três dedos mandou a pelota para o fundo das redes. Num piscar de olhos, o clássico dos milhões estava empatado. Dois a dois.
No intervalo, Coutinho, revoltado disse no microfone da TV Globo que time que quer ser tricampeão não pode dar bobeira como deu o seu time.
A etapa final começou de maneira cautelosa. Afinal, se o empate não decidia nada, a derrota praticamente alijava o perdedor da disputa pelo título. Aos 12, Guina bateu de longe e obrigou Cantarele a espalmar para escanteio.
A partida estava equilibrada quando aos 20 minutos, Toninho cruzou da direita. Titã subiu demais e cabeceou no alto, fora do alcance de Leão. Um golaço! Flamengo três a dois. No mesmo momento, Coutinho sacou Júlio César do time, fazendo entrar Andrade e rearmando a equipe numa espécie de 4-1-2-1-2.
Aos 24, Tita, novamente de cabeça, perdeu ótima oportunidade de aumentar a vantagem rubro-negra. Precisando pelo menos do empate, o Vasco mudou. Paulinho entrou no lugar de Wilsinho, para tentar dar mais força ofensiva ao time da cruz de malta.
Faltando oito minutos, o Vasco foi pro tudo ou nada. O atacante xaxá substituiu o meia Dudu. De nada adiantou, a torcida do Flamengo começou a gritar “Tricampeão! Tricampeão”! No fim das contas, deu rubro-negro, três a dois.
De fato, o tri estava muito próximo. Até Coutinho entrou na onda, dizendo já se considerar tri. Entretanto, o confuso regulamento do certame diz que só haverá jogo extra se dois clubes terminarem empatados. Em caso de três ou mais clube empatarem em primeiro lugar, o campeão será o clube que tiver o maior somatório de pontos no geral (Flamengo).
O mengo era líder isolado, sem pontos perdidos. Em seguida, vinham Vasco, Fluminense e Botafogo, com dois pontos perdidos. Isso queria dizer que, se houvesse um vencedor na partida de sábado, entre Vasco e Fluminense, o clube da Gávea seria Tricampeão por antecipação, mesmo que perdesse para o Botafogo (se essa hipótese acontecesse, Fla, bota e o vencedor do jogo de sábado terminariam empatados, com dois pontos perdidos e o Flamengo seria o campeão por ter somado o maior número de pontos nos turnos anteriores).
No sábado, o Vasco venceu o Fluminense, por três a dois e garantiu o título antecipado da equipe de Zico, Júnior e Coutinho. O clássico diante do Botafogo passou a ser um mero amistoso, ou como disse Zico “o jogo de entrega das faixas”.
Flamengo 0x0 Botafogo
Mesmo sendo um “amistoso”, o Flamengo começou em cima. Aos cinco minutos, Júnior, deslocado pela direita, tentou a finalização, mas Borrachinha fez uma ótima defesa e salvou o alvinegro.
Adão perdeu uma boa chance de cabeça, aos 12. Aos 13, Renato Sá foi expulso, por reclamar e xingar o bandeirinha. A tarefa rubro-negra ficava, pelo menos em tese, facilitada.
Só que o mengo pareceu se acomodar em campo. Só foi ameaçar de novo aos 35, quando Cláudio Adão, sozinho, cabeceou para fora um cruzamento perfeito de Toninho. Sem inspiração de parte a parte, nada mais aconteceu no primeiro tempo.
Na volta do intervalo, em entrevista a TV Globo, Coutinho foi preciso em sua análise “O time precisa tocar a bola e virar o jogo com maior rapidez. Estamos segurando de mais a bola e perdendo velocidade. Precisamos explorar o fato de termos um homem a mais”.
Na verdade, além da preguiça, o treinador rubro-negro sofria com os desfalques. Zico e Tita, os melhores jogadores durante a competição não puderam jogar. Assim, Coutinho escalou o time com Cantarele, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior. Andrade, Carpegianni e Adílio, Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio César.
Outro empecilho foi a tarde muito ruim de alguns atletas. Adão, por exemplo, irritou tanto o torcedor presente ao Maracanã que a galera começou a pedir a entrada de Beijoca, que se encontrava visivelmente fora de forma. Adílio era outro que não rendia bem fora de sua posição.
Aos 18, Coutinho atendeu o apelo da arquibancada e pôs em campo Beijoca no lugar de Cláudio Adão.
Com tanta falta de inspiração assim, foi o Botafogo quem assustou. Aos 24, Gil escapou sozinho pela ponta direita, invadiu a área e bateu firme. Cantarele conseguiu desviar e Manguito despachou de vez o perigo.
Aos 38, Adílio recebeu de Beijoca na entrada da área. Ele gingou na frente dos marcadores e bateu no ângulo esquerdo. Borrachinha voou e conseguiu espalmar para escanteio.
Apesar de tudo, a festa do Tricampeonato foi linda e merecida. O Flamengo terminou o turno final com apenas um ponto perdido. O Vasco foi vice, com dois. O Botafogo, foi o terceiro, com três. Em quarto, ficou o Fluminense, com quatro.
No próximo texto: O Campeonato Brasileiro de 79. Até breve!
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segunda-feira, 9 de março de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- Parte 11- O Segundo Turno do Estadual de 79
Campeonato Estadual 1979
Segundo Turno
Antes de iniciar o segundo turno, o Flamengo jogou um amistoso contra o ABCR, de Juiz de Fora. Tita (4), Cláudio Adão, Adílio e o juvenil Anselmo marcaram, no massacre de 7 a 0. Toninho e Manguito foram suspensos pelo Tribunal e estavam fora da estréia. Carpegiani, contundido, também.
Mesmo com esses desfalques, o rubro-negro começou a campanha com vitória. No Maracanã, fez 3 a 0 no Campo Grande. Tita, Cláudio Adão e Zico anotaram os tentos. Nos bastidores, a semana foi agitada na Gávea. Primeiro, o time acertou a contratação do meio campista Ademir Vicente. Depois, fez uma proposta de 4 milhões de cruzeiros pelo centroavante Bira, artilheiro do Remo. O clube paraense recusou o valor, mas estava disposto a seguir com a negociação. Para completar, Luisinho e Jorge Luís foram vendidos ao Al Nassr, por 5,5 milhões.
A segunda rodada marcou um tropeço, que ninguém esperava. Jogando no Maraca, o Flamengo foi derrotado pelo Americano, por 1 a 0. Apesar dos protestos da torcida após o revés, Coutinho disse ao jornal O Globo “que não havia motivos para desespero. O time jogou mal e pronto. Não vão transformar um tropeço em crise”.
Antes de tentar a recuperação no estadual, o time tinha que ir até Vitória, jogar contra a Desportiva, em amistoso que servia como parte do pagamento do passe de Carlos Henrique. A vitória, de 3 a 2, não foi suficiente para apaziguar os ânimos. Tita, Zico e Cláudio Adão marcaram. A nota triste ficou por conta da contusão de Adílio, que deixou o gramado com o tornozelo esquerdo bastante inchado.
De volta ao certame carioca, o mengo recuperou-se e goleou o Serrano, por 5 a 1, com gols de Zico (3), Cláudio Adão e Carpegiani. Precisando de um atacante para repor a saída de Luisinho e acalmar os torcedores, o clube anuncia a contratação do atacante Beijoca, do Bahia, por 5,5 milhões, mais o passe de André e a renda de um amistoso em Salvador.
A nova contratação chegou acima do peso e ainda ia demorar um pouco para estrear. Antes de embarcar para a Europa, onde disputaria o Troféu Ramon de Carranza, o Fla ainda bateu o América, por 2 a 0. João Luís (contra) e Cláudio Adão marcaram.
Na Espanha, a estréia era uma pedreira. O Bicampeão carioca enfrentaria ninguém mais, ninguém menos do que o Barcelona. Para piorar, Toninho, Carpegiani, Júnior, Tita, Zico e Coutinho só desembarcaram em terras espanholas cerca de 10 horas antes da partida. Todos eles estavam com a Seleção Brasileira que empatara com a Argentina, em Buenos Aires, garantindo a classificação para a semifinal da Copa América.
Nem todos esses problemas foram capaz de frear o Flamengo. Com gols de Júlio César e Zico, o time bateu o Barça, por 2 a 1. No dia seguinte, a decisão, diante do Ujpest, da Hungria. Sabendo que o adversário não tinha muitas informações a respeito do seu time, Coutinho, espertamente, mandou Cláudio Adão entrar com a camisa dois e Toninho, com a nove. Quando os húngaros se deram conta de que o seu zagueiro marcava o lateral direito do mengo, o placar já estava aberto. Aos 20 segundos, Zico fez 1 a 0. O mesmo Zico marcaria mais um e daria ao rubro-negro o título, fortalecendo ainda mais o nome da equipe na Europa. Essa conquista era apenas a segunda de um time brasileiro, nessa competição (o outro havia sido o Palmeiras). A imprensa espanhola se derreteu em elogios ao time de Coutinho. Diziam que era um futebol de outra galáxia. Estavam encantados!
De Cádiz, a delegação foi para a capital espanhola, onde enfrentou o Atlético de Madrid, dos brasileiros Leivinha e Luís Pereira. Zico, para variar, foi o autor do gol que garantiu o empate. Finalizando a excursão, a equipe foi até Paris, jogar contra o PSG. Desta vez, a atuação foi ruim e a derrota, por 3 a 1 (gol de Zico), justa.
Preocupado com o cansaço do time, Coutinho vetou a realização de novos amistosos. Queria os jogadores focados apenas na conquista do Tri. Enquanto isso, maravilhado com o futebol do jovem Leandro, o treinador dava seu aval a venda de Ramírez para o Independiente.
Na volta ao estadual, novo tropeço. Empate em 1 a 1 (gol de Júnior), diante do Bonsucesso. Insatisfeitos, os torcedores invadem o gramado e cobram dos jogadores, “rebolado, não”!
O pior ainda estava por vir, na sexta rodada, o time confirmou a má fase e foi derrotado pelo Vasco, por 4 a 2 (Cláudio Adão e Zico). O que mais impressionou e irritou a torcida foi que o mengo ganhava o jogo e tomou a virada com um homem a mais. No dia seguinte, a Diretoria reuniu-se com Coutinho e exigiu mudanças na equipe. Tranqüilo, o treinador lembrou que para conquistar o segundo turno, bastava o Flamengo vencer o Goytacaz, em Campos e os clássicos frente à Fluminense e Botafogo.
Em Campos, precisando desesperadamente dos dois pontos, o time mais uma vez não jogou bem. Um solitário gol de Tita manteve a esperança na conquista do título. Só que, para jogar um balde de água fria nos rubro-negros, Zico deixou o campo com uma lesão muscular. Ele ficaria afastado do time por um longo período.
Na penúltima rodada, o time mostrou porque era o atual bicampeão. O Botafogo fez 1 a 0, com Renato Sá, aos 21 minutos do segundo tempo. Na base da raça, o rubro-negro conseguiu a virada, com dois gols de Cláudio Adão. E com direito ao tento da vitória ser marcado no último lance do jogo. Bem como os flamenguistas adoram!
A situação do campeonato a esta altura era a seguinte: Botafogo e Fluminense lideravam, com 4 pontos perdidos. O Flamengo vinha em seguida, com 5 pontos perdidos. E, o Vasco era outro que ainda tinha possibilidades, pois tinha 6 pontos perdidos.
No meio de semana, tricolores e alvinegros ficaram no 0 a 0, resultado que deixava o Flamengo na liderança, junto com os dois. Em Campos, o Vasco bateu o Americano (2x1) e manteve suas possibilidades. A última rodada marcava pro sábado, Botafogo x Vasco e, no domingo, Flamengo x Fluminense.
Para tentar melhorar o ambiente e dar tranqüilidade aos jogadores, a Diretoria anunciou a renovação do contrato de Toninho, que assim, retorna ao time diante do Flu. O último coletivo, porém, não foi nada animador. Empate em 3 a 3, diante dos juvenis, com gols de Tita, Manguito e Cláudio Adão.
No sábado, toda a delegação ficou ouvindo no rádio, o empate de 1 a 1 entre Vasco e Botafogo. Com o resultado, quem vencesse o fla x flu seria o campeão do segundo turno. O Mengo tinha a vantagem do empate, pois possuía melhor saldo de gols.
O jogo diante do Fluminense foi truncado. Mesmo precisando da vitória, o tricolor não se expunha demais, por saber que era inferior. A partida já caminhava para o empate sem gols, quando Tita, a dois minutos do apito final, marcou o gol do título. Flamengo 1x0 Fluminense. Era o sexto turno em seqüência conquistado pelo time da Gávea. O Globo, do dia 24 de Setembro (dia seguinte ao jogo) estampava em sua primeira página os seguintes dizeres: “Flamengo (outra vez) campeão”. Para o terceiro e decisivo turno, o Fla entraria com 2 pontos extras e já em vantagem diante dos outros 7 rivais. O Tricampeonato estava se aproximando!
No próximo texto: O Terceiro turno e a conquista do Tricampeonato
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sexta-feira, 6 de março de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- Parte 10- Taça Guanabara 1979
Campeonato Estadual de 1979
Primeiro turno
A cabeça dos cartolas era realmente uma coisa incrível. Depois do Campeonato Especial, iria começar o Estadual 79. E, como não poderia deixar de ser, o regulamento era dos mais confusos e deficitários para os grandes, especialmente para o Flamengo, que possuía a mais alta folha salarial do Rio.
O primeiro turno seria disputado por 18 clubes, jogando todos contra todos, em 17 rodadas. Os 10 mais bem colocados, jogariam o segundo turno, em nove rodadas e também classificatório para o turno final, com os 8 primeiros, onde se definiria o campeão. Sabe qual era a vantagem que o vencedor do primeiro e do segundo turno levavam para o terceiro? Um mísero ponto de bonificação. Que confusão, hein?
Independente disso, o fla era o grande favorito a conquistar o tricampeonato. A preparação começou na Capital Federal, onde o time quase perdeu sua longa invencibilidade diante do Brasília. Cláudio Adão marcou, a seis minutos do fim e decretou o empate.
Na seqüência, a equipe foi a Natal, jogar contra um combinado do ABC, América e Alecrim. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Cláudio Adão. Enquanto isso, no Rio, a Diretoria começava a reforçar o elenco. Foram anunciadas as contratações do meia Bruno, do São Cristovão e do ponta esquerda Carlos Henrique, da Desportiva.
Ainda havia dois amistosos a serem disputados, antes da estréia no Estadual. Em Itabuna, vitória tranqüila sobre o time da casa, por 3 a 1 (Zico, Adílio e Adão). E, no chamado “jogo dos invictos”, pois o Vitória também não era derrotado fazia um bom tempo (29 jogos), um empate, em 1 a 1, com gol de Zico.
A primeira partida na competição carioca aconteceu no Maracanã, diante do Bonsucesso. Goleada de 5 a 0, com tentos de Zico (2), Cláudio Adão, Adílio e Tita. No dia seguinte, Coutinho convocou a Seleção Brasileira. E na lista estavam Zico, Carpegiani, Toninho, Júnior e Rondinelli. E, para reforçar ainda mais o elenco, vinha por empréstimo do Guarani, o zagueiro Gilberto.
O segundo compromisso foi em Petrópolis, contra o Serrano. O campo, pequeno e ruim, atrapalhou demais a equipe. Os dois pontos só vieram graças a um solitário gol de Zico. Assim, o time chegava a 50 partidas invictas e aproximava-se do recorde do Botafogo.
Na terceira rodada, o mengo voltou ao maior do mundo e não teve dificuldades para golear o São Cristovão. Zico e Cláudio Adão marcaram duas vezes cada. A nota triste ficou pela contusão de Tita, que iria ficar afastado por 3 semanas.
Sua ausência, entretanto, não seria sentida diante do Campo Grande, em Ítalo Del Cima. A vitória de 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão), garantiu o jogo de número 52 invicto, igualando o recorde nacional do Botafogo. E quem seria o próximo adversário do rubro-negro? Justamente a equipe alvinegra.
A cidade parou para falar do clássico. A Diretoria rubro-negra exigia exame antidoping nos jogadores do Botafogo. Além disso, o clima era de total confiança no clube. Zico acertara sua renovação, por mais um ano. Coutinho poderia escalar o time quase completo (a exceção de Tita), para a quebra do recorde. Foi prometido um prêmio extra aos atletas e foram feitas medalhas comemorativas do feito. No último coletivo, com a Gávea lotada, empate em 2 a 2, com Zico e Cláudio Adão marcando para os titulares e Luisinho e Ronaldo para os suplentes.
O Maraca estava lotado no domingo. Tudo conspirava a favor. Porém, um gol no começo do jogo, marcado por Renato Sá (curiosamente, foi ele quem marcou duas vezes, na derrota do Botafogo para o Grêmio por 3 a 1, quebrando a série invicta do alvinegro) e uma brilhante atuação do goleiro Borrachinha acabaram dando a vitória a equipe de General Severiano. Para Coutinho, a derrota foi um “alívio”, já que assim os jogadores poderiam pensar exclusivamente na conquista do tricampeonato, sem a pressão de ter que manter a invencibilidade.
Era importante dar uma resposta imediata ao torcedor. Antes de enfrentar o Bangu, Coutinho comandou um coletivo, vencido pelos titulares, por 2 a 0 (Luisinho e Reinaldo). Na partida, válida pela sexta rodada, o time venceu, mesmo sem convencer, por 3 a 1. Os gols foram todos de Zico.
Enquanto isso, os dirigentes do Olimpique de Marselha foram a Gávea, tentar comprar o passe de Carpegiani. A proposta francesa era de 15 milhões de cruzeiros, em 3 anos, só de salários para o atleta. Carpegiani queria mais e recusou a proposta.
A partida seguinte, contra o ADN, de Niterói, foi histórica para o galinho. Não só pelos seis gols marcados, no massacre de 7x1. Mas, principalmente, pelo sexto tento da equipe, quando ele driblou o goleiro sem tocar na bola e empurrou para as redes vazias. Foi o gol que Pelé não fez, em 70 contra o Uruguai. Para a nação, pouco importava se o rei tinha falhado. Zico fez.
Nem tudo era festa. O Santos entrou na justiça, cobrando uma dívida de um milhão de cruzeiros, referente a compra do passe de Cláudio Adão. Pior, se o fla não pagasse, estaria suspenso e perderia por WO para o Volta Redonda, pois estaria impossibilitado de atuar. Sem dinheiro, a solução foi recorrer a Otávio Pinto Guimarães, Presidente da FERJ, que emprestou a quantia.
Com isso solucionado, o Flamengo foi até Volta Redonda e saiu de lá com mais dois pontos na bagagem. Triunfo de 3 a 0, com gols de Edinho (contra), Zico e Cláudio Adão. Esta partida também foi especial, pois marcou a centésima vitória de Coutinho no comando da equipe.
Para tentar manter a liderança, o Fla foi até Campos, enfrentar o Americano. Derrotou os donos da casa por 5 a 2. Novamente, a dupla desequilibrou. Cláudio Adão marcou 3 e Zico, 2.
Com mais da metade do turno disputado, o Flamengo liderava a competição com apenas 2 pontos perdidos, seguido de Vasco e Botafogo, com 4 e Fluminense, com 5. O título começava a se aproximar.
Toninho, Júnior, Rondinelli e Zico foram jogar pela Seleção, que enfrentou o Ajax em partida amistosa. Sem eles e sem Coutinho, houve um coletivo na Gávea, com vitória dos titulares sobre os reservas, de 5(Adão, três vezes, Tita e Reinaldo) a 3(Luisinho e Carlos Henrique, duas vezes).
Para melhorar ainda mais o astral de todos, Zico marcou dois gols na goleada brasileira diante dos holandeses, por 5 a 0. Além disso, ele e Toninho foram convocados por Enzo Bearzot para integrar a Seleção do Mundo que iria enfrentar a Argentina, em Buenos Aires.
O jogo da décima rodada era o clássico diante do Fluminense. No coletivo apronto, 2 a 0 para os titulares, tentos de Tita.
No domingo, vitória por 2 a 1. Zico e Cláudio Adão foram os autores dos gols. Só que as melhores notícias vinham de outros estádios. O Vasco perdia para o São Cristovão (1x0) e o Botafogo empatava com o Americano (2x2). Com esses resultados e apenas um clássico para jogar, o título da Taça Guanabara estava praticamente garantido, apesar de ainda faltarem sete rodadas.
No dia seguinte do fla x flu, Zico entra no segundo tempo e tem grande atuação na Seleção do Mundo, marcando o gol da vitória, em jogada toda rubro-negra, com a participação de Toninho. Na quarta, dois dias depois, o galinho já estava em campo, ajudando o Flamengo a bater o Madureira, por 4 a 0. Adílio (2), o próprio camisa 10 e Cláudio Adão marcaram. A goleada poderia ter sido ainda maior, mas Zico acabou perdendo um pênalti e Júnior foi expulso de campo.
A Diretoria aproveita a boa fase da equipe e desafia o Santos, campeão paulista para dois amistoso desafio. A falta de datas impede que os jogos aconteçam.
Depois de duas semanas afastado, Carpegiani volta ao time contra o Fluminense de Friburgo, na Serra. E sua presença acabou sendo fundamental, já que foi dele o gol da vitória de 1 a 0. Mais uma vez, em um campo pequeno e ruim, o time esteve mal. Acabou salvando-se por sua individualidade. E para deixar os rubro-negros ainda mais próximos da conquista, no Maracanã, Vasco e Botafogo ficavam no 0 a 0.
Antes de enfrentar o América, uma pausa para faturar. Com uma cota de 800.000 cruzeiros, o Flamengo foi a Recife e acabou derrotado pelo Sport, por 1 a 0. Para não cansar ainda mais o time, a Diretoria cancelou o amistoso diante do Ceará, que seria disputado dois depois. Mesmo sem receber a cota de um milhão de cruzeiros, era necessário que se desse um descanso aos atletas. No Rio, Júnior foi julgado pelo STJD e pegou apenas uma partida de suspensão.
No domingo, mais uma vitória, desta vez, por 2 a 1 em cima do América. Os gols foram de Luisinho e Zico. Com este resultado, a equipe precisava apenas de duas vitórias, nos últimos quatro compromissos, para garantir a conquista da Taça Guanabara.
Todos esperavam um jogo tranqüilo contra o Goytacaz, ainda mais por ser no Maracanã. Pois estavam errados. A partida foi complicadíssima e a vitória veio na bacia das almas, por 4 a 3. Zico, mais uma vez foi o salvador da nação, marcando todos os gols. Faltava apenas uma vitória para o caneco estar garantido.
E a rodada seguinte dizia que o Flamengo teria que ir até a Ilha do Governador, enfrentar a Portuguesa, em seu acanhado estádio. A Diretoria tentou de todas as maneiras levar a partida para o Maracanã. Mas era necessária unanimidade no Conselho Arbitral e o Vasco foi o único a votar contra, o que provocou grande revolta entre os cartolas rubro-negros. De qualquer forma, o time cumpriu o que dele se esperava. Foi à casa do adversário e venceu, por 2 a 0, com mais dois gols do galinho. Com duas rodadas de antecipação, o Flamengo era Campeão da Taça Guanabara. Era o quinto turno seguido vencido pelo time da Gávea.
Na penúltima rodada, a equipe voltou ao Maracanã e bateu o Olaria com tranqüilidade, por 3 a 0, com gols de Cláudio Adão, Zico e Esdras (Contra). Antes de encerrar a participação no primeiro turno, o mengo foi até Goiânia, enfrentar o Vila Nova. O triunfo por 2 a 0 (Zico e Cláudio Adão) e a atuação irrepreensível do time fez com que a torcida presente ao estádio aplaudisse os cariocas de pé.
A última rodada marcava o clássico diante do Vasco. Coutinho prometeu time completo e a Diretoria, ainda revoltada com o veto vascaíno a mudança do local contra a Portuguesa, prometeu um prêmio extra e exigia uma goleada. Com todo esse clima, o jogo foi quente. Foram cinco cartões vermelhos: Manguito e Toninho, do lado rubro-negro e Guina, Gaúcho e Paulinho, pelo lado do Vasco. Com tanto espaço, prevaleceu a melhor qualidade técnica do Flamengo. Vitória de 4 a 2, com gols marcados por Júnior (2), Tita e Zico. A vingança estava completa.
O domínio rubro-negro foi tão inquestionável que a equipe acabou a Taça Guanabara sete pontos a frente do Vasco e nove a frente do Fluminense. Um verdadeiro passeio!
No próximo texto: O segundo Turno e a excursão a Europa. Até lá!
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quinta-feira, 5 de março de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- Parte 9- O Segundo turno do Carioca Especial de 79
O Campeonato Carioca Especial de 79
Segundo Turno
Antes de começar a campanha no returno, o time foi até o Espírito Santo, enfrentar o Rio Branco. Para este amistoso, Coutinho não pode contar com seis titulares. Mesmo assim, o mengo conseguiu vencer pelo placar mínimo, gol de Júlio César.
A estréia no segundo turno aconteceu no Maracanã, frente ao São Cristovão. Zico, Toninho e Rondinelli estavam de volta, diminuindo o número de ausências para “apenas” três. No primeiro tempo, a equipe não rendeu. O empate em 1 a 1 mostra bem isso. Furioso, Coutinho mudou tudo no vestiário. Sacou André, substituindo-o por Reinaldo, que foi jogar na ponta direita. Tita passou para o meio de campo, ajudando Zico na criação. As alterações deram certo e o mengo deslanchou, chegando aos 6x1, com gols de Zico (3), Tita (2) e Luisinho.
Satisfeito com a atuação no segundo tempo, o treinador confirmou que aquela seria a equipe que iniciaria a partida diante do Goytacaz. Nos treinamentos, Zico seguia arrebentando. Foram deles os dois tentos da vitória sobre os reservas, no coletivo apronto. Sobre o galinho, Coutinho declarou ao jornal O Globo: “é um dos melhores do mundo no momento. Temos muita sorte dele estar do nosso lado”. Um justo reconhecimento.
Paralelamente ao estadual, a Diretoria trabalhava em duas frentes. A primeira, querendo marcar dois amistosos desafio contra o Guarani, então campeão nacional e representante do país nas semifinais da Libertadores. E, na segunda, crescia a expectativa pelo amistoso do dia 6 de Abril, onde o Flamengo receberia o Atlético-mg, com a renda toda revertida para as vítimas das enchentes em Minas. O motivo para tanto alvoroço? Uma certa dupla de meio campistas que atuaria pelo mais querido: Zico e Pelé!
Antes disso, porém, a equipe teria dois compromissos pelo carioca, ambos no Maracanã. No primeiro, goleada de 7 a 1 no Goytacaz e novo show do galinho, que marcou incríveis 6 gols (o outro foi de Júlio César). No segundo, o primeiro tropeço do returno. Empate de 1 a 1 diante do América, com direito a gol salvador de Rondinelli no fim do jogo.
A torcida nem ligou. O frisson por Zico e Pelé aumentava a cada dia. A Diretoria chegou a cogitar cobrar ingressos de quem quisesse assistir aos treinamentos com a dupla, mas acabou desistindo. No primeiro coletivo, 2x0 para os titulares, ambos marcados por Zico. Pelé, sem ritmo de jogo, pouco apareceu.
Perguntado sobre o esquema tático, Coutinho disse que Pelé jogaria na armação, com o galinho mais adiantado. No segundo e último coletivo, empate em 2 a 2. Marcaram Zico e Júnior para os titulares e Adílio e Lino para os reservas. Bem mais a vontade, Pelé fez boas jogadas e procurou Zico para tabelas o tempo todo.
Apesar da euforia, o cansaço ameaçava atrapalhar a caminhada rubro-negra. Menos de 48 horas depois de vencer o galo, o time já estava em campo, enfrentando o Volta Redonda, no Raulino de Oliveira. Aproveitando-se disso, os donos da casa impuseram um ritmo veloz e foram melhores durante quase toda a partida. Um gol de Reinaldo acabou dando a vitória e mais dois pontos ao Flamengo.
Na quinta rodada, o time foi até Campos, enfrentar o Americano. Mais uma vez, o jogo foi complicado. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Zico e Cláudio Adão. Agora, era descansar para pegar o Vasco.
Flamengo 2x1 Vasco
O rubro-negro contava com a volta de Júnior e Adílio. A primeira oportunidade não demorou a acontecer. Júlio César tocou para Júnior. O lateral foi à linha de fundo e cruzou. Adílio desviou e Zico, atrapalhado pelo zagueiro, acabou chutando para fora. O Vasco respondeu com grande jogada de Guina, que passou como quis por Júnior e Nelson, derivou para o meio e bateu na rede, pelo lado de fora.
Aos 25, nova chance do fla. Júlio César tentou cruzar e acabou surpreendendo Leão, que deu rebote. Zico tentou uma puxada, a bola subiu e sobrou para Luisinho cabecear para segura defesa do arqueiro vascaíno. E assim, chegou ao fim o primeiro tempo.
Logo no começo da etapa final, aos quatro minutos, um susto. Orlando fez um cruzamento despretensioso para a área, Toninho Vanusa fez o corta luz, a zaga rubro-negra bateu cabeça e Roberto, de virada, mandou para as redes de Cantarele. Vasco um a zero.
Em desvantagem, Tita saiu da ponta direita e foi jogar pelo meio, abrindo o corredor para a passagem de Toninho. Aos 16, Júlio César teve que ser substituído. Reinaldo entrou no seu lugar e foi ocupar a extrema direita. Tita foi obrigado a ocupar a ponta esquerda, e Adílio recuou um pouco mais, para dar um pé a Carpegianni na organização do time.
Aos 21, o gol de empate. Júnior lançou Toninho em profundidade. O lateral foi derrubado por Marco Antônio. Mesmo assim, levantou-se e cruzou na cabeça de Carpegianni. O volante ajeitou para Luisinho que, também de cabeça, devolveu para o galinho testar firme e vencer o goleiro Leão. Um golaço! Tudo igual no clássico. Um a um.
O Flamengo virou o jogo em mais um contra ataque mortal. Adílio recebeu não meio de campo, avançou com velocidade e tocou para Zico, que chutou rasteiro. Leão deu rebote e Adílio aproveitou para empurrar para o gol vazio. Dois a um!
Aos 31, Guina foi expulso por reclamação e facilitou ainda mais as coisas para o rubro-negro, que passou apenas a tocar a bola e fazer o tempo passar, garantindo assim a liderança do campeonato e a sua invencibilidade.
Contra o Fluminense de Friburgo, Coutinho promoveu a estréia do zagueiro juvenil Figueredo. Em contra partida, o treinador recebeu a confirmação que Júlio César estava fora do restante do campeonato. Atuando no Maracanã, o time não encontrou dificuldades para chegar aos 4 a 0. Zico, Tita, Luisinho e Adílio fizeram os gols.
Faltavam apenas duas rodadas para o bicampeonato. Dois clássicos. Duas pedreiras.
Flamengo 1x1 Fluminense
Logo aos 20 segundos, o Flamengo foi mostrando suas credenciais. Reinaldo tocou para Zico, que chutou prensado por Edinho. Na sobra, a zaga tricolor falhou e Luisinho finalizou de virada, quase abrindo o marcador. O flu não demorou a responder. Aos cinco, Nunes tocou para Fumanchu, que avançou e bateu de bico. A bola desviou em Adílio e matou Cantarele. Novamente, o mengo saia em desvantagem em um clássico.
Aos 15, Zico teve nova chance, após boa jogada com participação de todo o ataque. Mas sua finalização foi bem defendida por Paulo Goulart.
Com o desfalque de Júlio César, Coutinho repetiu a fórmula do final do jogo contra o Vasco. Adílio ajudava Carpegianni na marcação e na criação. Reinaldo jogava na ponta direita. Luisinho, o centroavante e Tita, o ponta esquerda.
Os últimos minutos do primeiro tempo foram pegados. Com entradas violentas de parte a parte. Apesar da disposição de ambos, o placar permaneceu um a zero Fluminense.
A etapa complementar começou com Tita tendo liberdade para se movimentar por todo o ataque. Ele foi visto na direita, no meio e, ocasionalmente, até mesmo na esquerda. Coutinho também colocou em campo Cláudio Adão no lugar de Luisinho. Uma troca pura e simples de centroavantes.
E foi Adão quem perdeu a primeira chance de empatar a partida, ao cabecear em cima do goleiro um cruzamento sob medida de Toninho. A igualdade não tardaria a chegar. Júnior lançou Zico em profundidade, na ponta esquerda. O galinho avançou e cruzou rasteiro. Cláudio Adão acompanhou o lance e só tocou para o fundo das redes do flu. Tudo igual no Maraca. Um a um.
A torcida rubro-negra, presente em maior número no estádio, começou a soltar o grito de “É campeão, é campeão”!
O domínio rubro-negro passou a ser indiscutível. Aos 28, Júnior quase marcou o gol da virada, mas Paulo Goulart fez boa defesa. Em seguida, foi a vez de Toninho ir a linha de fundo e cruzar. Cláudio Adão teve tempo de matar a bola no peito, antes de finalizar com perigo, sem a deixar quicar.
Como o empate era um ótimo resultado para o Flamengo, Coutinho pôs Andrade em campo, para substituir Tita. Assim, o time ficou sem ponta esquerda, mas com a defesa mais protegida e Carpegianni e Adílio puderam ter mais liberdade para apoiar o ataque.
Aos 35, Júnior puxou contra ataque pela esquerda, avançou ate a área tricolor e rolou para Zico. O camisa 10 parou, ajeitou o corpo e colocou, de lado de pé. Paulo Goulart fez ótima defesa e espalmou a escanteio.
Com o empate, o título antecipado estava praticamente garantido e a equipe deixou o gramado sob os gritos de bicampeão.
Para se ter uma idéia, a vantagem era tão grande que se o tricolor não derrotasse Americano (em jogo adiado) e o Vasco, o caneco já seria nosso. A festa do bi já estava preparada. Seriam 30 mil litros de chope e dois trios elétricos.
O Fluminense suou, mas venceu o Americano, por 4 a 3, mantendo suas remotas possibilidades. Assim, o tricolor enfrentaria o Vasco no sábado e Flamengo e Botafogo. duelariam no domingo, na última rodada. Pior, para passar o fla no saldo de gols, o flu precisaria golear o Vasco por oito gols de diferença.
Na sexta-feira, o coletivo apronto deu a certeza do título. Os titulares golearam os reservas, por 4 a 0. Adílio, Tita. Adão e Júnior foram os marcadores. A Gávea estava cheia e em festa. No dia seguinte, a conquista foi confirmada. Fluminense e Vasco ficaram no 0 a 0. Mesmo sem entrar em campo, o mengo já era bicampeão estadual.
Apesar disso, os jogadores não queriam ser derrotados. Era questão de honra ser campeão invicto. O Botafogo tentaria estragar a festa rubro-negra. Zico fez dois gols e, apesar do empate, todos deixaram o estádio com a certeza da missão cumprida. Mais de 20.000 pessoas acompanharam os trios elétricos até a Gávea, onde a festa comeu solta. Entusiasmado, Coutinho prometeu o tri aos torcedores “Somos o melhor time do Rio, não tenho dúvidas. O tri virá. E depois, vamos em busca da conquista nacional, para provar a todos que não somos apenas um time do Maracanã. Somos o melhor time do Brasil”.
No próximo texto: o primeiro turno do campeonato estadual de 79. Até lá!
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- Parte 8- O Primeiro Turno do Carioca Especial de 1979
O Campeonato Carioca Especial de 79
Primeiro Turno
Ninguém duvidava do favoritismo rubro-negro. Afinal, a equipe vinha de conquistar dois turnos seguidos e o campeonato de 78. Além disso, Zico (desfalque no primeiro jogo) prometia que iria arrebentar e fazer de 79 o seu ano. E que outra equipe no Brasil poderia se orgulhar de ter jogadores do quilate de Júnior, Adílio, Toninho, Carpegiani, Andrade, Leandro e Cláudio Adão.
A estréia foi no Maracanã, diante do Volta Redonda. Sentindo a falta do galinho, o mengo jogou para o gasto e venceu, por 2 a 0, com gols de Cláudio Adão e do novo reforço, Reinaldo.
Os dois pontos foram importantes, mas não serviram para acabar com os problemas na escalação para o clássico frente o América. Zico estaria de volta, mas Carpegiani, com uma lesão, era ausência certa. Para piorar, Andrade, que retornava de empréstimo do ULA, da Venezuela. Sem opções, Coutinho treinou o jovem Leandro na cabeça da área.
Mesmo com as improvisações, o Flamengo conseguiu golear o América, por 4 a 0. A partida marcou a inauguração do placar eletrônico do Maraca.
Flamengo 4x0 América
Taticamente, o rubro-negro se postava em um 4-3-3 ou um 4-2-1-3, já que Leandro e Adílio ajudavam mais na marcação e Zico jogava solto, tentando municiar Reinaldo, Claudio Adão e Júlio César. Sem a bola, o time se apresentava em um 4-5-1, com o recuo dos ponteiros.
Aproveitando-se dos desfalques, o América começou melhor. Atacava mais e criou a primeira oportunidade, num tiro longo de Aílton que passou raspando o travessão de Cantareli. Mesmo assim, aos 28, foi o Flamengo quem inaugurou o marcador. Júlio César foi a linha de fundo e cruzou. A bola passou pela defesa e sobrou do outro lado para Reinaldo, que ajeitou e mandou uma bomba cruzada. Fla 1 a 0. Era o primeiro gol eu seria anunciado no novo placar eletrônico do estádio. Mesmo sem jogar bem, o atual campeão ia para o vestiário em vantagem.
O time rubro era superior. Cantareli fez uma defesa extraordinária, em finalização de Aílton. Insatisfeito com o rendimento do ataque, Coutinho tirou Claudio Adão e colocou Luisinho em campo.
E a qualidade técnica acabou fazendo a diferença. Adílio pegou uma sobra, driblou dois marcadores e finalizou de perna esquerda, no ângulo de País. Eram jogados 29 minutos da etapa complementar. 2 a 0 e o mengo saia do sufoco.
Aos 31, Leandro, o melhor em campo mesmo improvisado na cabeça da área quase marca um golaço ao encobrir o goleiro País. Heraldo salvou o gol em certo praticamente em cima da linha. Aos 35, Luisinho foi derrubado na meia esquerda. Falta sob medida para o galinho. Zico cobrou com perfeição, no canto direito. 3 a 0!
Quatro minutos depois, novamente Luisinho foi derrubado quase no mesmo lugar. Merica reclamou demais e foi expulso. Zico, como de costume bateu e guardou. Flamengo 4 a 0. O América ainda assustou duas vezes, em chutes de Wilson, mas o placar não foi alterado. Mesmo sem jogar bem, o rubro-negro goleou e mostrou sua força no clássico.
Antes de retornar ao Campeonato Carioca, o Flamengo precisava faturar. Para tanto, o time cobrava uma cota de 750 mil cruzeiros por amistoso. E sempre apareciam interessados. Contra o Uberaba, uma vitória magra, de 1 a 0 (gol de Zico). A nota triste da noite foi a contusão de Adílio. Com uma entorse forte no tornozelo direito, ele ficaria um bom tempo afastado da equipe.
No segundo amistoso da semana, goleada e show sobre o fraco combinado de Santo Antônio. Cláudio Adão (2), Júnior, Manguito, Zico e Daúca (contra) marcaram.
De volta ao Carioca, o mengo foi a Nova Friburgo, golear o Fluminense local, por 5 a 1. Cláudio Adão (2), Zico (2) e Júnior foram os autores dos tentos. Aliás, com os gols marcados, o galinho igualou Dida como maior artilheiro da história do clube, com 244 gols.
Contra o Goytacaz, em Campos, pela quarta rodada, Coutinho pode contar com todos os titulares. Mesmo assim, o jogo não foi nada fácil. O triunfo veio no sufoco, com um gol salvador de Zico, que quebrava assim o recorde de Dida.
Como estávamos em pleno carnaval, um assunto tomou conta dos bate papos da cidade. Onde O Flamengo arrumaria dinheiro para renovar com alguns de seus principais jogadores. Rápida no gatilho, a diretoria decidiu que toda a renda do famoso baile do vermelho e preto seria revertida para o futebol, atenuando assim os prejuízos sofridos durante o longo certame estadual.
O próximo compromisso do time seria o clássico frente ao Vasco. Na sexta feira, o coletivo não foi nada animador, terminando em empate em 3 gol. Zico (2) e Cláudio Adão marcaram para os titulares, enquanto Tita (2) e Luisinho, para os reservas. A partida foi muito disputada. O fla foi superior no primeiro tempo. O Vasco, no segundo. O empate (1x1) acabou sendo justo. O gol foi marcado por Zico.
Em busca de dinheiro, o clube quase negociou o passe do goleiro Raul para o Atlético-pr. No entanto, uma dívida de 150.000 cruzeiros que o Flamengo tinha com o jogador acabou por melar a compra. Melhor para o Flamengo, como a história nos provaria mais tarde.
Contra o São Cristovão, mais uma vitória, desta vez, por 2 a 0 (com dois gols de Zico). Porém, a atuação não agradou a torcida que vaiou o time. No dia seguinte, para acalmar os ânimos, a Diretoria anunciou as renovações de Carpegiani e Cantareli. Adílio não acertou a sua, mas se colocou a disposição de Coutinho para o jogo contra o Fluminense.
Mais uma vez, o time entrou bastante mexido em campo. Tita, Leandro e Luisinho substituíram Reinaldo, Toninho e Adão. Na frente da classificação, o rubro-negro entrou em campo sabendo que o empate seria um ótimo resultado. Esse sentimento foi ainda mais reforçado quando Rondinelli foi expulso. No fim das contas, o 1 a 1 (gol de Zico) foi ótimo para a equipe.
Na penúltima rodada, uma impiedosa goleada em cima do Americano, no Maracanã. Com gols de Luisinho (3), Zico (2) e Andrade, o fla fez 6 a 1 e aumentou ainda mais o seu saldo de gols. Para melhorar a situação, o Vasco foi derrotado pelo volta Redonda. Com a vitória do Fluminense sobre o Botafogo, a situação antes da derradeira rodada era a seguinte: Flamengo (líder, por ter melhor saldo de gols) e Fluminense tinham 14 pontos. Vasco e Botafogo, 12. No sábado, jogariam Vasco e Fluminense. E, no domingo, Flamengo e Botafogo.
Para desespero de Coutinho, o Flamengo não teria a semana livre para se preparar para a “decisão” com o Botafogo. Na quinta feira, o time teria que ir até Brasília, jogar contra o Corinthians, no amistoso comemorativo da posse do Presidente Figueiredo. Nem mesmo o triunfo, por 2 a 0 (gols de Cláudio Adão e Tita) e a conquista do Troféu João Figueiredo foram capazes de acalmar o treinador. Para ele, o momento era de concentração total no Campeonato Carioca.
No sábado, o Vasco bate o Fluminense. Com isso, o Flamengo precisa apenas do empate contra o Botafogo para sagrar-se campeão do primeiro turno.
Novamente, a equipe vinha com alterações. Leandro, Andrade e Luisinho, nas vagas de Toninho, Adílio e Adão, respectivamente.
Flamengo 3x0 Botafogo
A atuação rubro-negra beirou a perfeição, pelo menos nos primeiros 45 minutos. Mesmo jogando pelo empate, o rubro-negro saiu a 1000 por hora. Com menos de dois minutos, Júlio César cruzou e Zico foi prensado na hora da finalização. Com tanta vontade, o primeiro gol não poderia demorar a sair. Aos seis, Tita tocou para Zico. O galinho girou em cima da marcação de Celso e mandou uma bomba indefensável para Zé Carlos.
Apesar das modificações, taticamente o Flamengo se mantinha no 4-3-3. No meio, Andrade e Carpegianni marcavam mais atrás e Zico atuava livre. Na frente, Tita e Júlio César eram os pontas que recuavam, para ajudar na recomposição defensiva e Luisinho era o atacante mais fixo.
Embora criando poucas chances claras, o mengo tinha muita posse de bola e facilitado pela frouxa marcação alvinegra tocava a pelota sem ser incomodado. Aos 21, um chutão de Manguito foi na cabeça de Luisinho. O atacante ajeitou para Zico, que carregou e deu um ótimo passe para Carpegianni. A finalização saiu forte, precisa. Na narração da TV Globo, Luciano do Valle dizia “mas é impressionante. É muita facilidade”. Aos gritos de é campeão, vindos da arquibancada em festa, Flamengo 2 a 0.
O Botafogo só teve a primeira oportunidade aos 30 minutos. Luisinho Lemos chutou forte para a área. Mendonça tentou o cabeceio, mas mandou desviado e perdeu a chance. Nove minutos depois, veio o golpe de misericórdia. Júnior avançou sem ser incomodado e serviu Luisinho. O camisa nove bateu de primeira, no alto e marcou o terceiro gol rubro-negro, matando a partida. 3 a 0. Antes do intervalo, Zico, de cabeça e sozinho ainda teve a chance de marcar o quarto, mas a cabeçada saiu raspando a trave esquerda de Zé Carlos.
Como era de se esperar, o ritmo da partida caiu assustadoramente na etapa final. Mesmo assim, em menos de 10 minutos, Luisinho e Zico perderam boas chances de ampliar a vantagem. Joel resolveu trancar o meio de campo alvinegro ao trocar o ponta esquerda Tiquinho pelo meia Wescley. Não fez muita diferença.
Aos 27, Júlio César escapou pela esquerda e rolou para Luisinho, que foi a linha de fundo e rolou para trás. Zico dominou, ajeitou o corpo e bateu com categoria. Infelizmente, a bola bateu na trave esquerda de Zé Carlos e não entrou. Na continuação da jogada, Gil deu um corte seco em Nélson e bateu de perna esquerda. Cantarele se esticou todo e fez ótima defesa. Aos 41, Luisinho Lemos ainda mandou uma cabeçada no travessão de Cantarele. Depois disso, o rubro-negro tocou a bola, gastou o tempo e esperou o fim da partida.
Com o apito final, a festa eclodiu, não só no Maraca, mas como em todo o Rio de Janeiro e país. Flamengo campeão do primeiro turno!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
A Era de Ouro do Flamengo- Parte 7- O fim de 78 e a Pré Temporada em 79
O fim de 78
Apesar do Campeonato Carioca ter chegado ao fim, o Flamengo ainda precisava faturar. Uma semana depois da conquista do título, Coutinho mandou a campo o mesmo time que vencera o Vasco, no amistoso de entrega das faixas diante do Fluminense. Nunes abriu o marcador para os tricolores, ainda no primeiro tempo. Porém, na etapa final, o esquadrão rubro-negro mostrou que não era o melhor do Rio de Janeiro à toa. Virada de 2 a 1, com gols de Pintinho (contra) e Toninho. E tome de festa e zoação em cima dos pobres rivais.
Já planejando a temporada de 79, a Comissão Técnica reuniu-se durante a semana na Gávea para tratar de dois assuntos importantes. Primeiro, a renovação dos contratos de Zico, Júnior, Carpegiani, Adílio e do próprio técnico Cláudio Coutinho. Depois, para discutir possíveis reforços para a equipe.
Ao fim deste encontro, Coutinho surpreendeu a todos, dando a seguinte declaração: “Precisamos manter o time, renovar os contratos. Depois disso, quero um centroavante, para a reserva de Cláudio Adão, um ponta direita e um ponta esquerda. E não preciso de nada além disso”.
E o clube nem iria precisar gastar muito para satisfazer o treinador. Acontece que uma dessas posições seria resolvida com o retorno do ponteiro esquerdo Júlio César, o “Uri Geller”. O atleta havia sido emprestado ao Remo e estava de volta a Gávea. Quem também voltava de empréstimo era o volante Andrade. Além deles, O lateral direito Leandro e o volante Vítor seriam promovidos ao plantel principal.
Contra a Seleção Goiana, no Serra Dourada, mais uma vitória do mengo, que agora contabilizava 13 partidas de invencibilidade. O placar de 2 a 1 (gols de Tita) não refletiu o domínio que time comandado por Zico exerceu sobre o oponente.
Para fechar a temporada, mais dois amistosos. O primeiro, contra a Seleção de Roraima. Goleada de 4 a 0 (Zico, três vezes e Eli Carlos). No derradeiro compromisso do ano, vitória de 2 a 0 em cima do Nacional de Manaus, com gols de Eli Carlos e Toninho.
Para completar o ano extremamente positivo, Coutinho assinou a renovação do contrato em branco, deixando a cargo do Presidente Marcio Braga lhe pagar o que achasse que ele merecia receber.
As Férias
Enquanto os atletas descansavam, os dirigentes rubro negros ameaçavam não disputar o Campeonato Carioca. Tudo por conta de uma proposta que contava com 18 clubes e duraria oito meses. Contrário a essa fórmula, o Flamengo bateu o pé e conseguiu que se disputassem dois Campeonatos em 79. O primeiro, com 10 clubes, seria o Especial. O segundo, com 18 equipes e um formato digno de prêmio de pior da história.
Com Júlio César confirmado como titular na esquerda e impressionando muito o treinador, a diretoria tratou de correr atrás dos outros pedidos de Coutinho. Para a reserva de Cláudio Adão, chegou Luisinho das Arábias, da Portuguesa da Ilha, por 1,5 milhões de cruzeiros. Já para a ponta direita, o favorito era o argentino Mastrangelo, do Boca Juniors. Corriam por fora Gil, Manfrini, Valdomiro e Reinaldo.
Depois que o supervisor Domingos Bosco voltou de Buenos Aires sem acordo com o Hermano, o clube contratou Reinaldo, do América, por 1,8 milhões de cruzeiros, mais os passes de Renato e Merica. Com o elenco fechado, era hora de voltar ao batente.
A Pré Temporada de 79
Depois dos exames médicos de praxe, os jogadores foram para Friburgo, onde ficaram por nove dias, fazendo os treinamentos iniciais. Pelo menos, isso era o que estava planejado. Entretanto, as fortes chuvas obrigaram a delegação a retornar ao Rio antes do previsto.
Satisfeito, Coutinho prometia um time ainda mais agressivo e melhor do que em 78. No primeiro coletivo do ano, vitória dos titulares sobre os reservas, por 3 a 1, com gols de Zico (2) e Cláudio Adão, contra um de Luisinho. O segundo e último coletivo antes do primeiro jogo oficial do clube na temporada foi ainda melhor. Goleada de 4 a 0 dos titulares, gols de Zico (2), Adílio e Reinaldo.
O ano pra valer começou em Friburgo, onde o Flamengo bateu o Fluminense local, por 4 a 0. Mimi (contra), Júlio César, Adílio e Zico marcaram. Dois dias depois, o time já estava em Salvador, onde sentiu o desgaste e apenas empatou com o Bahia em 1 a 1 (Cláudio Adão).
Antes de retornar ao Rio para a estréia no Campeonato especial, o mengo ainda fez mais dois amistosos na boa terra. Em Feira de Santana, bateu o Fluminense, por 2 a 0 (Adílio e Sabino, contra). E em Itabuna, passou pela equipe local por 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão).
A tabela do Campeonato marcava para o dia 8 de Fevereiro, no Maracanã, diante do Volta Redonda o início da caminhada rumo ao bi estadual. Para este jogo, Coutinho tinha alguns problemas. Zico, expulso diante do Vasco, no jogo do título de 78, teria que cumprir suspensão automática e estava fora do jogo. Reinaldo, tinha mais um jogo a cumprir de uma suspensão também da temporada passada. Além disso, Toninho, que ficara na Bahia resolvendo problemas particulares e Carpegiani, com dores musculares ainda eram dúvidas.
Diante desse quebra cabeça, Coutinho escalou Leandro na lateral direita, Ramírez na esquerda. Júnior foi atuar na cabeça da área, já que Andrade ainda não havia sido regularizado. Tita substituiu Zico. E, Reinaldo pode jogar devido a uma esperteza dos cartolas rubro-negros. Como o América estreou na competição enquanto o Flamengo ainda excursionava, os dirigentes deixaram para registrar seu contrato na Federação na véspera do jogo do mengo. Dessa forma, o ponteiro direito cumpriu a partida que faltava em sua suspensão ainda como jogador do América e estava apto a enfrentar o Volta Redonda.
No próximo texto: A conquista do Bicampeonato Carioca, no Campeonato Especial de 79!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
A Era de Ouro do Flamengo Parte 6- O Campeonato Carioca de 78
Campeonato Carioca de 1978
Primeiro Turno
O grande reforço do Flamengo na estréia do Carioca era a volta de Zico. Coutinho estava preocupado com o primeiro adversário, um São Cristovão reforçado por jogadores do Cruzeiro. O temor não foi confirmado dentro das quatro linhas. Uma goleada por 6 a 0, levantou o moral da equipe e a confiança dos torcedores. Zico (2), Cláudio Adão (2), Cléber e Adílio marcaram.
Em todas as entrevistas, Coutinho fazia questão de dizer que a disposição ofensiva mostrada pelo time seria mantida. O segundo compromisso provou que ele estava certo. Novo massacre, dessa vez sobre o Campo Grande, por 5 a 0. Cláudio Adão, recuperando seu melhor futebol, marcou três vezes e isolou-se na liderança da tábua de artilheiros. Zico e Júnior completaram o marcador.
Na terceira rodada o oponente foi o Madureira. Para a Comissão técnica rubro-negra, a equipe de Conselheiro Galvão era disparada a melhor entre os chamados pequenos. E realmente, o confronto não foi nada fácil. O herói da vitória foi Cláudio Adão, autor de ambos os gols da partida. Placar final, Flamengo 2 a 1. Apesar de mais dois pontos conquistados, o saldo não foi positivo para o fla. Raul, Tita e Cléber lesionaram-se e ficaram de fora do jogo contra a Portuguesa.
Mesmo sem jogar bem, o mengo seguiu vencendo. Para Coutinho, os desfalques pesaram e foram o motivo para o jogo ruim. O 2 a 0, com gols de Dori (contra) e Adílio foram o suficiente para a atuação burocrática. Pior, Adílio e Alberto eram os novos machucados.
Na quinta rodada, o primeiro clássico. Diante do Vasco e com vários desfalques, o treinador foi obrigado a escalar o ponta direita João Carlos, recém chegado do Esportivo de Bento Gonçalves como titular. A partida não foi boa. O empate sem gols manteve o fla na liderança, mas a queda de produção já começava a preocupar o “Capitão”.
Aproveitando-se que não haveria compromisso no meio de semana, Coutinho tratou de trabalhar a parte técnica e os treinamentos coletivos. No primeiro, goleada de 4 a 0 dos titulares sobre os reservas, gols de Zico (2), Cláudio Adão e João Carlos. No segundo, placar apertado, de 1 a 0, gol de Adão.
A equipe respondeu bem aos treinamentos. Derrotou o Bangu, em Moça Bonita, por 3 a 0, gols de Zico (2) e Cláudio Adão. A atuação deixou Coutinho entusiasmado. No meio de semana, o rubro-negro foi até Salvador, enfrentar o Bahia. O amistoso era parte do pagamento do passe de Osni, vendido ao tricolor da boa terra. A derrota de 2 a 1 foi considerada normal. Getúlio marcou o tento carioca.
Nos bastidores, era intensa a busca da Diretoria por um ponta esquerda. Nomes como Éder, então no Grêmio, Joãozinho, do Cruzeiro e Jéssum, do Bahia apareciam como prováveis reforços. O desespero era tão grande para contratar alguém que o treinador cogitava escalar Vanderlei (Luxemburgo) ou o jovem Leandro na posição. As duas alternativas foram testadas no coletivo. Na primeira parte, com Vanderlei, vitória de 4 a 1 dos titulares, com quatro gols de Zico, contra um de Tião. Com Leandro, o desempenho foi pior e o triunfo foi só de 2 a 1, com Cláudio Adão marcando para os titulares e Anselmo descontando. Estava decidido. Vanderlei jogaria na ponta esquerda.
A sétima rodada marcava o clássico diante do América, adversário sempre perigoso e que não perdia para o Flamengo fazia algum tempo. Para variar, o mengo tropeçou. 2 a 2, tentos de Toninho e Cláudio Adão. A sorte era que os adversários também estavam tropeçando e o time da Gávea mantinha a liderança.
O próximo oponente foi o Olaria. Goleada de 5 a 0, gols de Cláudio Adão (2), Adílio (2) e Nélson. No domingo, clássico frente ao Botafogo. Com os desfalques rubro-negros, Tião foi jogar na ponta direita e Vanderlei mantido na esquerda. A igualdade em um gol foi suficiente para que o fla mantivesse a liderança. O gol foi de Cláudio Adão.
Flamengo 1x1 Botafogo
Com problemas nas pontas e sabendo que o empate seria um ótimo resultado, o Flamengo começou a partida de maneira cautelosa. Até porque nem Tião, nem Vanderlei conseguiam levar vantagem pelas extremas. Tanto que o primeiro Tito perigoso foi dado pelo zagueiro Manguito.
E foi num contra ataque que o rubro-negro abriu o marcador. Perivaldo errou um passe simples e a bola caiu justamente nos pés de Zico. O galinho, com sua incrível visão de jogo lançou o artilheiro Claudio Adão em velocidade, no meio da zaga alvinegra. O camisa nove só teve o trabalho de driblar o goleiro e tocar para as redes vazias. Flamengo um a zero.
O Botafogo respondeu em seguida. Perivaldo centrou na área. Nelson afastou mal e Luisinho, de primeira, mandou um balaço no ângulo esquerdo. Raul mostrou toda sua categoria e fez uma excepcional defesa, conseguindo desviar para escanteio.
O gol de empate do alvinegro veio ainda no primeiro tempo. Manguito cometeu jogo perigoso dentro da área. Na cobrança, a bola foi rolada para Mendonça, que bateu colocado. Raul, sem enxergar nada por conta do número de jogadores a sua frente, nada pode fazer além de observar a bola bater na sua trave esquerda e entrar de mansinho. Um a um.
O Flamengo não voltou bem para a etapa final. Coutinho tentou mexer na ponta direita, sacando Tião e colocando Tita em seu lugar. A intenção era dar um pouco mais de velocidade por aquele setor. E foi justamente com ele que saiu a primeira oportunidade de gol da segunda etapa. Toninho, deslocado pela esquerda tocou para Adílio. O neguinho bom de bola só rolou de lado para Tita, que penetrava em velocidade. O chute saiu forte, de primeira, dando trabalho para o goleiro Zé Carlos.
Mais uma vez, o alvinegro respondeu a altura. Mendonça cobrou falta da meia direita. A bola desviou em Júnior. Nelson furou e Manguito cortou mal. Na sobra, Paulo César Caju bateu. A pelota voltou a desviar em Manguito e quase traiu Raul, que fez uma defesa de puro reflexo, com os pés. A sobra ficou novamente para Mendonça que, da risca da pequena área, conseguiu mandar por sobre a meta. Sufoco para o líder do turno!
Faltando cinco minutos para o término da partida, Rodrigues Neto reclamou de um pé alto marcado dentro da área da equipe de General Severiano e acabou sendo expulso pelo árbitro José Roberto Wright. Na cobrança, Zico não teve a mesma sorte de Mendonça e só conseguiu arrumar um escanteio.
Sem tempo para impor sua vantagem numérica e satisfeito com a igualdade, o Flamengo não forçou mais o ritmo. Afinal, o rubro-negro somava 15 pontos, contra 14 do próprio Botafogo e mantinha-se na liderança da competição.
Com os resultados da penúltima rodada, um triunfo do Flamengo diante do Bonsucesso praticamente asseguraria a conquista do primeiro turno. O placar de 3 a 0 fez jus ao domínio da equipe de maior categoria. Tita, Zico e Cláudio Adão foram os autores dos gols.
Só o Fluminense, da dupla de ataque vinda do Santa Cruz, Fumanchu e Nunes poderia tirar o caneco da Gávea. Para isso, precisava derrotar o Flamengo por 5 gols de diferença. Uma tarefa mais do que ingrata para os tricolores.
Flamengo 0x2 Fluminense
Com seus já conhecidos problemas nas extremas, Coutinho jogava o clássico decisivo com Tita ma direita e Cléber na esquerda. Como nenhum dos dois era especialista na posição, persistiam as falhas.
Mesmo recuado, o primeiro bom momento da partida foi do rubro-negro. Júnior lançou Claudio Adão, que sofreu falta de Tadeu. Como a bola sobrou com Cléber, o árbitro Luis Carlos Félix deu a lei da vantagem. Cléber carregou a bola, derivando da ponta para o meio e achou Zico na meia direita. O remate do galinho saiu forte e Renato teve muitas dificuldades para desviar a escanteio.
O tricolor respondeu com uma jogada pela esquerda. Carlinhos lançou o ponteiro Mário, que fez boa jogada individual, foi a linha de fundo e rolou de volta para Carlinhos. O lateral teve tempo de dominar e ajeitar o corpo antes de finalizar com perigo para Raul.
A verdade é que o jogo estava da maneira como o Flamengo queria: morno, sem grandes oportunidades de gol. Aos 40, Edinho mandou uma bomba de longe. Raul se atrapalhou e bateu roupa. Para sua sorte, não havia nenhum adversário a postos para aproveitar o rebote. No minuto seguinte, foi a vez de Fumanchu arriscar de longe e a bola sair muito rente a trave direita de Raul.
Mesmo criando mais oportunidades, a cera que o flu fez no minuto final do primeiro tempo demonstrava que nem mesmo os próprios tricolores acreditavam na goleada.
Na volta do intervalo, Coutinho mexeu no time. Colocou Leandro na lateral direita, passou Toninho para a ponta direita e Tita foi para a extrema esquerda. E foi o rubro-negro quem ameaçou primeiro. Leandro fez boa jogada e lançou Toninho em profundidade. O lateral cruzou. Claudio Adão dominou de costas para o gol e recuou para Zico, que, de primeira e de pé esquerdo, chutou. Novamente, Renato fez grande defesa e desviou para escanteio.
Sabendo que não mais perderia o turno, o Flamengo relaxou e parou de forçar o ritmo. O Fluminense se aproveitou disso e foi a frente. Quando o Maracanã já ouvia o coro de é campeão, Nunes arrancou de seu próprio campo e lançou Edinho. Ao driblar Raul, o zagueiro foi tocado pelo goleiro. Pênalti assinalado por Luis Carlos Félix. Fumanchu cobrou com imensa categoria e abriu o marcador para o tricolor.
Antes da volta olímpica, ainda haveria tempo para mais um gol do flu. Zezé cobrou escanteio curto para Carlos Alberto Pintinho, que tentou o centro, mas acabou errando e mandando a bola nas mãos de Raul. Só que o goleiro acabou falhando, ao largar a bola na cabeça de Nunes, que só teve o trabalho de desviar de cabeça. Fluminense 2x0, colocando água no chopp rubro-negro. De qualquer forma, o Flamengo sagrava-se campeão da Taça Guanabara.
Segundo Turno
Sem dinheiro para contratar um ponta esquerda, a Diretoria tenta trocar Rondinelli por Éder. Segundo Coutinho. “tudo que preciso é de um ponta esquerda, para tornar esse time um dos melhores, senão o maior do país”. O Grêmio não aceitou a oferta e o Flamengo permaneceu “órfão” naquele setor. Em contra partida, o juvenil Lino foi trocado com o Atlético-mg por Marcinho.
Antes da estréia no returno, diante do América, houve um coletivo que deixou todos os que o assistiram maravilhados. 11 a 1 para os titulares. Cláudio Adão marcou sete vezes. Zico, duas. Adílio e Pedro Ornelas, que chegara emprestado pelo Galícia completaram o massacre. No domingo, finalmente o Flamengo conseguiu derrotar sua asa negra. O placar foi de 2 a 1. Zico e Eraldo (contra), marcaram. Sem muitas opções, Pedro Ornelas ocupou a ponta esquerda. No fim do jogo, Rondinelli deixou bem clara a sua insatisfação com a reserva. Iniciava-se uma pequena crise.
Sem jogos no meio de semana e com contas a pagar, o clube jogou dois amistosos. O primeiro, frente ao Londrina, terminou com uma fácil vitória de 3 a 0, gols de Zico, Pedro Ornelas e Marcinho. No segundo, diante de um combinado de Friburgo, triunfo pela margem mínima, gol de João Carlos.
De volta ao Campeonato Carioca, a equipe foi ao acanhado estádio de Ítalo Del Cima, visitar o Campo Grande. Saiu de lá com mais dois pontos, depois da goleada de 5 a 2. Zico (3), Cláudio Adão e Adílio foram os autores dos tentos. Nesta partida, o goleiro Raul sofreu uma distensão na coxa e não mais retornaria ao time no certame.
Em confronto válido pela terceira rodada, o fla foi a Moça Bonita e tropeçou diante do Madureira. O empate em 2 a 2 (gols de Cláudio Adão e Júnior) foi ruim, especialmente porque o Vasco, reforçado pelo goleiro da Seleção, Leão recém contratado ao Palmeiras, havia vencido todas suas partidas e estava um ponto a frente na classificação.
Devido as falhas da defesa, especialmente nas bolas alçadas sobre a área, Coutinho comandou treinamentos específicos para os zagueiros e goleiros, a fim de corrigir esses problemas. No domingo, a equipe entrou o campo do Maracanã pressionada. Afinal, um mal resultado no clássico diante do Fluminense afastaria o time da briga pelo título.
Flamengo 4x0 Fluminense
Taticamente, o Flamengo se postava no 4-3-3. Tita era o ponta esquerda que derivava para o meio, abrindo espaço para o apoio de Júnior. Enquanto isso, Marcinho era o ponteiro direito. Apesar de melhor postado em campo, quem chegava mais a frente era o tricolor, embora sem conseguir criar muito perigo a meta de Cantarele.
O primeiro gol rubro-negro saiu depois de uma roubada de bola de Toninho, troca de passes entre Adílio e Tita e uma tabela perfeita de Zico e Claudio Adão. O galinho finalizou forte, sem chance para Wendell.
Faltando dois minutos para o fim da etapa inicial, veio o segundo gol. Carpegianni roubou a bola ainda no campo defensivo. Avançou e tocou para Zico. O camisa 10 devolveu a Carpegianni que, de primeira, deixou Cláudio Adão sozinho, frente a frente com Wendell. O artilheiro não teve dificuldade para aumentar a vantagem rubro-negra. 2 a 0.
Logo em seguida, veio o terceiro. Adílio lançou Toninho, que parou, olhou e rolou para trás. Zico bateu de primeira e ainda contou com a colaboração do goleiro Wendell, que deixou a bola passar por baixo do seu corpo
.
No intervalo, Coutinho tirou Adílio e colocou Alberto em seu lugar. Para fechar a goleada, Toninho penetrou pela direita e finalizou. Wendell conseguiu defender parcialmente, mas a bola sobrou limpa para Claudio Adão, que só empurrou para a rede vazia. Flamengo 4 a 0!
A quinta rodada marcou nova ida a Moça Bonita, desse vez para enfrentar o Bangu. Sem Adílio e Toninho, a magra vitória de 1 a 0 (gol de Tita) teve grande repercussão na Gávea. Zico criticou Marcinho publicamente, pelo seu individualismo. “Tem gente rebolando. É preciso menos individualismo e mais seriedade”. Para completar, o zagueiro Nélson se contundiu. Moisés e não Rondinelli foi o escolhido do treinador para começar a partida diante da Portuguesa.
Como sempre, diante de um início de crise, o Flamengo se agiganta. A goleada de 9 a 0 foi a resposta dos jogadores a torcida e a imprensa. Marcinho (3), Zico (2), Cláudio Adão (2), Cléber e Júnior marcaram. Entretanto, para o Jornal O Globo, o melhor jogador em campo foi o jovem lateral Leandro. Sua atuação foi digna de nota 10, segundo o periódico.
O compromisso seguinte era diante do Bonsucesso. Vitória tranqüila, por 2 a 0. Gols de Zico e Tita. Adílio e Toninho retornariam no clássico do fim de semana, diante do Botafogo. Em compensação, o artilheiro do campeonato, Cláudio Adão lesionou-se e ficaria de fora o resto do campeonato. De qualquer forma, a perseguição ao líder Vasco, que vencera todas suas partidas, continuava.
No domingo, um Flamengo muito superior ao seu adversário, venceu por apenas 1 a 0. Sem Adão, Zico foi o artilheiro da vez. Ao término da partida, Coutinho deu uma entrevista a Rádio Globo, prometendo o título a torcida. “Torcedores, fiquem tranqüilos. Ganharemos também o segundo turno. Não haverá final. Mesmo com a vantagem de um ponto a nossa frente, o Vasco não conseguirá nos deter. Para nós, basta triunfar diante do São Cristovão, Olaria e do próprio Vasco, para levantarmos o caneco”.
Mesmo sem jogar bem, o time cumpriu sua parte diante dos pequenos. Contra o São Cristovão, 2 a 0 (dois gols de Zico). O placar se repetiu diante do Olaria, desta vez, com gols do galinho e de Tita. Como a equipe de São Januário também venceu seus dois compromissos, chegava a última rodada com a vantagem do empate para vencer o segundo turno e provocar uma decisão. Se vencesse, o Flamengo seria Campeão Carioca direto.
A semana que antecedeu o clássico foi marcada por uma guerra de nervos. As duas Diretorias não chegavam a um acordo quanto ao nome do árbitro. O pessoal da Gávea queria uma juiz estrangeiro. Os cruzmaltinos respondiam com uma lista de nomes daqui do Rio. O Flamengo vetava. No fim, coube a FERJ interceder e escalar José Roberto Wright. O suficiente para Zico soltar o seguinte comentário “pelo menos no nome, ele é estrangeiro”.
No último coletivo, a Gávea recebeu um grande número de torcedores e famosos, como Jorge Bem Jor e Sandra de Sá. A equipe não foi bem. Os titulares apenas empataram em 1 a 1 com os reservas. Zico e Eli Carlos marcaram. Coutinho tratou logo de acalmar os ânimos. “o que vale é domingo”.
Flamengo 1x0 Vasco
Mais cauteloso, Orlando Fantoni armou o Vasco em um 4-2-1-3, com Helinho e Paulo Roberto na contenção e apenas Guina tentando pensar o jogo. Na frente, Dinamite era a referência e Wilsinho pela direita e Ramon pela esquerda tinham que não só atacar com a bola, mas voltar acompanhando as descidas de Toninho e Júnior.
Enquanto isso, precisando da vitória, Coutinho escalou o seu Fla em um 4-2-2-2. Carpeggiani e Adílio marcavam e davam qualidade a saída de bola. Zico e Tita armavam o jogo e Marcinho e Cléber jogavam mais a frente. Na teoria, o fla era mais time. A vantagem do empate, contudo, igualava a partida.
E o Flamengo assustou logo aos dois minutos. Marcinho cobrou escanteio e Zico, sozinho, cabeceou para boa defesa de Leão. Aos 7, Guina avançou pela direita e cruzou na segunda trave, onde estava Ramon. O ponta esquerda tentou cabecear direto para o gol ao invés de ajeitar para Roberto que vinha sozinho, de frente para a meta e perdeu boa chance.
O rubro-negro parecia nervoso. Errava passes na saída de bola e cometia muitas faltas. Mesmo assim, o craque sempre aparece. Aos 15, Zico dividiu com Helinho, caiu, levantou, passou por dois marcadores e bateu firme. Mais uma vez Leão (que ainda não havia sido derrotado uma única vez desde que deixou o Palmeiras e chegou ao Vasco) não deu nem rebote. Helinho marcava, ou tentava, o camisa 10 quase que individualmente. Toda vez que era driblado, o volante vascaíno cometia a falta e parava o lance.
Aos 23, Tita roubou a bola de Marco Antônio, passou como quis pelo lateral vascaíno e chutou forte para a área. Gaúcho tentou afastar, pegou na orelha da bola e obrigou Leão a fazer uma grande defesa, de puro refleexo, espalmando a escanteio. Apesar dessa jogada, o fla pecava por jogar demais pelo meio e esquecer as pontas.
Aos 38, Marco Antônio deum uma pregada em Marcinho e recebeu o primeiro amarelo da partida. Aos 44, Zico teve uma boa chance de abrir o marcador depois de uma cabecada de Cléber, mas acabou pegando mal e a bola saiu fraca para as mãos de Leão. Aos 45, Roberto levou a bola, passou por Manguito mas também bateu fraco Cantarelli defendeu com facilidade.
No final de um primeiro tempo muito mais marcado do que jogado, o Flamengo foi ligeiramente superior ao Vasco, criando três chances, contra duas do time de São Januário.
Segundo Tempo
O Vasco voltou com uma alteração do intervalo. Paulinho, vice-artilheiro do time na competição, entrava na vaga de Ramon. E quase que a substituição já deu resultado aos três minutos. Wilsinho cruzou da direita e Paulinho desviou com perigo para Cantarelli.
O jogo estava mais a feição do time de Fantoni. O Fla se abria mais, pela obrigação de vencer o jogo e dava espaços para os contra-ataques, agora mais perigosos com a presença de Paulinho. Aos 14, se não fosse um erro clamoroso do auxiliar, o Vasco poderia ter saído na frente. Paulinho avançou e lançou para ele mesmo no ponto futuro. Roberto estava impedido, mas não participou do lance. Mesmo assim, José Roberto Wright atendeu a marcação do seu bandeira e assinalou o fora de jogo.
Aos 17, Guina recebeu um cartão amarelo, ao reclamar de uma falta marcada a favor do rubro-negro. Aos 22, Eli Carlos entrou na vaga de Cléber. Com isso, Zico passou a jogar quase que como centroavante, abriu Marcinho pela direita e Tita pela esquerda. Eli passou a armar o jogo no lugar do galinho. Cláudio Adão estava fazendo muita falta.
Aos 25, Zico tabelou com Adílio, recebeu na frente e chutou para grande defesa do goleiro do Vasco e da seleção brasileira. No rebote, Tita isolou. Era a primeira chance de gol rubro-negra na etapa final. Na sequência do lance, Leão recebeu cartão amarelo, por retardar o jogo.
Aos 29, novamente Zico apareceu na grande área e foi travado por Abel, na sobra, Toninho finalizou de primeira, a bola explodiu em Orlando e saiu para escanteio. Na base da vontade, o Flamengo melhorava.
Percebendo que o rival melhorava no jogo, Fantoni sacou o ponta direita Wilsinho e colocou o volante Paulo César. Faltando apenas 14 minutos, era normal que o Vasco se precavesse.
Aos 34, Guina que até então pouco havia aparecido no segundo tempo, deixou Roberto em boas condições. O artilheiro bateu de pé esquerdo e Cantarelli mandou para escanteio.
O fla se mandava todo na tentativa do gol salvador. Aos 38, Roberto ganhou de Rondinelli e serviu Paulinho, sozinho na área. O ponteiro chutou de canela e perdeu a melhor oportunidade do jogo até aquele momento. A resposta do mengo veio no minuto seguinte, duas vezes com Tita. Na primeira ele cortou da esquerda para o meio e bateu firme. Leão deu rebote. A bola sobrou para Marcinho que cruzou e novamente Tita cabeceou para fora, com perigo.
Aos 41, o lance que marcou uma geração. Júnior cruzou, Marco Antônio estava sozinho mas mesmo assim se precipitou e mandou a bola para escanteio. Zico, que não costumava cobrar, se encaminhou para lá e cruzou na cabeça de Rondinelli, que subiu entre Roberto e Abel para testar firme, sem chance para Leão. O Flamengo se aproximava da conquista do campeonato carioca.
Aos 44, Coutinho reforçou a sua marcação ao tirar Tita e colocar Alberto Lequelé. Zico levou o seu amarelo ao isolar uma bola depois da falta marcada. Paulinho perdeu mais uma chance ao chutar para segura defesa de Cantarelli.
Aos 46, Zico e Guina se agrediram e acabaram expulsos. O jogo ficou parado por conta da confusão por mais de seis minutos, com direito a invasão do gramado, por parte de jornalistas e de sumiço das bolas.
No fim das contas, deu a lógica. O melhor time venceu. Era o começo da Era de ouro do Flamengo, campeão carioca de 1978. Para o comentarista da Rede Globo, J.Ávila "venceu o time que buscou o jogo. O Vasco se defendeu por 86 minutos. Mas a vitória foi justa e o título merecido."
Justíssima conquista. Ou não? O que importa? O fato é que ali, começavam as conquistas da Era de ouro do Flamengo. E vinha muito mais por aí!
No próximo texto: As Férias e a preparação para o Carioca de 1979.
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