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segunda-feira, 16 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Férias e a pré temporada de 80


As Férias e a pré temporada de 80

Depois da eliminação para o Palmeiras, a diretoria resolveu cancelar os amistosos que ainda estavam marcados e deu férias antecipadas ao grupo. Coutinho iria se reunir durante o descanso para discutir as dispensas. A lista de reforços ficaria para o início de 80.

A primeira contratação para a nova temporada foi o lateral direito Carlos Alberto, do Joinvile. A contratação dele aconteceu por empréstimo até o fim do ano, com o mengo pagando 1 milhão de cruzeiros. Essa posição era uma prioridade para o clube, já que Toninho era o titular da Seleção Brasileira e Leandro, seu reserva, passava muito tempo lesionado. Outro que interessava era o zagueiro Marinho, do Londrina.

A Diretoria Rubro-negra queria que Coutinho deixasse a Seleção e se dedicasse exclusivamente ao clube. Ele disse que dependia da decisão da CBD em manter-lo ou não como treinador da equipe nacional.

Enquanto isso, a equipe ia se reforçando. Anderson, volante do Remo chegou de graça. Marinho, finalmente acertou por cinco milhões. Júnior e Júlio César iniciaram a discussão para renovação dos contratos. Zico, mesmo com as lesões, foi o artilheiro do país em 79, marcando 89 gols. Apesar disso, o treinador queria ainda um atacante.

Na parte das dispensas, André foi cedido ao Londrina. Beijoca voltou para o Bahia, por 4,25 milhões. Esse foi um mau negócio para o fla. O prejuízo foi de 1,25 milhões.

Como a base da equipe permanecia a mesma, os jogadores tomaram uma decisão. Era hora de ganhar um título nacional. E a oportunidade não tardaria a aparecer. O Campeonato Brasileiro de 80 seria disputado no primeiro semestre.

Pré Temporada 80

Na reapresentação, Toninho, Cláudio Adão e Carpegianni não aparecem e irritam Coutinho. Logo no primeiro dia, chega mais um reforço. Gérson Lopes, atacante do Operário de Várzea Grande.

No primeiro coletivo do ano, visando o amistoso diante do São Paulo, vitória dos titulares, por dois a zero. Zico e Adílio marcaram.
A partida contra o Tricolor paulista comemorou o aniversário da cidade e marcou a despedida de Bezerra. O empate, sem abertura de contagem não disse o que foi o jogo. Raul operou verdadeiros milagres e salvou o fla de uma derrota.

A má atuação do time não era o único problema de Coutinho. A Diretoria acertou uma excursão ao norte do país que iria render mais de cinco milhões de reais aos cofres do clube. Só que Tita, com uma fisgada na coxa, Cantarele, com estiramento muscular e Toninho, a espera de uma proposta do Inter, não viajaram.

No último coletivo antes da viagem, goleada dos titulares, por sete a dois. Zico (3), Cláudio Adão (2), Adílio e Carlos Henrique marcaram. Gérson Lopes e Nelson descontaram.

Enquanto o Flamengo ia ganhar seu dinheiro, a CBD divulgava os grupos da primeira fase do Campeonato Nacional. O mengo estava no Grupo C, junto com Inter, Santos, Ponte Preta, Náutico, Mixto, Itabaiana, Botafogo-pb, Ferroviário e São Paulo-rs. Dos 10 integrantes, sete avançavam a próxima fase.

Voltando a excursão, o time deu uma goleada de seis a zero em cima do Ferroviário, de Porto Velho. Zico (2), Cláudio Adão, Reinaldo, Júnior e Gérson Lopes anotaram os tentos.

Depois, a equipe foi para Manaus, onde enfrentou e foi derrotado pelo Vasco, por um a zero. Contra o Nacional, triunfo de dois a zero (Andrade e Adílio).

Na seqüência, o time foi para Mato Grosso, onde goleou o Mixto, por sete a um. Zico marcou quatro vezes. Os outros três foram marcados por Gérson Lopes, a grande surpresa do amistoso. Coutinho já cogita o escalar de início no certame nacional.

Nos bastidores, Raul recebe uma proposta do Grêmio. O valor é de 2,5 milhões. O Flamengo aceita a proposta e deixa seu goleiro discutir as bases salariais com o tricolor gaúcho.

No último amistoso antes da estréia no Campeonato Brasileiro, o Flamengo vai até o Mineirão e é derrotado por dois a um pelo Atlético-mg. Adílio foi o autor do gol de honra.
De volta ao Rio, Júnior renova o seu contrato por mais um ano. O Inter vem buscar Toninho, mas o acerto salarial não acontece e o colorado acaba desistindo da negociação. Agora, o tricampeão nacional quer Leandro para a lateral. Raul também não chega a um acordo com o Grêmio e continua no clube.

Na sexta feira, Coutinho comanda o coletivo apronto antes da viagem para São Paulo, onde a equipe estrearia diante do Santos. Os titulares voltaram a jogar bem e venceram os reservas por cinco a dois. Zico (2), Reinaldo, Adílio e Tita (recuperado da contusão) marcaram para o onze inicial. Gérson Lopes (2) anotou os gols da equipe reserva.

No próximo texto: O Brasileiro de 80 e a primeira conquista nacional do clube. Até breve!



sexta-feira, 13 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- O Campeonato Brasileiro de 1979



O Campeonato Brasileiro de 1979

Com a conquista do Tricampeonato, a expectativa na torcida crescia. Afinal, o Flamengo que mandava no futebol carioca ainda não havia brilhado em termos nacionais. Zico, por exemplo, era chamado de jogador do Maracanã. Tentando mudar isso, Coutinho não requisitou a contratação de nenhum reforço. Para o treinador, o elenco já era suficientemente forte e precisava de qualidade e não quantidade.

O rubro-negro foi incluído no Grupo L do certame nacional, junto com Gama, XV de Piracicaba, Londrina, Grêmio, Bahia, Santa Cruz e Náutico. Apenas os dois primeiros colocados avançavam a próxima fase.

Os dirigentes da CBD marcaram a estréia para quinta feira, apenas quatro dias do Tri estadual. Revoltados, os cartolas do Flamengo ameaçaram não colocar o time em campo. Sem tempo para descansar ou recuperar os contundidos, Zico, Tita e Carpegianni foram vetados. A solução achada por Coutinho foi escalar Cláudio Adão como meia de ligação e Beijoca no comando do ataque.

Mesmo com todos os problemas, o mengo não teve dificuldades para vencer o XV de Piracicaba, por três a zero. Cláudio Adão, duas vezes e Almeida, contra foram os marcadores.

A segunda partida também aconteceu no Maracanã. Frente o Náutico, triunfo de dois a zero. Beijoca e Júnior anotaram os tentos. Após a partida, o Departamento Médico confirmou que Zico retornaria no jogo seguinte.

Com o galinho de volta, o estádio Bezerrão, em Brasília bateu seu recorde de renda e de público. Segundo laudo dos bombeiros cabiam 30.000 pessoas. Porém, mais de 40.000 estavam lá dentro, causando uma superlotação. Em campo, o Flamengo conquistou sua terceira vitória seguida. Zico e Adão marcaram, na vitória de dois a um.

O próximo compromisso seria decisivo para a classificação. Em casa, o fla receberia o Grêmio. Todos queriam vingança do 5x2 de 78. Para este confronto, Rondinelli estava vetado, contundido. Sem muitas opções, Coutinho confirmou a escalação do recém contratado Boca na zaga. Tita ficaria no banco, sem condições de atuar os 90 minutos.

Flamengo 2x0 Grêmio

Originalmente, Coutinho arrumou seu time com Adílio na ponta esquerda, Adão no comando do ataque e Reinaldo, na direita. No meio, Andrade era o volante mais marcador. Carpegianni tinha liberdade para encostar no ataque e Zico era o comandante da equipe.

O começo de partida não poderia ser melhor para o rubro-negro. Aos dois minutos, Carpegianni soltou uma bomba de longe e mandou a pelota no ângulo superior direito de Manga. Fla um a zero!

Na jogada seguinte, Baltazar ganhou a dividia de Boca e mandou m petardo de pé esquerdo. Cantarele teve que se esticar todo para mandar a finalização para escanteio.

Mesmo em desvantagem, o tricolor não se expunha muito, preferindo manter o seu estilo de muita marcação. Com o adversário plantado na defesa, o mengo tocava a bola, tinha a posse de bola, mas não ameaçava a meta de Manga. Somente aos 39, a equipe carioca marcou seu segundo gol. Júnior, deslocado pela meia esquerda, lançou Zico em profundidade, entre os zagueiros. O camisa 10 foi a linha de fundo e cruzou na medida para Cláudio Adão escorar e mandar para o fundo das redes. Dois a zero!

Nos minutos finais da primeira etapa Toninho sentiu uma contusão e teve que ser substituído por Leandro.

A primeira chance da etapa final gaúcha. Vantuir cabeceou sozinho e Carpegianni salvou em cima da linha, evitando o primeiro gol do Grêmio. Enquanto isso, o time da Gávea recuava e tentava explorar os contra ataques.

Boca se lesionou e teve que deixar o gramado, aos 25. Com isso, Cotinho teve que mexer em várias posições. Andrade passou a ser o lateral direito. Leandro passou a atuar como zagueiro. Adílio voltou para o meio de campo e Júlio César foi para a ponta esquerda.

Aos 39, Adílio tabelou com Cláudio Adão e acertou a trave direita de Manga. Este foi o último lance interessante que aconteceu no gramado. O Flamengo mantinha os 100% de aproveitamento e praticamente assegurava a sua classificação a próxima fase.

O desafio seguinte era contra o Londrina, fora de casa. A diretoria rubro-negra pediu a CBD que realizasse exame antidoping. A partida foi equilibrada e terminou empatada em um a um. Cláudio Adão fez o gol carioca. A equipe perdia seu primeiro ponto no certame. Nada que ameaçasse a liderança da chave.

Para sacramentar de vez a vaga, o Fla precisava de uma vitória nos dois jogos que faltavam. Em Recife, a delegação enfrentou um clima de guerra. Apesar da superioridade técnica, os comandados de Coutinho não saíram do zero contra o Santa Cruz. Com isso, a equipe iria precisar pelo menos do empate na rodada final.

Insatisfeito com o rendimento do time nos dois últimos empates, o treinador resolveu mexer no onze titular. Andrade jogaria improvisado na lateral direita. Adílio voltaria ao meio de campo e Carlos Henrique seria o ponta esquerda.

As alterações deram certo e o Flamengo goleou o Bahia, no Maracanã, por quatro a zero. Cláudio Adão foi o grande destaque da tarde, marcando três gols. Jorge Luís, contra completou o marcador. Com os dois pontos, a equipe garantiu a primeira colocação do grupo.

No dia seguinte, a CBD divulgou os grupos da Terceira fase. O Tricampeão Carioca ficou junto com São Bento, Comercial e Palmeiras. Três paulistas. Apenas o vencedor de cada chave avançaria as semifinais.

A divulgação da tabela agradou a todos na Gávea. O primeiro compromisso seria contra o São Bento, no Maracanã. Depois, a equipe iria a Ribeirão Preto, enfrentar o Comercial e fecharia sua participação novamente em casa, diante do Palmeiras.

Para o jogo diante do São Bento a ordem era atacar. Coutinho sabia da importância de fazer um bom saldo de gols, para poder jogar pelo empate na última rodada.

Flamengo 4x0 São Bento

Com a volta de Toninho, Andrade pode jogar na cabeça da área. Adílio e Zico completavam o meio de campo. Reinaldo, Cláudio Adão e Carlos Henrique formavam o ataque. O desfalque da vez era Carpegianni. Na zaga, sem Rondinelli, Nelson e Boca, quem jogou ao lado de Manguito foi Dequinha.

E o gol não demorou a sair. Aos 13, Júnior achou Adílio, que achou Zico sozinho dentro da área. O galinho bateu. O goleiro sorocabano espalmou e Cláudio Adão marcou na sobra. Um a zero.

A partir dali, o time parece que se desinteressou pelo jogo. A tal ponto do São Bento assustar, em uma cobrança de falta de Ticão, esplendidamente defendida por Cantarele. Aos 39, Brandão apareceu na cara do goleiro rubro-negro, que mais uma vez foi obrigado a se virar para evitar o empate. Dois minutos mais tarde, nova oportunidade do time visitante. Campos, de bate pronto, mandou perto da trave, assustando os torcedores presentes ao Maracanã. Sob vaias, o rubro-negro deixou o gramado rumo aos vestiários.

Tentando melhorar o desempenho da equipe, Coutinho começou a etapa final com Tita no lugar de Carlos Henrique. Mas foi Zico, sempre ele, quem tirou o time do sufoco. Aos 18, ele cobrou com perfeição uma falta e marcou o segundo gol do fla.

Aos 37, Zico recebeu ótimo passe de Reinaldo, mas perdeu o tempo da bola e chutou em cima de Márcio. A partida tornou-se extremamente violenta de parte a parte. E o árbitro, Manoel Amaro nada fez para coibi-la.

Para sorte de todos, aos 41 saiu o terceiro gol. Zico deixou Reinaldo em excelente posição, entre os zagueiros. O ponta direita dominou, driblou Márcio e tocou. Três a zero.

Ainda haveria tempo para o quarto tento carioca. Aos 44, Reinaldo cobrou forte uma falta. Márcio tentou encaixar e bateu roupa e Zico, de cabeça, aproveitou para fechar o placar. Na continuação, Toninho foi expulso ao agredir o jogador do São Bento. Placar final, Flamengo quatro a zero!
No Morumbi, o Palmeiras assumiu a liderança do grupo graças ao número de gols marcados, ao golear o Comercial, por cinco a um.

No meio de semana, o rubro-negro foi até Ribeirão Preto e conseguiu outra boa vitória, desta vez, pelo placar de dois a zero. Carlos Henrique e Zico marcaram os gols. Na mesma noite, o Palmeiras fez quatro a zero no São Bento, jogando em casa e garantiu a vantagem de jogar pelo empate no Maracanã.

O clima que antecedeu o confronto foi de puro otimismo. Na Gávea, todos acreditavam que venceriam o alviverde e que estariam pela primeira vez na história do clube em uma semifinal de Campeonato Brasileiro. Como o Inter já havia garantido a sua classificação na outra chave, os dirigentes rubro-negros já haviam reservado passagens e estadia em Porto Alegre, onde seria disputada a primeira partida da semi. Só esqueceram de avisar ao verdão!

Flamengo 1x4 Palmeiras

Para este duelo, Coutinho escalou um time mais ofensivo, já que necessitava da vitória. Toninho estava de volta a lateral direita. Dequinha e Manguito formavam a zaga. Júnior completava a defesa. No meio, Carpegianni, Adílio e Zico. Reinaldo, Cláudio Adão e Tita completavam a equipe. A jovem equipe paulista, treinada por Telê Santana tinha como destaques Jorge Mendonça, Pedrinho, Baroninho, Rosemiro e César.

A primeira oportunidade foi do Flamengo. Tita se livrou de dois e rolou para Carpegianni mandar uma bomba da entrada da área. Gilmar se esticou todo e conseguiu fazer uma excepcional defesa, desviando para escanteio.

O rubro-negro era melhor, mas quem abriu o placar foi o Palmeiras. César passou como quis por Manguito, invadiu a área e chutou cruzado. Jorge Mendonça apenas escorou para fazer um a zero.

Sem inspiração e esbarrando na ótima marcação imposta pelo clube paulista, o Flamengo criava muito pouco. Só aos 43, surgiu nova chance. Júnior centrou a bola. Adão a matou no peito, girou e chutou forte. Gilmar fez a defesa em dois tempos. Zico ficou louco, reclamando do centroavante, pois estava sozinho, a sua direita e teria melhores condições de empatar a peleja.

No ataque seguinte, um lance digno de inacreditável futebol clube. Jorginho puxou um contra ataque nas costas de Júnior. Foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro. César, de dentro da pequena área, sem ninguém para atrapalhá-lo, nem mesmo o goleiro já que Cantarele havia tentado antecipar o cruzamento bateu de chapa, mas redonda explodiu no travessão. Incrível!

Sem ter alternativa, o mengo partiu com tudo para o ataque nos 45 minutos complementares. Em contrapartida, deu ao Palmeiras o espaço que ele queria para usar o contra ataque.

A blitz rubro-negra deu certo, pelo menos momentaneamente. Aos 8, Zico invadiu a grande área e foi calçado por Pires. Pênalti assinalado pelo árbitro Cai Rosa Martins. O próprio galinho foi para a cobrança e empatou a partida. A esperança voltava a tomar conta do estádio.

Aos 23, uma ducha de água fria na torcida. Baroninho cobrou uma falta da ponta direita, de forma direta, rasteira. Carlos Alberto se antecipou a Carpegianni e desviou para as redes. O curioso é ver no vídeo taipe que Cantarele chamara atenção de Carpegianni para a entrada de um jogador exatamente por onde saiu o gol.

Coutinho tentou mexer no time, sacando Reinaldo e fazendo entrar Carlos Henrique. De nada adiantou. A esta altura, o Flamengo já estava perdido em campo. Em seguida, aos 31, veio o golpe fatal. Pedrinho lançou Baroninho, nas costas de Toninho. O ponteiro segurou a bola e permitiu que o lateral chegasse para mandar uma bomba e marcar o terceiro. Três a um.

No desespero, Coutinho pôs em campo Beijoca, na vaga de Adílio. A única coisa que o atacante conseguiu foi fazer uma tremenda confusão. Primeiro, ele deu uma cotovelada em Mococa. Depois, um soco em Baroninho. Claro que foi acabou expulso pelo árbitro.

Mas ainda haveria tempo para mais um gol palestrino. Aos 44, o time carioca parou, pedindo a saída de bola pela linha lateral. Baroninho foi a linha de fundo e cruzou na cabeça de Zé Mario, que marcou o quarto gol e fechou o caixão. Palmeiras quatro a um!

Com a eliminação a estimativa do prejuízo para os cofres do Flamengo era de aproximadamente 15 milhões de cruzeiros.

No próximo texto: O pós Brasileiro, as férias e a pré temporada de 1980. Até breve!



terça-feira, 10 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- O terceiro Turno do Carioca de 79


O terceiro turno do Campeonato Carioca de 79

Por ter vencido os dois turnos anteriores, o Flamengo entrou no derradeiro com dois pontos de vantagem sobre os demais sete rivais. Era uma dianteira considerável, considerando-se que apenas sete partidas seriam disputadas e a inegável qualidade do elenco rubro-negro.

Antes da estréia, mais um reforço chegou a Gávea. Por empréstimo até o fim do ano, o clube contratou o zagueiro Boca, da Francana.

No último coletivo antes do jogo com a Portuguesa, os titulares venceram por 5 a 3, gols de Cláudio Adão (2), Adílio, Júlio César e Tita. Luisinho (2) e Boca. Nesse treino, ficou decidido que Andrade seria o lateral direito, já que Toninho estava suspenso e Leandro, sem ritmo de jogo. Para completar o clima de otimismo, Júnior, em entrevista a O Globo, diz que prefere o tricampeonato pelo Flamengo a Copa América pela seleção.

Apesar disso e da vitória de três a zero (Tita, Reinaldo e Leandro), o time não esteve bem e deixou o gramado sob vaias. Diante da fragilidade do oponente, a torcida queria mais gols!

A próxima partida seria frente ao Goytacaz, novamente no Maracanã. No coletivo apronto, goleada dos titulares por cinco a zero em cima dos juvenis. Tita (3), Júnior e Adílio marcaram.

Se na rodada anterior, o time não esteve bem, no confronto contra o time de Campos, a equipe se acertou. A goleada veio, por cinco a um, com gols de Cláudio Adão (2), Tita (2) e Adílio. Dessa vez, a torcida não reclamou.

Na terceira rodada, uma difícil vitória sobre o Bangu, por apenas um tento a zero, deixou a equipe rubro-negra com 100% de aproveitamento. Tita, o autor do gol, mostrou que vivia grande fase. Atuando em sua real posição (a mesma que Zico), ele desandou a marcar gols e jogar bem.

O que ninguém esperava era o tropeço que se seguiria. Uma acachapante derrota para o Fluminense, por três a zero, em um dia que nada funcionou na equipe. Zico, ainda sentindo a lesão, entrou no segundo tempo, perdeu um pênalti e agravou a contusão. Mesmo assim, o time seguiu na liderança da competição, já que entrou com dois pontos de bonificação. Após o jogo, Coutinho, disse que um tropeço era possível e que a vantagem de ter conquistado os turnos anteriores havia causado certo relaxamento. Agora, era voltar a vencer para conquistar o Tri!

A preocupação de todos na Gávea era como o time ia reagir a essa derrota. Para sorte de todos, a semifinal da Copa América, diante do Paraguai desviou o foco e deixou o clube se preparar para os três últimos compromissos em paz.

Na quinta rodada, o Flamengo se recuperou. Zico, mais uma vez tentou forçar a sua escalação. Saiu jogando e teve que ser substituído no intervalo. Ele não voltaria mais a atuar no campeonato. Mesmo assim, jogando no Maracanã, o time bateu o Americano, por três a zero. Todos os gols foram marcados por Tita, em forma exuberante.

Pela mesma rodada, o Botafogo goleou o Fluminense (4x0). Com isso, Flamengo e Vasco lideram o turno final sem pontos perdidos. Botafogo e Fluminense vinham a seguir, com dois pontos perdidos. Faltando duas rodadas para o fim, a briga estava boa.

No clássico da sexta e penúltima rodada, o rubro-negro iria enfrentar o Vasco, em jogo que poderia garantir o Tricampeonato antecipado ao clube da Gávea.

Na rodada, o Botafogo bateu o Goytacaz e o Fluminense, a Portuguesa, mantendo as chances de ambos no campeonato.

Flamengo 3x2 Vasco

Taticamente, Coutinho mantinha o time e o esquema habituais. Carpegianni e Adílio jogavam um pouco mais recuados, marcando e organizando o time. Tita era o ponta de lança, substituindo Zico. Reinaldo atuava aberto pela direita. Cláudio Adão era o centroavante e Júlio César, o extrema esquerda. O Vasco atuava no clássico 4-3-3 da época.

Aos cinco, Adão ajeitou de calcanhar para a penetração de Adílio. O neguinho bom de bola invadiu a grande área e bateu rasteiro. A bola passou raspando a trave direita de Leão.

Aos 11, o primeiro gol rubro negro. Para variar, nascido de um contra ataque mortal. Adílio lançou Júlio César em profundidade, nas costas de Orlando. Na base da velocidade, Uri Geller foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Ivã se antecipou a Cláudio Adão, mas acabou marcando contra. Flamengo um a zero.

Em desvantagem no marcador, o Vasco se perdeu. Dois minutos depois, Tita ficou cara a cara com Leão, depois de uma bola mal cortada por Marco Antônio. O camisa 10, entretanto, acabou tocando para fora e desperdiçando ótima chance de ampliar o marcador.

Aos 21, Júlio César passou por dois e tocou para Cláudio Adão. O atacante ganhou a dividida com Gaúcho e saiu na cara de Leão. Porém, ao tentar driblar o goleiro, acabou perdendo a bola. A sobra ficou com Júlio César, que acabou desarmado. Na seqüência da jogada, a redonda chegou até a ponta direita, para Reinaldo. O bigodudo finalizou fraco, mas com muito efeito. Leão falhou e bateu roupa e Tita, oportunista como sempre apenas teve o trabalho de tocar para as redes. Com menos da metade do primeiro tempo jogado, o fla já vencia por dois a zero.

O rubro negro tinha tudo sob controle. Tocava a bola, marcava bem e não era ameaçado pelo Vasco. Até que aos 38, Orlando cobrou lateral, Guina cruzou, de maneira despretensiosa. Roberto cabeceou para baixo. Toninho tentou cortar, mas errou a cabeçada e ainda desviou a bola, tirando qualquer chance de defesa de Cantarele. Dois a um.

O apagão do Flamengo continuou. Aos 42, Guina bateu por cima, depois de uma bela ajeitada de Dudu. Um minuto depois, não teve jeito. O Vasco cobrou uma falta rápida. Wilsinho foi a linha de fundo e cruzou para trás, rasteiro. Roberto fez o corta luz. Guina ajeitou de calcanhar para Catinha, que, de três dedos mandou a pelota para o fundo das redes. Num piscar de olhos, o clássico dos milhões estava empatado. Dois a dois.

No intervalo, Coutinho, revoltado disse no microfone da TV Globo que time que quer ser tricampeão não pode dar bobeira como deu o seu time.

A etapa final começou de maneira cautelosa. Afinal, se o empate não decidia nada, a derrota praticamente alijava o perdedor da disputa pelo título. Aos 12, Guina bateu de longe e obrigou Cantarele a espalmar para escanteio.

A partida estava equilibrada quando aos 20 minutos, Toninho cruzou da direita. Titã subiu demais e cabeceou no alto, fora do alcance de Leão. Um golaço! Flamengo três a dois. No mesmo momento, Coutinho sacou Júlio César do time, fazendo entrar Andrade e rearmando a equipe numa espécie de 4-1-2-1-2.

Aos 24, Tita, novamente de cabeça, perdeu ótima oportunidade de aumentar a vantagem rubro-negra. Precisando pelo menos do empate, o Vasco mudou. Paulinho entrou no lugar de Wilsinho, para tentar dar mais força ofensiva ao time da cruz de malta.

Faltando oito minutos, o Vasco foi pro tudo ou nada. O atacante xaxá substituiu o meia Dudu. De nada adiantou, a torcida do Flamengo começou a gritar “Tricampeão! Tricampeão”! No fim das contas, deu rubro-negro, três a dois.

De fato, o tri estava muito próximo. Até Coutinho entrou na onda, dizendo já se considerar tri. Entretanto, o confuso regulamento do certame diz que só haverá jogo extra se dois clubes terminarem empatados. Em caso de três ou mais clube empatarem em primeiro lugar, o campeão será o clube que tiver o maior somatório de pontos no geral (Flamengo).

O mengo era líder isolado, sem pontos perdidos. Em seguida, vinham Vasco, Fluminense e Botafogo, com dois pontos perdidos. Isso queria dizer que, se houvesse um vencedor na partida de sábado, entre Vasco e Fluminense, o clube da Gávea seria Tricampeão por antecipação, mesmo que perdesse para o Botafogo (se essa hipótese acontecesse, Fla, bota e o vencedor do jogo de sábado terminariam empatados, com dois pontos perdidos e o Flamengo seria o campeão por ter somado o maior número de pontos nos turnos anteriores).

No sábado, o Vasco venceu o Fluminense, por três a dois e garantiu o título antecipado da equipe de Zico, Júnior e Coutinho. O clássico diante do Botafogo passou a ser um mero amistoso, ou como disse Zico “o jogo de entrega das faixas”.

Flamengo 0x0 Botafogo

Mesmo sendo um “amistoso”, o Flamengo começou em cima. Aos cinco minutos, Júnior, deslocado pela direita, tentou a finalização, mas Borrachinha fez uma ótima defesa e salvou o alvinegro.

Adão perdeu uma boa chance de cabeça, aos 12. Aos 13, Renato Sá foi expulso, por reclamar e xingar o bandeirinha. A tarefa rubro-negra ficava, pelo menos em tese, facilitada.

Só que o mengo pareceu se acomodar em campo. Só foi ameaçar de novo aos 35, quando Cláudio Adão, sozinho, cabeceou para fora um cruzamento perfeito de Toninho. Sem inspiração de parte a parte, nada mais aconteceu no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, em entrevista a TV Globo, Coutinho foi preciso em sua análise “O time precisa tocar a bola e virar o jogo com maior rapidez. Estamos segurando de mais a bola e perdendo velocidade. Precisamos explorar o fato de termos um homem a mais”.

Na verdade, além da preguiça, o treinador rubro-negro sofria com os desfalques. Zico e Tita, os melhores jogadores durante a competição não puderam jogar. Assim, Coutinho escalou o time com Cantarele, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior. Andrade, Carpegianni e Adílio, Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio César.

Outro empecilho foi a tarde muito ruim de alguns atletas. Adão, por exemplo, irritou tanto o torcedor presente ao Maracanã que a galera começou a pedir a entrada de Beijoca, que se encontrava visivelmente fora de forma. Adílio era outro que não rendia bem fora de sua posição.

Aos 18, Coutinho atendeu o apelo da arquibancada e pôs em campo Beijoca no lugar de Cláudio Adão.

Com tanta falta de inspiração assim, foi o Botafogo quem assustou. Aos 24, Gil escapou sozinho pela ponta direita, invadiu a área e bateu firme. Cantarele conseguiu desviar e Manguito despachou de vez o perigo.

Aos 38, Adílio recebeu de Beijoca na entrada da área. Ele gingou na frente dos marcadores e bateu no ângulo esquerdo. Borrachinha voou e conseguiu espalmar para escanteio.

Apesar de tudo, a festa do Tricampeonato foi linda e merecida. O Flamengo terminou o turno final com apenas um ponto perdido. O Vasco foi vice, com dois. O Botafogo, foi o terceiro, com três. Em quarto, ficou o Fluminense, com quatro.

No próximo texto: O Campeonato Brasileiro de 79. Até breve!




segunda-feira, 9 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 11- O Segundo Turno do Estadual de 79


Campeonato Estadual 1979

Segundo Turno

Antes de iniciar o segundo turno, o Flamengo jogou um amistoso contra o ABCR, de Juiz de Fora. Tita (4), Cláudio Adão, Adílio e o juvenil Anselmo marcaram, no massacre de 7 a 0. Toninho e Manguito foram suspensos pelo Tribunal e estavam fora da estréia. Carpegiani, contundido, também.

Mesmo com esses desfalques, o rubro-negro começou a campanha com vitória. No Maracanã, fez 3 a 0 no Campo Grande. Tita, Cláudio Adão e Zico anotaram os tentos. Nos bastidores, a semana foi agitada na Gávea. Primeiro, o time acertou a contratação do meio campista Ademir Vicente. Depois, fez uma proposta de 4 milhões de cruzeiros pelo centroavante Bira, artilheiro do Remo. O clube paraense recusou o valor, mas estava disposto a seguir com a negociação. Para completar, Luisinho e Jorge Luís foram vendidos ao Al Nassr, por 5,5 milhões.

A segunda rodada marcou um tropeço, que ninguém esperava. Jogando no Maraca, o Flamengo foi derrotado pelo Americano, por 1 a 0. Apesar dos protestos da torcida após o revés, Coutinho disse ao jornal O Globo “que não havia motivos para desespero. O time jogou mal e pronto. Não vão transformar um tropeço em crise”.

Antes de tentar a recuperação no estadual, o time tinha que ir até Vitória, jogar contra a Desportiva, em amistoso que servia como parte do pagamento do passe de Carlos Henrique. A vitória, de 3 a 2, não foi suficiente para apaziguar os ânimos. Tita, Zico e Cláudio Adão marcaram. A nota triste ficou por conta da contusão de Adílio, que deixou o gramado com o tornozelo esquerdo bastante inchado.

De volta ao certame carioca, o mengo recuperou-se e goleou o Serrano, por 5 a 1, com gols de Zico (3), Cláudio Adão e Carpegiani. Precisando de um atacante para repor a saída de Luisinho e acalmar os torcedores, o clube anuncia a contratação do atacante Beijoca, do Bahia, por 5,5 milhões, mais o passe de André e a renda de um amistoso em Salvador.

A nova contratação chegou acima do peso e ainda ia demorar um pouco para estrear. Antes de embarcar para a Europa, onde disputaria o Troféu Ramon de Carranza, o Fla ainda bateu o América, por 2 a 0. João Luís (contra) e Cláudio Adão marcaram.

Na Espanha, a estréia era uma pedreira. O Bicampeão carioca enfrentaria ninguém mais, ninguém menos do que o Barcelona. Para piorar, Toninho, Carpegiani, Júnior, Tita, Zico e Coutinho só desembarcaram em terras espanholas cerca de 10 horas antes da partida. Todos eles estavam com a Seleção Brasileira que empatara com a Argentina, em Buenos Aires, garantindo a classificação para a semifinal da Copa América.

Nem todos esses problemas foram capaz de frear o Flamengo. Com gols de Júlio César e Zico, o time bateu o Barça, por 2 a 1. No dia seguinte, a decisão, diante do Ujpest, da Hungria. Sabendo que o adversário não tinha muitas informações a respeito do seu time, Coutinho, espertamente, mandou Cláudio Adão entrar com a camisa dois e Toninho, com a nove. Quando os húngaros se deram conta de que o seu zagueiro marcava o lateral direito do mengo, o placar já estava aberto. Aos 20 segundos, Zico fez 1 a 0. O mesmo Zico marcaria mais um e daria ao rubro-negro o título, fortalecendo ainda mais o nome da equipe na Europa. Essa conquista era apenas a segunda de um time brasileiro, nessa competição (o outro havia sido o Palmeiras). A imprensa espanhola se derreteu em elogios ao time de Coutinho. Diziam que era um futebol de outra galáxia. Estavam encantados!

De Cádiz, a delegação foi para a capital espanhola, onde enfrentou o Atlético de Madrid, dos brasileiros Leivinha e Luís Pereira. Zico, para variar, foi o autor do gol que garantiu o empate. Finalizando a excursão, a equipe foi até Paris, jogar contra o PSG. Desta vez, a atuação foi ruim e a derrota, por 3 a 1 (gol de Zico), justa.

Preocupado com o cansaço do time, Coutinho vetou a realização de novos amistosos. Queria os jogadores focados apenas na conquista do Tri. Enquanto isso, maravilhado com o futebol do jovem Leandro, o treinador dava seu aval a venda de Ramírez para o Independiente.

Na volta ao estadual, novo tropeço. Empate em 1 a 1 (gol de Júnior), diante do Bonsucesso. Insatisfeitos, os torcedores invadem o gramado e cobram dos jogadores, “rebolado, não”!

O pior ainda estava por vir, na sexta rodada, o time confirmou a má fase e foi derrotado pelo Vasco, por 4 a 2 (Cláudio Adão e Zico). O que mais impressionou e irritou a torcida foi que o mengo ganhava o jogo e tomou a virada com um homem a mais. No dia seguinte, a Diretoria reuniu-se com Coutinho e exigiu mudanças na equipe. Tranqüilo, o treinador lembrou que para conquistar o segundo turno, bastava o Flamengo vencer o Goytacaz, em Campos e os clássicos frente à Fluminense e Botafogo.

Em Campos, precisando desesperadamente dos dois pontos, o time mais uma vez não jogou bem. Um solitário gol de Tita manteve a esperança na conquista do título. Só que, para jogar um balde de água fria nos rubro-negros, Zico deixou o campo com uma lesão muscular. Ele ficaria afastado do time por um longo período.

Na penúltima rodada, o time mostrou porque era o atual bicampeão. O Botafogo fez 1 a 0, com Renato Sá, aos 21 minutos do segundo tempo. Na base da raça, o rubro-negro conseguiu a virada, com dois gols de Cláudio Adão. E com direito ao tento da vitória ser marcado no último lance do jogo. Bem como os flamenguistas adoram!

A situação do campeonato a esta altura era a seguinte: Botafogo e Fluminense lideravam, com 4 pontos perdidos. O Flamengo vinha em seguida, com 5 pontos perdidos. E, o Vasco era outro que ainda tinha possibilidades, pois tinha 6 pontos perdidos.

No meio de semana, tricolores e alvinegros ficaram no 0 a 0, resultado que deixava o Flamengo na liderança, junto com os dois. Em Campos, o Vasco bateu o Americano (2x1) e manteve suas possibilidades. A última rodada marcava pro sábado, Botafogo x Vasco e, no domingo, Flamengo x Fluminense.
Para tentar melhorar o ambiente e dar tranqüilidade aos jogadores, a Diretoria anunciou a renovação do contrato de Toninho, que assim, retorna ao time diante do Flu. O último coletivo, porém, não foi nada animador. Empate em 3 a 3, diante dos juvenis, com gols de Tita, Manguito e Cláudio Adão.

No sábado, toda a delegação ficou ouvindo no rádio, o empate de 1 a 1 entre Vasco e Botafogo. Com o resultado, quem vencesse o fla x flu seria o campeão do segundo turno. O Mengo tinha a vantagem do empate, pois possuía melhor saldo de gols.

O jogo diante do Fluminense foi truncado. Mesmo precisando da vitória, o tricolor não se expunha demais, por saber que era inferior. A partida já caminhava para o empate sem gols, quando Tita, a dois minutos do apito final, marcou o gol do título. Flamengo 1x0 Fluminense. Era o sexto turno em seqüência conquistado pelo time da Gávea. O Globo, do dia 24 de Setembro (dia seguinte ao jogo) estampava em sua primeira página os seguintes dizeres: “Flamengo (outra vez) campeão”. Para o terceiro e decisivo turno, o Fla entraria com 2 pontos extras e já em vantagem diante dos outros 7 rivais. O Tricampeonato estava se aproximando!

No próximo texto: O Terceiro turno e a conquista do Tricampeonato



sexta-feira, 6 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 10- Taça Guanabara 1979


Campeonato Estadual de 1979

Primeiro turno

A cabeça dos cartolas era realmente uma coisa incrível. Depois do Campeonato Especial, iria começar o Estadual 79. E, como não poderia deixar de ser, o regulamento era dos mais confusos e deficitários para os grandes, especialmente para o Flamengo, que possuía a mais alta folha salarial do Rio.

O primeiro turno seria disputado por 18 clubes, jogando todos contra todos, em 17 rodadas. Os 10 mais bem colocados, jogariam o segundo turno, em nove rodadas e também classificatório para o turno final, com os 8 primeiros, onde se definiria o campeão. Sabe qual era a vantagem que o vencedor do primeiro e do segundo turno levavam para o terceiro? Um mísero ponto de bonificação. Que confusão, hein?

Independente disso, o fla era o grande favorito a conquistar o tricampeonato. A preparação começou na Capital Federal, onde o time quase perdeu sua longa invencibilidade diante do Brasília. Cláudio Adão marcou, a seis minutos do fim e decretou o empate.

Na seqüência, a equipe foi a Natal, jogar contra um combinado do ABC, América e Alecrim. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Cláudio Adão. Enquanto isso, no Rio, a Diretoria começava a reforçar o elenco. Foram anunciadas as contratações do meia Bruno, do São Cristovão e do ponta esquerda Carlos Henrique, da Desportiva.

Ainda havia dois amistosos a serem disputados, antes da estréia no Estadual. Em Itabuna, vitória tranqüila sobre o time da casa, por 3 a 1 (Zico, Adílio e Adão). E, no chamado “jogo dos invictos”, pois o Vitória também não era derrotado fazia um bom tempo (29 jogos), um empate, em 1 a 1, com gol de Zico.

A primeira partida na competição carioca aconteceu no Maracanã, diante do Bonsucesso. Goleada de 5 a 0, com tentos de Zico (2), Cláudio Adão, Adílio e Tita. No dia seguinte, Coutinho convocou a Seleção Brasileira. E na lista estavam Zico, Carpegiani, Toninho, Júnior e Rondinelli. E, para reforçar ainda mais o elenco, vinha por empréstimo do Guarani, o zagueiro Gilberto.

O segundo compromisso foi em Petrópolis, contra o Serrano. O campo, pequeno e ruim, atrapalhou demais a equipe. Os dois pontos só vieram graças a um solitário gol de Zico. Assim, o time chegava a 50 partidas invictas e aproximava-se do recorde do Botafogo.

Na terceira rodada, o mengo voltou ao maior do mundo e não teve dificuldades para golear o São Cristovão. Zico e Cláudio Adão marcaram duas vezes cada. A nota triste ficou pela contusão de Tita, que iria ficar afastado por 3 semanas.

Sua ausência, entretanto, não seria sentida diante do Campo Grande, em Ítalo Del Cima. A vitória de 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão), garantiu o jogo de número 52 invicto, igualando o recorde nacional do Botafogo. E quem seria o próximo adversário do rubro-negro? Justamente a equipe alvinegra.
A cidade parou para falar do clássico. A Diretoria rubro-negra exigia exame antidoping nos jogadores do Botafogo. Além disso, o clima era de total confiança no clube. Zico acertara sua renovação, por mais um ano. Coutinho poderia escalar o time quase completo (a exceção de Tita), para a quebra do recorde. Foi prometido um prêmio extra aos atletas e foram feitas medalhas comemorativas do feito. No último coletivo, com a Gávea lotada, empate em 2 a 2, com Zico e Cláudio Adão marcando para os titulares e Luisinho e Ronaldo para os suplentes.

O Maraca estava lotado no domingo. Tudo conspirava a favor. Porém, um gol no começo do jogo, marcado por Renato Sá (curiosamente, foi ele quem marcou duas vezes, na derrota do Botafogo para o Grêmio por 3 a 1, quebrando a série invicta do alvinegro) e uma brilhante atuação do goleiro Borrachinha acabaram dando a vitória a equipe de General Severiano. Para Coutinho, a derrota foi um “alívio”, já que assim os jogadores poderiam pensar exclusivamente na conquista do tricampeonato, sem a pressão de ter que manter a invencibilidade.

Era importante dar uma resposta imediata ao torcedor. Antes de enfrentar o Bangu, Coutinho comandou um coletivo, vencido pelos titulares, por 2 a 0 (Luisinho e Reinaldo). Na partida, válida pela sexta rodada, o time venceu, mesmo sem convencer, por 3 a 1. Os gols foram todos de Zico.
Enquanto isso, os dirigentes do Olimpique de Marselha foram a Gávea, tentar comprar o passe de Carpegiani. A proposta francesa era de 15 milhões de cruzeiros, em 3 anos, só de salários para o atleta. Carpegiani queria mais e recusou a proposta.

A partida seguinte, contra o ADN, de Niterói, foi histórica para o galinho. Não só pelos seis gols marcados, no massacre de 7x1. Mas, principalmente, pelo sexto tento da equipe, quando ele driblou o goleiro sem tocar na bola e empurrou para as redes vazias. Foi o gol que Pelé não fez, em 70 contra o Uruguai. Para a nação, pouco importava se o rei tinha falhado. Zico fez.

Nem tudo era festa. O Santos entrou na justiça, cobrando uma dívida de um milhão de cruzeiros, referente a compra do passe de Cláudio Adão. Pior, se o fla não pagasse, estaria suspenso e perderia por WO para o Volta Redonda, pois estaria impossibilitado de atuar. Sem dinheiro, a solução foi recorrer a Otávio Pinto Guimarães, Presidente da FERJ, que emprestou a quantia.

Com isso solucionado, o Flamengo foi até Volta Redonda e saiu de lá com mais dois pontos na bagagem. Triunfo de 3 a 0, com gols de Edinho (contra), Zico e Cláudio Adão. Esta partida também foi especial, pois marcou a centésima vitória de Coutinho no comando da equipe.
Para tentar manter a liderança, o Fla foi até Campos, enfrentar o Americano. Derrotou os donos da casa por 5 a 2. Novamente, a dupla desequilibrou. Cláudio Adão marcou 3 e Zico, 2.

Com mais da metade do turno disputado, o Flamengo liderava a competição com apenas 2 pontos perdidos, seguido de Vasco e Botafogo, com 4 e Fluminense, com 5. O título começava a se aproximar.

Toninho, Júnior, Rondinelli e Zico foram jogar pela Seleção, que enfrentou o Ajax em partida amistosa. Sem eles e sem Coutinho, houve um coletivo na Gávea, com vitória dos titulares sobre os reservas, de 5(Adão, três vezes, Tita e Reinaldo) a 3(Luisinho e Carlos Henrique, duas vezes).
Para melhorar ainda mais o astral de todos, Zico marcou dois gols na goleada brasileira diante dos holandeses, por 5 a 0. Além disso, ele e Toninho foram convocados por Enzo Bearzot para integrar a Seleção do Mundo que iria enfrentar a Argentina, em Buenos Aires.

O jogo da décima rodada era o clássico diante do Fluminense. No coletivo apronto, 2 a 0 para os titulares, tentos de Tita.

No domingo, vitória por 2 a 1. Zico e Cláudio Adão foram os autores dos gols. Só que as melhores notícias vinham de outros estádios. O Vasco perdia para o São Cristovão (1x0) e o Botafogo empatava com o Americano (2x2). Com esses resultados e apenas um clássico para jogar, o título da Taça Guanabara estava praticamente garantido, apesar de ainda faltarem sete rodadas.

No dia seguinte do fla x flu, Zico entra no segundo tempo e tem grande atuação na Seleção do Mundo, marcando o gol da vitória, em jogada toda rubro-negra, com a participação de Toninho. Na quarta, dois dias depois, o galinho já estava em campo, ajudando o Flamengo a bater o Madureira, por 4 a 0. Adílio (2), o próprio camisa 10 e Cláudio Adão marcaram. A goleada poderia ter sido ainda maior, mas Zico acabou perdendo um pênalti e Júnior foi expulso de campo.

A Diretoria aproveita a boa fase da equipe e desafia o Santos, campeão paulista para dois amistoso desafio. A falta de datas impede que os jogos aconteçam.

Depois de duas semanas afastado, Carpegiani volta ao time contra o Fluminense de Friburgo, na Serra. E sua presença acabou sendo fundamental, já que foi dele o gol da vitória de 1 a 0. Mais uma vez, em um campo pequeno e ruim, o time esteve mal. Acabou salvando-se por sua individualidade. E para deixar os rubro-negros ainda mais próximos da conquista, no Maracanã, Vasco e Botafogo ficavam no 0 a 0.
Antes de enfrentar o América, uma pausa para faturar. Com uma cota de 800.000 cruzeiros, o Flamengo foi a Recife e acabou derrotado pelo Sport, por 1 a 0. Para não cansar ainda mais o time, a Diretoria cancelou o amistoso diante do Ceará, que seria disputado dois depois. Mesmo sem receber a cota de um milhão de cruzeiros, era necessário que se desse um descanso aos atletas. No Rio, Júnior foi julgado pelo STJD e pegou apenas uma partida de suspensão.

No domingo, mais uma vitória, desta vez, por 2 a 1 em cima do América. Os gols foram de Luisinho e Zico. Com este resultado, a equipe precisava apenas de duas vitórias, nos últimos quatro compromissos, para garantir a conquista da Taça Guanabara.
Todos esperavam um jogo tranqüilo contra o Goytacaz, ainda mais por ser no Maracanã. Pois estavam errados. A partida foi complicadíssima e a vitória veio na bacia das almas, por 4 a 3. Zico, mais uma vez foi o salvador da nação, marcando todos os gols. Faltava apenas uma vitória para o caneco estar garantido.

E a rodada seguinte dizia que o Flamengo teria que ir até a Ilha do Governador, enfrentar a Portuguesa, em seu acanhado estádio. A Diretoria tentou de todas as maneiras levar a partida para o Maracanã. Mas era necessária unanimidade no Conselho Arbitral e o Vasco foi o único a votar contra, o que provocou grande revolta entre os cartolas rubro-negros. De qualquer forma, o time cumpriu o que dele se esperava. Foi à casa do adversário e venceu, por 2 a 0, com mais dois gols do galinho. Com duas rodadas de antecipação, o Flamengo era Campeão da Taça Guanabara. Era o quinto turno seguido vencido pelo time da Gávea.

Na penúltima rodada, a equipe voltou ao Maracanã e bateu o Olaria com tranqüilidade, por 3 a 0, com gols de Cláudio Adão, Zico e Esdras (Contra). Antes de encerrar a participação no primeiro turno, o mengo foi até Goiânia, enfrentar o Vila Nova. O triunfo por 2 a 0 (Zico e Cláudio Adão) e a atuação irrepreensível do time fez com que a torcida presente ao estádio aplaudisse os cariocas de pé.

A última rodada marcava o clássico diante do Vasco. Coutinho prometeu time completo e a Diretoria, ainda revoltada com o veto vascaíno a mudança do local contra a Portuguesa, prometeu um prêmio extra e exigia uma goleada. Com todo esse clima, o jogo foi quente. Foram cinco cartões vermelhos: Manguito e Toninho, do lado rubro-negro e Guina, Gaúcho e Paulinho, pelo lado do Vasco. Com tanto espaço, prevaleceu a melhor qualidade técnica do Flamengo. Vitória de 4 a 2, com gols marcados por Júnior (2), Tita e Zico. A vingança estava completa.

O domínio rubro-negro foi tão inquestionável que a equipe acabou a Taça Guanabara sete pontos a frente do Vasco e nove a frente do Fluminense. Um verdadeiro passeio!

No próximo texto: O segundo Turno e a excursão a Europa. Até lá!




quinta-feira, 5 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 9- O Segundo turno do Carioca Especial de 79



O Campeonato Carioca Especial de 79

Segundo Turno

Antes de começar a campanha no returno, o time foi até o Espírito Santo, enfrentar o Rio Branco. Para este amistoso, Coutinho não pode contar com seis titulares. Mesmo assim, o mengo conseguiu vencer pelo placar mínimo, gol de Júlio César.

A estréia no segundo turno aconteceu no Maracanã, frente ao São Cristovão. Zico, Toninho e Rondinelli estavam de volta, diminuindo o número de ausências para “apenas” três. No primeiro tempo, a equipe não rendeu. O empate em 1 a 1 mostra bem isso. Furioso, Coutinho mudou tudo no vestiário. Sacou André, substituindo-o por Reinaldo, que foi jogar na ponta direita. Tita passou para o meio de campo, ajudando Zico na criação. As alterações deram certo e o mengo deslanchou, chegando aos 6x1, com gols de Zico (3), Tita (2) e Luisinho.

Satisfeito com a atuação no segundo tempo, o treinador confirmou que aquela seria a equipe que iniciaria a partida diante do Goytacaz. Nos treinamentos, Zico seguia arrebentando. Foram deles os dois tentos da vitória sobre os reservas, no coletivo apronto. Sobre o galinho, Coutinho declarou ao jornal O Globo: “é um dos melhores do mundo no momento. Temos muita sorte dele estar do nosso lado”. Um justo reconhecimento.

Paralelamente ao estadual, a Diretoria trabalhava em duas frentes. A primeira, querendo marcar dois amistosos desafio contra o Guarani, então campeão nacional e representante do país nas semifinais da Libertadores. E, na segunda, crescia a expectativa pelo amistoso do dia 6 de Abril, onde o Flamengo receberia o Atlético-mg, com a renda toda revertida para as vítimas das enchentes em Minas. O motivo para tanto alvoroço? Uma certa dupla de meio campistas que atuaria pelo mais querido: Zico e Pelé!

Antes disso, porém, a equipe teria dois compromissos pelo carioca, ambos no Maracanã. No primeiro, goleada de 7 a 1 no Goytacaz e novo show do galinho, que marcou incríveis 6 gols (o outro foi de Júlio César). No segundo, o primeiro tropeço do returno. Empate de 1 a 1 diante do América, com direito a gol salvador de Rondinelli no fim do jogo.

A torcida nem ligou. O frisson por Zico e Pelé aumentava a cada dia. A Diretoria chegou a cogitar cobrar ingressos de quem quisesse assistir aos treinamentos com a dupla, mas acabou desistindo. No primeiro coletivo, 2x0 para os titulares, ambos marcados por Zico. Pelé, sem ritmo de jogo, pouco apareceu.

Perguntado sobre o esquema tático, Coutinho disse que Pelé jogaria na armação, com o galinho mais adiantado. No segundo e último coletivo, empate em 2 a 2. Marcaram Zico e Júnior para os titulares e Adílio e Lino para os reservas. Bem mais a vontade, Pelé fez boas jogadas e procurou Zico para tabelas o tempo todo.

Apesar da euforia, o cansaço ameaçava atrapalhar a caminhada rubro-negra. Menos de 48 horas depois de vencer o galo, o time já estava em campo, enfrentando o Volta Redonda, no Raulino de Oliveira. Aproveitando-se disso, os donos da casa impuseram um ritmo veloz e foram melhores durante quase toda a partida. Um gol de Reinaldo acabou dando a vitória e mais dois pontos ao Flamengo.

Na quinta rodada, o time foi até Campos, enfrentar o Americano. Mais uma vez, o jogo foi complicado. O triunfo veio por 2 a 1, com gols de Zico e Cláudio Adão. Agora, era descansar para pegar o Vasco.

Flamengo 2x1 Vasco

O rubro-negro contava com a volta de Júnior e Adílio. A primeira oportunidade não demorou a acontecer. Júlio César tocou para Júnior. O lateral foi à linha de fundo e cruzou. Adílio desviou e Zico, atrapalhado pelo zagueiro, acabou chutando para fora. O Vasco respondeu com grande jogada de Guina, que passou como quis por Júnior e Nelson, derivou para o meio e bateu na rede, pelo lado de fora.

Aos 25, nova chance do fla. Júlio César tentou cruzar e acabou surpreendendo Leão, que deu rebote. Zico tentou uma puxada, a bola subiu e sobrou para Luisinho cabecear para segura defesa do arqueiro vascaíno. E assim, chegou ao fim o primeiro tempo.

Logo no começo da etapa final, aos quatro minutos, um susto. Orlando fez um cruzamento despretensioso para a área, Toninho Vanusa fez o corta luz, a zaga rubro-negra bateu cabeça e Roberto, de virada, mandou para as redes de Cantarele. Vasco um a zero.

Em desvantagem, Tita saiu da ponta direita e foi jogar pelo meio, abrindo o corredor para a passagem de Toninho. Aos 16, Júlio César teve que ser substituído. Reinaldo entrou no seu lugar e foi ocupar a extrema direita. Tita foi obrigado a ocupar a ponta esquerda, e Adílio recuou um pouco mais, para dar um pé a Carpegianni na organização do time.

Aos 21, o gol de empate. Júnior lançou Toninho em profundidade. O lateral foi derrubado por Marco Antônio. Mesmo assim, levantou-se e cruzou na cabeça de Carpegianni. O volante ajeitou para Luisinho que, também de cabeça, devolveu para o galinho testar firme e vencer o goleiro Leão. Um golaço! Tudo igual no clássico. Um a um.

O Flamengo virou o jogo em mais um contra ataque mortal. Adílio recebeu não meio de campo, avançou com velocidade e tocou para Zico, que chutou rasteiro. Leão deu rebote e Adílio aproveitou para empurrar para o gol vazio. Dois a um!

Aos 31, Guina foi expulso por reclamação e facilitou ainda mais as coisas para o rubro-negro, que passou apenas a tocar a bola e fazer o tempo passar, garantindo assim a liderança do campeonato e a sua invencibilidade.

Contra o Fluminense de Friburgo, Coutinho promoveu a estréia do zagueiro juvenil Figueredo. Em contra partida, o treinador recebeu a confirmação que Júlio César estava fora do restante do campeonato. Atuando no Maracanã, o time não encontrou dificuldades para chegar aos 4 a 0. Zico, Tita, Luisinho e Adílio fizeram os gols.

Faltavam apenas duas rodadas para o bicampeonato. Dois clássicos. Duas pedreiras.

Flamengo 1x1 Fluminense

Logo aos 20 segundos, o Flamengo foi mostrando suas credenciais. Reinaldo tocou para Zico, que chutou prensado por Edinho. Na sobra, a zaga tricolor falhou e Luisinho finalizou de virada, quase abrindo o marcador. O flu não demorou a responder. Aos cinco, Nunes tocou para Fumanchu, que avançou e bateu de bico. A bola desviou em Adílio e matou Cantarele. Novamente, o mengo saia em desvantagem em um clássico.

Aos 15, Zico teve nova chance, após boa jogada com participação de todo o ataque. Mas sua finalização foi bem defendida por Paulo Goulart.
Com o desfalque de Júlio César, Coutinho repetiu a fórmula do final do jogo contra o Vasco. Adílio ajudava Carpegianni na marcação e na criação. Reinaldo jogava na ponta direita. Luisinho, o centroavante e Tita, o ponta esquerda.

Os últimos minutos do primeiro tempo foram pegados. Com entradas violentas de parte a parte. Apesar da disposição de ambos, o placar permaneceu um a zero Fluminense.

A etapa complementar começou com Tita tendo liberdade para se movimentar por todo o ataque. Ele foi visto na direita, no meio e, ocasionalmente, até mesmo na esquerda. Coutinho também colocou em campo Cláudio Adão no lugar de Luisinho. Uma troca pura e simples de centroavantes.

E foi Adão quem perdeu a primeira chance de empatar a partida, ao cabecear em cima do goleiro um cruzamento sob medida de Toninho. A igualdade não tardaria a chegar. Júnior lançou Zico em profundidade, na ponta esquerda. O galinho avançou e cruzou rasteiro. Cláudio Adão acompanhou o lance e só tocou para o fundo das redes do flu. Tudo igual no Maraca. Um a um.

A torcida rubro-negra, presente em maior número no estádio, começou a soltar o grito de “É campeão, é campeão”!

O domínio rubro-negro passou a ser indiscutível. Aos 28, Júnior quase marcou o gol da virada, mas Paulo Goulart fez boa defesa. Em seguida, foi a vez de Toninho ir a linha de fundo e cruzar. Cláudio Adão teve tempo de matar a bola no peito, antes de finalizar com perigo, sem a deixar quicar.
Como o empate era um ótimo resultado para o Flamengo, Coutinho pôs Andrade em campo, para substituir Tita. Assim, o time ficou sem ponta esquerda, mas com a defesa mais protegida e Carpegianni e Adílio puderam ter mais liberdade para apoiar o ataque.

Aos 35, Júnior puxou contra ataque pela esquerda, avançou ate a área tricolor e rolou para Zico. O camisa 10 parou, ajeitou o corpo e colocou, de lado de pé. Paulo Goulart fez ótima defesa e espalmou a escanteio.

Com o empate, o título antecipado estava praticamente garantido e a equipe deixou o gramado sob os gritos de bicampeão.

Para se ter uma idéia, a vantagem era tão grande que se o tricolor não derrotasse Americano (em jogo adiado) e o Vasco, o caneco já seria nosso. A festa do bi já estava preparada. Seriam 30 mil litros de chope e dois trios elétricos.

O Fluminense suou, mas venceu o Americano, por 4 a 3, mantendo suas remotas possibilidades. Assim, o tricolor enfrentaria o Vasco no sábado e Flamengo e Botafogo. duelariam no domingo, na última rodada. Pior, para passar o fla no saldo de gols, o flu precisaria golear o Vasco por oito gols de diferença.

Na sexta-feira, o coletivo apronto deu a certeza do título. Os titulares golearam os reservas, por 4 a 0. Adílio, Tita. Adão e Júnior foram os marcadores. A Gávea estava cheia e em festa. No dia seguinte, a conquista foi confirmada. Fluminense e Vasco ficaram no 0 a 0. Mesmo sem entrar em campo, o mengo já era bicampeão estadual.

Apesar disso, os jogadores não queriam ser derrotados. Era questão de honra ser campeão invicto. O Botafogo tentaria estragar a festa rubro-negra. Zico fez dois gols e, apesar do empate, todos deixaram o estádio com a certeza da missão cumprida. Mais de 20.000 pessoas acompanharam os trios elétricos até a Gávea, onde a festa comeu solta. Entusiasmado, Coutinho prometeu o tri aos torcedores “Somos o melhor time do Rio, não tenho dúvidas. O tri virá. E depois, vamos em busca da conquista nacional, para provar a todos que não somos apenas um time do Maracanã. Somos o melhor time do Brasil”.

No próximo texto: o primeiro turno do campeonato estadual de 79. Até lá!





terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 8- O Primeiro Turno do Carioca Especial de 1979


O Campeonato Carioca Especial de 79

Primeiro Turno

Ninguém duvidava do favoritismo rubro-negro. Afinal, a equipe vinha de conquistar dois turnos seguidos e o campeonato de 78. Além disso, Zico (desfalque no primeiro jogo) prometia que iria arrebentar e fazer de 79 o seu ano. E que outra equipe no Brasil poderia se orgulhar de ter jogadores do quilate de Júnior, Adílio, Toninho, Carpegiani, Andrade, Leandro e Cláudio Adão.

A estréia foi no Maracanã, diante do Volta Redonda. Sentindo a falta do galinho, o mengo jogou para o gasto e venceu, por 2 a 0, com gols de Cláudio Adão e do novo reforço, Reinaldo.

Os dois pontos foram importantes, mas não serviram para acabar com os problemas na escalação para o clássico frente o América. Zico estaria de volta, mas Carpegiani, com uma lesão, era ausência certa. Para piorar, Andrade, que retornava de empréstimo do ULA, da Venezuela. Sem opções, Coutinho treinou o jovem Leandro na cabeça da área.

Mesmo com as improvisações, o Flamengo conseguiu golear o América, por 4 a 0. A partida marcou a inauguração do placar eletrônico do Maraca.

Flamengo 4x0 América

Taticamente, o rubro-negro se postava em um 4-3-3 ou um 4-2-1-3, já que Leandro e Adílio ajudavam mais na marcação e Zico jogava solto, tentando municiar Reinaldo, Claudio Adão e Júlio César. Sem a bola, o time se apresentava em um 4-5-1, com o recuo dos ponteiros.

Aproveitando-se dos desfalques, o América começou melhor. Atacava mais e criou a primeira oportunidade, num tiro longo de Aílton que passou raspando o travessão de Cantareli. Mesmo assim, aos 28, foi o Flamengo quem inaugurou o marcador. Júlio César foi a linha de fundo e cruzou. A bola passou pela defesa e sobrou do outro lado para Reinaldo, que ajeitou e mandou uma bomba cruzada. Fla 1 a 0. Era o primeiro gol eu seria anunciado no novo placar eletrônico do estádio. Mesmo sem jogar bem, o atual campeão ia para o vestiário em vantagem.

O time rubro era superior. Cantareli fez uma defesa extraordinária, em finalização de Aílton. Insatisfeito com o rendimento do ataque, Coutinho tirou Claudio Adão e colocou Luisinho em campo.

E a qualidade técnica acabou fazendo a diferença. Adílio pegou uma sobra, driblou dois marcadores e finalizou de perna esquerda, no ângulo de País. Eram jogados 29 minutos da etapa complementar. 2 a 0 e o mengo saia do sufoco.

Aos 31, Leandro, o melhor em campo mesmo improvisado na cabeça da área quase marca um golaço ao encobrir o goleiro País. Heraldo salvou o gol em certo praticamente em cima da linha. Aos 35, Luisinho foi derrubado na meia esquerda. Falta sob medida para o galinho. Zico cobrou com perfeição, no canto direito. 3 a 0!

Quatro minutos depois, novamente Luisinho foi derrubado quase no mesmo lugar. Merica reclamou demais e foi expulso. Zico, como de costume bateu e guardou. Flamengo 4 a 0. O América ainda assustou duas vezes, em chutes de Wilson, mas o placar não foi alterado. Mesmo sem jogar bem, o rubro-negro goleou e mostrou sua força no clássico.

Antes de retornar ao Campeonato Carioca, o Flamengo precisava faturar. Para tanto, o time cobrava uma cota de 750 mil cruzeiros por amistoso. E sempre apareciam interessados. Contra o Uberaba, uma vitória magra, de 1 a 0 (gol de Zico). A nota triste da noite foi a contusão de Adílio. Com uma entorse forte no tornozelo direito, ele ficaria um bom tempo afastado da equipe.

No segundo amistoso da semana, goleada e show sobre o fraco combinado de Santo Antônio. Cláudio Adão (2), Júnior, Manguito, Zico e Daúca (contra) marcaram.

De volta ao Carioca, o mengo foi a Nova Friburgo, golear o Fluminense local, por 5 a 1. Cláudio Adão (2), Zico (2) e Júnior foram os autores dos tentos. Aliás, com os gols marcados, o galinho igualou Dida como maior artilheiro da história do clube, com 244 gols.

Contra o Goytacaz, em Campos, pela quarta rodada, Coutinho pode contar com todos os titulares. Mesmo assim, o jogo não foi nada fácil. O triunfo veio no sufoco, com um gol salvador de Zico, que quebrava assim o recorde de Dida.

Como estávamos em pleno carnaval, um assunto tomou conta dos bate papos da cidade. Onde O Flamengo arrumaria dinheiro para renovar com alguns de seus principais jogadores. Rápida no gatilho, a diretoria decidiu que toda a renda do famoso baile do vermelho e preto seria revertida para o futebol, atenuando assim os prejuízos sofridos durante o longo certame estadual.

O próximo compromisso do time seria o clássico frente ao Vasco. Na sexta feira, o coletivo não foi nada animador, terminando em empate em 3 gol. Zico (2) e Cláudio Adão marcaram para os titulares, enquanto Tita (2) e Luisinho, para os reservas. A partida foi muito disputada. O fla foi superior no primeiro tempo. O Vasco, no segundo. O empate (1x1) acabou sendo justo. O gol foi marcado por Zico.

Em busca de dinheiro, o clube quase negociou o passe do goleiro Raul para o Atlético-pr. No entanto, uma dívida de 150.000 cruzeiros que o Flamengo tinha com o jogador acabou por melar a compra. Melhor para o Flamengo, como a história nos provaria mais tarde.

Contra o São Cristovão, mais uma vitória, desta vez, por 2 a 0 (com dois gols de Zico). Porém, a atuação não agradou a torcida que vaiou o time. No dia seguinte, para acalmar os ânimos, a Diretoria anunciou as renovações de Carpegiani e Cantareli. Adílio não acertou a sua, mas se colocou a disposição de Coutinho para o jogo contra o Fluminense.

Mais uma vez, o time entrou bastante mexido em campo. Tita, Leandro e Luisinho substituíram Reinaldo, Toninho e Adão. Na frente da classificação, o rubro-negro entrou em campo sabendo que o empate seria um ótimo resultado. Esse sentimento foi ainda mais reforçado quando Rondinelli foi expulso. No fim das contas, o 1 a 1 (gol de Zico) foi ótimo para a equipe.

Na penúltima rodada, uma impiedosa goleada em cima do Americano, no Maracanã. Com gols de Luisinho (3), Zico (2) e Andrade, o fla fez 6 a 1 e aumentou ainda mais o seu saldo de gols. Para melhorar a situação, o Vasco foi derrotado pelo volta Redonda. Com a vitória do Fluminense sobre o Botafogo, a situação antes da derradeira rodada era a seguinte: Flamengo (líder, por ter melhor saldo de gols) e Fluminense tinham 14 pontos. Vasco e Botafogo, 12. No sábado, jogariam Vasco e Fluminense. E, no domingo, Flamengo e Botafogo.

Para desespero de Coutinho, o Flamengo não teria a semana livre para se preparar para a “decisão” com o Botafogo. Na quinta feira, o time teria que ir até Brasília, jogar contra o Corinthians, no amistoso comemorativo da posse do Presidente Figueiredo. Nem mesmo o triunfo, por 2 a 0 (gols de Cláudio Adão e Tita) e a conquista do Troféu João Figueiredo foram capazes de acalmar o treinador. Para ele, o momento era de concentração total no Campeonato Carioca.

No sábado, o Vasco bate o Fluminense. Com isso, o Flamengo precisa apenas do empate contra o Botafogo para sagrar-se campeão do primeiro turno.
Novamente, a equipe vinha com alterações. Leandro, Andrade e Luisinho, nas vagas de Toninho, Adílio e Adão, respectivamente.

Flamengo 3x0 Botafogo

A atuação rubro-negra beirou a perfeição, pelo menos nos primeiros 45 minutos. Mesmo jogando pelo empate, o rubro-negro saiu a 1000 por hora. Com menos de dois minutos, Júlio César cruzou e Zico foi prensado na hora da finalização. Com tanta vontade, o primeiro gol não poderia demorar a sair. Aos seis, Tita tocou para Zico. O galinho girou em cima da marcação de Celso e mandou uma bomba indefensável para Zé Carlos.

Apesar das modificações, taticamente o Flamengo se mantinha no 4-3-3. No meio, Andrade e Carpegianni marcavam mais atrás e Zico atuava livre. Na frente, Tita e Júlio César eram os pontas que recuavam, para ajudar na recomposição defensiva e Luisinho era o atacante mais fixo.

Embora criando poucas chances claras, o mengo tinha muita posse de bola e facilitado pela frouxa marcação alvinegra tocava a pelota sem ser incomodado. Aos 21, um chutão de Manguito foi na cabeça de Luisinho. O atacante ajeitou para Zico, que carregou e deu um ótimo passe para Carpegianni. A finalização saiu forte, precisa. Na narração da TV Globo, Luciano do Valle dizia “mas é impressionante. É muita facilidade”. Aos gritos de é campeão, vindos da arquibancada em festa, Flamengo 2 a 0.

O Botafogo só teve a primeira oportunidade aos 30 minutos. Luisinho Lemos chutou forte para a área. Mendonça tentou o cabeceio, mas mandou desviado e perdeu a chance. Nove minutos depois, veio o golpe de misericórdia. Júnior avançou sem ser incomodado e serviu Luisinho. O camisa nove bateu de primeira, no alto e marcou o terceiro gol rubro-negro, matando a partida. 3 a 0. Antes do intervalo, Zico, de cabeça e sozinho ainda teve a chance de marcar o quarto, mas a cabeçada saiu raspando a trave esquerda de Zé Carlos.

Como era de se esperar, o ritmo da partida caiu assustadoramente na etapa final. Mesmo assim, em menos de 10 minutos, Luisinho e Zico perderam boas chances de ampliar a vantagem. Joel resolveu trancar o meio de campo alvinegro ao trocar o ponta esquerda Tiquinho pelo meia Wescley. Não fez muita diferença.

Aos 27, Júlio César escapou pela esquerda e rolou para Luisinho, que foi a linha de fundo e rolou para trás. Zico dominou, ajeitou o corpo e bateu com categoria. Infelizmente, a bola bateu na trave esquerda de Zé Carlos e não entrou. Na continuação da jogada, Gil deu um corte seco em Nélson e bateu de perna esquerda. Cantarele se esticou todo e fez ótima defesa. Aos 41, Luisinho Lemos ainda mandou uma cabeçada no travessão de Cantarele. Depois disso, o rubro-negro tocou a bola, gastou o tempo e esperou o fim da partida.

Com o apito final, a festa eclodiu, não só no Maraca, mas como em todo o Rio de Janeiro e país. Flamengo campeão do primeiro turno!





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