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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- Parte 7- O fim de 78 e a Pré Temporada em 79


O fim de 78

Apesar do Campeonato Carioca ter chegado ao fim, o Flamengo ainda precisava faturar. Uma semana depois da conquista do título, Coutinho mandou a campo o mesmo time que vencera o Vasco, no amistoso de entrega das faixas diante do Fluminense. Nunes abriu o marcador para os tricolores, ainda no primeiro tempo. Porém, na etapa final, o esquadrão rubro-negro mostrou que não era o melhor do Rio de Janeiro à toa. Virada de 2 a 1, com gols de Pintinho (contra) e Toninho. E tome de festa e zoação em cima dos pobres rivais.

Já planejando a temporada de 79, a Comissão Técnica reuniu-se durante a semana na Gávea para tratar de dois assuntos importantes. Primeiro, a renovação dos contratos de Zico, Júnior, Carpegiani, Adílio e do próprio técnico Cláudio Coutinho. Depois, para discutir possíveis reforços para a equipe.

Ao fim deste encontro, Coutinho surpreendeu a todos, dando a seguinte declaração: “Precisamos manter o time, renovar os contratos. Depois disso, quero um centroavante, para a reserva de Cláudio Adão, um ponta direita e um ponta esquerda. E não preciso de nada além disso”.
E o clube nem iria precisar gastar muito para satisfazer o treinador. Acontece que uma dessas posições seria resolvida com o retorno do ponteiro esquerdo Júlio César, o “Uri Geller”. O atleta havia sido emprestado ao Remo e estava de volta a Gávea. Quem também voltava de empréstimo era o volante Andrade. Além deles, O lateral direito Leandro e o volante Vítor seriam promovidos ao plantel principal.

Contra a Seleção Goiana, no Serra Dourada, mais uma vitória do mengo, que agora contabilizava 13 partidas de invencibilidade. O placar de 2 a 1 (gols de Tita) não refletiu o domínio que time comandado por Zico exerceu sobre o oponente.

Para fechar a temporada, mais dois amistosos. O primeiro, contra a Seleção de Roraima. Goleada de 4 a 0 (Zico, três vezes e Eli Carlos). No derradeiro compromisso do ano, vitória de 2 a 0 em cima do Nacional de Manaus, com gols de Eli Carlos e Toninho.
Para completar o ano extremamente positivo, Coutinho assinou a renovação do contrato em branco, deixando a cargo do Presidente Marcio Braga lhe pagar o que achasse que ele merecia receber.

As Férias

Enquanto os atletas descansavam, os dirigentes rubro negros ameaçavam não disputar o Campeonato Carioca. Tudo por conta de uma proposta que contava com 18 clubes e duraria oito meses. Contrário a essa fórmula, o Flamengo bateu o pé e conseguiu que se disputassem dois Campeonatos em 79. O primeiro, com 10 clubes, seria o Especial. O segundo, com 18 equipes e um formato digno de prêmio de pior da história.

Com Júlio César confirmado como titular na esquerda e impressionando muito o treinador, a diretoria tratou de correr atrás dos outros pedidos de Coutinho. Para a reserva de Cláudio Adão, chegou Luisinho das Arábias, da Portuguesa da Ilha, por 1,5 milhões de cruzeiros. Já para a ponta direita, o favorito era o argentino Mastrangelo, do Boca Juniors. Corriam por fora Gil, Manfrini, Valdomiro e Reinaldo.

Depois que o supervisor Domingos Bosco voltou de Buenos Aires sem acordo com o Hermano, o clube contratou Reinaldo, do América, por 1,8 milhões de cruzeiros, mais os passes de Renato e Merica. Com o elenco fechado, era hora de voltar ao batente.

A Pré Temporada de 79

Depois dos exames médicos de praxe, os jogadores foram para Friburgo, onde ficaram por nove dias, fazendo os treinamentos iniciais. Pelo menos, isso era o que estava planejado. Entretanto, as fortes chuvas obrigaram a delegação a retornar ao Rio antes do previsto.

Satisfeito, Coutinho prometia um time ainda mais agressivo e melhor do que em 78. No primeiro coletivo do ano, vitória dos titulares sobre os reservas, por 3 a 1, com gols de Zico (2) e Cláudio Adão, contra um de Luisinho. O segundo e último coletivo antes do primeiro jogo oficial do clube na temporada foi ainda melhor. Goleada de 4 a 0 dos titulares, gols de Zico (2), Adílio e Reinaldo.

O ano pra valer começou em Friburgo, onde o Flamengo bateu o Fluminense local, por 4 a 0. Mimi (contra), Júlio César, Adílio e Zico marcaram. Dois dias depois, o time já estava em Salvador, onde sentiu o desgaste e apenas empatou com o Bahia em 1 a 1 (Cláudio Adão).

Antes de retornar ao Rio para a estréia no Campeonato especial, o mengo ainda fez mais dois amistosos na boa terra. Em Feira de Santana, bateu o Fluminense, por 2 a 0 (Adílio e Sabino, contra). E em Itabuna, passou pela equipe local por 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão).

A tabela do Campeonato marcava para o dia 8 de Fevereiro, no Maracanã, diante do Volta Redonda o início da caminhada rumo ao bi estadual. Para este jogo, Coutinho tinha alguns problemas. Zico, expulso diante do Vasco, no jogo do título de 78, teria que cumprir suspensão automática e estava fora do jogo. Reinaldo, tinha mais um jogo a cumprir de uma suspensão também da temporada passada. Além disso, Toninho, que ficara na Bahia resolvendo problemas particulares e Carpegiani, com dores musculares ainda eram dúvidas.

Diante desse quebra cabeça, Coutinho escalou Leandro na lateral direita, Ramírez na esquerda. Júnior foi atuar na cabeça da área, já que Andrade ainda não havia sido regularizado. Tita substituiu Zico. E, Reinaldo pode jogar devido a uma esperteza dos cartolas rubro-negros. Como o América estreou na competição enquanto o Flamengo ainda excursionava, os dirigentes deixaram para registrar seu contrato na Federação na véspera do jogo do mengo. Dessa forma, o ponteiro direito cumpriu a partida que faltava em sua suspensão ainda como jogador do América e estava apto a enfrentar o Volta Redonda.

No próximo texto: A conquista do Bicampeonato Carioca, no Campeonato Especial de 79!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A Era de Ouro do Flamengo Parte 6- O Campeonato Carioca de 78


Campeonato Carioca de 1978

Primeiro Turno

O grande reforço do Flamengo na estréia do Carioca era a volta de Zico. Coutinho estava preocupado com o primeiro adversário, um São Cristovão reforçado por jogadores do Cruzeiro. O temor não foi confirmado dentro das quatro linhas. Uma goleada por 6 a 0, levantou o moral da equipe e a confiança dos torcedores. Zico (2), Cláudio Adão (2), Cléber e Adílio marcaram.

Em todas as entrevistas, Coutinho fazia questão de dizer que a disposição ofensiva mostrada pelo time seria mantida. O segundo compromisso provou que ele estava certo. Novo massacre, dessa vez sobre o Campo Grande, por 5 a 0. Cláudio Adão, recuperando seu melhor futebol, marcou três vezes e isolou-se na liderança da tábua de artilheiros. Zico e Júnior completaram o marcador.

Na terceira rodada o oponente foi o Madureira. Para a Comissão técnica rubro-negra, a equipe de Conselheiro Galvão era disparada a melhor entre os chamados pequenos. E realmente, o confronto não foi nada fácil. O herói da vitória foi Cláudio Adão, autor de ambos os gols da partida. Placar final, Flamengo 2 a 1. Apesar de mais dois pontos conquistados, o saldo não foi positivo para o fla. Raul, Tita e Cléber lesionaram-se e ficaram de fora do jogo contra a Portuguesa.

Mesmo sem jogar bem, o mengo seguiu vencendo. Para Coutinho, os desfalques pesaram e foram o motivo para o jogo ruim. O 2 a 0, com gols de Dori (contra) e Adílio foram o suficiente para a atuação burocrática. Pior, Adílio e Alberto eram os novos machucados.
Na quinta rodada, o primeiro clássico. Diante do Vasco e com vários desfalques, o treinador foi obrigado a escalar o ponta direita João Carlos, recém chegado do Esportivo de Bento Gonçalves como titular. A partida não foi boa. O empate sem gols manteve o fla na liderança, mas a queda de produção já começava a preocupar o “Capitão”.

Aproveitando-se que não haveria compromisso no meio de semana, Coutinho tratou de trabalhar a parte técnica e os treinamentos coletivos. No primeiro, goleada de 4 a 0 dos titulares sobre os reservas, gols de Zico (2), Cláudio Adão e João Carlos. No segundo, placar apertado, de 1 a 0, gol de Adão.
A equipe respondeu bem aos treinamentos. Derrotou o Bangu, em Moça Bonita, por 3 a 0, gols de Zico (2) e Cláudio Adão. A atuação deixou Coutinho entusiasmado. No meio de semana, o rubro-negro foi até Salvador, enfrentar o Bahia. O amistoso era parte do pagamento do passe de Osni, vendido ao tricolor da boa terra. A derrota de 2 a 1 foi considerada normal. Getúlio marcou o tento carioca.

Nos bastidores, era intensa a busca da Diretoria por um ponta esquerda. Nomes como Éder, então no Grêmio, Joãozinho, do Cruzeiro e Jéssum, do Bahia apareciam como prováveis reforços. O desespero era tão grande para contratar alguém que o treinador cogitava escalar Vanderlei (Luxemburgo) ou o jovem Leandro na posição. As duas alternativas foram testadas no coletivo. Na primeira parte, com Vanderlei, vitória de 4 a 1 dos titulares, com quatro gols de Zico, contra um de Tião. Com Leandro, o desempenho foi pior e o triunfo foi só de 2 a 1, com Cláudio Adão marcando para os titulares e Anselmo descontando. Estava decidido. Vanderlei jogaria na ponta esquerda.

A sétima rodada marcava o clássico diante do América, adversário sempre perigoso e que não perdia para o Flamengo fazia algum tempo. Para variar, o mengo tropeçou. 2 a 2, tentos de Toninho e Cláudio Adão. A sorte era que os adversários também estavam tropeçando e o time da Gávea mantinha a liderança.

O próximo oponente foi o Olaria. Goleada de 5 a 0, gols de Cláudio Adão (2), Adílio (2) e Nélson. No domingo, clássico frente ao Botafogo. Com os desfalques rubro-negros, Tião foi jogar na ponta direita e Vanderlei mantido na esquerda. A igualdade em um gol foi suficiente para que o fla mantivesse a liderança. O gol foi de Cláudio Adão.

Flamengo 1x1 Botafogo

Com problemas nas pontas e sabendo que o empate seria um ótimo resultado, o Flamengo começou a partida de maneira cautelosa. Até porque nem Tião, nem Vanderlei conseguiam levar vantagem pelas extremas. Tanto que o primeiro Tito perigoso foi dado pelo zagueiro Manguito.
E foi num contra ataque que o rubro-negro abriu o marcador. Perivaldo errou um passe simples e a bola caiu justamente nos pés de Zico. O galinho, com sua incrível visão de jogo lançou o artilheiro Claudio Adão em velocidade, no meio da zaga alvinegra. O camisa nove só teve o trabalho de driblar o goleiro e tocar para as redes vazias. Flamengo um a zero.

O Botafogo respondeu em seguida. Perivaldo centrou na área. Nelson afastou mal e Luisinho, de primeira, mandou um balaço no ângulo esquerdo. Raul mostrou toda sua categoria e fez uma excepcional defesa, conseguindo desviar para escanteio.

O gol de empate do alvinegro veio ainda no primeiro tempo. Manguito cometeu jogo perigoso dentro da área. Na cobrança, a bola foi rolada para Mendonça, que bateu colocado. Raul, sem enxergar nada por conta do número de jogadores a sua frente, nada pode fazer além de observar a bola bater na sua trave esquerda e entrar de mansinho. Um a um.

O Flamengo não voltou bem para a etapa final. Coutinho tentou mexer na ponta direita, sacando Tião e colocando Tita em seu lugar. A intenção era dar um pouco mais de velocidade por aquele setor. E foi justamente com ele que saiu a primeira oportunidade de gol da segunda etapa. Toninho, deslocado pela esquerda tocou para Adílio. O neguinho bom de bola só rolou de lado para Tita, que penetrava em velocidade. O chute saiu forte, de primeira, dando trabalho para o goleiro Zé Carlos.

Mais uma vez, o alvinegro respondeu a altura. Mendonça cobrou falta da meia direita. A bola desviou em Júnior. Nelson furou e Manguito cortou mal. Na sobra, Paulo César Caju bateu. A pelota voltou a desviar em Manguito e quase traiu Raul, que fez uma defesa de puro reflexo, com os pés. A sobra ficou novamente para Mendonça que, da risca da pequena área, conseguiu mandar por sobre a meta. Sufoco para o líder do turno!
Faltando cinco minutos para o término da partida, Rodrigues Neto reclamou de um pé alto marcado dentro da área da equipe de General Severiano e acabou sendo expulso pelo árbitro José Roberto Wright. Na cobrança, Zico não teve a mesma sorte de Mendonça e só conseguiu arrumar um escanteio.
Sem tempo para impor sua vantagem numérica e satisfeito com a igualdade, o Flamengo não forçou mais o ritmo. Afinal, o rubro-negro somava 15 pontos, contra 14 do próprio Botafogo e mantinha-se na liderança da competição.

Com os resultados da penúltima rodada, um triunfo do Flamengo diante do Bonsucesso praticamente asseguraria a conquista do primeiro turno. O placar de 3 a 0 fez jus ao domínio da equipe de maior categoria. Tita, Zico e Cláudio Adão foram os autores dos gols.
Só o Fluminense, da dupla de ataque vinda do Santa Cruz, Fumanchu e Nunes poderia tirar o caneco da Gávea. Para isso, precisava derrotar o Flamengo por 5 gols de diferença. Uma tarefa mais do que ingrata para os tricolores.

Flamengo 0x2 Fluminense

Com seus já conhecidos problemas nas extremas, Coutinho jogava o clássico decisivo com Tita ma direita e Cléber na esquerda. Como nenhum dos dois era especialista na posição, persistiam as falhas.

Mesmo recuado, o primeiro bom momento da partida foi do rubro-negro. Júnior lançou Claudio Adão, que sofreu falta de Tadeu. Como a bola sobrou com Cléber, o árbitro Luis Carlos Félix deu a lei da vantagem. Cléber carregou a bola, derivando da ponta para o meio e achou Zico na meia direita. O remate do galinho saiu forte e Renato teve muitas dificuldades para desviar a escanteio.

O tricolor respondeu com uma jogada pela esquerda. Carlinhos lançou o ponteiro Mário, que fez boa jogada individual, foi a linha de fundo e rolou de volta para Carlinhos. O lateral teve tempo de dominar e ajeitar o corpo antes de finalizar com perigo para Raul.

A verdade é que o jogo estava da maneira como o Flamengo queria: morno, sem grandes oportunidades de gol. Aos 40, Edinho mandou uma bomba de longe. Raul se atrapalhou e bateu roupa. Para sua sorte, não havia nenhum adversário a postos para aproveitar o rebote. No minuto seguinte, foi a vez de Fumanchu arriscar de longe e a bola sair muito rente a trave direita de Raul.

Mesmo criando mais oportunidades, a cera que o flu fez no minuto final do primeiro tempo demonstrava que nem mesmo os próprios tricolores acreditavam na goleada.

Na volta do intervalo, Coutinho mexeu no time. Colocou Leandro na lateral direita, passou Toninho para a ponta direita e Tita foi para a extrema esquerda. E foi o rubro-negro quem ameaçou primeiro. Leandro fez boa jogada e lançou Toninho em profundidade. O lateral cruzou. Claudio Adão dominou de costas para o gol e recuou para Zico, que, de primeira e de pé esquerdo, chutou. Novamente, Renato fez grande defesa e desviou para escanteio.

Sabendo que não mais perderia o turno, o Flamengo relaxou e parou de forçar o ritmo. O Fluminense se aproveitou disso e foi a frente. Quando o Maracanã já ouvia o coro de é campeão, Nunes arrancou de seu próprio campo e lançou Edinho. Ao driblar Raul, o zagueiro foi tocado pelo goleiro. Pênalti assinalado por Luis Carlos Félix. Fumanchu cobrou com imensa categoria e abriu o marcador para o tricolor.
Antes da volta olímpica, ainda haveria tempo para mais um gol do flu. Zezé cobrou escanteio curto para Carlos Alberto Pintinho, que tentou o centro, mas acabou errando e mandando a bola nas mãos de Raul. Só que o goleiro acabou falhando, ao largar a bola na cabeça de Nunes, que só teve o trabalho de desviar de cabeça. Fluminense 2x0, colocando água no chopp rubro-negro. De qualquer forma, o Flamengo sagrava-se campeão da Taça Guanabara.




Segundo Turno

Sem dinheiro para contratar um ponta esquerda, a Diretoria tenta trocar Rondinelli por Éder. Segundo Coutinho. “tudo que preciso é de um ponta esquerda, para tornar esse time um dos melhores, senão o maior do país”. O Grêmio não aceitou a oferta e o Flamengo permaneceu “órfão” naquele setor. Em contra partida, o juvenil Lino foi trocado com o Atlético-mg por Marcinho.

Antes da estréia no returno, diante do América, houve um coletivo que deixou todos os que o assistiram maravilhados. 11 a 1 para os titulares. Cláudio Adão marcou sete vezes. Zico, duas. Adílio e Pedro Ornelas, que chegara emprestado pelo Galícia completaram o massacre. No domingo, finalmente o Flamengo conseguiu derrotar sua asa negra. O placar foi de 2 a 1. Zico e Eraldo (contra), marcaram. Sem muitas opções, Pedro Ornelas ocupou a ponta esquerda. No fim do jogo, Rondinelli deixou bem clara a sua insatisfação com a reserva. Iniciava-se uma pequena crise.
Sem jogos no meio de semana e com contas a pagar, o clube jogou dois amistosos. O primeiro, frente ao Londrina, terminou com uma fácil vitória de 3 a 0, gols de Zico, Pedro Ornelas e Marcinho. No segundo, diante de um combinado de Friburgo, triunfo pela margem mínima, gol de João Carlos.
De volta ao Campeonato Carioca, a equipe foi ao acanhado estádio de Ítalo Del Cima, visitar o Campo Grande. Saiu de lá com mais dois pontos, depois da goleada de 5 a 2. Zico (3), Cláudio Adão e Adílio foram os autores dos tentos. Nesta partida, o goleiro Raul sofreu uma distensão na coxa e não mais retornaria ao time no certame.

Em confronto válido pela terceira rodada, o fla foi a Moça Bonita e tropeçou diante do Madureira. O empate em 2 a 2 (gols de Cláudio Adão e Júnior) foi ruim, especialmente porque o Vasco, reforçado pelo goleiro da Seleção, Leão recém contratado ao Palmeiras, havia vencido todas suas partidas e estava um ponto a frente na classificação.

Devido as falhas da defesa, especialmente nas bolas alçadas sobre a área, Coutinho comandou treinamentos específicos para os zagueiros e goleiros, a fim de corrigir esses problemas. No domingo, a equipe entrou o campo do Maracanã pressionada. Afinal, um mal resultado no clássico diante do Fluminense afastaria o time da briga pelo título.
Flamengo 4x0 Fluminense

Taticamente, o Flamengo se postava no 4-3-3. Tita era o ponta esquerda que derivava para o meio, abrindo espaço para o apoio de Júnior. Enquanto isso, Marcinho era o ponteiro direito. Apesar de melhor postado em campo, quem chegava mais a frente era o tricolor, embora sem conseguir criar muito perigo a meta de Cantarele.

O primeiro gol rubro-negro saiu depois de uma roubada de bola de Toninho, troca de passes entre Adílio e Tita e uma tabela perfeita de Zico e Claudio Adão. O galinho finalizou forte, sem chance para Wendell.

Faltando dois minutos para o fim da etapa inicial, veio o segundo gol. Carpegianni roubou a bola ainda no campo defensivo. Avançou e tocou para Zico. O camisa 10 devolveu a Carpegianni que, de primeira, deixou Cláudio Adão sozinho, frente a frente com Wendell. O artilheiro não teve dificuldade para aumentar a vantagem rubro-negra. 2 a 0.

Logo em seguida, veio o terceiro. Adílio lançou Toninho, que parou, olhou e rolou para trás. Zico bateu de primeira e ainda contou com a colaboração do goleiro Wendell, que deixou a bola passar por baixo do seu corpo
.
No intervalo, Coutinho tirou Adílio e colocou Alberto em seu lugar. Para fechar a goleada, Toninho penetrou pela direita e finalizou. Wendell conseguiu defender parcialmente, mas a bola sobrou limpa para Claudio Adão, que só empurrou para a rede vazia. Flamengo 4 a 0!

A quinta rodada marcou nova ida a Moça Bonita, desse vez para enfrentar o Bangu. Sem Adílio e Toninho, a magra vitória de 1 a 0 (gol de Tita) teve grande repercussão na Gávea. Zico criticou Marcinho publicamente, pelo seu individualismo. “Tem gente rebolando. É preciso menos individualismo e mais seriedade”. Para completar, o zagueiro Nélson se contundiu. Moisés e não Rondinelli foi o escolhido do treinador para começar a partida diante da Portuguesa.

Como sempre, diante de um início de crise, o Flamengo se agiganta. A goleada de 9 a 0 foi a resposta dos jogadores a torcida e a imprensa. Marcinho (3), Zico (2), Cláudio Adão (2), Cléber e Júnior marcaram. Entretanto, para o Jornal O Globo, o melhor jogador em campo foi o jovem lateral Leandro. Sua atuação foi digna de nota 10, segundo o periódico.

O compromisso seguinte era diante do Bonsucesso. Vitória tranqüila, por 2 a 0. Gols de Zico e Tita. Adílio e Toninho retornariam no clássico do fim de semana, diante do Botafogo. Em compensação, o artilheiro do campeonato, Cláudio Adão lesionou-se e ficaria de fora o resto do campeonato. De qualquer forma, a perseguição ao líder Vasco, que vencera todas suas partidas, continuava.

No domingo, um Flamengo muito superior ao seu adversário, venceu por apenas 1 a 0. Sem Adão, Zico foi o artilheiro da vez. Ao término da partida, Coutinho deu uma entrevista a Rádio Globo, prometendo o título a torcida. “Torcedores, fiquem tranqüilos. Ganharemos também o segundo turno. Não haverá final. Mesmo com a vantagem de um ponto a nossa frente, o Vasco não conseguirá nos deter. Para nós, basta triunfar diante do São Cristovão, Olaria e do próprio Vasco, para levantarmos o caneco”.

Mesmo sem jogar bem, o time cumpriu sua parte diante dos pequenos. Contra o São Cristovão, 2 a 0 (dois gols de Zico). O placar se repetiu diante do Olaria, desta vez, com gols do galinho e de Tita. Como a equipe de São Januário também venceu seus dois compromissos, chegava a última rodada com a vantagem do empate para vencer o segundo turno e provocar uma decisão. Se vencesse, o Flamengo seria Campeão Carioca direto.

A semana que antecedeu o clássico foi marcada por uma guerra de nervos. As duas Diretorias não chegavam a um acordo quanto ao nome do árbitro. O pessoal da Gávea queria uma juiz estrangeiro. Os cruzmaltinos respondiam com uma lista de nomes daqui do Rio. O Flamengo vetava. No fim, coube a FERJ interceder e escalar José Roberto Wright. O suficiente para Zico soltar o seguinte comentário “pelo menos no nome, ele é estrangeiro”.
No último coletivo, a Gávea recebeu um grande número de torcedores e famosos, como Jorge Bem Jor e Sandra de Sá. A equipe não foi bem. Os titulares apenas empataram em 1 a 1 com os reservas. Zico e Eli Carlos marcaram. Coutinho tratou logo de acalmar os ânimos. “o que vale é domingo”.
Flamengo 1x0 Vasco

Mais cauteloso, Orlando Fantoni armou o Vasco em um 4-2-1-3, com Helinho e Paulo Roberto na contenção e apenas Guina tentando pensar o jogo. Na frente, Dinamite era a referência e Wilsinho pela direita e Ramon pela esquerda tinham que não só atacar com a bola, mas voltar acompanhando as descidas de Toninho e Júnior.

Enquanto isso, precisando da vitória, Coutinho escalou o seu Fla em um 4-2-2-2. Carpeggiani e Adílio marcavam e davam qualidade a saída de bola. Zico e Tita armavam o jogo e Marcinho e Cléber jogavam mais a frente. Na teoria, o fla era mais time. A vantagem do empate, contudo, igualava a partida.

E o Flamengo assustou logo aos dois minutos. Marcinho cobrou escanteio e Zico, sozinho, cabeceou para boa defesa de Leão. Aos 7, Guina avançou pela direita e cruzou na segunda trave, onde estava Ramon. O ponta esquerda tentou cabecear direto para o gol ao invés de ajeitar para Roberto que vinha sozinho, de frente para a meta e perdeu boa chance.

O rubro-negro parecia nervoso. Errava passes na saída de bola e cometia muitas faltas. Mesmo assim, o craque sempre aparece. Aos 15, Zico dividiu com Helinho, caiu, levantou, passou por dois marcadores e bateu firme. Mais uma vez Leão (que ainda não havia sido derrotado uma única vez desde que deixou o Palmeiras e chegou ao Vasco) não deu nem rebote. Helinho marcava, ou tentava, o camisa 10 quase que individualmente. Toda vez que era driblado, o volante vascaíno cometia a falta e parava o lance.

Aos 23, Tita roubou a bola de Marco Antônio, passou como quis pelo lateral vascaíno e chutou forte para a área. Gaúcho tentou afastar, pegou na orelha da bola e obrigou Leão a fazer uma grande defesa, de puro refleexo, espalmando a escanteio. Apesar dessa jogada, o fla pecava por jogar demais pelo meio e esquecer as pontas.

Aos 38, Marco Antônio deum uma pregada em Marcinho e recebeu o primeiro amarelo da partida. Aos 44, Zico teve uma boa chance de abrir o marcador depois de uma cabecada de Cléber, mas acabou pegando mal e a bola saiu fraca para as mãos de Leão. Aos 45, Roberto levou a bola, passou por Manguito mas também bateu fraco Cantarelli defendeu com facilidade.

No final de um primeiro tempo muito mais marcado do que jogado, o Flamengo foi ligeiramente superior ao Vasco, criando três chances, contra duas do time de São Januário.

Segundo Tempo
O Vasco voltou com uma alteração do intervalo. Paulinho, vice-artilheiro do time na competição, entrava na vaga de Ramon. E quase que a substituição já deu resultado aos três minutos. Wilsinho cruzou da direita e Paulinho desviou com perigo para Cantarelli.

O jogo estava mais a feição do time de Fantoni. O Fla se abria mais, pela obrigação de vencer o jogo e dava espaços para os contra-ataques, agora mais perigosos com a presença de Paulinho. Aos 14, se não fosse um erro clamoroso do auxiliar, o Vasco poderia ter saído na frente. Paulinho avançou e lançou para ele mesmo no ponto futuro. Roberto estava impedido, mas não participou do lance. Mesmo assim, José Roberto Wright atendeu a marcação do seu bandeira e assinalou o fora de jogo.

Aos 17, Guina recebeu um cartão amarelo, ao reclamar de uma falta marcada a favor do rubro-negro. Aos 22, Eli Carlos entrou na vaga de Cléber. Com isso, Zico passou a jogar quase que como centroavante, abriu Marcinho pela direita e Tita pela esquerda. Eli passou a armar o jogo no lugar do galinho. Cláudio Adão estava fazendo muita falta.

Aos 25, Zico tabelou com Adílio, recebeu na frente e chutou para grande defesa do goleiro do Vasco e da seleção brasileira. No rebote, Tita isolou. Era a primeira chance de gol rubro-negra na etapa final. Na sequência do lance, Leão recebeu cartão amarelo, por retardar o jogo.

Aos 29, novamente Zico apareceu na grande área e foi travado por Abel, na sobra, Toninho finalizou de primeira, a bola explodiu em Orlando e saiu para escanteio. Na base da vontade, o Flamengo melhorava.

Percebendo que o rival melhorava no jogo, Fantoni sacou o ponta direita Wilsinho e colocou o volante Paulo César. Faltando apenas 14 minutos, era normal que o Vasco se precavesse.

Aos 34, Guina que até então pouco havia aparecido no segundo tempo, deixou Roberto em boas condições. O artilheiro bateu de pé esquerdo e Cantarelli mandou para escanteio.

O fla se mandava todo na tentativa do gol salvador. Aos 38, Roberto ganhou de Rondinelli e serviu Paulinho, sozinho na área. O ponteiro chutou de canela e perdeu a melhor oportunidade do jogo até aquele momento. A resposta do mengo veio no minuto seguinte, duas vezes com Tita. Na primeira ele cortou da esquerda para o meio e bateu firme. Leão deu rebote. A bola sobrou para Marcinho que cruzou e novamente Tita cabeceou para fora, com perigo.

Aos 41, o lance que marcou uma geração. Júnior cruzou, Marco Antônio estava sozinho mas mesmo assim se precipitou e mandou a bola para escanteio. Zico, que não costumava cobrar, se encaminhou para lá e cruzou na cabeça de Rondinelli, que subiu entre Roberto e Abel para testar firme, sem chance para Leão. O Flamengo se aproximava da conquista do campeonato carioca.

Aos 44, Coutinho reforçou a sua marcação ao tirar Tita e colocar Alberto Lequelé. Zico levou o seu amarelo ao isolar uma bola depois da falta marcada. Paulinho perdeu mais uma chance ao chutar para segura defesa de Cantarelli.

Aos 46, Zico e Guina se agrediram e acabaram expulsos. O jogo ficou parado por conta da confusão por mais de seis minutos, com direito a invasão do gramado, por parte de jornalistas e de sumiço das bolas.

No fim das contas, deu a lógica. O melhor time venceu. Era o começo da Era de ouro do Flamengo, campeão carioca de 1978. Para o comentarista da Rede Globo, J.Ávila "venceu o time que buscou o jogo. O Vasco se defendeu por 86 minutos. Mas a vitória foi justa e o título merecido."
Justíssima conquista. Ou não? O que importa? O fato é que ali, começavam as conquistas da Era de ouro do Flamengo. E vinha muito mais por aí!
No próximo texto: As Férias e a preparação para o Carioca de 1979.




domingo, 30 de março de 2014

A Era de Ouro do Flamengo-Parte 5- A Preparação para o Carioca de 78


1.5) A preparação para o Carioca de 78

A crise provocada pela eliminação precoce no certame nacional continuava a ecoar na Gávea. Depois de Carpegianni, era a vez de Cláudio Adão querer deixar o clube. Coutinho teve que intervir. Para o treinador, o centroavante seria peça fundamental da equipe.
O primeiro coletivo sob o comando do Capitão mostrou que ele estava certo. Vitória de 3 a 0 dos titulares, com dois gols de Adão e um de Adílio. A propósito, a festa da torcida para recepcionar Coutinho foi digna de um grande ídolo. De uma hora para outra, o ambiente carregado se dissipava e a esperança voltava a tomar conta da nação.

Como sempre ocorria, a central de boatos estava a mil por hora. Eram cogitados como reforços do Flamengo nomes como Enéas (Portuguesa), Ivo e Toninho (Palmeiras), Reinaldo e Mário (América), Tadeu (Operário-ms), Gil (Botafogo), Geraldão (Corinthians), Murici Ramalho (São Paulo) eZenon (Guarani). Sem dinheiro para contratações, nenhum deles desembarcou no Rio de Janeiro.

O primeiro contratado de verdade veio do Corinthians. Por empréstimo, o zagueiro Moisés chegou para ser titular da equipe. Com fama de xerifão, foi logo dizendo que “acabo com as cirandinhas dos atacantes na nossa área”.

Em seguida, veio um pacotão de reforços do Cruzeiro. O goleiro, Raul, que pretendia encerrar sua carreira, veio em defintivo. Eli Carlos e Tião, foram emprestados. Na negociação, Júnior Brasília foi cedido a raposa. Conta Raul “eu estava em casa, decidido a não mais jogar futebol profissional, quando deu no Jornal Nacional que o Flamengo havia acertado a minha contratação. Estava com a minha mãe e ela logo me perguntou se era verdade. Disse que ainda não sabia de nada, mas que com certeza o telefone ia tocar a qualquer momento. Dito e feito”.

Apesar da falta de dinheiro, Márcio Braga, candidato a reeleição pela FAF, obteve êxito em mais alguns negociações. Do Atlético-mg, chegaram Cléber e Marcinho. Do Olaria, veio o zagueiro Manguito, contratado por 500.000 cruzeiros.

Para o amistoso na Argentina, frente ao Talleres, Coutinho ainda não iria dirigir a equipe. Modesto Bria teria essa missão. O treinador “interino”tratou de escalar Moisés como titular. Além disso, Júnior foi atuar no meio de campo. Ramirez passou a lateral esquerda e Leandro, para a direita. Nada disso adiantou. A partida terminou empatada, sem abertura de contagem.

Na volta, Coutinho reassumiu a equipe de maneira definitiva. Haveria pouco tempo para acertar o time, já que estavam programados um amistoso contra o Atlético-mg, em Minas e logo depois, o embarque para a Europa, onde o clube tentaria, mesmo sem Zico, recuperar o prestígio internacional do futebol brasileiro, além de faturar uma boa grana.

No último coletivo antes da partida contra o galo, ainda sem os reforços, os titulares bateram os suplentes, por 2 a 0, gols de Adílio e Lino.

Surpreendentemente, a equipe jogou muito bem no amistoso. Especialmente, Cláudio Adão. A vitória veio naturalmente, pelo placar de 2 a 0. Os tentos foram marcados por Lino e Toninho. Só que tudo isso acabou ficando em segundo plano. Do Rio de Janeiro, chegavam notícias que Zico estaria sendo pretendido pelo Milan e pelo Al Hilal, clube que acabara de contratar Rivellino. O Presidente Márcio Braga afirmou que aceitava negociar o craque, desde que alguém se dispusesse a pagar 30 milhões de dólares pelo seu passe. Como ninguém quis pagar um preço tão alto, o galinho continuou na Gávea, apesar de insatisfeito com o atraso das luvas.

De volta ao futebol, o time realizou mais um coletivo antes do embarque para a Espanha. Mais uma vitória dos titulares, desta vez por 3 a 0. Os gols foram de Tião (2) e Cláudio Adão.

Teresa Herrera

A estréia no tradicional Troféu Teresa Herrera aconteceu diante do Fluminense. A igualdade, sem abertura de contagtem não foi justa, já que o rubro-negro dominou a peleja. Na disputa de pênaltis, deu Flamengo, 3 a 1. O resultado classificou o time para a decisão, diante do Real Madrid.

No dia seguinte, menos de 24 horas após bater o tricolor e com uma defesa improvisada (Ramirez e Nélson jogaram, já que Moisés e Rondinelli estavam lesionados), o mengo acabou não suportando o ritmo intenso da equipe merengue e caiu, perdendo por 2 a 0.

Enquanto o time excursionava, no Rio de Janeiro, a Diretoria seguia agindo, agora para negociar jogadores, já que o elenco estava inchado, depois da chegada dos reforços. Luís Paulo, Roberto e Dequinha, foram para o Maringá. Valdo, para o Bahia. Merica também foi negociado com o tricolor baiano. Mas em troca, o fla recebeu Alberto, por empréstimo.

Troféu Palma de Mallorca

O Flamengo havia deixado uma boa impresssão no Teresa Herrera. Por isso, os jogadores acreditavam em uma boa campanha no Palma de Mallorca. Mais do que isso.Todos queriam uma nova decisão com o Real Madrid. Na estréia, a equipe passou pelo Rayo Vallecano, por 2 a 1, gols de Júnior e Cléber. Com isso, a revanche contra a equipe merengue estava garantida.


Um título épico

Desta vez, mais descansado e adaptado ao fuso horário, o mengo foi como um rolo compressor para cima do Real. Cláudio Adão e Cléber marcaram no primeiro tempo, coroando uma exibição fantástica da equipe. Na etapa complementar, entrou em cena o árbitro espanhol Alscua Sainz. Ele inventou um pênalti para os merengues, inverteu faltas, marcou impedimentos inexistentes e ainda expulsou Eli Carlos, Toninho, Cléber, Coutinho, Domingos Bosco e todo o banco rubro-negro. Mesmo assim, de maneira heróica e contando com o apoio da torcida, indignada com a atitude do juiz, o fla se segurou. No fim, ele ainda deu mais de cinco minutos de acréscimos. Pouco importou. O Flamengo conquistava de maneira brilhante o Troféu Palma de Mallorca.

Ao fim da partida, Carpegianni declarava que esta havia sido a maior vitória de sua vida. Coutinho mostrava-se feliz, especialmente com a recuperação de Cláudio Adão. E os torcedores não cansavam de aplaudir o esforço da equipe. A imprensa também foi só elogios ao Flamengo e críticas ao árbitro. O prestígio do clube estava em alta e a confiança, recuperada. A ponto do treinador dizer que, “com Zico, esse time será a sensação do estadual”.

Faltavam ainda três compromissos na Europa, antes do retorno ao Brasil. No Torneio de Milão, o mengo acabou caindo no primeiro jogo, diante do Milan, por 1 a 0. Esta partida mostrou como o prestígio da equipe estava em alta. Foram vendidos mais de 60.000 ingressos antecipados. A disputa do terceiro lugar foi diante do Botafogo. E o fla mostrou que viria mesmo forte para o Carioca. Vitória de 2 a 0, gols de Adílio e Cléber.

Fechando a excursão, que deu um lucro de 700.000 cruzeiros aos cofres do clube, o Flamengo derrotou o Sanremese, da terceira divisão italiana. Novamente o placar foi de 2 a 0 (Eli Carlos marcou os dois tentos).

Nos bastidores, aconteciam algumas mudanças importantes antes da estréia no estadual, diante do São Cristovão. Ivã Drumond deixou a Vice Presidência de Futebol para fazer campanha a favor de George Helal, candidato da oposição. Em seu lugar, assumiu Walter Clark. Uma de suas primeiras providências foi abolir a participação dos atletas nas premiações, em caso de derrota. Para ele, os jogadores só teraim direito a receber alguma quantia se houvesse vitória ou empate.

Na véspera da partida frente ao São Cristovão, mais um reforço desembarcou na Gávea. Getúlio, ponta direita do Bahia, chegou por empréstimo, sem ônus algum para o clube. Com o elenco fechado e muito confiante, era hora de tentar recuperar o título carioca, que não vinha para a Gávea desde 1974.

No próximo episódio: O Carioca de 78 e gol do Deus da raça!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Era de Ouro do Flamengo- Parte 4- O Campeonato Brasileiro de 78


1.4)Campeonato Brasileiro de 78

Todos sabiam que conquistar o certame nacional de 78 seria extremamente complicado. Afinal, o mengo não poderia contar com Zico e Toninho, na Seleção Brasileira. Além disso, não havia dinheiro em caixa para reforçar o elenco. Nem mesmo a venda de Osni ao Bahia, por 1,5 milhões de cruzeiros aliviava a situação. A esperança era negociar Toninho com o Inter, por mais 3 milhões. O lateral, entretanto, não acertou as bases salariais com o clube gaúcho e permaneceu na Gávea.

A ordem era prestigiar a prata da casa. Jovens como Leandro, Vítor, Cidade e Lino passariam a ganhar mais oportunidades. Os únicos reforços contratados foram o obscuro centroavante Radar, que veio do Rio Verde, de Goiás, por empréstimo e o ponta esquerda Santos, trocado pelo lateral Vanderlei (Luxemburgo) com o Inter.

A primeira fase do Campeonato tinha dois grupos com treze clubes e quatro com doze. Os seis primeiros colocados classificar-se-iam para a segunda fase. Os demais, iriam para repescagem. O Flamengo ficou na Chave G. Estreou diante do Fluminense, vencendo por 1 a 0, gol de Luís Paulo. Neste clássico, Modesto Bria dirigiu a equipe.

Na sequência, Joubert assumiu o comando do time, pelo menos até Coutinho voltar da Copa, em Julho. Mesmo jogando mal, o rubro-negro emplacou mais três vitórias seguidas, todas pelo placar mínimo, sobre o Fast (gol de Júnior Brasília), Remo (gol de Valdo) e Goytacaz (gol de Merica).

Antes do primeiro revés da equipe, um emissário da Inter de Milão foi a concentração Brasileira e apresentou uma proposta de 1 milhão de dólares por Zico. Márcio Braga tratou logo de rechaçar os italianos. Enquanto isso, a equipe caia diante do América, por 3 a 2(gols de Adílio e Carpegianni) perdendo assim sua invencibilidade na competição.

Na sexta rodada, o mengo voltou a vencer e não convencer. Bateu o Americano, em Campos por 1 a 0, gol marcado por Radar.
Outros cinco triunfos fecharam a participação e deram ao fla a liderança do grupo. Contra o Bangu, mesmo com uma zaga improvisada, formada pelos ex juvenis Adriano e Cidade, uma goleada de 4 a 1. Destaque para o “novo ídolo”rubro-negro Radar, autor dos quatro tentos.

O próximo compromisso seria contra o Nacional, de Manaus. Temia-se um prejuízo pelo pouco público. O novo supervisor do clube, Domingos Bosco tratou de convocar a torcida “Venham ver Radar jogar”. O novo xodó não marcou e o time saiu de campo vaiado, mesmo vencendo por 2 a 1 (Santos e Adílio). Radar, segundo o Jornal O Globo do dia seguinte, não conseguia nem mesmo dominar a bola.
Na nona rodada, a melhor partida do time. Júnior e Tita marcaram, no 2 a 1 em cima da Portuguesa. No triunfo seguinte, diante do Paysandu, Tita e Radar fizeram os gols do 2 a 0. Finalmente, em Piracicaba, o mengo bateu o XV, por 2 a 1 (Júnior e Tita). Encerrando assim sua participação.

Aproveitando-se de uma folga na tabela, antes do início da segunda fase, a equipe pode recuperar alguns jogadores, como Cláudio Adão e marcar três amistosos, atenuando um pouco a crise financeira. Por recomendação do Vice Presidente de Futebol, Ivã Drumond, Leandro, que vinha impressionando nos treinamentos, deveria ser testado na vaga do oscilante Ramirez.

O primeiro amistoso aconteceu diante do Atlético de Alagoinhas. Três a um, para o Flamengo, com gols de Júnior, Ramirez e Valdo. Contra a Seleção de Ipiáu, goleada de 4 a 0 (Radar, duas vezes, Luís Paulo e Merica). A última partida foi diante da Seleção de Nova Friburgo. Mais um triunfo tranqüilo, desta vez de 3 a 0 (Tita, duas vezes e Anselmo).

Segunda Fase

A excelente campanha na fase anterior dava ao Flamengo uma certa tranqüilidade. Afinal, agora seriam formados quatro grupos, com nove integrantes dada.Os seis primeiros estariam classificados a terceira fase, juntamente com o time que tivesse a maior pontuação dentre os 12 eliminados (achou confuso e bagunçado? Tudo culpa de nossos cartolas).

A estréia foi diante do Corinthians, no Morumbi. Radar marcou e salvou o time da derrota. O 1 a 1 ficou de bom tamanho pelo que as equipes apresentaram. Na sequência, mais dois empates, ambos no Maracanã, frente ao Sport ( 0 a 0) e Botafogo (1 a 1, gol de Tita). Neste jogo, o rubro-negro desperdiçou a oportunidade de acabar com uma longa invencibilidade do alvinegro.

Nos treinamentos, Cláudio Adão finalmente havia se recuperado de uma lesão e voltaria ao time, se fosse bem no coletivo. Depois dos 3 a 1 nos juvenis, gols de Valdo, Adão e Evilásio, ele foi confirmado. Outra boa notícia vinha da Seleção. Toninho renovara seu contrato com clube.

A primeira vitória nessa fase veio somente na quarta rodada. Cláudio Adão, de volta a equipe e Júnior, de pênalti, marcaram no 2 a 0 em cima do Juventude. Entretanto, toda a animação que tomara conta da torcida e do treinador Joubert foi por água abaixo logo na rodada seguinte, depois da derrota para o Operário-ms, por 1 a 0.

Faltavam três rodadas e a equipe sabia que precisava somar pontos, para não depender de outros resultados para classificar-se. No Maracanã, triunfo de 2 a 0, em cima do Botafogo de Ribeirão Preto, que contava com um jovem doutor e futuro craque chamado Sócrates. Os gols foram de Adílio e Merica.

Na sétima rodada, um empate sem gosto, frente ao Comercial, por 1 a 1 (Radar). Insatisfeito com o rendimento da equipe, Joubert escalou Tita na ponta direita (lugar que ele iria ocupar anos depois). No coletivo, deu tudo certo três a zero nos reservas, tentos de Adílio, Carpegianni e Cláudio Adão. Outra mudança promovida pelo treinador foi a barracão de Cantareli. Roberto entraria em seu lugar.

O Flamengo precisava ao menos do empate diante do América, na última rodada, para não depender de outros resultados. Mais uma vez, o time rubro aprontou para cima do mengo. O 2 a 0 obrigava o fla a esperar pelos demais resultados e jogos atrasados para saber se iria ou não disputar a terceira fase.

Para piorar ainda mais a situação, na disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo, Toninho machucou seu joelho e Zico sofreu uma forte distensão na coxa. O galinho estava definitivamente fora da fase decisiva do nacional, se o time se qualificasse.

A vaga acabou sendo conquistada, mesmo com o mengo tendo terminado apenas na sétima colocação. O clube entrava por índice técnico. O médico Célio Cotechia vai ao aeroporto, receber os lesionados do Flamengo. Fica desanimado e diz que Zico só volta em 60 dias.
Antes da próxima fase, mais dois amistosos, afinal, havia contas a serem pagas. Diante da Seleção de Macuco, goleada de 4 a 0, gols de Ramirez, Enéas (contra), Merica e Júnior Brasília. Já frente ao Estrela do Norte, vitória magra, pela contagem mínima (gol de Valdo).

A terceira fase do brasileiro contaria com quatro grupos, com oito integrantes. Apenas os dois primeiros colocados avançariam as quartas de finais. Antes de estrear, contra o Botafogo, Radar, que havia perdido espaço com a volta de Adão, é devolvido ao Rio Verde. Bosco ainda tentou prorrogar o empréstimo ou parcelar a compra, mas não houve acordo.

Terceira Fase

Mais uma vez, o rubro-negro tinha a oportunidade de dar um fim a longa série invicta do Botafogo. Novamente, falhou. O clássico acabou igual ( 1 a 1, gol de Carpegianni). Pior, Júnior sentiu uma contusão e não poderia atuar diante do Palmeiras.

Contra o verdão, Ramirez foi improvisado na lateral esquerda e o novato Leandro, fez sua estréia no time titular. O resultado foi decepcionante (novo empate de 1 a 1, gol de Adílio), porém nascia para o futebol um dos maiores jogadores da história do clube. A atuação de Leandro foi elogiada pela imprensa e arrancou do técnico Joubert a seguinte declaração “Leandro foi realmente uma surpresa. No segundo tempo do jogo contra o Palmeiras, em vez de marcar, estava sendo marcado pelo ponta esquerda Nei".

Os dois empates já não haviam sido bons resultados. Entretanto, uma goleada sofrida frente ao Grêmio, por 5 a 2 (gols de Santos e Júnior, de pênalti), praticamente sepultaram qualquer pretensão rubro-negra de brigar pelo título. Além disso, a derrota foi o estopim de uma crise na Gávea. Carpegianni disse que queria ser vendido. “Não agüento mais. O time não tem defesa, meio de campo ou ataque. Está tudo muito mal. Estou louco de vontade de sair. Desesperado mesmo”. Nos microfones da Rádio Nacional, o Apolinho, Washinton Rodrigues dizia que alguns jogadores não mereciam vestir o manto sagrado. Sobrou até mesmo para Júnior. O Presidente Márcio Braga era outro pessimista. “Não há dinheiro para contratar reforços. Temo pela nossa participação no Campeonato Estadual. Vou pedir ajuda a FAF (Frente Ampla pelo Flamengo)”. Segundo relatório apresentado por Ivã Drumond e Domingos Bosco, o time necessitava de pelo menos quatro reforços. Um goleiro, um zagueiro, um ponta direita e um centroavante.

Pela quarta rodada, a equipe foi ao Morumbi e segurou o 0 a 0 frente ao São Paulo. Diante do quadro, a igualdade foi considerada um bom resultado. Na sequência, veio um alento. Uma vitória de 3 a 1 sobre o Coritiba, no Maracanã (gols de Cláudio Adão, Toninho e Adílio). O lateral Toninho voltou ao onze titular, mesmo estando fora de forma e sem ritmo de jogo.

Para ter qualquer chance de se qualificar, o Flamengo precisava vencer seus dois últimos compromissos por três gols de diferença ou mais (pelo regulamento, isso daria três pontos por vitória). E ainda torcer por uma grande e complexa combinação de resultados. O técnico Joubert e o Supervisor Domingos Bosco disseram que ainda acreditavam.

O sonho terminou na sexta rodada. O algoz foi novamente o América. A derrota de 1 a 0 foi uma vingança de Jaime Valente, que havia sido demitido da equipe da Gávea e agora dirigia o time rubro.

Restava apenas cumprir tabela, na derradeira partida. Antes da viagem para Bauru, onde enfrentaria o Noroeste, Cláudio Adão alegou dores na coxa e foi cortado da delegação que iria para o jogo e depois para a Argentina, disputar um amistoso diante do Talleres, em Córdoba. Desmotivado, o mengo foi dominado pelo adversário e o revés por apenas 1 a 0 acabou sendo pouco, tal o domínio do Noroeste. Agora, era juntar os cacos e se preparar para o Campeonato Carioca!

No próximo episódio: Finalmente, começam as alegrias!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Os Jogos do meu acervo- Atlético-mg 0x0 São Paulo- Decisão do Brasileiro de 77


-Porque é histórico. Foi após esse campeonato,que os cronistas esportivas passaram a defender uma competição por pontos corridos, justamente para evitar que injustiças, como as que aconteceram com o galo mineiro, dono da melhor campanha do campeonato, invicto e com 10 pontos a mais do que o São Paulo, acabasse como vice-campeão.

-As campanhas.Até a grande decisão, o tricolor tinha 20 jogos, com 13 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Tinha marcado 40 gols s sofrido 15, com saldo positivo de 25 gols. Já o galo tinha os mesmos 2o jogos, com 17 vitórias, 3 empates e nenhuma derrota. Havia marcado 55 gols s sofrido 16, com saldo positivo de 29.

-Curiosidade. Os artilheiros das 2 equipes, não puderam estar em campo na grande final. Reinaldo, que havia marcado 28 gols pelo galo e Serginho autor de 18 pelo tricolor, estavam suspensos, e por isso fora do jogo.

-Ficha da decisão Atlético-mg 0x0 São Paulo Data 05-03-1978 Local Mineirão Público 102.974 Renda cr$6.857.080.00 Árbitro Arnaldo César Coelho Cartões amarelos Tecão, Angelo, Serginho, Bezerra, Peres e Neca Atlético-mg João Leite, Alves, Márcio, Vantuir e Valdenir, Toninho Cerezo, Angelo e Serginho, Caio(Joãozinho Paulista), Marcelo(Paulo Isidoro) e Ziza Técnico Barbatana São Paulo Waldir Peres, Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor, Chicão, Teodoro(Peres) e Darío Pereyra, Zé Sérgio, Mirandinha e Viana(Neco) Técnico Rubens Minelli

-A partida, lance a lance

-Começa a decisão, o tricolor dá a saída e ataca para a esquerda das cabines de rádio.

-O jogo começa muito amarrado no seu meio de campo. O São Paulo bloqueia o setor com até 5 jogadores(com o recuo dos pontas)e enerva o jovem time mineiro.

-16 minutos. Bezerra cobra falta da meia-direita, a bola passa por sobre a barreira e João Leite faz a defesa no seu canto esquerdo baixo. É o primeiro lance de emoção do jogo.

-17 minutos. Mirandinha chuta a bola bate na defesa mineira e sobra para bom chute de Teodoro. A bola passa perto da trave direita.

-21 minutos. Chicão lança Zé Sérgio na ponta direita, mas o passe sai longo. Mesmo assim, Zé ganha a dividida com Vantuir e cruza para Viana, que cabeçeia para excepcional defesa de João Leite. A bola sai a escanteio. O tricolor paulista era muito mais perigoso.

-Darío Pereyra marcava Toninho Cerezo, quando o atleticano tinha a bola. E isso, deixava o galo uma saída de bola rápida e qualificada.

-44 minutos. Finalmente, o Atlético tem uma chance. Falta na entrada da área pelo lado esquerdo, que Alves cobra e a bola passa raspando o angulo de Waldir Peres.

-45 minutos. Arnaldo apita o fim do 1 tempo.

-Análise do 1 tempo. Com uma postura mais ofensiva,e com uma marcação muito acertada, o tricolor dominou a partida e merecia ter saído com a vitória

-Placar Moral do 1 tempo. Atlético-mg 0x1 São Paulo

-Começa a segunda etapa com a saída sendo dada pela equipe mineira

-3 minutos, Getúlio cobra falta,a zaga atleticana afasta mal e a bola sobra para Chicão, que chuta de primeira, a bola bate no zagueiro Márcio praticamente em cima da linha.

-15 minutos. Viana tabela com Mirandinha e chuta para bela defesa(mais uma) de João Leite, a bola ainda explode na trave, antes de sair para escanteio.

-20 minutos, Joãozinho Paulista dá grande passe para Paulo Isidoro, que entrava em diagonal, este bate forte, de primeira e o goleiro trioclor faz grande defesa e evita o gol atleticano. Foi a primeira grande chance do time mineiro em toda a partida.

-34 minutos, Toninho Cerezo arrisca de longe e Waldir Peres,espalma a bola para córner.

-43 minutos, Zé Sérgio arranca em jogada individual e bate de fora da área, rasteiro. João Leite é obrigado a espalmar para escanteio.

-44 minutos na cobrança do escanteio, Tecão cabeceia, e o goleiro atleticano defende com os pés.

-Final de tempo regulamentar, com o São Paulo bem melhor que o galo mineiro. Vamos agora a prorrogação.

-O Tempo Extra

-O Tricolor dá a saída para a prorrogação, mas quem assusta primeiro é o galo, através de Angelo, que chuta de longe para boa defesa de Waldir.

-O primeiro tempo do tempo extra é disputado de maneira lenta e com muita marcação. Parece que as duas equipes já se contentam de levar a decisão do título para a disputa de penaltis...

-15 minutos, Ziza faz bela jogada pela esquerda e cruza, Waldir Peres corta o cruzamento, mas a bola cai nos pés de Paulo Isidoro, que chuta para mais uma brilhante defesa do goleiro sãopaulino.

-Começa o segundo tempo da prorrogação, com a saída do Atlético.

-Nada acontece na prorrogação e a partida vai para os penaltis.

-A disputa de penaltis

-Primeira cobrança é do São Paulo. Getúlio cobra para defesa de João Leite, no canto esquerdo.

-Toninho Cerezo cobra para o galo, mas bate muito mal e a bola voa por cima da meta.

-Chicão cobra o segundo, escorrega na hora da batida e João Leite defende, sem dar rebote.

-Ziza cobra bem e finalmente abre o placar. 1x0 galo, depois de duas cobranças para cada equipe.

-Peres bate com categoria e empata para o tricolor. O goleiro atleticano quase defende.

-Alves cobra forte, no meio do gol e coloca o time mineiro em vantagem, 2x1 após 3 cobranças.

-Antenor, também solta uma bomba no canto direito e empata a disputa. Tudo empatado 2x2
-Joãosinho Paulista manda a bola nas nuvens e após 4 cobranças, segue 2x2.

-Bezerra cobra bem, no canto esquerdo e faz 3x2 São Paulo.

-Márcio cobra alto, longe da meta e o tricolor paulista é campeão brasileiro de 1977.

-Era o primeiro título do tricolor paulista, em campeonatos brasileiros. Foi o tricampeonato de Rubens Minelli. E foi injusto, se considerarmos toda a a campanha, na qual o galo foi bem melhor e mais regular do que o São Paulo. Mas se considerarmos somente a decisão, mesmo a partida sendo realizada no Mineirão, o tricolor paulista foi sempre superior e esteve muito mais próximo da vitória.

-Quem se interessar pelo jogo completo, é só entrar em contato com gugaroman@hotmail.com, para ter acesso a esse e outros 5700 jogos do meu acervo.

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A Era de ouro do Flamengo- Parte 3- A preparação para o Brasileiro de 78



Depois da fraca campanha e da consequente eliminação na terceira fase do Campeonato Nacional de 77, era hora de aparar as arestas, visando o Brasileiro de 78, que começaria em poucas semanas. A primeira providência da Diretoria foi acertar a volta de Cláudio Coutinho para logo depois da Copa do Mundo. O treinador chegou a recusar uma proposta do Cruzeiro, só para voltar a Gávea. A princípio, Jaime Valente seria mantido no cargo até a volta do "capitão". Porém, corria um forte rumor que Joubert, que havia feito uma ótima campanha com o Remo e era funcionário do Flamengo, assumiria a posição. Outra mudança importante aconteceu nos bastidores. O supervisor Dante Rocha pediu demissão. Para seu lugar foi contratado Domingos Bosco. Ele mal sabia ainda, mas tornaria-se uma das figuras mais importantes dessa era vitoriosa do rubro-negro.

Dentro das quatro linhas, ficou acertado que a preparação para o certame nacional aconteceria em Brasília e Goiás. Seriam disputados sete amistosos até a estreia do time, diante do Fluminense. Nos bastidores, o Presidente Márcio Braga veio a público garantir a permanência de Jaime Valente. Segundo o cartola, "Joubert alteraria todo o esquema tático montado por Coutinho. Não queremos que isso aconteça, afinal, ele será nosso treinador de novo em breve".

Involuntariamente, o futuro técnico acabou prejudicando o Flamengo ao convocar Zico e Toninho para a Seleção Brasileira, que iniciava os treinamentos visando a Copa da Argentina. Além deles, Rondinelli, Carpegianni e Adílio estavam na lista de 48 nomes que poderiam ser convocados até o mundial. Outro desfalque nessa fase de preparação seria o centroavante Cláudio Adão, que operou a garganta.

Sem dinheiro para grandes contratações, Bosco garante que o clube irá prestigiar os pratas da casa. Pelo menos dois juvenis seriam aproveitados na competição. O volante Vítor e o lateral Leandro. Além deles, Júnior Brasília passaria a ser titular na ponta direita, já que Osni havia sido negociado com o Bahia. Tita e Jorge Luís devem ganhar mais chances.

A equipe viajou para Brasília sem contar com Carpegianni, que ficou no Rio, apurando sua forma física. Do exterior, chegava a notícia que a Inter de Milão oferecia 500.000 dólares para ter a prioridade de compra do passe do Galinho de Quintino. A especulação foi logo rechaçada pela Diretoria, mas a torcida ficou com a pulga atrás da orelha.

No primeiro amistoso de preparação, vitória magra sobre o Brasília, por 1 a 0. O gol foi marcado por Júnior, de pênalti. A equipe não apresentou melhora e mostrou os mesmos erros do Campeonato Brasileiro.

O segundo amistoso foi contra o Gama. Novamente, o time foi muito mal na primeira etapa. Mesmo assim, Tita abriu o marcador. Nos 45 minutos finais, Júnior Brasília fechou o placar. Na verdade, a equipe só melhorou depois que Jorge Luís entrou no lugar de Valdo.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Doval, ex ídolo do mengo e em litígio com o Fluminense, tentava, de todas as maneiras, cavar a sua volta a Gávea. Márcio Braga tratou de correr e negar qualquer possibilidade de isso acontecer, dizendo que o centroavante do Flamengo era Cláudio Adão. O Inter, de Porto Alegre tenta comprar Rondinelli e Toninho. O primeiro não passou de sondagem, mas a compra do lateral era dada como certa, até mesmo pelos rubro-negros, que esperavam contratar reforços com o dinheiro da venda.

O terceiro amistoso aconteceu novamente contra o Brasília. Novo triunfo, desta vez, por 2 a 0, gols de Júnior, de pênalti e Dequinha. O compromisso seguinte foi pior ainda. Empate de 0 a 0 com o Rio Verde. Mesmo enfrentando uma arbitragem caseira e tendenciosa, que invalidou um gol legal de Tita e deixou de dar uma penalidade em Adílio, a atuação do fla foi preocupante. Esta partida serviu para a Comissão Técnica avaliar o desempenho do atacante Radar, que estava acertado com o Flamengo. Depois da boa atuação, o clube carioca confirmou a negociação e contratou-o por empréstimo, com o passe fixado.

O quinto jogo preparatório foi diante do Itumbiara. Pela primeira vez, o mengo apresentou um bom futebol, especialmente no primeiro tempo. Tita e Adílio marcaram os gols e foram os responsáveis pelas melhores jogadas de ataque. Na etapa final, o time tirou o pé do acelerador, sofreu um gol e voltou a preocupar a torcida.

Sem muitas opções na ponta direita e sem confiar na regularidade de Júnior Brasília, a diretoria tenta a contratação de Reinaldo, ponteiro do América. Porém, a contratação ficou difícil depois que Toninho não acertou as bases salariais com o Inter de Porto Alegre. Em declaração ao Jornal do Brasil, o lateral afirmou "nunca quis deixar o Flamengo. A Diretoria achou a proposta boa. Mas não quero mudar de cidade. Estou adaptado aqui. Ficarei por um bom tempo ainda".

O sexto amistoso aconteceu em Vitória, no Espírito Santo. Um triunfo de 2 a 0 sobre o Rio Branco, gols de Adílio, que continuava em grande fase. A grande surpresa aconteceu na volta delegação ao Rio de Janeiro. Jaime Valente foi demitido, a menos de uma semana da estreia no Brasileiro. Modesto Bria, treinador dos juniores, ia dirigir a equipe no último amistoso e na partida diante do Fluminense, pelo certame nacional. No dia seguinte ao clássico, Joubert assumiria até a volta de Coutinho. Uma confusão!

Modesto disse a imprensa que não mudaria nada em relação a equipe que vinha sendo escalada por Jaime. "Não tenho nem tempo hábil para mudar nada. Não sou louco de inventar. Ramírez entra no lugar de Toninho. Adílio no de Zico e Tita atuará como centroavante, na vaga de Cláduido Adão".

O último amistoso aconteceu no Caio Martins, diante do América. O jogo foi muito ruim, com as duas equipes completamente lentas, sem imaginação e desorganizadas. O empate de 1 a 1, gol de Tita foi o que menos importou. A torcida tinha motivos de sobra para ficar preocupada com o desempenho no Campeonato Brasileiro. E o tempo mostraria que a Nação estava certa. Mas isso é papo para o nosso próximo texto. Até lá!

No próximo texto: A primeira fase do Campeonato Brasileiro de 1978





quinta-feira, 6 de março de 2014

Jogos do meu acervo- Atlético-mg 4x2 Londrina- Semifinal do Brasileiro de 77


O pré- jogo

Apesar de ter tido a melhor campanha durante a fase de classificação, o galo foi obrigado, por ordem do regulamento, a mandar a primeira partida das semifinais em casa. O seu adversário era o surpreendente Londrina, que havia se classificado na repescagem, mas que na fase anterior bateu Flamengo, Corinthians e Caxias em casa e Santos e Vasco, fora.

O técnico Barbatana, estava preocupado, pois sabia que decidir no Estádio do Café seria muito complicado. Para piorar a situação, ele não poderia contar com Cerezo, suspenso pelo terceiro cartão amarelo.

Assim, Marcelo (Oliveira, hoje treinador do Cruzeiro) passou a exercer a função de armador e Paulo Isidoro, mais adiantado, deveria encostar no centroavante e artilheiro do campeonato, Reinaldo. no coletivo apronto, um empate de 0 a 0, depois de 60 minutos de treino. Barbatana considerou o resultado normal, pelas mudanças no meio de campo.

Do lado paranaense, era clara a intenção de jogar retrancado e, se possível, arrancar um empate.

A partida

O jogo começou como todos esperavam. de camisas brancas, o galo atacando, especialmente com Ziza, pela esquerda, enquanto o Londrina se defendia com até oito, nove ou at;e mesmo dez homens. Nem essa retranca parecia ser suficiente para impedir Reinaldo de fazer grandes jogadas. Logo aos oito minutos, ele deu um drible de corpo desconcertante em Arenghi, que apelou e deu um pontapé no atacante. Levou um merecido cartão amarelo.


Contrariando todos os prognósticos, quem teve a primeira oportunidade foi a equipe paranaense. Aos 12, Xaxá cobrou uma falta do bico esquerdo da grande área. Carlos Alberto Garcia subiu mais que Vantuir e obrigou João Leite a espalmar a bola para escanteio. Taticamente, o Atlético tinha Ângelo na contenção, Paulo Isidoro e Marcelo revezando-se pela meia direita e Serginho e Ziza nas pontas. Era um 4-1-2-3, que variava para o 4-1-4-1, com o recuo dos ponteiros para ajudar na marcação.

Aos 17, Marcelo esticou uma bola para Reinaldo. O passe parecia sobre controle para o zagueiro Carlos. Uma pixotada, entretanto, mudou o rumo da jogada e possivelmente da partida. Ao matar mal a bola, Carlos permitiu que Reinaldo lhe roubasse a pelota. Ao ver o Rei ganhar a frente da jogada, o defensor foi na sua perna de apoio e derrubou-lhe. Pênalti, cobrado com categoria por Ziza. Por reclamação, Carlos Alberto Garcia levou um cartão amarelo.

Apesar da desvantagem no marcador, o Londrina não saiu muito para o jogo, afinal, a equipe sabia que se levasse o segundo gol, iria precisar de um milagre para reverter o resultado e chegar a final do campeonato. O time preferiu continuar atrás, apostando nas bolas esticadas para Brandão e nos cruzamentos para a área atleticana.

Aos 28, Reinaldo recebeu de Marcelo, tabelou com Paulo Isidoro e, com um toque só, deixou seus marcadores para trás. A conclusão, na saída do goleiro, foi de bico, de pé direito e acabou saindo raspando a trave direita. Mas o gol do artilheiro do campeonato era só uma questão de tempo. Ele aconteceria três minutos mais tarde, quando Ziza avançou pela esquerda e cruzou. Reinaldo cabeceou nas mãos do goleiro Paulo Rogério, que engoliu um dos maiores frangos da história do Mineirão. Ou como colocou Luciano do Valle, na transmissão da Rede Globo, "um peru de Paulo Rogério". Atlético 2 a 0.

Aos 40, Claudinho cruzou a bola da direita. Brandão furou e Carlos Alberto Garcia finalizou forte, de primeira. João Leite fez uma grande defesa e mandou o tiro para córner. No fim das contas, o primeiro tempo foi bem mais equilibrado do que o placar demonstrava. Não fossem duas falhas individuais do Londrina, o marcador poderia não ter sido alterado. Foram três oportunidades para o galo e duas para o time paranaense.

E foi novamente o Londrina quem começou assustando no segundo tempo. Aos cinco, Dirceu cobrou uma falta na área e Brandão pegou de primeira, de perna esquerda. A finalização foi forte, mas acabou saindo por sobre a meta de João Leite. Mas o aviso estava dado. Aos 12, Ziza errou um passe que possibilitou um contra ataque mortal a equipe paraense. Xaxá desceu pela direita e deu ótimo passe para Brandão. O atacante chutou de primeira. A bola bateu nas duas pernas de João Leite antes de entrar. Não era dia dos goleiros! Galo 2 a 1.

Acontece que, mesmo sem estar com seus jogadores inspirados, o Atlético tinha em Reinaldo o fator de desequilíbrio. aos 20, Ziza recebeu na velocidade, pela ponta esquerda. ele avançou e cruzou rasteiro, forte. Paulo Rogério não conseguiu cortar o lance e Reinaldo só empurrou a bola para as redes. Galo 3 a 1.

Aos 23, o Londrina fez sua primeira substituição. Zé Antônio entrou no lugar de Cláudio. Logo em seguida, Reinaldo marcou mais um gol, dessa vez, invalidado pela arbitragem, já que o atacante estava impedido. A esta altura, o Mineirão estava escuro, pois os refletores perderam força. O jogo acontecia na penumbra.

Aos 27, Zé Antônio centrou a bola da direita e Carlos Alberto Garcia ganhou no ar do zagueiro Márcio e mandar para as redes, dando novo ânimo ao Londrina. Antes da bola voltar a rolar, o técnico argentino do tubarão, Armando Renganeschi colocou em campo Sérgio Américo, no lugar de Zé Roberto.

Aos 38, Marcelo lançou Reinaldo, em posição duvidosa. O centroavante avançou e cara a cara com Paulo Rogério, acabou finalizando de maneira displicente, mandando para fora uma ótima oportunidade de aumentar a vantagem mineira. Na sequência da jogada, diretores e jogadores do Londrina foram para cima do auxiliar. Na confusão, Paulo Rogério e Zé Antônio receberam cartão amarelo. A partida ficou paralisada por sete minutos. Para piorar ainda mais as coisas, os paranaenses ficaram com apenas dez jogadores em campo, já que o zagueiro e capitão Arenghi sofreu uma contusão e ficou em campo apenas se arrastando.

Aos 48, o zagueiro Márcio roubou a bola no campo de defesa, tocou para Serginho e recebeu na frente, como se fosse um ponta. O cruzamento saiu perfeito para Reinaldo, que cortou o defensor com o pé esquerdo e bateu de pé direito, sem chance para Paulo Rogério. Galo, aproveitando-se da ausência de um zagueiro 4, Londrina 2. foi o vigésimo oitavo gol de Reinaldo no Campeonato Nacional, um recorde até então.

A vitória do Atlético foi justa, por conta da maior categoria de seus jogadores, especialmente de Reinaldo. Mas o comentarista da Globo, Sérgio Noronha, dizia no fim da transmissão. "O destaque individual do jogo foi sem dúvida, Reinaldo. Agora, o destaque coletivo foi todo o time do Londrina, que enfrentou um estádio inteiro contra, falhas individuais e mesmo assim mostrou muita força, raça e organização".

Três dias depois, o Atlético confirmou a sua passagem para a decisão, com um empate de 2 a 2. seu adversário seria o São Paulo, treinado por Rubens Minelli e que eliminara o Operário-ms, do veterano goleiro Manga. Mas isso é papo para o próximo post. Até lá!

Escalações

Atlético-mg. João Leite, Alves, Márcio, Vantuir e Valdemir, Ângelo, Marcelo e Paulo Isidoro, Serginho, Reinaldo e Ziza. Técnico. Barbatana

Londrina. Paulo Rogério, Cláudio (Zé Antônio),, Arenghi, Carlos e Dirceu, Carlos Alberto Garcia, Zé Roberto (Sérgio Américo) e Ademar, Xaxá, Brandão e Nenê. Técnico. Armando Renganeschi

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