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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os arquivos da Copa do Mundo- Copa1970-Jogo 2- Peru 3x2 Bulgária



O segundo jogo da Copa do México aconteceu em León. Peru e Bulgária sabiam que a vitória seria fundamental, na luta pela classificação as quartas de finais. Afinal, ninguém esperava que a favorita, Alemanha Ocidental pudesse ser derrotada por elas. A equipe sul-americana, treinada pelo brasileiro Didi, havia surpreendido nas eliminatórias. Na estreia, bateu a Argentina por 1 a 0. Na sequência, foi a La Paz e acabou derrotado pela Bolívia (2 a 1). O troco veio em Lima, quando os peruanos fizeram 3 a 0 nos bolivianos. Bastava um empate, na última rodada, para o Peru se classificar para a Copa. O problema é que a partida seria contra a Argentina, em La Bombonera. A Albiceleste precisava de um triunfo, para que o houvesse um tríplice empate na primeira colocação. Heroicamente, os comandados de Didi seguraram o 2 a 2 e carimbaram o passaporte para o México. Era um prêmio merecido para a geração de Cubillas, Gallardo, De La Torre, Chumpitaz e León, a melhor da história do futebol peruano.

O Caminho da Bulgária também não foi nada fácil. Estreou derrotando a Holanda, em Sófia, por 2 a 0. Depois, novamente em casa, passou apertado por Luxemburgo (2 a 1). Ainda em Sófia, os búlgaros golearam a Polônia, por 4 a 1. No returno, sempre atuando fora de seus domínios, empatou com a Holanda (1 a 1), perdeu por 3 a 0 para os poloneses e garantiu a classificação ao fazer 3 a 1 em Luxemburgo.

Antes do embarque para o México, a seleção peruana sofreu um grande abalo. Um terremoto matou mais de 45.000 pessoas e abalou a equipe, que chegou a cogitar nem embarcar para a Copa. A FIFA pressionou e a Federação Peruana confirmou não só a ida ao México, como exigiu dos jogadores que dessem o seu melhor, pelas vítimas.

O Peru entrou completo para a partida. A Bulgária tinha o desfalque de seu principal jogador, Asparukhov, que machucado, ficaria no banco de reservas. Antes do começo do confronto, houve um minuto de silêncio, em homenagem aos mortos no terremoto. Ambas as seleções atuavam no 4-3-3, com a bola. Sem a pelota, o Peru defendia no 4-4-2, enquanto a Bulgária se recompunha no 4-5-1, com o recuo dos dois ponteiros. A diferença era a maior qualidade técnica dos sul-americanos. Em 1970, Peru e Bulgária haviam se enfrentado em dois amistosos, ambos jogados em Lima. No primeiro, vitória dos europeus, por 3 a 1. No segundo, deu Peru, 5 a 3.

Aos sete minutos, Gallardo recebeu de Funtes pela meia esquerda, passou como quis por Davidov e bateu forte, por sobre a meta de Simeonov. Como era de se esperar, os comandados de Didi tomavam a iniciativa do jogo, e os búlgaros apostavam nos rápidos contra ataques. A tática dos europeus deu certo. Aos 12, uma linda jogada ensaiada. Yakimov rolou para Bonev, que, de primeira, deixou Dermendjiev, que correra pelo lado da barreira (que ficou apenas assistindo), na cara do gol. O atacante só teve o trabalho de desviar de Rubinos, que saía desesperado da sua meta. Esse foi o primeiro gol marcado na Copa de 1970.

A técnica dos Peruanos era admirável. Entretanto, faltava objetividade aos toques de calcanhar e tabelinhas. Além disso, o time praticamente só atacava pelo lado esquerdo, usando o bom ponta Gallardo. Percebendo isso, o treinador Stefan Bochkov reforçou a marcação por aquele setor.

Aos 27, o lateral direito Campos cometeu falta em Dermendjiev e acabou levando a pior, se machucando. Em seu lugar, entrou J.González. Aos 30, contra ataque rápido da Bulgária. Bonev abriu para Dermendjiev na esquerda. Esse tocou para Jekov, que, de calcanhar, ajeitou para Yakimov soltar uma bomba rasteira. Rubinos chegou a desviar a pelota, mas o árbitro italiano Antônio Sbardella assinalou apenas tiro de meta. Na sequência. Gallardo aproveitou uma bobeira de Penev, roubou-lhe a bola, avançou e chutou forte. A bola passou raspando a trave esquerda de Simeonov.

O primeiro tempo chegou ao fim com apenas quatro chances criadas, duas para cada lado. Mas no marcador, estava escrito. Bulgária 1x0 Peru.

A etapa complementar começou da mesma forma que a inicial. O Peru tocando mais a bola, procurando o ataque. Porém, novamente, foi a Bulgária quem marcou. Logo aos quatro minutos, Bonev cobrou falta da entrada da área. O tiro foi no centro do gol, em cima de Rubinos. O goleiro tomou um senhor frango, ao deixar a bola escapar por entre suas mãos. Bulgária 2 a 0.

Em seguida ao gol, Didi fez a sua segunda alteração. Baylón deixou o gramado para entrada de Sotil. A resposta foi quase imediata. Aos seis, León tocou para Gallardo , na ponta esquerda. O atacante driblou Chalamaov e bateu forte, de pé direito. A bola bateu no travessão e entrou.

A partida passou a ser disputada em ritmo alucinante, apesar do forte calor. Aos 10, Sotil passou por dois marcadores e foi derrubado quase na linha da grande área. Chumpitaz, cobrou forte, (mesmo escorregando na hora do tiro) rasteiro, no canto direito de Simeonov, que pulou, mas não conseguiu evitar o gol de empate.

Aos 14, a Bulgária, que já parecia sentir demais o calor, fez a sua primeira alteração. Popov, o ponta direito deixou o gramado e Maraschilev o substituiu. Só dava Peru. Seis minutos depois de empatar a partida, Chumpitaz deu um chutão para a frente, Chalamanov falhou e Gallardo ganhou a jogada e, da entrada da área, finalizou com perigo para a meta búlgara.

Aos 27, a virada peruana. Cubillas recebeu na intermediária ofensiva, tabelou com Miflin, driblou dois adversários e bateu firme, no canto esquerdo baixo de Simeneov. Peru 3 a 2!. Antes mesmo que a bola voltasse a rolar, Stefan Bochkov realizou sua segunda e última ateração. Saiu Bonev e entrou o craque do time, Asparoukhov. Na base da vontade e do bom futebol de seu principal jogador, a seleção europeia até que passou a atacar mais. Entretanto, a essa altura, o time de Didi já estava bem fechado atrás. Invertiam-se os papéis do início do jogo.

No fim das contas, a virada peruana foi merecida. Não só porque foi o time com a proposta mais ofensiva, mas também porque criou o dobro de chances do que seu adversário (6 a 3). Para ir mais longe na competição, o time treinado por Didi, tinha que acertar a defesa e atacar um pouco mais pelo lado direito, completamente esquecido nessa partida. O triunfo foi histórico para os sul-americanos. Afinal, em sua segunda participação em Copas do Mundo, eles obtiveram a primeira vitória.

Ficha do jogo

Peru 3x2 Bulgária

Data: 02/06/1970 Local: Estádio Guanajuato, em León Público: 13.675 Árbitro: Anotnio Sbardella (Itália)

Gols: Dermendjiev, aos 12 do 1 tempo. Bonev, aos 4, Gallardo, aos 6, Chumpitaz, aos 10 e Cubillas, aos 27 do 2 tempo

Peru: Rubinos, Campos (J.González, 27 do 1 tempo), De La Torre, Chumpitaz e Fuentes, Miflin, Bayon (Sotil, 5 do 2 tempo) e Cubillas, Challe, León e Gallardo. Técnico: Didi

Bulgária: Simeonov, Chalamanov, Dimitrov, Davidov e Aladjov, Penev, Bonev (Asparoukhov, 28 do 2 tempo) e Yakimov, Popov (Maraschilev, 14 do 2 tempo), Jekov e Dermendjiev. Técnico: Stefan Bochkov

terça-feira, 21 de maio de 2013

Os arquivos da Copa do Mundo- 1970 Jogo 1 México 0x0 Urss



Dia 31 de Maio de 1970. Depois de longos quatro anos, a bola voltaria a rolar em uma Copa do Mundo. O estádio Azetca, construído para os Jogos Olímpicos de 1968, encontrava-se completamente lotado. O povo mexicano abraçou a competição. Antes o começo da partida de abertura, houve uma bela cerimônia de abertura. Como o jogo estava marcado para o meio dia (hora local), a fim de agradar as redes de tv da Europa, o calor era intenso. Temendo um desgaste ainda maior para seu atletas, o técnico soviético, Paramoev Kachalin mandou para o desfile das delegações o seu time reserva

Essa seria a primeira Copa da "Era moderna". As equipes poderiam pela primeira vez realizar duas substituições. Também estreavam os cartões amarelo e vermelho, a transmissão a cores e os replays instantâneos. Era muita modernidade!

Como país sede, o México não precisou disputar as eliminatórias. Ao invés disso, fez uma série de amistosos e contava com o forte calor, com a inflamada torcida e com os 2.240 metros da Cidade do México para, pela primeira vez passar pela fase inicial. Já a Urss, foi a líder de um grupo que contava com Turquia e Irlanda do Norte. O time acabou invicto (0x0 com a Irlanda do Norte, em Belfast, 3x0 na Turquia, em Kiev, 2x0 na Irlanda do Norte em Moscou e 3x1 na Turquia, em Istambul), com três vitórias e um empate. Oito gols a favor e apenas um contra. Depois do quarto lugar na Copa da Inglaterra, era difícil imaginar que os soviéticos pudessem repetir a campanha, ainda mais sem contar com a lenda Yashin e com um ataque totalmente modificado.

O barulho que a torcida mexicana fazia era ensurdecedor. Apesar disso, foi a Urss quem começou melhor a partida, com mas posse de bola, atacando especialmente pela esquerda explorando o ponteiro Evriuzhikan. Taticamente, as duas seleções atuavam no 4-3-3, quando de posse da bola, com um volante a frente da zaga e dois pontas abertos pelos lados do campo. Na recomposição defensiva, as seleções postavam-se num 4-4-2, com o recuo de um dos ponteiros.

A primeira emoção aconteceu aos 19 minutos, quando Pulido levantou uma bola despretensiosa na área soviética. O lateral direito Kaplichni falhou, ao ficar só olhando e Lopez, na pequena área cabeceou para boa defesa de Kavashvili. Aos 24, novamente Lopez perdeu boa chance de marcar o primeiro gol da Copa. Depois de um escanteio mal rebatido pela defesa russa, a bola sobrou para Valdivia, que cruzou forte, rasteiro. Lopez pegou de primeira, mas mandou a bola por sobre a meta. A esta altura, os donos da casa mandavam na partida, aproveitando-se do intenso calor.

Se o gol não acontecia, aos 27, saiu o primeiro cartão amarelo da história dos mundiais. O árbitro alemão Kurt Tschenscher, aplicou a punição ao jogador Lovchev, que cometera falta violenta em Velarde. Três minutos mais tarde, foi a vez de Asatiani receber o seu cartão. A partida ficou violenta. Aos 34, foi a vez de Logofet dar uma entrada por trás em Valdivia (sempre ele) e ser premiado com seu amarelo. A primeira etapa chegou ao fim com o México melhor e com os soviéticos parecendo senti demais o calor. Em termo de chances, foram duas para os donos da casa e nenhuma para os europeus.

A Urss voltou do intervalo com uma alteração (também a primeira na história das Copas). Saiu Serebrianikov, machucado, para a entrada de Puzach. E a mexida e o descanso no intervalo pareceram acordar os europeus. Logo no primeiro minuto da etapa final, Asatiani cobrou falta da entrada da área. O remate desviou na barreira e passou raspando a trave direita de Calderón.

De fato, a Urss voltou melhor e dominou a partida, em seu recomeço. Tanto que, aos 14 minuts, Pena foi amarelado, depois de cometer falta em Byshoets. Aos 21, Khmelninitsky entrou no lugar de Nodya. No minuto seguinte, o treinador mexicano, Raúl Cardenas fez a sua primeira. Sacou Velarde e colocou em campo Munguia.

Aos 23, nova chance soviética. Asatiani cobrou falta do lado esquerdo e cruzou na cabeça de Byshovets, que, desmarcado, dentro da pequena área, perdeu ótima oportunidade. Sentindo-se acuado, os anfitriões tentaram acelerar o jogo, tentando aproveitar-se de um desgaste russo. A estratégia não surtiu efeito.

Nada de mais importante aconteceu na partida. O fato é que cada equipe dominou um tempo e criou apenas duas oportunidades durante essa predominância. O empate, sem gols foi mais do que justo, em um jogo muito mais marcado e truncado do que jogado. A melhor Copa de todos os tempos não começou de maneira promissora.


Ficha da partida

México 0x0 Urss

Data:31/05/1970 Local: Estádio Azteca, Cidade do México Público: 107.160 Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemnha Ocidental)

Cartões amarelos: Lovchev, Nodya, Asatiani, Pena e Logofet

México: Calderón, Vantrolra, Pena, Guzmán e Pérez, Hernandez, Pulido e Velarde (Munguia, 22 do 2 tempo), Valdivia, Fragoso e Lopez. Técnico: Raúl Cardenas

Urss: Kavashvili, Kaplichni, Shesterniev, Lovchev e Logofet, Asatiani, Muntian e Serebrianikov (Puzach, no intervalo), Nodya (Khmelnitsky,21 do 2 tempo), Byshovets e Evriuzhikan.
Técnico: Paramonev Kachalin





segunda-feira, 8 de abril de 2013

Campeonato Paulista de 1905- Enfim, Paulistano! Parte 1



O Campeonato

O Paulistano havia sido por três vezes consecutivas, vice-campeão do campeonato paulista. Entretanto, em 1904, o time mostrou-se mais forte do que o habitual. Seu Presidente, Numa de Oliveira, sabia que tinha o melhor time do estado nas mãos. Além disso, transformou o Velódromo em um moderno complexo polidesportivo, com a inauguração de três quadras de tênis e a reforma e pintura das arquibancadas.

Com essa estrutura e o seu rival, o tricampeão São Paulo Athletic com jogadores envelhecidos, não foi difícil para o Paulistano enfim, conquistar o campeonato. Aliás, o certame teve a disputa de um novo troféu, a Taça Penteado, oferecida pelo industrial Antônio Alvares Penteado (como tri, o São Paulo conquistou em definitivo a antiga, a Taça Casemiro da Costa).

O torneio em si, teve um passeio do Paulistano. O título foi assegurado, com três pontos de vantagem sobre o Germânia. O fato que mais marcou o certame de 1905 foi a dissidência dentro d elenco campeão. Com o campeonato praticamente garatido, Jorge Mesquita exigiu ser nomeado capitão da equipe, para ter a honra de levantar a taça. Acontece que o posto pertencia a Guilherme Rubião, que não aceitou a exigência. Diante do impasse, Mesquita e outros jogadores abandonaram o Paulistano e foram reforçar o AA das Palmeiras, lanterna da competição.

Leopoldo Santana, em seu livro O futebol de São Paulo, relata essa história. A cisão do Paulistano deu-se em outubro de 1905, quando
o clube era presidido pelo sr. Numa de Oliveira, que tinha como auxiliares Antonio Prado Júnior e Luis Fonseca.
O que provocou a grande questio, que agitou os centros esportivos, foi a rebeldia do sr. Jorge Mesquita ao se insurgir contra os diretores.
O primeiro time do Paulistano estava na liderança, sendo certa a conquista da taça.Querendo ter a honra de receber o troféu,o sr. Jorge Mesquita exigiu a sua indicação para capitão da equipe, posto que pertencia ao sr. Guilherme Rubião.
A diretoria nao atendeu aquela exigencia e, numa tentativa para contornar o problema, ofereceu o posto ao sr. Jose Rubião, que declinou do convite. Um tanto embaraçados, os diretores se reuniram numa tarde, no Velódromo Paulistano, para tratar do caso e quando esta reunião estava pelo meio, o sr. Jorge Mesquita entrou na sala e começou a tomar parte nos debates, irritando os dirigentes ali presentes.
O sr. Numa de Oliveira convidou-o, então, a retirar-se do local, o que fez Jorge Mesquita sob protesto, ganhando de imediato a solidariedade dos srs. Jose Rubião, Raul Guimarães, Mario Egidio, Urbano de Morais, Plinio Rubiaão e outros. Todos eles deixaram o Paulistano e foram reforçar a A.A. das Palmeiras, que estava em último lugar no campeonato.

O livro oficial do Paulistano, editado quando o cube completou 70 anos, descreveu assim o problema ocorrido. "1905. Fim de campeonato. Desentendem-se JorgeMesquita, 'captain'do time e a diretoria presidida por Numa de Oliveira.
Mesquita retira-se do clube alegando falta de apoio da diretoria ao seu trabalho, acusando-a de interferir na escalação antes das
partidas. Os melhores devem ser escalados para jogar - diz ele - e não os preferidos.
Os demais jogadores não veem outra saída: em solidariedade ao líder da equipe, retiram-se também do Paulistano.
Filiam-se todos a AA. das Palmeiras, time que vinha de clubes de rua, da familia Leflvre, Collet e outros.
Os dissidentes deram relevo ao clube a que se filiaram. A AA. das Palmeiras ganhou
os campeões de futebol e o Paulistano ganhou um rival. O Paulistano entrou em crise e teve de lutar para recuperar sua antiga posição e novos sócios porque muitos deles acompanharam Rubião, Sampaio, Mesquita, Miranda e outros.

Curiosidades

As regras oficiais da Liga Paulista diziam que o travessão deveria estar a 2,40m do chão, e não 2,44m como hoje em dia.

O Mackezie inovou no uniforme. Camisas vermelhas, calções brancos e gravatas brancas.

O AA das Palmeiras jogava contra o Germânia. O primeiro tempo correu dentro da normalidade, com empate em um a um. Quando Friese marcou o segundo tento para o Germânia, o goleiro Hugo e seus defensores ficaram discutindo de quem teria sido a culpa do gol sofrido. Tendo sido apontado pelo restante da equipe como responsável, Hugo tomou uma atitude inusitada para protestar. Ele simpelsmente encostou na trave e cruzou os braços, deixando que todas as bolas chutadas pelo adversário, entrassem. Com isso, o placar final foi de 7x1 para o Germânia.

domingo, 24 de março de 2013

Campeonato Argentino de 1905- Alumni volta a reinar



O Campeonato

Depois de ter perdido o campeonato do ano anterior para o Belgrano Athletic, até com relativa facilidade, os ingleses do Alumni voltaram com tudo e conquistaram o título de 1905. A campanha começou de forma arrasadora. Foram seis vitórias em sequência, inlcuindo uma goleada de 14 a 0, sobre o Reformer. Nesse período foram 30 gols marcados e apenas um sofrido.

O primeiro e único revés veio justamente na sétima partida, quando o Alumini perdeu para o seu grande rival, o Belgrano Ahletic, po 5 a 1. Depois da derrota, seguiram-se mais quatro vitórias, com direito a mais um grande massacre, 11 a 1, sobre o Lomas Athletic e um empate, com o Estudiantes de Buenos Aires (1 a 1).

Ao fim da competição, os ingleses ganharam 21 pontos, contra 18 do Belgrano Athletic, o vice-campeão. A hegemonia do Alumni voltava a se firmar na Argentina!

Tabelão do Campeonato

07-05-1905- Estudiantes 3x0 Lomas Athletic e Quilmes 12x0 Reformer
14-05-1905- Estudiantes 1x4 Quilmes, Belgrano Athletic 3x0 Barracas Athletic e Lomas Athletic 1x7 Alumni
21-05-1905- Alumni 14x0 Reformer e Estudiantes 0x1 Belgrano Athletic
25-05-1905- Estudiantes 7x3 Barracas Athletic, Lomas Athletic 0x1 Belgrano Athletic e Quilmes 0x1 Alumni
28-05-1905- Belgrano Athletic WO x Quilmes, Lomas Athletic 1x2 Barracas Athletic e Reformer 0x8 Estudiantes
01-06-1905- Estudiantes 0x3 Alumini, Belgrano Athletic 6x2 Reformer e Quilmes 5x2 Barracas Athletic
11-06-1905- Barracas Athletic 1x12 Reformer, Belgrano Athletic 0x2 Alumni e Quilmes 8x1 Lomas Athletic
18-06-1905- Estudiantes 4x1 Reformer
24-06-1905- Belgrano Athletic 2x4 Estudiantes
28-06-1905- Belgrano Athletic WO x Quilmes
09-07-1905- Reformer 2x8 Belgrano Athletic
16-07-1905- Lomas Athletic 0x4 Estudiantes
30-07-1905- Barracas Athletic WO x Lomas Athletic, Quilmes 0x3 Belgrano Athletic e Reformer 0x3 Alumni
06-08-1905- Alumni 1x5 Belgrano Athletic, Barracas Athletic WO x Quilmes e Lomas Athletic 1x1 Reformer
13-08-1905- Lomas Athletic 3x0 Quilmes
03-09-1905- Alumni WO x Barracas Athletic e Reformer 2x3 Lomas Athletic
06-09-1905- Alumni WO x Barracas Athletic
08-09-1905- Alumni 11x1 Lomas Athletic e Quilmes 3x4 Estudiantes
13-09-1905- Estudiantes WO x Barracas Athletic
15-09-1905- Belgrano Athletic WO x Barracas Athletic
16-09-1905- Reformer WO x Barracas Athletic
17-09-1905- Alumni 1x1 Estudiantes, Belgrano Athletic 2x1 Lomas Athletic e Quilmes WO x Reformer
24-09-1905- Alumni WO x Quilmes

Colocação Final

1- Alumni (Campeão)- 21pg- 12j- 10v- 1e- 1d- 43gp- 8gc- +35sg
2- Belgrano Athletic- 18pg- 12j- 9v- 0e- 3d- 31gp- 12gc- +19sg
3- Estudiantes- 17pg- 12j- 8v- 1e- 3d- 36p- 18gc- +18sg
4- Quilmes- 12pg- 12j- 6v- 0e- 6d- 32gp- 15gc- +17sg
5- Lomas Athletic- 7pg- 12j- 3v- 1e- 8d- 12gp- 41gc- -29sg
6- Reformer- 7pg- 12j- 3v- 1e- 8d- 20gp- 60gc- -40sg
7- Barracas Athletic- 2pg- 12j- 1v- 0e- 11d- 8gp- 28gc- -20sg

O Jogo do Título

Alumni 1x1 Estudiantes
Data: 17-09-1905 Local: Alumni Árbitro: S.R.Wilson
Gols: González, aos 27 e Weiss, aos 40 do 1 tempo
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.G.Brown, Mack, Browne e E.A.Brown, Weiss, Moore, A.C.Brown, E.Brown e Moore
Estudiantes: Schutt, Hansen e Mac Carthy, Ireland, Mac Donald e Harris, Casella, Lennie, González, Taylor e Arcuri

Os Jogadores do Campeão

Goleiros: Buruca Laforia e Peluffo
Defensores: Brown e J.G.Brown
Meio Campistas: E.A.Brown, Mack, Browne e Buchanan
Atacantes: A.C.Brown, Moore, Weiss, Lett, E.Moore, E.Brown, T.G.Brown e J.D.Brown



sábado, 12 de janeiro de 2013

Copa Honor de MCBA e Tie Cup 1905- Alumini e Rosario levantam os canecos


Copa Honor MCBA

Em 1905, foi criado um novo torneio, a Copa Honor de la Municipalidad de la ciudad de Buenos Aires. Apenas seis equipes participaram da nova competição. O vencedor estaria classificado para jogar a Copa Honor Cousenier, frente ao vencedor do certame no Uruguai.

O título ficou com a melhor equipe argentina, o Alumni. Na primeira fase, os ingleses enfrentaram o Estudiantes (de Buenos Aires). Goleada, por 4 a 1. Na semifinal, derrotaram o Belgrano Athletic (3 a 1).

Na grande decisão, o Alumni teve muitas dificuldades, mas com um gol de Brown, na prorrogação, conseguiu bater o Quilmes e sagrar-se campeão da Copa.

Na final da Copa Honor Cousenier entretanto, os ingleses caíram, derrotados pelo Nacional de Montividéo, por 3 a 2.

Os Resultados do Campeão

23-07-1905 Estudiantes 1x4 Alumni
20-08-1905 Alumni 3x1 Belgrano Athletic
30-08-1905 Alumni 1x0 Quilmes

O Jogo do Título

Alumni 1x0 Quilmes
Data: 30/08/1905 Local: Soceidade Esportiva Argentina Árbitro: Guilermo A.Jordan
Público: 1.200 Gol: A.Brown, aos 9 minutos do 2 tempo da prorrogação
Alumni: Buruca Laforia, Brown e C.Brown, Mack, Browne e E.Brown, Weiss, Moore, A.Brown, Lett e Canada
Quimes: Torre, Muir e Bouttel, Rodman, Parr e Diggs, Morgan, Wells, Hooton, Leonard e Murray

Os Jogadores do Campeão

Goleiros: Buruca Laforia e Smith
Defensores: Brown e C.Brown
Meio-campistas: A.Brown, Mack e Browne
Atacantes: A.Brown, Moore, Weiss, Lett, E.Moore, T.G.Brown e Canada




Tie Cup

O Rosario Athletic sagrou-se bicampeão da Tie Cup, batendo o seu rival Rosario Central, ne estreia, por 2 a 0. Na semifinal, passou com facilidade pelo Belgrano Athletic, por sonoros 3 a 0.

Na decisão, diante dos uruguaios do C.U.R.C.C (futuro Penarol), muita confusão. No tempo normal, empate emocionante em 3 a 3. Logo aos dois minutos da prorrogação, o Rosario marcou, através de Stocks. Insatisfeitos com a arbitragem, os jogadores do C.U.R.C.C abandonaram o campo, dando o título de bandeja para os argentinos.

Os Resultados do Campeão

16-07-1905 Rosario Athletic 2x0 Rosario Central
13-08-1905 Rosario Athletic 3x0 Belgrano Athletic
03-09-1905 Rosario Athletic 4x3 C.U.R.C.C

O Jogo do Título

Rosario Athletic 4x3 C.U.R.C.C
Data: 03-09-1905 Local: Soceidade Esportiva Argentina Árbitro: Guilermo A.Jordan
Gols: Wells, aos 8, Parr, aos 18 e Camacho, aos 44 do 1 tempo. C.Camacho, aos 12, Zibecchi, aos 33 e Wells, de pênalti, aos 39 do 2 tempo. Stocks, aos 2 minutos do 1 tempo da prorrogação.
OBS: Sentindo-se prejudicados pela arbitragem, os jogadores do C.U.R.C.C abandonaram o gramado, logo após o quarto gol do Rosario Athletic
Rosario Athletic: Knight, Le Bas e Middleton, Talbot, Wells e Stuart, O.Le Bas, A.O.Le Bas, Roberts, Parr e Stocks
C.U.R.C.C: Carbone, Irisarri e Davies, C.Camacho, Mazzuco e L.Carbone, Pena, Zibecchi, Camacho, Manana e Acevedo

Os Jogadores do Campeão

Goleiro: Knight
Defensores: Le Bas e Middleton
Meio-campistas: Talbot, H.Middleton, Stuart e Paul
Atacantes: O.Le Bas, Wells, Parr, Stocks, A.O.Le Bas, Pinsent e Roberts










terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Amistoso 68- Alemanha 2x1 Brasil, Aimoré se mostra ultrapassado


Pré-Jogo

A conquista da Taça Rio Branco não amenizou as críticas as más atuações da seleção brasileira. Armando Nogueira, em sua coluna no Jornal do Brasil, advertia que enfrentar o Uruguai, com "o ultrapassado futebol sulamericano era uma coisa. Enfrentar as seleções européias era outra. Não que Alemanha, Tchecoslváquia, Portugal e Iugoslávia fossem brilhantes. Mas como qualquer equipe do velho continente, todas tem na sua disciplina tática, a grande força".

Realmente. O Brasil embarcava para uma excursão a Europa sem saber o que iria encontrar pela frente. Pior, o selecionado nacional estava remodelado, sem Pelé. A curiosidade da imprensa internacional era imensa, para saber como estariam jogando os ex campeões do mundo, depois do fracasso na Copa da Inglaterra.

A fratura de Piazza, obrigou o treinador Aimoré Moreira a convocar Carlos Roberto, jogador do Botafogo. Além de perder seu homem de confiança na meia cancha, Aimoré teria pouquíssomo tempo para que os atletas se adaptassem ao fuso horário. A seleção embarcou no dia 14 e, já no dia 16, estaria em campo, enfrentando a Alemanha.

Nosso primeiro adversário também não atravessava boa fase. Depois do vice campeonato na Copa de 66, os alemães não chegaram nem mesmo as quartas de finais da Eurocopa, vencida pela Itália. Helmut Schoen fazia uma renovação na equipe. Dos titulares da Copa, permaneciam apenas Beckembauer, Overath e o veterano Seeler. Entretanto, em seu último amistoso, a Alemanha deu mostras de sua força, ao derrotar a Inglaterra, em Wembley, por 1 a 0.

Para resguardar o seu meio de campo, Aimoré Moreira cogitava, já na Europa, barrar Rivellino e escalar Denílson em seu lugar. A ideia do treinador era dar um suporte defensivo maior a equipe, já que, atuando no 4-2-4 (como vocês irão conferir no Tactical Pad), com Riva e Gérson compondo o setor, o time ficaria muito aberto.

A Partida

-Aimoré madou a campo o seguinte time: Cláudio, Carlos Alberto, Jurandir, Joel e Sadi, Denílson e Gérson, Paulo Borges, Jairzinho, Tostão e Edu. A equipe se postava num 4-2-4 que variava para o 4-3-3, com o recuo (não muito frquente) de Tostão para a meia cancha. Nesse momento, Jairzinho ocupava o comando do ataque.

-Já a Alemanha atuava com Wolter, Vogts, Lorenz, Muller e Fitchel, Weber, Beckembauer e Overath, Held e Neuberger. O posicionamento tático alemão variava do 4-4-2, o 4-3-3, com Held indo se juntar ao ataque e Beckembauer armando as tramas ofensivas.

-GOL! De qualquer modo, os bávaros já tinham o domínio do jogo e do meio de campo, quando, aos oito minutos, Neuberger cruzou da direita, Jurandir falhou ao tentar matar a bola no peito e permitiu a conclusão e o gol de Held. Alemanha 1x0.

-A suerioridade germânica era muito grande. Com mais homens no meio de campo, eles tinham facilidade em tocar a bola e aparecer a todo momento na área brasileira. O escrete canarinho só conseguiu sua primeira jogada aos 15 minutos. Denílson tabelou com Gérson, progrediu, invadiu a área, driblou Lorenz e bateu forte, rastero, de pé esquerdo. O goleiro Wolter foi obrigado a desviar para escanteio.

-Aos 20, Jairzinho tentou cavar um pênalti, atirando-se ao chão. O árbitro nada marcou e a Alemanha partiu no contra-ataque. Weber deu ótimo passe para Dorfel, que veio de trás e estava em posição legal. O meio-campista recebeu e tentou tocar por cima de Cláudio. Para sua infelicidade, a bola passou a poucos centímetros da meta brasileira.

-Cinco minutos depois, nova trama de ataque alemã. Desta vez, Beckembauer arriscou de longe e obrigou Cláudio a fazer uma difícil defesa, espalmando a bola para córner.

-Aos 28, jogada pelo lado esquerdo de ataque alemão. Neubereger foi a linha de fundo e cruzou na cabeça de Beckembauer que, sozinho fez o que se espera. Cabeceou de cima pra baixo, no canto. Cláudio, que a essa altura já era o melhor jogador do Brasil, conseguiu praticar uma extraordinária defesa. Na sequência do lance, o goleiro falhou, ao não encaixar uma bola fácil e Overath tocou para o gol. Jurandir salvou sob a linha.

-A diferença entre as seleções era notória. Enquanto o Brasil seguia atuando com toque de bola lento e excessivo, a Alemanha usava e abusava da forte marcação e da velocidade em suas transições ofensivas. Pior, nem no um contra um, que sempre favoreceu a técnica do do nosso jogador, o escrete canarinho conseguia levar vantagem.

-Faltando três minutos para o intervalo, nova chance germânica. Overath recebeu a bola na ponta direita, derivou para o meio, sem ser incomodado por ninguém do Brasil e arriscou de fora da área. A bola saiu tirando tinta da meta de Cláudio.

Segundo Tempo

-O panorama não se alterou na etapa final. Enquanto o Brasil tocava a bola sem conseguir penetração, a Alemanha impunha seu jogo de velocidade. Aos 8 minutos, Vogts tabelou com Beckembauer, que avançou e, de pé esquerdo, mandou uma bomba que passou a centímetros da trave direita.

-GOL! O massacre continuava. No minuto seguinte, Held recebeu a bola pela esquerda, nas costas de Carlos Alberto, avançou e centrou rasteiro. Overath deu um leve desvio na pelota, que sobrou limpa para Dorfel bater sem chances para Cláudio. 2 a 0.

-GOL! Mal a saída foi dada, em um dos raros ataques brasileiros, a seleção conseguiu diminuir o prejuízo. Edu avançou pela esquerda e cruzou na cabeça de Tostão. Alemanha 2 a 1.

-Mesmo melhorando um pouco, depois de ter feito o gol, o Brasil não mostrava força ofensiva. Os germânicos, ao contrário, chegavam com facilidade ao campo de ataque, justamente pela superioridade numérica no meio de campo. Aos 24, Overath bateu de fora da área e mais uma vez colocou Cláudio para trabalhar.

-A partir dos 25 minutos, os alemães diminuiram um pouco o ritmo. Mesmo assim, aos 33, Beckembauer tocou para Overath que mais uma vez soltou a bomba, de canhota. Cláudio teve que se esticar todo para mandar a bola a escanteio.

-No fim das contas, apesar de um segundo tempo morno, a Alemanha mereceu vencer e o 2 a 1 foi até pouco. No total, foram criadas, além dos gols, sete oportunidades bávaras contra apenas duas brasileiras.

Flagrante tático




Pós Jogo

A maior crítica da imprensa, após a derrota era pelo não aproveitamento de Rivellino, que atuara bem diante do Uruguai, na vaga de Denílson. Alguns poucos, como João Saldanha, alertavam para o esquema tático compeltamete ultrapassado que a seleção usara. Para ele, não só os alemães eram mais fortes fisicamente, como também tinham a vantagem de um ou dois homens na meia cancha.

De qualquer forma, a exursão continuou. No dia 20, escalado em um 4-3-3, o Brasil deu show diante da Polônia, vencendo por 6 a 3. Três dias depois, o goleiro Félix engoliu um frangaço e a seleção deixou o campo derrotada pela Tchecoslváquia (futura adversária na Copa), por 3 a 2. No dia 25, diante da sensação européia, a Iugoslávia, o Brasil volta a jogar bem e, com gols de Carlos Alberto, de pênalti e Tostão, vence a partida. No dia 30, dando adeus a Europa, novo triunfo, dessa vez em cima dos envelhecidos portugueses, por 3 a 0.

Antes de retornar ao Brasil, a seleção fez dois amistosos no México e dois em Lima. No primeiro, venceu o time olimpíco mexicando, por 2 a 0. No segundo, enfrentando o time principal, um tropeço, por 2 a 1. Já no Peru, que se preparava para as eliminatórias sulamericanas, duas vitórias, por 4 a 3 e 4 a 0.

Link para o Compacto do jogo
http://www.youtube.com/watch?v=Pov-EAD6RNA

sábado, 1 de dezembro de 2012

Taça Rio Branco 68- Brasil x Uruguai





Pré-jogo

Depois do fracasso na Copa da Inglaterra, Aimoré Moreira foi encarregado de comandar a seleção canarinha, que buscaria sua redenção, em 70, no México. O novo treinador teve um 1967 relativamente tranquilo. Terminou o ano invicto, com três empates, diante do Uruguai, todos válidos e todos disputados no Estádio Centenário, pela Taça Rio Branco.

No primeiro, um 0x0 inosso. Na segunda partida, um 2x2 injusto. O Brasil atuou muito melhor, desperdiçou inúmeras chances e acabou castigado com o empate. Os gols da partida foram assinalados por Paulo Borges e Pedro Rocha. No terceiro e decisivo jogo,terminou em nova igualdade, por 1x1 , com Dirceu Lopes e Pedro Rocha marcando. Com o resultado, o Brasil manteve o título da Taça Rio Branco.

Ainda haveira uma outra partida, em 1967. Mas, desta vez, o técnico não seria Aimoré Moreira. A CBD resolveu mandar uma seleção carioca, para enfrentar o Chile, em Santiago. Zagallo, recém aposentado como jogador, foi o treinador escolhido. Uma magra vitória, por 1x0, com gol de Roberto, fechou o ano da seleção.

Em contrapartida, o ano de 1968 foi um dos mais movimentados da história da seleção. Os dois primeiros compromissos, novamente sob o comando de Aimoré Moreira, seria novamente pela Taça Rio Branco, diante dos Uruguaios. Dessa vez, as partidas seriam realizadas no Brasil.

Aimoré convocou os seguintes jogadores, para os jogos frente a celeste e a posterior excursão a Europa, que marcava o início da preparação brasileira para a Copa de 70: Goleiros: Picasso (São Paulo) e Lula (Corinthians)

Laterais: Djalma Santos (Palmeiras), Carlos Alberto Torres (Santos), Zé Maria (Portuguesa),Rildo (Santos) e Sadi (Inter)

Zagueiros: Jurandir (São Paulo), Brito (Vasco), Dias (São Paulo) e Joel (Santos)

Meio-Campistas: Piazza (Cruzeiro), Denílson (Fluminense), Rivellino (Corinthians)e Gérson (Botafogo)

Atacantes:Paulo Borges (Corinthians), Natal (Cruzeiro), Jairzinho (Botafogo), César (Flamengo), Tostão (Cruzeiro), Roberto (Botafogo), Edu (Santos) e Eduardo (Corinthians)

Para variar, problemas aconteceram aos montes. Primeiro, na apresentação dos jogadores, no dia 3, Picasso e Dias, lesionados, acabaram cortados. Foram substituídos por Félix (Fluminense), Cláudio (Santos) e Marinho (Portuguesa). Segundo, os atletas cariocas só iriam se apresentar para a segunda partida, já que Botafogo e Vasco ainda disputavam o título. Pensa que acabou? Nada disso. Edu, teve dificuldades para deixar o quartel militar e só chegou em cima da primeira partida e César, liberado pelo Flamengo, que já nada aspirava no campeonato estadual, também demorou a apresentar-se.

A imprensa estranhou a convocação de três laterais direitos. Aimoré respondeu que Djalma Santos jogaria apenas parte dos jogos contra o Uruguai, para, desta forma, chegar a 100 partidas pela seleção. Outro questionamento por parte da mídia, foi a ausência de Pelé da lista. Oficialmente, a razão era que Pelé não precisava ser testado e que alternativas tinham que ser encontradas. O que se sabe, entretanto, é que o Rei foi liberado, para que o Santos pudesse ganhar uns trocados a mais em sua excursão ao continente europeu.

No dia 5, a seleção fez o seu primeiro coletivo. Vitória por 3 a 1, diante do Juventus. No primeiro tempo, o time foi a campo com: Cláudio, Djalma Santos, Jurandri, Joel e Sadi, Piazza e Rivellino, Natal, Tostão, Paulo Borges e Eduardo. Com esses 11, o time pouco produziu. Os laterais não apoiavam o ataque (Djalma, por já não possuir condições físicas e Sadi, por suas próprias características). Além disso, com apenas 2 jogadores na meia cancha, o Brasil levava nítida desvantagem no setor. Mesmo assim, Tostão recebeu de Paulo Borges e fez 1 a 0.

Para a etapa final, Aimoré fez modificações: Colocou Carlos Alberto, Marinho e Rildo, nos lugares de Djalma Santos, Joel e Sadi. O time melhorou. Os laterais passaram a apoiar mais o ataque e as jogadas começaram a fluir com mais naturalidade. Rivellino e Paulo Borges, marcaram os gols da seleção, enquanto Adílson diminuiu para o time paulista. A atuação apenas regular do time fez a imprensa questionar se haveriam mudanças para o jogo contra o Uruguai.

No dia 7, novo coletivo, desta vez contra o SAAD. Aimoré mandou a campo, Cláudio, Djalma Santos, Jurandir, Joel e Sadi, Piazza e Rivellino, Paulo Borges, Tostão, César e Edu. O ponta esquerda do Santos, que tinha acabado de se apresentar a seleção, foi o grande destaque desse primeiro tempo. Dos seus pés, sairam as jogadas dos gols de Rivellino e Paulo Borges.

Para a segunda parte do treino, o treinador fez cinco alterações. Carlos Alberto, Marinho, Rildo, Natal e Eduardo substituiram Djalma Santos, Joel, Sadi, Paulo Borges e Edu. O desmpenho do time não foi o mesmo. Mesmo com Carlos Alberto e Rildo voando nas laterais, mais uma vez o meio campo da seleção, contando com apenas 2 homens, tinha dificuldades para conter os avanços do adversário. Dessa forma, apenas um gol foi marcado nesse período, através de César. Placar final, 3 a 0.

A primeira partida

No dia 9, o Pacaembu recebeu a primeira partida da Taça Rio Branco. 42.000 pessoas esperavam que o árbitro fosse Aurelio Bossolino. Entretanto, a CBD esqueceu de pegá-lo no hotel. Quando ele chegou ao estádio, de táxi e esbaforido, Romualdo Arppi Filho já havia autorizado o início do jogo. O Uruguai, veio desfalcado de Forlán e seus jogadores paraceiam não dar muita importância a disputa.

Logo aos oito minutos, Rivellino fez boa jogada, passou por Dalmao e cruzou para Tostão encobrir o goleiro Mazurkiewicz. Aos 15, Djalma Santos deixou o campo, cedendo lugar para Carlos Alberto. O restante do primeiro tempo foi morno.

O panorama não se modificou na etapa final. Aos 14, Sadi foi ao ataque, tabelou com Edu e arriscou o tiro. Mazurkiewicz falhou e acabou tomando um frango. Com dois gols de vantagem, a seleção dimnuiu o ritmo e apenas administrou o resultado, diante de uma inoperante celeste.

Brasil 2x0 Uruguai
Data:09-06-1968 Local: Pacaembu Público: 42.000 Árbitro: Romualdo Arppi Filho
Gols: Tostão, aos 8 do 1 tempo. Sadi, aos 14 do 2 tempo;
Brasil: Cláudio, Djalma Santos (Carlos Alberto), Jurandir, Joel e Sadi, Piazza e Rivellino, Paulo Borges (Natal), César, Totão e Edu.
Uruguai: Mazurkiewicz, Dalmao, Montero Castillo, Mendez e Gonçalvez, Mujica, Virgili e Pedro Rocha, Del Rio (Zubía), Ibánez (Espárrago) e Morales

A segunda partitda

Como o segundo jogo aconteceria três dias depois, não houve tempo para realizar treinamentos. A boa notícia ficou por conta da apresenatação dos jogadores dos clubes cariocas, já que o estadual havia terminado, com o Botafogo sagrando-se campeão.

Aimoré aproveitou e escalou alguns dos cariocas como titulares. Gérson, entrou na vaga de Rivellino. Jairizinho substituiu César. E Carlos Alberto começou como titular, na vaga de Djalma Santos.

Diante de um adversário desinterssado, o Brasil mandou no jogo. Aos oito, Jairzinho lançou Paulo Borges, que entrou na corrida e só tocou na saída do goleiro. Aos 37, Piazza quebrou a perna, em uma dividida com Ibánez. A contusão o deixaria praticamente um ano afastado dos gramados. Eme seu lugar, entrou Rivellino. Com isso, dois canhotos formaram o meio de campo do Brasil. Gérson atuou mais recuado e Riva, mais a frente.

Na etapa final, a goleada foi consumada. Logo aos quatro minutos, Rivellino cobrou uma falta, Bazzano não conseguiu segurar e Tostão aproveitou o rebote. Aos 36, uma jogada toda botafoguense. Gérson tabelou com Jairzinho e deslocou o goleiro. Finalmente, aos 43, a dupla campeã carioca funcionou novamente. O canhotinha de ouro cobrou uma falta da direita e Jairzinho desviou para o gol e fechou a goelada. 4 a 0.

Brasil 4x0 Uruguai
Data:12-06-1968 Local: Maracanã Público: 49.107 Árbitro: Aurelio Bossolino (Arg)
Gols: Paulo Borges, aos 8 do 1 tempo. Tostão, aos 4. Gérson, aos 36 e Jairzinho, aos 42 do 2 tempo.
Brasil: Cláudio, Carlos Alberto, Jurandir, Joel e Sadi (Rildo), Piazza (Rivellino) e Gérson, Paulo Borges, Jairzinho, Tostão e Edu.
Uruguai: Bazzano, Dalmao, Montero Castillo, Mendez e Fontes, Mujica (Brunel), Virgili e Pedro Rocha, Del Rio, Ibánez (Espárrago) e Morales.

Rádio Futbolleiros