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segunda-feira, 5 de abril de 2010

História das Copas do Mundo-1954 Suiça


Pré-Copa
Desde o Congresso de Luxemburgo, realizado em 1946, ficou decidido que o Brasil seria a sede da Copa de 50 e a Suiça da de 54. As inscrições para as Elimnatórias ocorreram até 31 de Janeiro de 1953. Foram 45 países inscritos, um recorde até então, aliás apenas um dos recordes que essa Copa quebraria...
Porém , apenas 38 inscrições foram aceitas. Paraguai, Costa Rica, Índia, Vietnã, Bolívia, Cuba e Islãndia não conseguiram cumprir o prazo.O Paraguai conseguiu provar que o problema não havia sido desleixo e sim de estrutura dos Correios do país e foi aceito. Peru, Polonia e China acabaram desistindo de disputar as Eliminatórias. A grande ausencia, foi mais uma vez a Argentina que boicotou o Mundial.
As Eliminatórias
Grupo 1. Integrantes. Noruega, Samoa e Alemanha Ocidental. Classificada Alemanha Ocidental
Grupo 2. Integrantes. Finlandia, Bélgica e Suécia. Classificada Bélgica
Grupo 3. Integrantes. Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales e Inglaterra. Classificadas Inglaterra e Escócia
Grupo 4. Integrantes. Irlanda, França e Luxemburgo. Classificada França
Grupo 5. Integrantes. Áustria e Portugal. Classificado Áustria
Grupo 6. Integrantes Espanha e Turquia. Classificada Turquia. Aqui vale a pena perder algumas linhas para uma história curiosa. As duas seleções se enfrentaram primeiro na Espanha(4x1 para a Fúria) e depois na Turquia(1x0 para os donos da casa). Como não havia o critério do saldo de gols para definir o classificado, eles foram obrigados a jogar uma partida desempate, marcada para Roma. Nesta partida, empate por 2x2. A vaga não foi disputada nos penaltis ou em novo jogo. Um garoto, de nome Franco Gemma foi convidado ao meio do campo, onde ele sorteou o bolinha que continha o nome da Turquia. A Espanha estava fora da Copa, perdendo no sorteio a vaga. E, Franco, foi convidado pelos turcos para ser o mascote oficial da Delegação na Suiça...
Grupo 7. Integrantes Hungria e Polonia. Com a desistencia Polonesa a Hungria classificou-se automaticamente
Grupo 8. Integrantes Tchecoslváquia, Romenia e Bulgária. Classificada Tchecoslováquia
Grupo 9. Integrantes Itália e Egito. Classificado Itália
Grupo 10. Integrantes Israel, Iuguslávia e Grécia. Classificada Iuguslávia
Grupo 11. Integrantes México, Haiti e Eua. Classificado México
Grupo 12. Integrantes Brasil, Paraguai e Chile. Classificado Brasil
Grupo 13. Integrantes Japão e Coréia do Sul. Classificada Coréia do Sul.
O Brasil nas Eliminatórias
O Grupo 12 tinha além do Brasil, o Chile e o Paraguai(que havia vencido o Brasil no Sul-Americano de 53, alguns meses antes das Elimnatórias.
E os Paraguaios trataram logo de mostra sua força. Na primeira partida do Grupo, venceram o Chile, por 4x0, em Assunção. Na segunda rodada, foram a Santiago e novamente bateram os chilenos, desta vez por 3x1. Já somavam 4 pontos em 2 partidas e botavam pressão sobre o Brasil.
A Seleção estreava o uniforme amarelo e azul, logo apelidado de "Canarinho". Viajamos para Santiago, para enfrentar um Chile desesperado, pois uma derrota os eliminava. Eles atacaram com tudo, mas o Brasil, bem postado em campo e paciente. Aos 37 do primeiro tempo. Baltazar fez o gol. E, o mesmo Baltazar compeltaria o marcador, aos 18 minutos do segundo tempo, de cabeça, aproveitando escanteio cobrado por Julinho. Começavamos bem.
O jogo seguinte seria contra o Paraguai em Assunção. O clima era de confiança entre os Paraguaios. E realmente, eles partiram com tudo para cima, mas mais uma vez a defesa brasileira estava muito bem postada. Sem conseguir se impor na bola, eles logo passaram a apelar para a violencia. Romerito acertou Julinho. Parodi pegou Baltazar. Nada disso adiantou, aos 7 minutos do segundo tempo, Baltazar recebeu grande passe de Humberto e faz o gol da vitória. A classificação estava próxima.
A partida contra o Chile seria a primeira da Seleção em território nacional desde a final da Copa de 50. E foi, um massacre. Foram 5 bolas chutadas nas traves do goleiro Livingstone. Ele, só foi vencido uma vez, novamente por Baltazar, aos 34 minutos do primeiro tempo. Bastava um empate contra os Paraguaios em casa para carimbarmos o passaporte rumo a Suiça.
195.514 pagantes estavam no Maracanã para assistir a partida decisiva. O jogo era amarrado, tenso. A primeira etapa terminou 0x0. Aos 14 minutos do segundo tempo, Julinho abriu o marcador. 3 minutos depois, foi a vez de Baltazar marcar. Aos 30, Martínez diminuiu para os Paraguaios. Porém, Julinho e Maurinho completaram a goleada e colocaram o Brasil na Copa.
A preparação do Brasil
Mais uma vez, a seleção foi prejudicada por dirigentes amadores e equívocos no planjeamento. Esposas, secretárias, políticos, chefes de estado, todos faziam parte do grupo que embarcou para a Europa. Nos discursos pré-embarque, chegaram a lembrar aos jogadores os mortos em Pisóia, durante a Guerra...Continuava faltando estrutura e organização...
O sorteio e o regulamento confuso
A FIFA inovou de vez e criou um regulamento absurdo e que não seria mais repetido eom Copa alguma. As 16 seleções classificadas seriam divididas em quatro grupos. Seriam designados dois cabeças de chave por grupo, e, eles não se enfratariam. Além disso, toda partida que terminasse empatada, teria uma prorrogação. Um regulamento de fazer inveja a qualquer cartola brasileiro.
Os grupos ficaram assim dividos
Grupo 1. Cabeças de chave Brasil e França. Completavam o grupo México e Iuguslávia
Grupo 2. Cabeças de chave Hungria e Turquia. Completavam o grupo Alemanha Ocidental e Coréia do Sul
Grupo 3. Cabeças de chave Áustria e Uruguai. Completavam o grupo Escócia e Tchecoslováquia
Grupo 4. Cabeças de chave Inglaterra e Itália. Completavam o grupo Suiça e Bélgica
Estava tudo pronto para a bola rolar...
A Copa
Grupo A
A primeira rodada foi disputada no dia 16 de Junho. Em Laussane, A Iuguslávia jogou muito melhor do que a França e a vitória por apenas 1x0 acabou ficando até de bom tamanho para os Bleus. O gol da vitória foi marcado aos 15 minutos do primeiro tempo, por Milutinovic(irmão de Bora, que mais tarde seria treinador de várias seleções em Copas), em brilhante assistencia do craque Mitic.
No mesmo dia, em Genebra, estreava a Seleção Brasileira, contra o México. Aos 22 minutos, Baltazar recebeu passe de Pinga e chutou no angulo, 1x0. Aos 29, Didi, de falta, marcou o segundo. Aos 38, Pinga fez o terceiro. Aos 42, novamente Pinga recebeu passe de Didi e fez o quarto. Na segunda etapa, o Brasil tirou o pé do acelerador, mas mesmo assim, aos 23 minutos, Julinho fez uma obra-prima. Ele recebeu a bola de Didi e parou-a sob a chuteira. O zagueiro tentou tirá-la e foi driblado. Veio outro e mais um drible, a cobertura tentou, mas também foi batida. O chute de trivela foi perfeito. Golaço. Placar final, Brasil 5x0 México.
A segunda rodada foi disputada dia 19. Em Genebra, com os dois times precisando da vitória para tentar a classificação. França e México fizeram uma partida movimentada e confusa. Os Franceses abriram 2x0 com gols de Vincent e Cárdenas(contra). Quando o jogo parecia resolvido, os Mexicanos reagiram e empataram a partida, com gols de Lamadrid e Balcazar. Aos 43 minutos do segundo tempo, o árbitro Espanhol Manuel Asensi, deu penalti a favor da França, em lance muito polemico. O magistral Kopa bateu bem e deu números finais a partida. A França ainda tinha esperanças de classificar-se.
Em Laussane, desde o início da partida notava-se o time Iuguslavo, conhecedor do regulamento, tentava explicar aos jogadores do Brasil que o empate classificaria as duas equipes. Os Brasileiros, porém, desconhecendo as regras da Copa, não entenderam o recado e jogavam para valer.
Só que logo aos 10 minutos de jogo, Rodrigues recebeu uma forte pancada no calcanhar e ficou apenas fazendo número na ponta esquerda. O primeiro tempo terminou 0x0. Logo no recomeço da partida, aos 4 minutos, Mitic deu grande passe para Zebec, que abriu o marcador. O Brasil passou a atacar com valentia e contar com as defesas milagrosas de Castilho, em contra-ataques Iuguslavos. Aos 16, Didi empatou o jogo. A partir daí, era nítido o desespero dos jogadores do Brasil, acreditando que com o resultado, estariam eliminados.
Na prorrogação, por mais que os Iuguslavos tentassem avisar que o empate era bom para ambos, os Brasileiros seguiam atacando desesperadamente. E, cansados de não serem entendidos, a Iuguslávia passou a atacar também. Castilho salvou o Brasil em pelo menos 3 oportunidades. Final de jogo, enquanto os Brasileiros choravam a "eliminação", os Iuguslavos comemoravam. E, o pior de tudo, é que nçao havia sequer um dirigente que conhecesse o regulamento da Copa. Trapalhadas a parte, estavamos classificados para as Quartas de Final do Mundial.
Grupo B
A primeira rodada foi disputada no dia 17 de Junho. Em Berna, Suat abriu o marcador para os Turcos, logo aos dois minutos de jogo. Aos 14, Schafer igualou para os Alemães. Na segunda etapa, prevaleceu o melhor preparo físico dos Germanicos. Klodt, Otmar Walter e Morlock completaram a virada.
Em Zurique, o grande favorito da Copa estreava. O Time de Ouro da Hungria, dos craques Puskas, Bozsik, Hidegkuti e Czibor. Da revolução tática do 4-2-4, do centroavante recuado(Hidegkuti)abrindo espaços para os meias(Puskas e Boszik). E foi um massacre, pobres Sul-Coreanos, nem viram a cor da bola...
Mesmo com os reservas Szojka e Palotas nos lugares dos titulares Zakarias e Hidegkuti o primeiro tempo terminou 4x0, com gols de Lantos, de falta e 3 de Kocsis. O massacre continou na segunda etapa, com mais 5 gols(outro de Kocsis, Czibor, Puskas e dois de Palotas). Placar final, 9x0.
Abrindo a segunda rodada, em Genebra, a Turquia, com gols de Suat(2), Lefter, Erol e Burhan(3), goleava os frágeis Sul-Coreanos por 7x0.
Enquanto isso, em Zurique, o treinador Alemão Sepp Herberger, perdia a noite pensando como parar o fabuloso time Húngaro. Chegou a conclusão que seria melhor descansar o time, estudar seu adversário, que jogaria completo e, principalmente, "caçar" Puskas.
Logo aos dois minutos, Kocsis abriu o marcador. A Alemanha jogava com apenas 6 titulares. Aos 16, Puskas, de pé direito, fez o segundo. Aos 20, novamente Kocsis fez 3x0. Aos 24, Pfaff diminuiu para os Germanicos, aproveitando uma das falhas da desprotegida zaga Hungara.
No segundo tempo, logo aos 4 minutos, Hidegkuti aproveitou belo passe de Kocsis e fez o quarto. Aos 9, Hidegkuti marcou mais uma vez. Aos 13, um lance crucial, não só na partida, mas na Copa. O zagueiro Alemão Liebrich entrou forte, por trás, no tornozelo esquerdo de Puskas. O local inchou imediatamente, e, ele nem voltou a campo.
Mesmo com 10 jogadores, os gols continuavam a acontecer. Aos 21, Kocsis. Aos 27, Toth, sem angulo fez 7x1. Aos 32 o ótimo ponta-direita Alemão Rahn diminiu o vexame. Um minuto depois, novamente Kocsis fez mais um. E, aos 37, Herrmann marcou e finalizou o placar. Hungria 8x3. O mais curioso, é que, ao fim da partida, os dois treinadores saíram satisfeitos do gramado. Sebes, por ter mais uma vez goleado um adversário e Herrbeger, por ter achado um meio de conseguir o que para muitos parecia impossível...
No dia 23, em Zurique, Alemanha e Turquia voltavam a se enfrentar, em uma partida desempate, para saber quem iria avançar para as quartas de final da Copa. Os Alemães estavam de novo com seu time titular.
Otmar Walter abriu o marcador aos 7. Schaefer ampliou aos 12. Erton descontou aos 21, mas Morlock fez 3x1 ainda aos 30. No segundo tempo, Morlock aos 15, Fritz Walter aos 17, de novo Morlock aos 32, Schaefer aos 34 e Lefter aos 37 marcaram. A Alemanha vencia por 7x2 e estava classificada para a próxima fase.
Grupo C
Abrindo a primeira rodada, no dia 16, em Zurique, debaixo de forte chuva, a Áustria derrotava a Escócia, por 1x0, com gol de Probst, aos 33 minutos do primeiro tempo.]
Ao mesmo tempo, em Berna, os atuais campeões estreavam bem na Copa. Com gols de Miguez e do fantástico Schiaffino, o Uruguai vençeu a Tchecoslováquia, por 2x0.
Na segunda rodada, no dia 19, em Zurique, a Áustria garantia a classificação com uma goleada por 5x0, sobre a Tchecoslováquia. Os gols foram marcados por Probst(3) e Stojaspal(2).
Melhor fizeram os Uruguaios. Simplesmente arrasaram a Escócia, por sonoros 7x0. Os gols foram de Miguez(2), Abadie(2) e Borges(3). A vergonha foi tamanha, que o treinador Escoces, Andy Beattie, pediu demissão lá mesmo na Suíça(fato inédito), ele alegou falta de condições de trabalho, pois só pode levar 13 jogadores para a Copa, por razões de economia e superstição...
Grupo D
A primeira rodada do grupo foi disputada dia 17. Na Basiléia, jogaram Inglaterra e Bélgica. E foi um show do velinho Stanley Mathews. A partida terminou empatada em 4x4com Broadis(2) e Lofthouse(2) marcando para o English Team e Anoul(2), Coppens e Dickinson(contra) para os Belgas.
Em Laussane, a Suiça derrotou a Itália, por 2x1, com gols de Ballaman e Hugi para os donos da casa e Boniperti descontando para a Azzurra. O fato curioso desta partida foi a terrível atuação do árbitro Brasileiro Mário Vianna. Ele expulsou ou Italiano Lorenz, mas sofreu forte pressão do astro da Itália, Boniperti. Acabou voltando atrás e permitiu que Lorenzi continuasse na partida. Depois disso, os Italianos mandaram na partida, mas mesmo assim, foram derrotados. Vianna não apitou mais na Copa...
Na segunda rodada, dia 20, em Lugano, a Itália, com gols de Pandolfini, de penalti, Galli, Frignani e Lorenzi goleou a Bélgica por 4x1(Anoul descontou) e manteve vivas as chances de passar para a próxima fase.
Ao mesmo tempo, em Berna, a Inglaterra jogou bem e bateu os Suiços, por 2x0, com os tentos sendo marcados por Mullen e Wilshaw. Os Ingleses estavam classificados.
A disputa da outra vaga, em uma partida desempate, foi marcada para a Basiléia, no dia 23. A Itália, confiante de que derrotaria a Suiça, resolveu poupar jogadores. Ledo engano...
Hugi abriu o placar para os Suiços, aos 14 minutos do primeiro tempo. Logo aos 3 do segundo tempo, Ballaman fez 2x0. A Azzurra foi para o tudo ou nada e diminuiu com Nesti, aos 22. Mas justamente quando a pressão Italiana era mais forte, a Suiça aproveitou dois contra-ataques e matou a partida. Hugi aos 40 e Fatton aos 45, deram números finais a partida. Pela segunda Copa consecutiva, a Itália era eliminada logo na primeira fase...
As Quartas de Finais
Os confrontos desta fase foram decididos em um sorteio. Áustria x Suiça, Uruguai x Inglaterra, Alemanha Ocidental x Iuguslávia e Hungria x Brasil(para desespero de todos os Brasileiros, que não queriam enfrentar os Hungaros)
No dia 26, duas partidas abriram as Quartas de Finais. Em Laussane, uma chuva de gols(até hoje, os 12 gols marcados nesta partida continuam sendo o recorde absoluto de tentos em uma só partida). Os donos da casa abriram 3x0. A Áustria reagiu e fez 5x3. Os Suiços descontaram para 5x4. E o placar do primeiro tempo sõ não foi maior porque os Austríacos desperdiçaram um penalti. Na segunda etapa, mais dois gols da Áustria contra um dos Suiços e o incrível placar de 7x5....
Na Basiléia, um jogaço. Borges abriu o marcador para os atuais campeões. Lofthouse empatou aos 16. O grande capitão Obdulio Varela fez 2x1, aos 39. Logo no primeiro minuto da segunda etapa, Schiaffino fez 3x1. Finney diminuiu e encheu de esperança os Ingleses. Mas, aos 33, Ambrosis decretou o placar final. Uruguai 4x2 Inglaterra.
Mais duas partidas ocorreram no dia 27. Em Genebra, a Alemanha Ocidental passou com tranquilidade pela favorita Iuguslávia, por 2x0, com gols de Horvath contra e Rahn.
E, em Berna, jogavam Hungria e Brasil. Os Hungaros desfalcados de Puskas, ainda sentindo a entrada de Liebrich. Com isso, Czibor jogou como meia pela esquerda. Os irmãos Toth atuavam nas pontas. Como Zezé Moreira sabia que o treinador Hungaro conhecia o time Brasileiro, resolveu mudar o time. Mas exagerou. Humberto Tozzi entrava em lugar de Pinga. Índio substituiu Baltazar, que havia marcado 6 gols em 6 jogos. E Maurinho substituiu o lesionado Rodrigues.
Nos vestiários, enquanto a Hungria fazia o aquecimento, os jogadores do Brasil ouviam inflamados discursos de dirigentes, pedindo a vitória a qualquer custo para honrar os mortos na segunda Guerra. Chegaram a ter que beijar a bandeira.
Com este clima, não foi surpresa que logo aos 3 minutos, Pinheiro, em dia infeliz, tentar sair driblando dentro da área. Perdeu a bola. Czibor e Kocsis chutaram, Castilho fez o que pode, mas Hidegkuti abriu o marcador. Aos 6, Toth cruzou, a zaga parou para pedir impedimento e, Kocsis, subiu livre, as costas de Djalma Santos e fazer o segundo. Aos 17, Buzansky cometeu penalti em Índio. Djalma Santos bateu bem e diminuiu(até hoje Djalma reclama que não era ele quem deveria cobrar a penalidade, mas Didi e Julinho não quiseram bater).
Depois do gol, o Brasil melhorou muito. O jogo ficou mais equilibrado. M.Toth passou a recuar, para ajudar Lantos na marcação ao endiabrado Julinho. E assim, terminou o primeiro tempo.
O panorama da partida não se alterou até que, aos 14, Pinheiro colocou a mão na bola depois de escorregar dentro da área. Penalti que Lantos converteu. Aos 19, Julinho marcou outro golaço. O Brasil crescia. Mas, aos 26, Boszik e Nílton Santos foram expulsos após trocarem agressões. Depois disso, Didi teve uma chance. Humberto mandou uma bola na trave de Grocsis. Julinho reclama até hoje de um penalti não marcado sobre ele...
O fato é que , num contra-ataque, aos 43, Czibor cruzou e Kocsis fez 4x2. Humberto ainda acertou um chute, mas em Lorant, e foi expulso. Jogo terminado, começou a briga nos vestiários que valeram o apelido a partida da "Batalha de Berna". Só não brigaram Castilho, Hidegkuti e Kocsis. Até Puskas deu uma garrafada em Pinheiro. E a FIFA não puniu ninguém. Mais uma vez, o Brasil seguia sem vencer a Copa...
As Semifinais
As duas partidas que decidiram os finalistas da Copa foram jogadas no dia 30. Na Basiléia, a Áustria só equilibrou a partida até sofrer o primeiro gol, aos 31 minutos(Morlock). Depois disso, só deu Alemanha. Morlock marcou mais dois, Fritz Walter(2) e Otmar Walter marcaram para os Alemães. Probst descontou para a Áustria. Final 6x1 para os Germanicos, igualando a maior margem da história das Copas, em uma semifinal(as dus semifinais de 1930, também terminaram em 6x1).
Em Laussane, uma semifinasl épica, digna de entrar na história. Pelo lado Hungaro, Budai voltava a ponta direita, em lugar do lesionado J.Toth. Palotas foi ser o centroavante recuado, para que Hidegkuti pudesse jogar como meia, no lugar do ainda machucado Puskas. No lado Uruguaio, um dia a mais de descanso, um jogo anterior menos complicado, mas uma ausencia seria sentida, o capitão Obdulio Varela estava fora da partida.
Chuvia muito e o campo estava pesado. Aos 13 minutos, Czibor, de voleio fez 1x0 para a Hungria. Não houveram mais jogadas perigosas no primeiro tempo. As duas equipes se respeitavam demais.
Logo no primeiro minuto do segundo tempo, Budai foi a linha de fundo e cruzou para o peixinho de Hidegkuti. 2x0. A fatura parecia liquidada. Mas do outro lado havia a tão famosa garra Uruguaia. Aos 29, Schiaffino descobriu Hohberg livre. 1x2. Aos 41, de novo Hohberg decretou o empate. A partida iria para a prorrogação.
Logo no primeiro lance do tempo extra, Schiaffino bateu cruzado, mas a bola explodiu na trave de Grosics. No rebote, Miguez chutou para fora. Aos 3 minutos do segundo tempo, Kocsis, de cabeça, fez 3x2. Aos 10, Budai cruzou e novamente Kocsis, marcou o quarto. Apesar da raça, o Uruguai sofria sua primeira derrota na história dos Mundiais. E a Hungria se qualificava para a grande decisão.
A Disputa do Terceiro Lugar
No dia 3 de Julho, em Zurique, Stojaspal abriu o marcador aos 16 minutos. Hohberg empatou aos 22. Mas no segundo tempo, acabou o gás da Celeste. Aos 14, Cruz fez contra e recolocou a Áustria na frente. Aos 34, Ocwirk fez 3x1. E o Uruguai amargava o quarto lugar, enquanto os Austríacos celebravam o terceiro...
A Final
Para a grande decisão, Puskas estava de volta. Mesmo sem estar 100%, o treinador queria "homenagear" o jogador e deixa-lo participar. Chovia e a cancha estava pesada. A Alemanha tinha o time mais inteiro.
Mas, para variar, foram os Hungaros que começaram voando. Logo aos 6 minutos, Puskas abriu o placar. Dois minutos depois, Czibor fez o segundo(dentre as inúmeras inovações que a Hungria touxe ao futebol, destaca-se o aquecimento, que no mínimo, fazia a equipe entrar mais "ligada" na partida, o que pode explicar a quantidade de gols marcados no começo).Aos 11, Rahn chutou uma bola vadia, Zackarias errou o carrinho e Morlock, em outro carrinho diminuiu.
A Hungria, pela primeira vez, parecia sentir o golpe. Aos 17, depois da cobrança de um escanteio, Schaffer subiu com Grosics(em lance claro de falta) e a bola sobrou para Rahn empatar a partida. Logo em seguida, Hidegkuti acertou a trava de Turek. A Hungria voltava a ter o controle da partida. Até o fim do primeiro tempo foram pelo menos 5 grandes chances perdidas.
A chuva apertou na segunda etapa, assim como o time Hungaro. Em uma mesma jogada, a bola bateu na trave, nas pernas do zagueiro e foi chutada para fora, já sem goleiro... Rahn teve duas chances para os Alemães, mas Czibor perdeu gol feito, salvo por Turek. Hidegkuti e Kocsis ainda mandaram bolas nas traves. A Alemanha continuava resistindo...
Aos 38, uma bola mal afastada pela zaga Hungara caiu nos pés de Rahn. Ele cortou Lorant e chutou entre Lantos e Zackarias. Grosics deslizou mas não conseguiu evitar o gol da virada. O improvável acontecia..
Aos 42, Puskas ainda fez um gol(que pelas imagens parece ter sido legal), mas o árbitor anulou, alegando impedimento. Czibor obrigou Turek a grande defesa, aos 44. E a zebra se confirmou, pela segunda Copa seguida o favorito era derrotado na grande decisão. Mesmo depois de 36 partidas invictas, 25 finalizações na final contra apenas 8 dos Alemães. O "Time de Ouro" perdeu justamente quando não podia...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

História das Copas do Mundo- 1950- Brasil


Pré-Copa
Assim que a Segunda Guerra Mundial acabou, os dirigentes da FIFA trataram logo de marcar um congresso para retomar a disputa da Copa do Mundo. Em 1946, em Luxemburgo, o Brasil apresentou-se como candidato único, e foi escolhido para sediar a Copa.
A princípio, o mundial estava marcado para 1949. Porém, com as dificuldades num mundo pós-guerra, acabou-se chegando a um acordo de deisputá-lo um ano depois, em 1950.
Neste mesmo congresso, a Taça passa a se chamar Jules Rimet. E fica estabelecido, que a primeira seleção que conseguisse conquistá-la por 3 vezes, teria sua posse definitiva.
Os países britanicos voltaram a integrar a FIFA, assim como a URSS, que teve sua filiação aceita(mas como o projeto dos soviéticos era a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1952, eles não se inscreveram nas eliminatórias).
Em 1948,em novo Congresso, dessa vez realizado em Londres, o Brasil consegue alterar oregulamento de disuta da Copa. Pela primeira e única vez, o campeão seria apontado depois de um quadrangular, onde todos jogariam contra todos.
O Brasil prometeu a cosntrução do maior estádio do mundo. O Maracanã. E prometia também, uma seleção muito forte.
Apesar de tudo, teríamos ausencias importantes. A Alemanha Ocidental(os alemães também estavam suspensos pela FIFA, mas foram anistiados e se recusaram a jogar), por razões óbvias, não poderia jogar o Mundial. Assim como Áustria e Tchecoslováquia. Bélgica, Bulgária, Romenia e Hungria também não. O Japão estava suspenso pela FIFA. E foi assim, com várias desistencias teriam início as eliminatórias. Peru e Equador também desistem. Colombia, com a sua liga pirata, não tem uma seleção e pior, ao contratar os craques argentinos, faz com que os hermanos desistam de participar.
As Eliminatórias
Grupo 1. Este foi o grupo do torneio britanico. Inglaterra e Escócia ficaram em primeiro e segundo lugar, respectivamente, e se classificaram, eliminando País de Gales e Irlanda.
Grupo 2. A Turquia goleou a Síria, por 7x0 e se qualificou.
Grupo 3. Iuguslávia venceu Israel e França e se classificou.
Grupo 4. Suiça derrota Luxemburgo e vem ao Brasil.
Grupo 5. Suécia se garante, ao vencer Irlanda do Norte e Finlandia
Grupo 6. Espanha vence Portugal e se garante no Mundial.
Grupo 7. Com a desistencia da Argentina, Chile e Bolívia estão na Copa
Grupo 8. Uruguai e Paraguai vem ao Brasil, depois da desistencia de Peru e Equador.
Grupo 9. México e Eua eliminam Cuba e carimbam o passaporte.
Grupo 10. Índia se classifica com a suspensão do Japão e as desistencias de Filipinas e Birmania.
Preparativos Finais
Mesmo depois de definidos os 16 classificados, as desistencias continuavam. A Índia, não quis comparecer, pois sua equipe joagava descalça e a FIFA obrigava a jogar o Mundial calçados. A Escócia alegou que não tinha chance e também não veio. A Turquia seguiu o mesmo caminho.
Começava a faltar times. A FIFA convidou Portugal, que agradeceu mas não veio. A França até se propos a vir, mas quando ficou sabendo que jogaria um jogo em Porto Alegre e outro em Recife desistiu, esquecendo-se do quanto fizera o Brasil viajar 12 anos antes.
Somente 13 seleções viriam ao Brasil. E até entre elas havia problemas. A Itália, atual bicampeã, sofreu com um acidente aéreo que matou todo o fantástico time do Torino, base da seleção. Veio enfraquecida.
Os organizadores brasileiros também deram sua pitada para "avacalhar" a Copa. Ao invés de, como na Copa de 30, que também só tinha 13 seleções, sortear-se um grupo com 4 equipes, e 3 com 3, eles preferiram manter o sorteio original, com dois grupos de 4, um de 3 e, incrível, um com apenas 2 equipes.
Enquanto isso, o Brasil ia se concentrando e treinando. O time ficou reunido por quatro meses, a maior parte desse tempo em Araxá, Minas Gerais. O técnico Flávio Costa usou como base o time do Vasco, que era conhecido como "Expresso da Vitória". E sofria duras críticas por isso(a imprensa o achava carioca demais). Os paulistas, reclamavam a ausencia do ponta do Corinthians, Cláudio, que foi substituído pelo vascaíno Alfredo II.
Flávio também gostava de zagueiros duros, que não fossem ao ataque e jogassem sério. Por isso, Nílton Santos, então já o melhor zagueiro pela esquerda do Brasil, ficou no banco de reservas, cedendo seu lugar a Bigode.
Apesar de todos os problemas, a seleção era forte. Tinha Zizinho, Jair, Ademir, Friaça, Barbosa. E tinha o gigante do Maracanã, inaugurado pouco antes da Copa, tinha tudo para intimidar os adversários da seleção. A festa enfim, ia começar.
A Copa
Finalmente, no dia 24 de Junho, começava a quarta Copa do Mundo. Em um Maracanã ainda em obras, o Brasil passeou diante do México, que estreava em seu gol o lendário Carbajal. 4x0 foi pouco. Ademir fez dois, Jair e Baltazar completaram a goleada. A seleção começava bem.
No dia seguinte, o complemento da rodada. Pelo Grupo 1, em Belo Horizonte, a Iuguslávia passou tranquilamente pela Suiça. O primeiro gol, porém, só surgiu aos 15 minutos do segundo tempo. Toamsevic bateu forte, rasteiro, de pé esquerdo. Aos 25, Tomasevic fez um gol que mais paraceia o replay do primeiro. E, aos 30, Mitic(o melhor jogador Iuguslavo) deu brilhante passe para Ognjanov tocar na saída de Stuber.
Pelo Grupo 2, em Curitiba, logo no começo do jogo entre Espanha e Eua, um lance polemico. Basora foi a linha de fundo e cruzou para trás. Igoa chutou, a bola passou no meio das pernas do arqueiro Borghi e entrou. Mas o árbitro brasileiro Mário Vianna não deu o gol. A zebra deu o ar da sua graça aos 17 minutos do primeiro tempo. Aproveitando falha de Inaki, Souza abre o placar para os norte-americanos. Apesar de toda a pressão, a Espanha só consegue chegar ao empate aos 30 minutos da segunda etapa, através de Basora. O goleiro Borghi vai fazendo milagres, mas aos 33, em cruzamento no segundo poste, Basora pega de primeira, sem deixara bola cair e marca. Aos 40, após lançamento longo, Zarra faz o terceiro. A dificuldade encontrada pela Espanha, porém era o prenúncio de que os EUA poderiam aprontar na Copa..
Completando o Grupo, no Maracanã, os ingleses finalmente estreavam em mundiais. Mas quem ataca primeiro é o Chile. Robredo perde duas chances claras de gol. Na base do chuveirinho, Mullen cruza e Mortensen de cabeça, faz 1x0, aos 27 da primeira etapa.No segundo tempo,Mortensen dribla dois e rola para Mannion chutar rasteiro, no canto direito do goleiro. Placar final Inglaterra 2x0 Chile.
Completando os jogos do dia, no Pacaembu, jogaram Suécia e Itália. Svensson já tinha feito grande defesa em finalização de Capello, quando, aos 7, Cappelese abre o placar. Ainda no primeiro tempo, porém a virada sueca. Jepsson entra sozinho pela esquerda e bate cruzado para empatar. Depois, em bola mal rebatida pela defesa italiana, Andersson vira.
Aos 23 do segundo tempo, após bela jogada de Skoglund, novamente Jepsson faz 3x1. A Azzurra ainda desconta com Muccinelli, mas fica nisso, 3x2 Suécia.
No dia 28, o início da segunda rodada. No Pacaembu, jogavam Brasil e Suiça. Para esta partida, Flávio Costa fez quatro alterações. Entraram Bauer, Rui, Noronha e Alfredo. Os tres primeiros jogavam no São Paulo e foram escalados como forma de apaziguar um pouco as críticas de que a seleção era "extremamente carioca".
O fato é que o Brasil jogou muito mal. Logo aos 3 minutos, Friaça dribla o zagueiro e vai a linha de fundo, mas a bola saí. Mesmo assim ,ele cruza, Ademir fura e Alfredo completa para abrir o marcador. Todos no estádio viram que a bola havia saído. Menos o árbitro espanhol Azon. Aos 17, Bickel cruza a bola, Barbosa e Rui ficam assistindo ela passear pela área e Fatton empata. Ainda no primeiro tempo, aos 32, Baltazar faz de cabeça, Brasil 2x1.
No segundo tempo, a seleção joga um futebol sem a menor inspiração e é castigada quando aos 43, Bickel lança Fatton nas costas de Bauer, ele chuta cruzado e empata o jogo. O Brasil deixa o campo sob vaias.
No dia 29, em Porto Alegre, a Iguslávia goleou o México, por 4x1 com gols de Bobek, Cajkovski(2) e Tomasevic contra um de penalti, marcado por Ortiz. Com este resultado, a Iuguslávia jogaria pelo empate, na última rodada, contra o Brasil. O medo de uma eliminação logo na primeira fase, fez com que a seleção fosse ainda mais criticada.
No Maracanã, a Espanha derrota o Chile por 2x0, gols de Basora e Zarra. Mas a partida não foi tão fácil quanto parece. O grande nome do jogo foi o goleiro espanhol Ramallets, que travou e venceu o duelo particular contra o atacante Robledo.
Em Belo Horizonte, no estádio Independencia, acontecia o que é considerado até hoje a maior zabra da história das Copas. O English Team pressionou com seu tradicional chuveirinho, perdeu gols, chutou bolas na trave, enfim, tudo fez menos o gol. Gol esse que a equipe amadora dos EUA conseguiu fazer aos 38 minutos do primeiro tempo, com o descendente de Haitianos Gaetjens, de cabeça. O goleiro Borghi continuou segurando tudo na segunda etapa. E, os presunçosos inventores do futebol caíam de seu cavalo. Perdiam por 1x0.
Dois fatos curiosos marcaram os "bastidores" desta zebra. O autor do gol, lavava pratos nos EUA, e dois anos depois da Copa resolveu voltar ao Haiti. Como ele era fugitivo crminoso, foi assassinado pelo ditador Papa Doc. E o outro, foi que os jornais britanicos, ao receberem a notícia do resultado do jogo, acreditaram ser um erro. E, divulgaram para todo mundo que o placar havia sido Inglaterra 10x 0 EUA e não 1x0 para os norte-americanos. Depois tiveram que consertar a notícia...
Completando a segunda rodada, os atuais campeões olimpícos, os suecos, se classificaram no Grupo 3, ao empatar em 2x2 com o Paraguai, com gols de Sundquist e Palmer contra dois de López.
No dia 1 de Julho, havia apreensão no ar. Um simples empate eliminava o Brasil da Copa. E o adversário era forte. A Iuguslávia era vice-campeã olimpíca. Zizinho, mesmo ainda com dores no joelho, estava de volta. E comandou uma belíssima apresentação da seleção.
Logo aos 4 minutos, Maneco acha Ademir que fuzila o goleiro Mrkusic e abre o placar. Vale ressaltar que o time iuguslavo jogou, por praticamente 20 minutos, com 10 jogadores, pois o craque do time, Mitic, abriu a cabeça ao bater numa lampada a caminho do campo. Ainda no primeiro tempo, Zizinho tem um gol mal anulado pelo árbitro gales, Griffiths.
Aos 24 mintuos da segunda etapa, Zizinho bate cruzado e garantiu a classificação brasileira. O alívio era geral. a seleção havia jogado bem.
No dia 2, apenas para cumprir tabela, a Suiça venceu o México por 2x1, com gols de Bader, Tamini e Casarin descontando.
Em Recife, o Chile goleava os EUA, por 5x2. Robledo e Riera fizeram 2x0, mas Wallace descontou ainda no primeiro tempo. Maca empatou o jogo, logo aos 3 minutos da etapa derradeira, mas depois só deu a equipe sul-americana. Prieto e Cremaschi(2) completaram o marcador.
Enquanto isso, no Maracanã, a Fúria Espanhola despachava de vez a Inglaterra, com um gol marcado por Zarra. Os inventores do futebol estavam eliminados e humilhados...
No Pacaembu, a Itália se despediu honrosamente ao derrotar o Paraguai, por 2x0. Com gols de Capellese e Pandoltini.
E, finalmente, entrava em campo, o Grupo 4. Formado por apenas duas seleções. Teve apenas essa partida. Na verdade, não houve jogo, foi um massacre. O Uruguai detonou a Bolívia por sonoros 8x0. O primeiro tempo acabou 4x0, com gols de Miguez(2), Vidal e Schiaffino. Há um ditado que diz que se qutro vira, oito termina. E foi assim mesmo que aconteceu. De novo Schiaffino, Perez, Gigghia e mais um de Miguez deram números finais ao massacre.
A Fase Final
Pela primeira e única vez na história dos Mundiais, os quatro classificados disputariam um turno final, com todos jogando contra todos.
A primeira rodada aconteceu dia 9 de Junho. No Pacaembu, Gigghia abriu o placar para a Celeste Olimpíca, diante da Espanha. Mas Basora, marcou duas vezes e virou o placar ainda no primeiro tempo. Apenas a 15 minutos do fim da partida, Obdúlio Varela conseguiu o tento de empate.
No Maracanã, diante de mais de 150.000 pessoas, o Brasil deu um show. Após intensa pressão, aos 17 minutos, Jair serve Ademir, que chuta e faz 1x0. Aos 36, novamente Ademir toca na saída do goleiro 2x0. Aos 39, Chico dá um corte seco no zagueiro e faz 3x0
O show continuou depois do intervalo. Logo aos 7, Ademir bateu forte e fez 4x0. Aos 13, O mesmo Ademir passou pelos zagueiros e fez 5x0. Andersson , de penalti, desconta para uma atonita Suécia, aos 22. Aos 40, Maneca aproveita cruzamento na segunda trave e marca o sexto. E, para terminar o chocolate, Chico faz mais um, aos 43. Final, Brasil 7x1 Suécia. A confiança na seleção era total...
No dia 13 de Julho, a segunda rodada foi disputada. No Pacaembu, a zaga uruguaia falha e Palmer domina para chutar alto, sem defesa para Máspoli, logo aos 5 minutos. Jepsson acerta o travessão da Celeste. Os suecos era melhores na partida. Aos 39, porém, um golaço. Gigghia corta para o meio e acerta uma bomba no angulo de Svensson. 1x1. Os uruguaios não tiveram nem tempo para comemorar. Na saída de bola, nova falha da zaga e Sudqvist faz 2x1.
Na segunda etapa, o Uruguai vem com tudo para cima. Svensson vai salvando o bombardeio até onde pode. Mas, aos 32, Miguez empata a partida. Aos 40, Svensson sai mal num cruzamento, a bola para Júlio Perez que cruza para Miguez marcar o gol da vitória. 3x2.
No Maracanã, mais um show brasileiro. Logo aos 2 minutos, Chico perde boa oportunidade. A Espanha responde com Zarra, que sozinho, chuta para fora. Aos 15, Ademir deriva da esquerda para o meio e chuta, a bola bate em Parra e entra. Aos 21, Jair começa a jogada no meio de campo e vai carregando a bola, sem ser importunado. Na entrada da área, ele bate e faz o segundo. Aos 31, Chico passa por dois marcadores e chuta prensado. A bola sobra para Ademir, que também é travado na hora da finalização. A pelota, entretanto, volta a se oferecer a Chico que marca 3x0. Na comemoração, Chico é atingido por um foguete lançado pela torcida brasileira e fica fora de campo, sendo atendido por quase 10minutos.
No segundo tempo, mais do mesmo. Aos 10, Ademir ganha do zagueiro e só rola para Chico fazer 4x0. Dois minutos depois, Ademir marca o quinto gol. Então, as mais de 160.000 pessoas no estádio começam a acenar para os espanhóis com lenços brancos, entoando a famosa marchinha "Touradas de Madrid". Um espetáculo arrepiante, que se ouve ao fundo da narração da Rádio Nacional. Aos 22, Zizinho aproveita bola mal rebatida pela zaga e marca o sexto. Aos 25, Bigode escorrega e Basora quase marca. Seria um prenúncio do que estava por vir...Aos 26, bela jogada de Basora pela direita e, Igoa, em impedimento(o offisde fica claro ao se ver as imagens do especial Espana en Brasil) faz lindo de gol de voleio.
No restante da partida, o Brasil apenas tocou a bola. Foi uma atuação soberba e que credenciava a seleção a jogar apenas pelo empate contra o Uruguai, para se sagrar campeão Mundial de futebol.
A terceira rodada foi disputada no dia 16 de Junho, no Pacaembu, a Suécia venceu a Espanha, por 3x1. Com gols de Sundqvist, Melberg e Palmer com Telmo descontando e termina a Copa na terceira colocação.
Brasil x Uruguai-Antes do Jogo
Para atender aos mais diversos interesses políticos(afinal era ano de eleição e todos queriam se beneficiar da conquista da seleção), foi decidido que a equipe deixaria a tranquilidade da concentração na Estrada do Joá(calma e praticamente inacessível para pessoas de fora)para São Januário. A justificativa era ficar mais perto do calor do jogo.
Só que ao invés de ficarem concentrados na partida, os jogadores tinham que assistir inúmeros discursos de políticos. Com isso, seus horários de refeição, descanso a até mesmo de treino foram alterados e o foco não ficou na partida decisiva. Vale lembrar que um mes antes da Copa, o Brasil havia enfrentado o Uruguai, pela Copa Rio Branco, e haviam sido duas partidas duríssimas, vencidas pelos brasileiros por 3x2(Ademir, Juán González contra e Chico, com Vilamide e Nílton Santos contra descontando) e 1x0(Ademir). Portanto, todos sabiam que a partida seria difícil.
Além dos políticos, a torcida e a imprensa já faziam o clima de oba-oba total. Para eles, o Brasil já era o campeão do mundo, sendo a partida contra os uruguaios, uma mera formalidade.
Pelo lado da Celeste, na manhã da partida, seu capitão, Obdúlio Varela, foi andar por Copacabana quando se deparou com um jornal que colocava como manchete da primeira página a foto dos jogadores brasileiros com os seguintes dizeres "Estes são os novos campeões do Mundo de futebol".
Varela comprou todos os exemplares das bancas pelas quais passou. Voltou ao hotel, espalhou o jornal pelo chão do banheiro(naquela época o banheiro era coletivo, um por andar e não individual), chamou seus companheiros e, aos berros, bradou,-"Para eles, já estamos derrotados. Vamos mostra que não estamos mortos. Agora mijem neles!". Foi com esse espírito que eles chegaram ao Maracanã.
Brasil x Uruguai- A partida
A partida começa equielibrada. As mais de 200.000 pessoas presentes ao Maracanã esperam uma nova goleada e show brasileiro. Mas não é isso que acontece.
O Brasil parece nervoso. Erra mais passes do que o habitual. O Uruguai consegue travar a seleção e leva perigo, quase sempre pela direita, onde Gigghia leva vantagem sobre Bigode e a falta de cobertura de Juvenal.
Ademir chuta duas vezes para defesas de Máspoli. Aos 16, Gigghia toca para Schaiffino que perde boa oportunidade. Aos 21, novamente Ademir, desta vez de cabeça, obriga o goleiro uruguaio a mais uma defesa. Aos 35, Miguez chuta de longe e a bola explode na trave de Barbosa. Aos 42, Ademir perde mais uma chance. O primeiro tempo chega ao fim, equilibrado.
Logo no recomeço da partida, Friaça abre o marcador para o Brasil. Obdúlio Varela reclama com o árbitro(nem ele sabia o que estava reclamando, confessou depois, o que ele realmente queria era esfriar o time e a torcida). O Uruguai cresce. Chico e Gambeta se desentendem. Aos 12, Schiaffino perde boa chance. A torcida começa a se calar. A goleada e o show, não vem.
Aos 20, Júlio Perez lança Gigghia que ganha de Bigode e cruza para Schiaffino empatar a partida. A torcida se cala de vez. Ouvem-se então os gritos cada vez mais altos de Obdúlio Varela. E consegue-se "ouvir" o silencio dos assustados jogadores brasileiros.
Aos 34, novamente a jogada se repete, Júlio Perez lança Gigghia, que vence Bigode na corrida. Juvenal não chega para a cobertura e o ponta-direita vai avançando. Barbosa pensa que ele irá repetir a jogada do primeiro gol e dá um passo a frente, para cortar o cruzamento. Ledo engano, Gigghia bate rasteiro, forte, entre a trave e o arqueiro brasileiro. Era o gol da virada uruguaia.
A partir daí, o Brasil se lança ao ataque, mas cede mais espaços para o contra-ataque da Celeste. Aos 41, Ademir perde um gol da marca do penalti.
O jogo chega ao fim. O Uruguai era bicampeão mundial de futebol. Os jogadores brasileiros choram e, até erram o vestiário pelo qual deveriam descer. Jules Rimet, que abandonara as tribunas de honra ainda com a partida empatada, chega ao gramado, certo que iria entregar a Taça para o capitão brasileiro. Leva um susto, e até sente-se constrangido em entregá-la para Obdúlio Varela, que, a esta altura, já não berra mais. Já estava sem voz, exausto, mas satiseito por ter liderado seu time a um triunfo que parecia impossível.
Para a seleção brasileira, ficaria mais uma lição, que só seria aprendida de verdade, oito anos depois. Foi esta também, a última partida do Brasil com a camisa branca, aposentada depois do Maracanazzo, sobre alegação que dava azar. A camisa amarela, a "canarinho" seria a nova vestimenta de uma seleção marcada pela infeliz derrota, na tarde de 16 de Junho de 1950...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

História das Copas-1934-Itália


Antes da Copa Começar
Desde 1928, a Itália queria sediar a Copa do Mundo. O sonho não pode ser realizado em 1930, mas o ditador fascista, Benito Mussolini, não iria admitir uma segunda derrota. Ele queria que seu país fosse a sede da segunda edição da Copa.

Foram precisos 8 Congressos da FIFA, além pressões e até mesmo alguns casos(não comprovados, mas plenamente plausíveis)de subrono. Em 8 de Outubro de 1932, em Estocolmo, o Duce pode finalmente realizar seu sonho. Com a desistencia da Suécia, a Copa do Mundo seria realizada na Itália. E ele poderia mostrar ao mundo que seu regime era o que de havia de melhor.

O próximo passo seria reformar todos os estádios que sediariam jogos da Copa. Muito dinheiro foi gasto, mesmo para os que apenas iriam sediar uma única partida. Era mais uma demonstração de força do Duce. Foram criadas várias loterias para cobrir os enormes gastos. Pelo menos por 1 ano, não faltou emprego para ninguém.

O terceiro e mais importante passo do plano do ditador era o de fazer de tudo para garantir que a Azzurra fosse a campeã. Para isso, foi escolhido o jornalista Vitorio Pozzo, para ser o treinador. Ele era muito competente, fazia anotações e estudava os seus adversários. Meio pai, meio ditador, ele era muito respeitado por seus comandados.

Montou-se também, uma rede de olheiros pelo mundo, para que os melhores Oriundi(jogadores que já poderiam até ter atuado por outras seleções, mas se tivessem avós italianos, poderiam ser integrados a Itália). O primeiro alvo foi o argentino Monti, vice-campeão de 30. Outros 3 compatriotas se juntaram a ele, Guaita, De Maria e Orsi. O último alvo foi um brasileiro. Filó, que na época jogava na Lazio.

A Itália começou a treinar em fevereiro de 34, 3 vezes por semana. Em abril, o trabalho passou a ser em período integral. Pozzo passou um longo tempo na Inglaterra, estudando o Arsenal, treinado por Herbert Chapman, que jogava no esquema WM. A Inglaterra, se recusava a disputar a Copa mas era, sem sombra de dúvidas o que havia de melhor em termos de esquemas táticos. O treinador italiano também mandou observadores para a América do Sul, a fim de observar Brasil e Argentina. Enfim, nada escaparia da organização de Pozzo.

AS Eliminatórias
A Copa do Mundo, rejeitada pelos europeus 4 anos antes, passou a ser objeto de cobiça para todos. 32 seleções se inscreveram, obrigando a FIFA, a criar as eliminatórias pela primeira vez. Como curiosidade, o país-sede foi obrigado a jogar as eliminatórias pela primeira e única vez.

No grupo 1, os EUA derrotaram o México, já em solo italiano e garantiram a vaga. No grupo 2, O Brasil se classificou automaticamente com a desistencia do Peru, assim como a Argentina no grupo 3, com a desistencia do Chile. Vale lembrar que o Uruguai, atual campeão, se recusou a ir a Copa, parte em represália contra os europeus, que não compareceream a competição organizada por eles 4 anos antes, parte para mascarar uma queda de qualidade técnica e uma crise financeira.

No grupo 4, o Egito se tornou o primeiro país africano a se classificar para uma Copa. No 5, a Suécia, no 6, a Espanha, no 7, a Itália derrotou a Grécia por 4x0, jogo realizado no San Siro, em Milão, com gols de Orsi, Filó e dois de Meazza. No 8, Áustria e Hungria, no 9, a Tchecoslováquia, no 10 a Suiça e a Romenia, no 11, Holanda e Bélgica e no 12, Alemanha Ocidental e França.

Definidos os 16 participantes da Copa, começaram a se especular sobre os favoritos. A Itália, logicamente, era apontada como a maior favorita, mas a Espanha, que havia vencido a Inglaterra e tinha no gol o grande Zamora. Hungria e Tchecoslováquia, também impressionaram ao vencer os ingleses, em um torneio realizado em Budapeste, ambos por 2x1. Mas a maior ameaça a Itália era sem sombra de dúvidas a Áustria. Dirigida por Hugo Meisl, que tinha enorme conhecimento tático. Sua equipe era chamada de Wunderteam ou time maravilhoso, e tinha como maior expoente, seu centroavante Mathias Sindelar, conhecido como homem de papel, pois parecia deslizar em campo. A vida, definitivamente, não seria fácil para a Azzurra.

A preparação do Brasil
No Brasil, a confusão de sempre permanecia. Desta vez o problema era entre a CBD(representante dos jogadores do Brasil junto a FIFA, e que não aceitava profissionais)e a Federação Brasileira de Futebol. No Rio de Janeiro, todos os times, com exceção do Botafogo, haviam aderido ao profissionalismo. Não causou estranheza, portanto, quando o alvinegro teve a base da seleção que disputou a Copa.

A CBD sabia que só mandar os “amadores” não seria o suficiente para uma boa participação na Itália. E logo ela, que sempre combateu o profissionalismo, passou a “contratar” jogadores. De São Paulo vieram 4 jogadores. Valdemar de Brito, Luizinho, Armandinho e Silvio Hoffman. Também se juntaram ao escrete, Leonidas da Silva e Tinoco. Tentou-se Fausto e Domingos da Guia, mas estes 2 últimos não aceitaram.

A confusão chegou a ser tanta, que os dirigentes do Palestra Itália, chegaram esconder vários jogadores do clube numa fazenda, no interior de São Paulo, para que a CBD não os achasse.

E foi nesse clima, sem a sua melhor seleção, que o Brasil seguiu para a Europa. No dia 14 de Maio, a seleção embarcou no navio Biancamano. Sem poder realizar treinamentos, o técnico Luis Vinhais só comandava exercícios de ginástica. Treinos com bola, só quando a embarcação parava em algum porto.

A delegação chegou a Itália no dia 24. A estréia seria no dia 27. O adversário fora definido por sorteio. Seria a Espanha, que por coincidencia, na parada do navio em Barcelona, embarcou junto com a seleção. Zamora, o grande ídolo espanhol, sabia que tinha que respeitar o Brasil. E quando ele foi visto assistindo o último treino do Brasil, na véspera da partida, deixou os brasileiros confiantes em uma bela vitória.

A Copa
Oitavas de Finais
Todas as partidas das oitavas de final, foram realizadas no mesmo dia, em 27 de Maio. Em Florença, jogaram Alemanha Ocidental e Bélgica. Kobierski fez o primeiro dos alemães, mas ainda no primeiro tempo. Voorhoof(que só jogou a Copa pois teve sua punição reduzida pela Federação Belga) virou a partida, causando surpresa nos espectadores. O gás belga porém acabou no segundo tempo. Kobierski fez mais um e Conen marcou tres vezes.

A Áustria, uma das maiores favoritas, estreiou em Turim, contra a França. Mas o Wunderteam estava nervoso e aos 19 minutos, Nicolas, o centroavante que apenas fazia número, pois havia se machucado minutos antes, abriu o placar para os franceses. No final da primeira etapa, Sindelar empatou. Mesmo com praticamente um a menos em campo, a França dominou o segundo tempo, e perdeu muitas oportunidades. A partida terminou empatada e foi para a prorrogação. Schall, marcou logo no começo(num impedimento escandaloso não assinalado). Bican ampliou para os austríacos. A França ainda diminuiu, através de Verriest. Mas Pozzo comemorava o fato do time maravilhoso não ser tão maravilhoso assim.

Em Nápoles, a Hungria goleou o Egito, por 4x2. O detalhe é que os egípcios haviam eliminado os hungaros, nos Jogos Olímpicos de 1924.

Em Bolonha, a Argentina, mesmo com uma seleção formada por amadores(a Federação não quis mandar os jogadores profissionais e correr o risco de perde-los para as grandes equipes européias após o mundial), não facilitou a vida da Suécia. Os hermanos chegaram a estar na frente do marcador por 2 vezes, mas a 15 minutos do fim, os suecos viraram a partida. Destaques para Jonasson, autor de 2 gols e de Devicenzi, que foi contratado pela Ambrosiana, forte equipe italiana da época.

Em Milão, jogaram Suiça e Holanda. Os suiços eram mais técnicos. E acabarm vencendo a partida por 3x2.

Em Trieste, a hábil equipe da Tchecoslováquia teve sérios problemas para vencer a Romenia. Os tchecos se fizeram valer da sua experiencia(média de 28 anos) e da grande atuação do goleiro Planicka, que viria a ser o melhor do mundial. A Romenia abriu o placar aos 10 minutos, através de Dobay. Mas na segunda etapa, Puc e Nejedly viraram a partida.

Em Roma, com a presença de Mussolini e várias outras autoridades importantes, os donos da casa estreiaram contra os EUA. O estádio estava lotado. Pozzo aproveitou a fragilidade americana para fazer observações. Ele sabia que o único jogador que representava real perigo a sua equipe era o atacante Donelli, oriundi de Nápoles. Ele acabou realmente marcando o gol dos EUA, mas ficou nisso. Com 3 gols de Schiavio, 2 de Orsi, 1 de Ferrara e outro de Meazza, a Itália goleou por 7x1. Essa foi a única partida do brasileiro Filó no Mundial.

E finalmente, em Genova, tivemos a estréia do Brasil contra a Espanha. E o início até que não foi tão ruim para a nossa seleção. Logo aos 10 minutos, Lánagara chutou forte e Pedrosa defendeu. O Brasil saiu para o contra-ataque e Valdemar desperdiçou boa chance, cara a cara com Zamora. Leonidas venceu Zamora, mas Quincones salvou em cima da linha. Aos 18, Martim meteu a mão na bola. Penalti contra o Brasil que Iraragorri converteu. Aos 27, Lángarra aumentou. Aos 36, Pedrosa saiu para cortar um cruzamento fácil, escorregou, caiu e a bola se ofereceu para Lángarra, novamente fazer 3x0.

No segundo tempo, a seleção partiu para o ataque, e aos 11 minutos, Zamora deu reobte num chute de Patesko e Leonidas diminuiu. Aos 15, Luizinho marcou um gol erradamente anulado. A última esperança veio num penalti cometido em cima de Leonidas. Valdemar foi para a cobrança, mas Zamora havia assistido ao último treinamento da seleção e sabia onde ele ele costuamava bater. Resultado, o goleiro espanhol defendeu a cobrança. A partir daí, o Brasil perdeu as forças. Mais uma vez, a seleção era eliminada cedo de uma Copa, enquanto a Espanha seguia em frente.

Quartas de Finais
Depois de ter passado um tremendo susto contra a França, a Áustria entrou em campo disposta a mostrar todo sua força contra a Hungria. Venceu por apenas 2x1, com gols de Horvath e Zischek, com Sarosi descontando para os húngaros. Mas apesar do placar apertado, o Wunderteam foi sempre superior e desperdiçou inúmeras chances de gol. Porém, nem tudo foram flores, a partida foi muito violenta. E a curiosidade ficou pelo duelo entre os dois melhores atacantes da Europa. Sindelar e Sarosi.

Em Milão, A Alemanha Ocidental fez 2x1 na Suéciae voltou a mostrar sua força. Os alemães fizeram 2x0, através de Hohmaan e passaram apenas a tocar a bola, sem correr grandes riscos. O gol sueco marcado aos 40 minutos do segundo tempo(feito por Dunker)não surtiu nenhum tipo de ameaça a vitória germanica.

Em um jogo empolgante, a Tchecoslováquia enfrentou a Suiça. Kielholz abriu o marcador para os suiços. Svoboda virou para os tchecos. Abegglen III empatou, mas aos 38 do segundo tempo, Nejedly fez o gol da classificação tcheca.

Em Florença, aconteceu um dos maiores jogos da história das Copas. Itália e Espanha se degladiaram por uma vaga na semifinal. O primeiro tempo foi todo espanhol, que conseguiu impor seu ritmo e marcou através de Rigueiro, aos 29 minutos.Aos 44, Ferraris IV marcou um gol irregular, pois Meazza e Orsi fizeram falta em Zamora. O goleiro espanhol, aliás, foi o grande nome da segunda etapa, realizando pelo menos 5 grandes defesas. O empate forçou a prorrogação que terminou em 0x0. Ao final da batalha, Pizziolo, Schiavio e Ferrari, pela Azurra e Ciriaco, Fede, Lafuente, Iraragorri, Lángara, Gorostiza e Zamora, pela fúria, não teriam condições de jogar a partida desempate(conforme previa o regulamento)24 horas depois. A violencia, principalmente de Monti, havia aniquilado a Espanha.

Na partida extra, novamente, a violencia deu o tom, com entradas desleais de parte a parte, mas a Azuura conseguiu um gol logo aos 11 minutos do primeiro tempo, através de Meazza e passou o restante da partida se defendendo. O Duce podia respirar aliviado, a Itália seguia na Copa.

As semifinais
Em Roma, a Tchecoslováquia jogou sua melhor partida na competição e derrotaram a Alemanha(para alívio de Mussolini, que não queria enfrentar os alemães de seu amigo Hitler na decisão). Nejedly abriu o placar, mas Novack empatou o jogo. Nejedly, porém, estava demais e marcou mais duas vezes para garantir as vaga tcheca na decisção.

Em Milão, a Itália contou com a ajuda divina para vencer os fortes austríacos. Caiu um temporal antes e durante a partida. O leve time da Áustria não conseguia se achar em campo. Mais forte fisicamente, os italianos marcaram seu gol logo aos 10 minutos do primeiro tempo, com Guaita. E depois usaram e abusaram da violencia e do jogo viril para parar Sindelar e compania. A Azzurra estava na decisão.

Disputa do terceiro lugar
Pela primeiva vez foi disputada uma partida de disputa do terceiro lugar. Com 2 gols de Lehner e 1 de Conen, contra 1 de Horvath e outro de Sesta, os alemães derrotaram os austríacos por 3x2 e ficaram com a terceira posição da Copa.

A Final
O clima era de tensão naquele 10 de Junho. Mussolini estava nervoso, havia convidado os jogadores da Azzurra e Pozzo para uma parada militar em Roma. O treinador não quis saber de distrações para os jogadores e argumentou com o ditador que no esporte, nem sempre o melhor ganha. O Duce não queria saber de desculpas. Aceitou as ponderações com relação ao desfile, mas mandou um bilhete a delegação, onde deixava claro o que queria naquela decisção, “ Vençam ou aguentem as consequencias”.

Pozzo mudou a tática de sua equipe após assistir um treino dos tchecos. Ao invés de cruzamentos na área, pediu bolas rasteiras e a entrada em diagonal de Orsi e Guaita. Monti, recuperado de contusão, comandava o meio de campo italiano. Mas apesar do domínio, o primeiro tempo terminou em 0x0.

Aos 25 minutos da segunda etapa, Puc marcou para os tchecos. Silencio no estádio. O Duce estava impaciente e nervoso. Aos 34, Svoboda poderia ter matado o jogo para o tchecos, mas seu chute explodiu na trave de Combi. O ditado de quem não faz leva provou mais uma vez ser verdadeiro. Aos 35, Orsi empatou a partida, levando todos ao delírio. Pozzo, não entrou na euforia da torcida e pediu para sua equipe tocar a bola e esperar a prorrogação.

Logo aos 5 minutos da prorrogação, Meazza lançou Guaita, que, pela direita, prendeu a bola e esperou a entrada de algum companheiro na diagonal. Schiavio entrou e tocou na saída de Planicka. A Azuura estava na frente, 2x1. Os últimos 25 minutos foram um sofrimento só para Pozzo e o Duce. A Tchecoslváquia pressionou, mas a Itália resistiu bravamente, graças a raça e disposição de seus jogadores.

Fim de jogo, a Itália era campeã mundial de futebol pela primeira vez. Das tribunas Benito Mussolini acenava para todos. Ele não resistiu e acabou descendo para o campo, a fim de entregar pessoalmente a Taça para o capitão Combi. E ainda viu todos os jogadores perfilados no lugar mais alto do pódio, com o sinal do regime fascista. Mussolini era, sem sombra de dúvidas, o grande vencedor da Copa Do Mundo.

História das Copas-1930-Uruguai


Os países do continente americano estariam em peso no Uruguai para a primeira grande festa do futebol mundial. Rimet, fez questão de garantir a presença da França na Copa. Renomado advogado que era, ele próprio negociou a liberação do trabalho de alguns jogadores, que assim puderam se ausentar por dois meses. Ele só falhou ao não conseguir a liberação do grande ídolo do Racing de Paris, clube que ele mesmo ajudara a fundar, Manuel Anatol . A Bélgica chegou a pensar em desistir mas foi decisiva a intervenção de Rodolphe William Seeldrayers, Vice-Presidente da FIFA e futuro sucessor de Rimet. Mas assim como seu colega frances, ele não teve exito em conseguir a liberação do maior astro do seu país, Raymond Braine, que preferiu jogar profissionalmente, mudando-se para a Tchecoslováquia. Na Romenia, foi o próprio Rei Carol quem se encarregou de escalar a equipe nacional. E sabendo da participação romena, a Iuguslávia, então grande rival esportiva da Romenia, não poderia ficar de fora da festa. Com quatro Europeus e 13 seleções ao todo, a festa no Uruguai estava finalmente pronta para começar.
Em janeiro de 1930, Rimet foi a um pouco conhecido escultor frances,chamado Abel Lafleur, para encomendar o troféu que seria entregue ao primeiro campeão do mundo de futebol. Por cinquenta francos suiços, uma verdadeira fortuna na época, Lafleur fez uma estatueta de 30 cm de altura,com 4 quilos de peso, sendo 1,8 de puro ouro, com base de mármore, simbolizava a vitória. E mais tarde seria conhecida como Taça Jules Rimet.
Com a partida de abertura da Copa marcada para o dia 13 de Julho, as seleções européias começaram a embarcar rumo a América do Sul. No dia 20 de junho, seguiram viagem as delegações da Bélgica, Romenia e França, além do próprio Rimet com a Taça do Mundo. Todos eles estavam a bordo do transatlantico Conte Verde. No dia 25, no transatlantico Flórida, embarcava a Iuguslávia, que preferiu não ir no mesmo navio que seus rivais romenos.
A seleção brasileira foi uma das primeiras a confirmar a participação no mundial. O Presidente da CBD, Renato Pacheco, formou a comissão técnica da seleção apenas com cariocas, o que causou uma imensa revolta nos dirigentes paulistas. Teve início então uma enorme briga que iria enfraquecer o Brasil na Copa. No dia 3 de junho, Pacheco enviou telegrama a APEA(que correspondia a Federação Paulista da época), requisitando a convocação de 11 atletas(vale ressaltar que mesmo com futebol brasileiro praticamente resumido a Rio e São Paulo, por uma incrível “coincidencia” haviam 11 atletas paulistas e 11 cariocas na convocação). Os atletas paulistas chamados eram os seguintes. Amicar, Athie, Del Debbio, Grané, Araken, Heitor, Petronilho de Brito(irmão de Waldemar, o descobridor de Pelé), Filó, Feitiço, De Maria e o maior jogador brasileiro da época, Arthur Friedenreich.
São Paulo, porém, não tendo sido atendido em seu pedido de cargos na comissão técnica, não cedeu os jogadores e boicotou a seleção.A CBD então tratou de convocar novos jogadores, cariocas é claro, para completar o escrete. O paulista Araken, rompeu com o Santos e resolveu se apresentar para disputar a Copa. O Brasil, portanto, ia para seu primeiro mundial, com uma seleção carioca, reforçada com um único paulista e sem seu maior jogador.
No dia 2 de julho, após apenas dois treinos, a delegação brasileira(carioca) embarva no Conte Verde rumo ao Uruguai. E já havia um excesso de cartolas viajando com a delegação(prática até os dias de hoje comum). Além de todos os problemas, faltou a seleção um mínimo de organização, nem Técnico a seleção possuia. Quem respondia pelo cargo era ora Píndaro de Carvalho, ora Vinelli Moraus ou até mesmo o árbitro brasileiro do mundial Gilbeto de Almeida Rego.
A viagem foi uma verdadeira tortura para os brasileiros, que sem espaço no navio, não coneguiam se exercitar. A maioria só fazia algumas leves movimentações no convés e algumas horas de natação. Quando o navio parava em algum porto, a delegação descia e tentava realizar algum treinamento com bola. O resultado disso tudo foi que os jogadores acabaram engordando muito durante a viagem e chegaram a Montividéu completamente fora de forma.
No dia 5 de julho, o Conte verde aportou no Uruguai, A delegação do Brasil seguiu para o hotel Colón, primeira concentração brasileira em uma Copa do Mundo. A temperatura era muito baixa. E a seleção tremia e não conseguia treinar direito.
11 de julho foi a data do sorteio dos grupos. Os cabeças de chave ficaram assim definidos. Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Os grupos da Copa ficaram assim definidos. Grupo A Argentina, França,México e Chile, Grupo B Brasil, Iuguslávia e Bolívia, Grupo C Uruguai, Romenia e Peru, Grupo D Paraguai, Bélgica e EUA.
A França queria estreiar no dia 14 de julho, dia em que comemora a queda da Bastilha. Para compensar a impossibilidade de atender ao seu pedido, a FIFA definiu que o jogo de abertura da Copa seria disputado entre França e México no dia 13 de julho.
GRUPO A

No dia 13 de julho, no Estádio de Pocitos, que pertencia ao Penarol(o Centenário estava com as obras atrasadas e só seria entregue para a estréia do Uruguai, no dia 18), entravam em campo França e México, para a abertura oficial da primeira Copa do Mundo de futebol da FIFA.
E, aos 19 minutos do primeiro tempo, Lucien Laurent, um modesto meia esquerda do Sochaux e que fazia apenas a sua terceira partida pela seleção francesa, deu um chute seco, da entrada da área, e abriu o marcador para os franceses. Mais do que isso, marcou o primeiro gol da história dos mundiais.
Mesmo jogando com um jogador a menos durante boa parte do tempo, pois o goleiro Thepot teve que sair machucado, e não se permitiam substituições, A França goleou o mal preparado México, por 4x1.
O segundo jogo do grupo, foi disputado no dia 15, entre Aregntina e França. O jogo foi uma batalha campal. O centro-médio argentino, Luisito Monti bateu em quem quis e contou com a ajuda do árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rego. Aos 36 minutos do segundo tempo, o próprio Monti marcou o gol da vitória argentina. O mais lance mais polemico, porém aconteceu aos 39 minutos, quando o ponteiro frances Langiller passou por dois marcadores e entregou a bola para Maschiot, que encontrava-se cara a cara com o goleiro e tinha grandes chances de empatar a partida..Ouve-se entretanto, um apito, dando a partida por terminada. Depois do público(que naturalmente torcia para a França devido a rivalidade com os hermanos)invadir o campo e muito protesto por parte dos jogadores, Almeida Rego resolveu admitir seu erro e fez a partida recomeçar, porém dessa vez sem perigo para os argentinos.
Nas demais partidas do grupo, o Chile estreiou vencendo o México, por 3x0, e depois bateu a combalida França, por 1x0. Como a Argentina também venceu o México, por 6x3, em partida que o fabuloso atacante Stábile marcou 3 gols, a vaga a semifinal seria decidida entre argentinos e chilenos.
A Argentina tinha muito mais time e confirmou a vitória por 3x1, garantindo assim a vaga na semifinal da Copa. Stábile marcou mais dois gols e salvou o valentão do time Monti de uma grande humilhação. O centro-médio argentino fizera uma falta desleal no pequenino chileno Subiabre, que se revoltou e ao levantar-se desferiu vários socos e pontapés no grandalhão argentino. Atonito, Monti não reagia, até que Stábile deu uns safanões em Subiabre, que teve que deixar a partida por causa das contusões. Incrivelmente, o árbitro belga Langenus, não expulslou ninguém.
GRUPO B
A data de 14 de julho entrou para a história do futebol brasileiro, pois foi o dia da primeira partida da seleção em um Copa do Mundo. Fazia muito frio, perto dos zero graus.O goleiro Joel não conseguia jogar de luvas e o massagista deixou um saco de água quente para que ele, de vez em quando, aquecesse suas mãos(providencia essa que não surtiu muito efeito, pois a água logo congelava). O certo é que os brasileiros foram envolvidos pelos iuguslavos. Araken ainda teve uma chance quando a partida ainda estava 0x0, mas por excesso de preciosimo, acabou perdendo. Aos 21 minutos, Tirnanic abriu o marcador. Aos 30 Beck ampliou e a vantagem iuguslava só não foi maior porque eles se pouparam.
Veio a segunda etapa e o Brasil melhorou. Fausto, que nessa copa ficou conhecido como “maravilha negra” empurrava o time para a frente. E apesar do frio e do medo de alguns jogadores, Preguinho fez de cabeça, aos 17 minutos o primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo.
A classificação a semifinal estava praticamente impossível, pois para que isso acontecesse seria preciso a frágil seleção da Bolívia vencer os iuguslavos. E, obviamente não foi isso que aconteceu. Iuguslávia, classificada para a semifinal da Copa 4x0 Bolívia.
Restava a seleção se despedir com honra. Píndaro de Carvalho e seus outros “técnicos” fizeram 9 alterações. E o Brasil goleou a Bolívia. Moderato marcou o primeiro aos 37 minutos do primeiro tempo. Preguinho fez o segundo aos 6 minutos do segundo tempo. Moderato voltou a marcar aos 28 e Preguinho fechou o placar aos 30. Essa vitória só serviu para ser a primeira do Brasil em Copas do Mundo.
E o mais lamentável de tudo é que com sua seleção completa, o Brasil conseguiu resultados expressivos contra Argentina e Uruguai, o que levava a crer, que se não houvesse a briga entre paulistas e cariocas, a seleção poderia ter ido mais longe, e quem saber até ter sido campeã...
GRUPO C
O primeiro jogo deste gurpo aconteceu no dia 14 de junho com a viória romena por 3x1 sobre o Peru. Nesta partida ocorreu a primeira expulsão da história das Copas, quando o peruano Galindo simplesmente quebrou a perna do romeno Steiner.
No dia 18, o Estádio Centenário, ainda com cheiro de tinta e cimentos frescos, foi finalmente inaugurado. O jogo envolveria os donos da casa contra a frágil seleção peruana. O Uruguai vinha de uma pequena crise, pois já treinava a alguns meses para a Copa. O goleiro titular Andrés Lazzali, não suportou o ritmo intensivo dos treinamentos e deu uma “escapadinha” de madrugada. Quando voltou, o técnico Alberto Suppici estava o esperando e anunciou seu corte. Para o seu lugar, incrivelmente, foi convocado “Manco” Castro, um atacante que não possuía o antebraço esquerdo.
O povo uruguaio esperava uma goleada, porém os mais de 81.000 espectadores, tiveram que se conformar com uma magra vitória por 1x0, com gol de Castro, aos 15 minutos do segundo tempo.
Com o pouco expressivo resultado obtido na estréia, os uruguaios precisavam vencer a Romenia, já que o empate favoreceria os romenos por ter um melhor saldo de gols. Chegou-se a temer pelo pior, mas dessa vez o time jogou bem. Com gols de Dorado, Scarone, Anselmo e Cea garantiram vaga nas semifinais.
GRUPO D
O pior grupo da Copa teve início no dia 17 de junho, quando os EUA surpreenderam e venceram a Bélgica por 3x0, com gols de MCGhee, Florie e Paternaude.
E os norteamericanos seguiram com suas façanhas, ao vencer o Cabeça-de-chave do grupo, o Paraguai, também por 3x0. Com estes resultados, a Seleção dos EUA estava entre as quatro melhores seleções do planeta.
No útlimo jogo, já sem nenhuma importancia, o Paraguai derrotou a Bélgica, por 1x0, com gol de Pena.
SEMIFINAIS
Os confrontos das semifinais foram determinados através de sorteio(especula-se que tenha sido um sorteio dirigido para que não houvesse um confronto entre uruguais e argentinos na semi). Coube a Argentina e EUA fazerem a primeira semifinal, no dia 26 de junho.
E foi um verdaeiro massacre portenho. Stábile marcou 2 vezes, Peucelle mais duas, Monti e Scopelli marcaram os 6 gols. O EUA fez o seu de honra faltando apenas dois minutos para o término da partida, através de Brown.
No dia seguinte era a vez da Celeste confirmar seu favoritismo e avançar a decisão. E eles não deixaram por menos. Venceram pelos mesmos 6x1 que os argentinos, com a diferença que acabaram levando o primeiro gol(Vujadinovic), mas depois veio o massacre. Cea marcou 3 vezes, Anselomo duas e Iriarte fechou o marcador.
Não havia disputa do terceiro lugar na Copa de 30 e a final que todos esperavam, iria realmente acontecer. Uruguai x Argentina, numa revanche da final dos jogos olímpicos de 1928, vencida pelos uruguaios.
A FINAL
A grande final estava marcada para o dia 30 de junho, uma quarta-feira. Devido a grande rivalidade e as já conhecidas brigas, a polícia tratou de montar um esquema especial de segurança e de dimnuir a capacidade do Centenário para 70.000 pessoas.
Os argentinos tiveram direito a 20.000 ingressos e embarvam cruzando o Rio da Prata. Os que não conseguiam ir exigiam a vitória ou a morte. O clima nas concentrações era de muita tensão. Amenizada apenas pela visita de Carlos Gardel as duas concentrações.
Para a sorte dos policiais, muitos barcos que saíram da Argentina não conseguiram chegar a Montevidéo devido ao mal tempo. Com isso, o numero de torcedores argentinos foi bem menor do que o esperado.
Os problemas continuavam, principalmente na Argentina o sempre valente e temperamental Monti, estava acuado, quieto. Horas antes da decisão ele foi flagrado chorando. O que ninguém sabia é que Monti sofria com as ameaças de morte a sua mãe e esposa.
A primeira “guerra” da decisão foi vencida pelos argentinos. Cada seleção queria jogar com a sua bola. O árbitro belga Langenus(que iria deixar Montividéo logo após a partida)propos que se fizesse um sorteio. E nele, venceu a Argentina que pode jogar com a sua pelota.
A partida começou tensa, como era de se esperar, mas aos 12 minutos Dorado abriu o marcador, em passe de “Manco” Castro, que voltava ao time titular, para o time da casa. A alegria da torcida porém não iria durar muito. Aos 20, Peucelle empatou e aos 37, o artilheiro da Copa, Stábile marcou seu oitavo gol e virou a partida para os argentinos.
A torcida ficou apreensiva. O Uruguai tinha apenas 45 minutos para virar a partida. O segundo tempo começou e nada de gol de empate. Aos 12, Cea marcou para a Celeste. A torcida veio abaixo. O barulho era ensurdecedor. E os Argentinos sentiram o golpe. Aos 23, Iriarte fez o gol que colocou os donos da casa em vantagem. O título se aproximava. Mas faltava o surgimento do herói. E aos 44 minutos, o pequenino Manco Castro subiu mais que o zagueiro Della Torre e marcou o tento da vitória.
Jules Rimet entregou a Taça ao capitão da Celeste Nasazzi. O Uruguai confirmava que possuia o melhor futebol do mundo daquela época. E “Manco Castro! Pode ser considerado o primeiro herói de uma Copa do Mundo.

Rádio Futbolleiros