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terça-feira, 10 de março de 2015

A Era de Ouro do Flamengo- O terceiro Turno do Carioca de 79


O terceiro turno do Campeonato Carioca de 79

Por ter vencido os dois turnos anteriores, o Flamengo entrou no derradeiro com dois pontos de vantagem sobre os demais sete rivais. Era uma dianteira considerável, considerando-se que apenas sete partidas seriam disputadas e a inegável qualidade do elenco rubro-negro.

Antes da estréia, mais um reforço chegou a Gávea. Por empréstimo até o fim do ano, o clube contratou o zagueiro Boca, da Francana.

No último coletivo antes do jogo com a Portuguesa, os titulares venceram por 5 a 3, gols de Cláudio Adão (2), Adílio, Júlio César e Tita. Luisinho (2) e Boca. Nesse treino, ficou decidido que Andrade seria o lateral direito, já que Toninho estava suspenso e Leandro, sem ritmo de jogo. Para completar o clima de otimismo, Júnior, em entrevista a O Globo, diz que prefere o tricampeonato pelo Flamengo a Copa América pela seleção.

Apesar disso e da vitória de três a zero (Tita, Reinaldo e Leandro), o time não esteve bem e deixou o gramado sob vaias. Diante da fragilidade do oponente, a torcida queria mais gols!

A próxima partida seria frente ao Goytacaz, novamente no Maracanã. No coletivo apronto, goleada dos titulares por cinco a zero em cima dos juvenis. Tita (3), Júnior e Adílio marcaram.

Se na rodada anterior, o time não esteve bem, no confronto contra o time de Campos, a equipe se acertou. A goleada veio, por cinco a um, com gols de Cláudio Adão (2), Tita (2) e Adílio. Dessa vez, a torcida não reclamou.

Na terceira rodada, uma difícil vitória sobre o Bangu, por apenas um tento a zero, deixou a equipe rubro-negra com 100% de aproveitamento. Tita, o autor do gol, mostrou que vivia grande fase. Atuando em sua real posição (a mesma que Zico), ele desandou a marcar gols e jogar bem.

O que ninguém esperava era o tropeço que se seguiria. Uma acachapante derrota para o Fluminense, por três a zero, em um dia que nada funcionou na equipe. Zico, ainda sentindo a lesão, entrou no segundo tempo, perdeu um pênalti e agravou a contusão. Mesmo assim, o time seguiu na liderança da competição, já que entrou com dois pontos de bonificação. Após o jogo, Coutinho, disse que um tropeço era possível e que a vantagem de ter conquistado os turnos anteriores havia causado certo relaxamento. Agora, era voltar a vencer para conquistar o Tri!

A preocupação de todos na Gávea era como o time ia reagir a essa derrota. Para sorte de todos, a semifinal da Copa América, diante do Paraguai desviou o foco e deixou o clube se preparar para os três últimos compromissos em paz.

Na quinta rodada, o Flamengo se recuperou. Zico, mais uma vez tentou forçar a sua escalação. Saiu jogando e teve que ser substituído no intervalo. Ele não voltaria mais a atuar no campeonato. Mesmo assim, jogando no Maracanã, o time bateu o Americano, por três a zero. Todos os gols foram marcados por Tita, em forma exuberante.

Pela mesma rodada, o Botafogo goleou o Fluminense (4x0). Com isso, Flamengo e Vasco lideram o turno final sem pontos perdidos. Botafogo e Fluminense vinham a seguir, com dois pontos perdidos. Faltando duas rodadas para o fim, a briga estava boa.

No clássico da sexta e penúltima rodada, o rubro-negro iria enfrentar o Vasco, em jogo que poderia garantir o Tricampeonato antecipado ao clube da Gávea.

Na rodada, o Botafogo bateu o Goytacaz e o Fluminense, a Portuguesa, mantendo as chances de ambos no campeonato.

Flamengo 3x2 Vasco

Taticamente, Coutinho mantinha o time e o esquema habituais. Carpegianni e Adílio jogavam um pouco mais recuados, marcando e organizando o time. Tita era o ponta de lança, substituindo Zico. Reinaldo atuava aberto pela direita. Cláudio Adão era o centroavante e Júlio César, o extrema esquerda. O Vasco atuava no clássico 4-3-3 da época.

Aos cinco, Adão ajeitou de calcanhar para a penetração de Adílio. O neguinho bom de bola invadiu a grande área e bateu rasteiro. A bola passou raspando a trave direita de Leão.

Aos 11, o primeiro gol rubro negro. Para variar, nascido de um contra ataque mortal. Adílio lançou Júlio César em profundidade, nas costas de Orlando. Na base da velocidade, Uri Geller foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Ivã se antecipou a Cláudio Adão, mas acabou marcando contra. Flamengo um a zero.

Em desvantagem no marcador, o Vasco se perdeu. Dois minutos depois, Tita ficou cara a cara com Leão, depois de uma bola mal cortada por Marco Antônio. O camisa 10, entretanto, acabou tocando para fora e desperdiçando ótima chance de ampliar o marcador.

Aos 21, Júlio César passou por dois e tocou para Cláudio Adão. O atacante ganhou a dividida com Gaúcho e saiu na cara de Leão. Porém, ao tentar driblar o goleiro, acabou perdendo a bola. A sobra ficou com Júlio César, que acabou desarmado. Na seqüência da jogada, a redonda chegou até a ponta direita, para Reinaldo. O bigodudo finalizou fraco, mas com muito efeito. Leão falhou e bateu roupa e Tita, oportunista como sempre apenas teve o trabalho de tocar para as redes. Com menos da metade do primeiro tempo jogado, o fla já vencia por dois a zero.

O rubro negro tinha tudo sob controle. Tocava a bola, marcava bem e não era ameaçado pelo Vasco. Até que aos 38, Orlando cobrou lateral, Guina cruzou, de maneira despretensiosa. Roberto cabeceou para baixo. Toninho tentou cortar, mas errou a cabeçada e ainda desviou a bola, tirando qualquer chance de defesa de Cantarele. Dois a um.

O apagão do Flamengo continuou. Aos 42, Guina bateu por cima, depois de uma bela ajeitada de Dudu. Um minuto depois, não teve jeito. O Vasco cobrou uma falta rápida. Wilsinho foi a linha de fundo e cruzou para trás, rasteiro. Roberto fez o corta luz. Guina ajeitou de calcanhar para Catinha, que, de três dedos mandou a pelota para o fundo das redes. Num piscar de olhos, o clássico dos milhões estava empatado. Dois a dois.

No intervalo, Coutinho, revoltado disse no microfone da TV Globo que time que quer ser tricampeão não pode dar bobeira como deu o seu time.

A etapa final começou de maneira cautelosa. Afinal, se o empate não decidia nada, a derrota praticamente alijava o perdedor da disputa pelo título. Aos 12, Guina bateu de longe e obrigou Cantarele a espalmar para escanteio.

A partida estava equilibrada quando aos 20 minutos, Toninho cruzou da direita. Titã subiu demais e cabeceou no alto, fora do alcance de Leão. Um golaço! Flamengo três a dois. No mesmo momento, Coutinho sacou Júlio César do time, fazendo entrar Andrade e rearmando a equipe numa espécie de 4-1-2-1-2.

Aos 24, Tita, novamente de cabeça, perdeu ótima oportunidade de aumentar a vantagem rubro-negra. Precisando pelo menos do empate, o Vasco mudou. Paulinho entrou no lugar de Wilsinho, para tentar dar mais força ofensiva ao time da cruz de malta.

Faltando oito minutos, o Vasco foi pro tudo ou nada. O atacante xaxá substituiu o meia Dudu. De nada adiantou, a torcida do Flamengo começou a gritar “Tricampeão! Tricampeão”! No fim das contas, deu rubro-negro, três a dois.

De fato, o tri estava muito próximo. Até Coutinho entrou na onda, dizendo já se considerar tri. Entretanto, o confuso regulamento do certame diz que só haverá jogo extra se dois clubes terminarem empatados. Em caso de três ou mais clube empatarem em primeiro lugar, o campeão será o clube que tiver o maior somatório de pontos no geral (Flamengo).

O mengo era líder isolado, sem pontos perdidos. Em seguida, vinham Vasco, Fluminense e Botafogo, com dois pontos perdidos. Isso queria dizer que, se houvesse um vencedor na partida de sábado, entre Vasco e Fluminense, o clube da Gávea seria Tricampeão por antecipação, mesmo que perdesse para o Botafogo (se essa hipótese acontecesse, Fla, bota e o vencedor do jogo de sábado terminariam empatados, com dois pontos perdidos e o Flamengo seria o campeão por ter somado o maior número de pontos nos turnos anteriores).

No sábado, o Vasco venceu o Fluminense, por três a dois e garantiu o título antecipado da equipe de Zico, Júnior e Coutinho. O clássico diante do Botafogo passou a ser um mero amistoso, ou como disse Zico “o jogo de entrega das faixas”.

Flamengo 0x0 Botafogo

Mesmo sendo um “amistoso”, o Flamengo começou em cima. Aos cinco minutos, Júnior, deslocado pela direita, tentou a finalização, mas Borrachinha fez uma ótima defesa e salvou o alvinegro.

Adão perdeu uma boa chance de cabeça, aos 12. Aos 13, Renato Sá foi expulso, por reclamar e xingar o bandeirinha. A tarefa rubro-negra ficava, pelo menos em tese, facilitada.

Só que o mengo pareceu se acomodar em campo. Só foi ameaçar de novo aos 35, quando Cláudio Adão, sozinho, cabeceou para fora um cruzamento perfeito de Toninho. Sem inspiração de parte a parte, nada mais aconteceu no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, em entrevista a TV Globo, Coutinho foi preciso em sua análise “O time precisa tocar a bola e virar o jogo com maior rapidez. Estamos segurando de mais a bola e perdendo velocidade. Precisamos explorar o fato de termos um homem a mais”.

Na verdade, além da preguiça, o treinador rubro-negro sofria com os desfalques. Zico e Tita, os melhores jogadores durante a competição não puderam jogar. Assim, Coutinho escalou o time com Cantarele, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior. Andrade, Carpegianni e Adílio, Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio César.

Outro empecilho foi a tarde muito ruim de alguns atletas. Adão, por exemplo, irritou tanto o torcedor presente ao Maracanã que a galera começou a pedir a entrada de Beijoca, que se encontrava visivelmente fora de forma. Adílio era outro que não rendia bem fora de sua posição.

Aos 18, Coutinho atendeu o apelo da arquibancada e pôs em campo Beijoca no lugar de Cláudio Adão.

Com tanta falta de inspiração assim, foi o Botafogo quem assustou. Aos 24, Gil escapou sozinho pela ponta direita, invadiu a área e bateu firme. Cantarele conseguiu desviar e Manguito despachou de vez o perigo.

Aos 38, Adílio recebeu de Beijoca na entrada da área. Ele gingou na frente dos marcadores e bateu no ângulo esquerdo. Borrachinha voou e conseguiu espalmar para escanteio.

Apesar de tudo, a festa do Tricampeonato foi linda e merecida. O Flamengo terminou o turno final com apenas um ponto perdido. O Vasco foi vice, com dois. O Botafogo, foi o terceiro, com três. Em quarto, ficou o Fluminense, com quatro.

No próximo texto: O Campeonato Brasileiro de 79. Até breve!




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Flamengo 1x0 Vasco o gol do deus da raça



Flamengo 1x0 Vasco
Data 03/12/1978 Local Maracanã Público 120.433 Árbitro José Roberto Wright
Gol Rondinelli,aos 41 do segundo tempo
Expulsões Guina e Zico
Flamengo Cantarelli, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior, Carpeggiani, Adílio e Zico, Tita (alberto Lequelé), Marcinho e Cléber (Eli Carlos)
Vasco Leão, Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antônio, Helinho, Paulo Roberto e Guina, Wilsinho (Paulo César), Roberto e Ramon (Paulinho)

Pré-jogo
O segundo turno do campeonato carioca de 78 chgeou a sua última rodada com uma autêntica decisão. De um lado o Vasco, com 10 vitórias em 10 jogos, 20 pontos ganhos, 33 gols pró e 5 gols contra. O time era o líder do turno e precisava apenas de um empate para ser o campeão.

Do outro lado, estava o Flamengo, que já estava garantido na final do campeonato, pois havia sido o vencedor da Taça Guanabara. O rubro-negro tinha 19 pontos em 10 jogos. Com 9 vitórias e apenas um empate, diante do Madureira, na terceira rodada. O time tinha marcado 30 gols e sofrido 5 até aquele momento.

O mengo entrava em campo mais tranquilo. Mesmo se perdesse a partida, disputaria a decisão. O papo na cidade era que os clubes não iriam querer perder a renda de mais duas partidas com Maraca lotado. Por isso, poucos acreditavam na vitória do fla naquele domingo, (ainda mais com a ausência de Cláudio Adão, artilheiro do time e do campeonato, ao lado do seu companheiro Zico e do rival Roberto) o que significaria a conquista antecipada do campeonato.
Primeiro Tempo
Mais cauteloso, Orlando Fantoni armou o Vasco em um 4-2-1-3, com Helinho e Paulo Roberto na contenção e apenas Guina tentando pensar o jogo. Na frente, Dinamite era a referência e Wilsinho pela direita e Ramon pela esquerda tinham que não só atacar com a bola, mas voltar acompanhando as descidas de Toninho e Júnior.

Enquanto isso, precisando da vitória, Coutinho escalou o seu Fla em um 4-2-2-2. Carpeggiani e Adílio marcavam e davam qualidade a saída de bola. Zico e Tita armavam o jogo e Marcinho e Cléber jogavam mais a frente. Na teoria, o fla era mais time. A vantagem do empate, contudo, igualava a partida.

E o Flamengo assustou logo aos dois minutos. Marcinho cobrou escanteio e Zico, sozinho, cabeceou para boa defesa de Leão. Aos 7, Guina avançou pela direita e cruzou na segunda trave, onde estava Ramon. O ponta esquerda tentou cabecear direto para o gol ao invés de ajeitar para Roberto que vinha sozinho, de frente para a meta e perdeu boa chance.

O rubro-negro parecia nervoso. Errava passes na saída de bola e cometia muitas faltas. Mesmo assim, o craque sempre aparece. Aos 15, Zico dividiu com Helinho, caiu, levantou, passou por dois marcadores e bateu firme. Mais uma vez Leão (que ainda não havia sido derrotado uma única vez desde que deixou o Palmeiras e chegou ao Vasco) não deu nem rebote. Helinho marcava, ou tentava, o camisa 10 quase que individualmente. Toda vez que era driblado, o volante vascaíno cometia a falta e parava o lance.

Aos 23, Tita roubou a bola de Marco Antônio, passou como quis pelo lateral vascaíno e chutou forte para a área. Gaúcho tentou afastar, pegou na orelha da bola e obrigou Leão a fazer uma grande defesa, de puro refelexo, espalmando a escanteio. Apesar dessa jogada, o fla pecava por jogar demais pelo meio e esquecer as pontas.

Aos 38, Marco Antônio deum uma pregada em Marcinho e recebeu o primeiro amarelo da partida. Aos 44, Zico teve uma boa chance de abrir o marcador depois de uma cabecada de Cléber, mas acabou pegando mal e a bola saiu fraca para as mãos de Leão. Aos 45, Roberto levou a bola, passou por Manguito mas também bateu fraco Cantarelli defendeu com facilidade.

No final de um primeiro tempo muito mais marcado do que jogado, o Flamengo foi ligeiramente superior ao Vasco, criando três chances, contra duas do time de São Januário.

Segundo Tempo
O Vasco voltou com uma alteração do intervalo. Paulinho, vice-artilheiro do time na competição, entrava na vaga de Ramon. E quase que a substituição já deu resultado aos três minutos. Wilsinho cruzou da direita e Paulinho desviou com perigo para Cantarelli.

O jogo estava mais a feição do time de Fantoni. O Fla se abria mais, pela obrigação de vencer o jogo e dava espaços para os contra-ataques, agora mais perigosos com a presença de Paulinho. Aos 14, se não fosse um erro clamoroso do auxiliar, o Vasco poderia ter saído na frente. Paulinho avançou e lançou para ele mesmo no ponto futuro. Roberto estava impedido, mas não participou do lance. Mesmo assim, José Roberto Wright atendeu a marcação do seu bandeira e assinalou o fora de jogo.

Aos 17, Guina recebeu um cartão amarelo, ao reclamar de uma falta marcada a favor do rubro-negro. Aos 22, Eli Carlos entrou na vaga de Cléber. Com isso, Zico passou a jogar quase que como centroavante, abriu Marcinho pela direita e Tita pela esquerda. Eli passou a armar o jogo no lugar do galinho. Cláudio Adão estava fazendo muita falta.

Aos 25, Zico tabelou com Adílio, recebeu na frente e chutou para grande defesa do goleiro do Vasco e da seleção brasileira. No rebote, Tita isolou. Era a primeira chance de gol rubro-negra na etapa final. Na sequência do lance, Leão recebeu cartão amarelo, por retardar o jogo.

Aos 29, novamente Zico apareceu na grande área e foi travado por Abel, na sobra, Toninho finalizou de primeira, a bola explodiu em Orlando e saiu para escanteio. Na base da vontade, o Flamengo melhorava.

Percebendo que o rival melhorava no jogo, Fantoni sacou o ponta direita Wilsinho e colocou o volante Paulo César. Faltando apenas 14 minutos, era normal que o Vasco se precavesse.

Aos 34, Guina que até então pouco havia aparecido no segundo tempo, deixou Roberto em boas condições. O artilheiro bateu de pé esquerdo e Cantarelli mandou para escanteio.

O fla se mandava todo na tentativa do gol salvador. Aos 38, Roberto ganhou de Rondinelli e serviu Paulinho, sozinho na área. O ponteiro chutou de canela e perdeu a melhor oportunidade do jogo até aquele momento. A resposta do mengo veio no minuto seguinte, duas vezes com Tita. Na primeira ele cortou da esquerda para o meio e bateu firme. Leão deu rebote. A bola sobrou para Marcinho que cruzou e novamente Tita cabeceou para fora, com perigo.

Aos 41, o lance que marcou uma geração. Júnior cruzou, Marco Antônio estava sozinho mas mesmo assim se precipitou e mandou a bola para escanteio. Zico, que não costumava cobrar, se encaminhou para lá e cruzou na cabeça de Rondinelli, que subiu entre Roberto e Abel para testar firme, sem chance para Leão. O Flamengo se aproximava da conquista do campeonato carioca.

Aos 44, Coutinho reforçou a sua marcação ao tirar Tita e colocar Alberto Lequelé. Zico levou o seu amarelo ao isolar uma bola depois da falta marcada. Paulinho perdeu mais uma chance ao chutar para segura defesa de Cantarelli.

Aos 46, Zico e Guina se agrediram e acabaram expulsos. O jogo ficou parado por conta da confusão por mais de seis minutos, com direito a invasão do gramado, por parte de jornalistas e de sumiço das bolas.

No fim das contas, deu a lógica. O melhor time venceu. Era o começo da Era de ouro do Flamengo, campeão carioca de 1978. Para o cometarista da Rede Globo, J.Ávila "venceu o time que buscou o jogo. O Vasco se defendeu por 86 minutos. Mas a vitória foi justa e o título merecido."

Abaixo, como de costume, o vídeo com o compacto da partida. Até breve com outros jogos históricos do futebol brasileiro e mundial.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vasco 2x0 Fluminense Carioca de 78




O segundo turno estava muito mais disputado que o primeiro. Nas nove primeiras rodadas, o Vasco havua vencido todos os seus jogos. Mesmo assim, o líder provisório era o Flamengo, que já havia jogado pela décima rodada e derrotado o Olaria, por 2x0, com gols de Zico e Tita.

O rubro-negro, que só tinha empatado uma partida tinha 19 pontos, contra 18 do Vasco. Sendo assim, o clássico contra o Fluminense, válido pela décima rodada era fundamental para o campeonato. Na última rodada, Fla e Vasco se enfrentariam para decidir quem conquistaria o segundo turno. O trioclor, com 16 pontos, tinha que vencer para manter as suas chances de conquistar o turno.

So o time de São Januário derrotasse o Fluminense, jogaria pele empate. E se perdesse, teria que vencer seu maior rival (lembrando que o mengo já havia conquistado a Taça Guanabara e portanto, se vencesse também o segundo turno, seria o campeão carioca de 78)

Foi nesse clima de tensão que cruzmaltinos e tricolores entraram no Maracanã, no dia 26 de novembro de 1978 para esta partida decisiva.

Até pela necessidade maior da vitória, o tricolor começou pressionando mais. Contudo, Abel e Gaúcho neutralizavam bem todas as investidas. As equipes estavam visivelmente nervosas e erravam passes em excesso.

O gol acabou saindo mais cedo do que se imaginava. Aos 11 Guina drilou Pintinho, foi a linha de fundo e centrou (a bola pareceu ter cruzado a linha e saido)na cabeça de Roberto, que marcou 1x0.

Aos 15, Marco Antônio cruzou da esquerda, Paulinho furou, a bola bateu em Tadeu e voltou para Paulinho ajeitar para Paulo Roberto, que só teve o trabalho de desviar de Wendell. Com 2x0, o Vasco praticamente matava o jogo.

O jogo era truncado demais. Tadeu deu um soco em Paulo Roberto e Arnaldo César Coelho não mostrou nem cartão amarelo. O Fluminense esbarrava na ótima atuação da defesa vascaína e nada criou no primeiro tempo. A única chance de gol do flu só poderia vir mesmo de uma bola parada. Marinho cobrou falta magistralmente, mas a bola bateu na trave, com Leão já completamente batido.
Segundo Tempo
O Fluminense voltou com duas alterações do intervalo. Zezé na vaga de Doval e Renato no lugar de Wendell. E o tricolor assustou novamente através do lateral Marinho, que arriscou de longe para Leão espalmar a escanteio.

O Vasco estava mais recuado.Mário, após cobrança de escanteio, cabeceou sozinho e Leão fez grande defesa, na bas do reflexo. Na continuação da jogada, o contra ataque do Vasco quase foi fatal mas Paulinho acabou batendo em cima de Renato.

Novamente, o Fluminense assustou na bola parada. Marinho centrou a bola. A zaga afastou e no rebote, Cléber acertou um balaço que venceu Leão mas encontrou o pé de Marco Antônio em cima da linha para salvar.

Com a vitória, o Vasco eliminou o Fluminense e passou a precisar apenas de um empate na última rodada, contra o Flamengo.

Abaixo, o vídeo com o compacto deste jogo. Até a próxima, com esse Flamengo x Vasco qu decidiu o campeonato carioca de 1978

sábado, 26 de novembro de 2011

Flamengo 4x0 Fluminense Carioca de 1978




Flamengo 4x0 Fluminense
Data 05-11-1978 Local Maracanã Público39.101 Árbitro Valquir Pimentel
Gols Zico, aos 29, Claudio Adão, aos 44 e Zico, aos 45 do primeiro tempo. Claudio Adão, aos 31 do segundo tempo.
Flamengo Cantarelli, Toninho, Manguito, Nélson e Júnior, Carpeggiani, Adílio (Alberto Leguelé) e Zico (Ramirez), Marcinho, Claudio Adão e Tita
Fluminense Wendell, Miranda, Tadeu, Edinho e Carlinhos (Isidoro), Pintinho, Cléber (Rubens Galaxe) e Mário, Fumanchu, Nunes e Doval

A partida era válida pela quarta rodada do segundo turno. O líder até então era o Vasco, com 8 pontos. O Flamengo era o vice-líder, pois vencera o América (2x1), o Campo Grande (5x2) e tropeçara diante do Madureira (2x2), em Moça Bonita. Além disso, o jogo acontecia apenas 20 dias depois de o Fluminense ter carimbado a faixa de campeão da Taça Guanabara do Fla. O rubro-negro entrou mordido em campo. Era hora de vingança. Era a hora de dar o troco naquela que seria aúnica derrota do time no campeonato carioca de 78.

Primeiro Tempo
O começo da partida mostrava como o time de Coutinho estava ligado. Com marcação adiantada, dificultava a saída de bola tricolor. Adão era o único atacante. Marcinho pela direita e Tita pela esquerda ocupavam o lado do campo, enquanto Carpeggiani era o volante pensador e Zico e Adílio completavam o meio de campo. Em números, era um 4-1-4-1 para compactar mais a equipe, Adílio e Zico voltavam mais para buscar a bola e se juntar a Tita e Marcinho, formando então a linha de quatro jogadores no meio campo mais avançado.

Os primeiros arremates a gol, mesmo que sem perigo algum, foram do Fluminense. Nunes caía pela esquerda e levava vantagem sobre Toninho. Em 10 minutos, o centroavante finalizou duas vezes.

A pressão no campo de ataque dava resultado para o fla. Foram várias bolas recuperadas. O problema era o último passe. Quando finalmente acertou aos 29, foi bola na rede. Zico recebeu de Tita, tabelou com Cláudio Adão e bateu para vencer Wendell.

A chuva caia forte no Maraca. Deixava os jogadores enxarcados mas não esfriava o ânimo rubro-negro. Júnior deu um balão em Mário. Marcinho ganhava todas de Carlinhos. Adílio, Tita e Carpeggiani comandavam o meio de campo.

Aos 37, Júnior tabelou com Adílio e sofreu penalti não marcado por Valquir Pimentel.Tita começou a se movimentar mais por dentro e abriu o corredor esquerdo para o lateral esquerdo avançar com a qualidade que lhe era peculiar.

Aos 44, Zico que estava sumido do jogo, deu passe para Capeggiani aparecer como se fosse um camisa 10. O passe de primeira foi brilhante e deixou Cláudio Adão sozinho, nas costas da zaga. O artilheiro só teve o trabalho de bater na saída de Wendell. 2x0.

Um minuto depois, Toninho recebeu de Marcinho e deu passe para Zico. O galinho bateu de primeira e Wendell deixou a bola passar por baixo do seu corpo. 3x0. E era só o primeiro tempo.

Segundo Tempo
O Flamengo poderia se acomodar com a vantagem obtida nos primeiros 45 minutos. Não foi isso o que aconteceu. Adílio teve que ser substituido no intervalo por Alberto
Leguelé que deu uma mão a Carpeggiani mais atrás, liberando ainda mais o brilhante camisa 6 e dando ainda mais liberdade para Tita, Marcinho, Zico e Adão infernizarem a vida defesa tricolor.

Com toda essa proteção, o hoje técnico desempregado Carpeggiani quase marcou seu gol, ao bater de fora da área para boa defesa de Wendell. Seria um prêmio a sua grande atuação.

O Flamengo desperdiçava oportunidades. Zico prendeu demais a bola em um contra ataque de três contra dois. Perdeu a chance e teve que deixar o gramado, contundido no joelho.

O Fluminense se desesperava e se desorganizava. Edinho passou a ir a frente loucamente. Nunes, Mário e Fumanchu não viam a cor da bola. Apenas Pintinho mantinha sua habitual regularidade e tentava, em vão, organizar o desestruturado time tricolor.

O rubro-negro chegava a merecida goleada após mais uma trama envolvente de seu ataque. Toninho recebeu de Tita, deu a Carpeggiani que devolveu ao lateral. Este bateu. Wendell defendeu, mas a bola sobrou para Cláudio Adão marcar o quarto.

A coisa andava tão fácil que até o zagueiro Nélson se aventurava no ataque. Ele tabelou com Júnior. O lateral recebeu como se fosse um meia direita e bateu forte. Wendell espalmou com muita dificuldade a escanteio.

A vingança demorou exatos 20 dias para acontecer. Mas veio de forma brilhante. Com a goleada, o Flamengo seguia apenas um ponto atrás do Vasco, na sua perseguição para vencer também o returno e evitar uma final.

Abaixo, o vídeo desta partida. Em breve, retorno com Vasco 2x0 Fluminense, jogo da penúltima rodada do segundo turno do campeonato carioca de 78.

Vasco 2x1 Botafogo Carioca 1978




Esta partida foi válida pela terceira rodada do segundo turno. O Flamengo já havia vencido a Taça Guanabara e, portanto, já estava qualificado para a decisão do campeonato.

O Vasco começou com tudo. Em menos de quatro minutos, Guina e Roberto já haviam obrigado o goleiro Zé Carlos a praticar grandes defesas. A defesa alvinegra se postava muito mal. Renê e Osmar não se entendiam. Para completar, Perivaldo estava numa jornada infeliz.

Aos 16, não houve como segurar. Perivaldo cortou mal a bola, que bateu em Guina e sobrou para Dinamite bater fraco. Ramon ainda tentou desviar, mas não a alacançou e ela foi rolando mansamente para o fundo do gol. Era o oitavo gol de Dinamite no campeonato de 78.

A pressão cruzmaltina não diminuia. Marco Antônio e Ramon faziam dois em um contra um já perdido Perivaldo, que ainda não contava com a ajuda de algum volante. Na frente, Mendonça não organizava o time e Dé e Luisinho não se achavam em campo. Nem parecia que o Bota vinha de duas vitórias na competição.

Os laterais alvinegros seguiam sem marcar ninguém. Wilsinho foi a linha de fundo e cruzou. O ponta esquerda Ramon fazia as vezes de centroavante e, sozinho, cabeceou para baixo. A bola caprichosamente bateu no travessão.

Depois de quatro chances claras desperdiçadas, a velha máxima do futebol de quem não faz leva, mostrou-se mais uma verdadeira. Aos Wexley deu grande passe para Dé, que penetrou entre Gaúcho e Marco Antônio e bateu meio prensado com o gramado. A bola subiu mais do que Leão esperava e entrou. O empate era injusto, porém real.

Segundo Tempo
O empate no final da primeira etapa parecia ter motivado o Bota. Perivaldo cobrou um escanteio, Abel a fastou e Gil pegou o reobte de primeira, com a perna ruim (a esquerda) a bola explodiu no travessão de Leão, que nada poderia fazer.

A chance seguinte foi do Vasco, com a ajuda do então árbitro Arnaldo César Coelho. Ele deixou de dar uma falta em Roberto e duas soladas de Marco Antônio. Na sequência, o lateral tricampeão do mundo foi a linha de fundo e cruzou para Ramon, de novo como centroavante, desviar para fora, de dentro da pequena área. O dia realmente parecia que não seria do ponteiro vascaino.

O jogo era mais equilibrado. Dé arrancou pela ponta direita, passou por Gaúcho e cruzou na medida para Luisinho, que tentou acertar o contrapé de Leão, mas mandou a bola para fora.

Mendonça finalmente mostrou toda categoria que tinha. Deu um balão em Paulo Roberto e fez um lançamento de 40 metros para Gil. O ponteiro tentou, de cabeça, encobrir Leão, que estava adiantado. A esta altura, o Botafogo era mais time e já merecia uma sorte melhor.

Mais pressão alvinegra. Depois de cruzamentos de Rodrigues Neto e Dé e da bola afastada por Orlando, Ademir Lobo pegou a sobra e bateu de primeira. A pelota ainda desviou em Abel e passou raspando a meta de um Leão que mancava, com problema no tornozelo direito.

Porém, no último minuto de jogo, outro ditado popular surgiu para dar a vitória ao Vasco. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Assim como levou o gol no fim da primeira etapa, o time de São Januário marcou o seu na etapa complementar. Wilsinho chutou de longe, a bola bateu em Renê e sobrou para Paulinho que errou a primeira conclusão e só conseguiu marcar na segunda. E não haveria tempo para mais nada, pois Arnaldo encerrou a partida.

Depois de 6 chances do Vasco contra 5 do Botafogo e um tempo de domínio claro para cada equipe, o resultado mais justo teria sido o empate.

Curtam abaixo o vídeo com os melhores lances da partida e em breve voltaremos com mais uma partida do campeonato carioca de 1978

Rádio Futbolleiros