sábado, 22 de fevereiro de 2014
A Era de ouro do Flamengo- Parte 2- A fase decisiva do Brasileiro de 77
1.3) A fase decisiva do Brasileiro de 77
Mesmo com o pouco tempo de preparação, Flamengo e Vasco sabiam que a vitória poderia ser fundamental. Afinal, apenas o primeiro colocado de cada chave passaria a semifinal do campeonato. Além disso, seriam apenas cinco partidas para definir quem seria esse classificado. O clássico foi transmitido ao vivo pela TV Globo, que pagou cerca de 1.000.000 de cruzeiros pelos direitos de exibição.
Quando a bola rolou, o rubro-negro foi superior na primeira etapa. Foram pelo menos três grandes oportunidades de abrir o marcador. A má fase de Zico e Claudio Adão não permitiu que isso acontecesse.
Como era de se prever, o jogo caiu muito na etapa final. Com ambos os times cansados, o Vasco foi levemente superior e só não fez um a zero porque Cantareli estava em tarde inspirada. Sendo assim, o empate foi considerado um bom resultado.
Após a partida, o técnico Jaime Valente fez uma análise e elogiou muito o volante Carpegiani, considerado por ele o melhor homem em campo. Sobraram boas palavras também para as atuações de Adílio e Luís Paulo. Zico, Adão e Osni foram os que receberam as maiores críticas do treinador.
Demais resultados da rodada. Corinthians 1x1 Santos, Londrina 2x0 Caxias, Atlético-mg 2x1 Cruzeiro, Bahia 0x0 Botafogo, Ponte Preta 4x1 Botafogo-sp, São Paulo 4x2 XV de Piracicaba, Grêmio 1x0 Sport, Remo 3x0 Palmeiras, Fast 0x0 América-rn e Santa Cruz 2x2 América-rj.
O próximo compromisso do Flamengo seria contra o Londrina, no estádio do Café. Para este jogo, Jaime decidiu manter Claudio Adão no comando do ataque, apesar da má fase do atacante. Para o treinador, o elenco não lhe proporcionava grandes alternativas. “A única opção que eu tenho é colocar o Tita como centroavante. Acontece que ele e o Zico tem características parecidas. Preciso de alguém que possa jogar na aera. E esse alguém é o Adão”, disse em entrevista ao Jornal O Globo.
Outra boa notícia para Jaime era a volta de Merica, então titular absoluto da equipe e que não havia enfrentado o Vasco por estar contundido. Para isso, Luís Paulo deixaria o time.
O argentino Armando Renganeschi, treinador do Londrina, jogou a responsabilidade de vitória para cima do Flamengo. Além disso, um clima de guerra foi criado em torno da partida. Os jogadores cariocas reclamavam que haviam feito a terceira melhor campanha nas fases anteriores e que o Londrina havia se qualificado em uma repescagem. Mesmo assim, o time paranaense atuaria as Três primeiras rodadas em casa, enquanto o mengo teve o clássico, considerado por todos como neutro e viajar para o Paraná.
Mais uma vez, o mengo não jogou bem. Dominou o jogo, é verdade, criando várias chances de abrir o marcador. Como quem não faz, leva. O meia Zé Roberto chutou uma bola de fora da área e viu Cantareli falhar. Londrina 1 a 0. Na etapa final, com Tita no lugar de Claudio Adão, o máximo que o rubro-negro conseguiu foi uma bola na trave, em finalização de Zico.
A derrota deixou o time em situação desesperadora. Com apenas um ponto conquistado e quatro atrás do líder, o surpreendente Londrina. Para piorar, havia a indefinição em relação a posição de centroavante e a pausa para o carnaval. Uma vitória de três pontos (por dois ou mais gols de diferença, segundo o regulamento do campeonato) diante do Caxias, no Maracanã era fundamental.
Demais resultados da rodada. Corinthians 1x0 Caxias, Vasco 1x0 Santos, Botafogo 2x0 América-rn, Fast 1x2 Atlético-mg, Botafogo-sp 2x1 Sport, XV de Piracicaba 0x1 Grêmio, Ponte Preta 1x3 São Paulo, Palmeiras 4x1 Desportiva e Operário-ms 0x0 Santa Cruz.
Com a situação na tabela extremamente delicada, Jaime resolveu cancelar as folgas no carnaval. Necessitando conquistar os três pontos diante do Caxias, ele resolveu adiantar Zico, para jogar mais próximo de Claudio Adão. Se isso não desse certo nos treinamentos, ele tinha outras duas possibilidades que seriam testadas. A primeira, escalar Tita no comando do ataque. A segunda, deslocar Adílio para lá. Em ambos os casos, Luís Paulo retornaria ao onze titular.
Para dar mais velocidade a equipe, o treinador comandou vários treinos de apenas um toque na bola. Segundo o comandante, o time estava lento, sem velocidade. No primeiro coletivo da semana, vitória dos titulares sobre os reservas, por 3 a 2, com gols de Zico (2) e Claudio Adão, descontando Valdo (2). Entretanto, a atuação da equipe não foi nada boa.
No segundo coletivo da semana, o time já atuou de maneira mais solta. Vanderlei (ele mesmo, o Luxa) abriu o placar para os reservas, cobrando falta. Depois, veio a goleada, com tentos de Carpegiani, Júnior, Rondineli, Adílio e Claudio Adão. O zagueiro Nélson, contundido, foi substituído por Dequinha.
No último apronto antes de enfrentar o Caxias, o mengo enfrentou a equipe dos fuzileiros navais. Nos primeiros 45 minutos, jogou a equipe titular. Adão foi mantido no time titular e Zico escalado mais adiantado. Contra um adversário muito fraco, não foi surpresa a goleada de 4 a 0, com gols de Zico (2), Carpegiani e Claudio Adão.
Nos 45 minutos finais, os reservas fizeram 3 a 0, com tentos de Tita (2) e Luís Paulo. Após o treino, Jaime definiu a equipe que enfrentaria o Caxias com Cantareli, Toninho, Rondineli, Dequinha e Júnior, Merica, Carpegiani e Adílio, Osni, Claudio Adão e Zico.
Para o galinho, o time estava pronta para garantir os três pontos. “Sabemos da qualidade da equipe do Caxias, que deve jogar retrancada, mas com esse novo esquema, estou mais perto do gol. Me sinto a vontade assim. A equipe toda está motivada e precisamos vencer para nos mantermos vivos na competição”.
O Flamengo abriu a terceira rodada, no sábado. Só que nada do que foi treinado, deu certo. Dominado pelo adversário, que assustava a todo momento em contra ataques, o fla foi vaiado pela torcida. Especialmente, depois que Bebeto fez 1 a 0 para os visitantes. Zico empatou, ainda no primeiro tempo, mas ao se lançar desesperadamente a frente, em busca do resultado, o time dava ainda mais espaço para os contra golpes do Caxias, do zagueiro Luís Felipe Scolari. No fim das contas, o empate não só eliminava o Flamengo do campeonato, como também provocava a revolta da torcida.
Demais resultados da rodada. Santos 1x2 Londrina, Corinthians 0x0 Vasco, Botafogo 0x0 Atlético-mg, Bahia 2x2 Cruzeiro, XV de Piracicaba 0x1 Sport, Grêmio 1x0 Ponte Preta, Botafogo-sp 1x0 São Paulo, Palmeiras 5x1 América-rj e Santa Cruz 2x0 Desportiva.
Chamavam a atenção dois fatos. O primeiro, a queda do alambrado no jogo Remo e Operário-ms. O incidente ocorreu aos 22 minutos do primeiro tempo e a partida foi suspensa. O segundo, a agressão do atacante Serginho no bandeirinha Vandevaldo Rangel, ao ser expulso na derrota do São Paulo para o Botafogo de Ribeirão Preto. O chute do atacante deixou um corte de 10cm na perna do auxiliar. Chulapa seria depois julgado e suspenso.
A preparação para a partida contra o Santos começou de maneira tensa. Enquanto Jaime pedia reforços pois considerava certas as convocações de Toninho, Zico, Rondineli e Adílio para a Seleção Brasileira que ia disputar a Copa da Argentina, o Presidente Marcio Braga se reunia com a Diretoria para discutir possíveis mudanças no futebol rubro-negro.
Como resultado desta reunião, Zico, que havia renovado o contrato, foi chamado para conversar. Segundo os cartolas, o objetivo era cobrar mais empenho, não só do camisa 10, como de todo o time. Ainda segundo Braga, estavam descartadas mudanças na comissão técnica e contratações. Cinco juvenis, entre eles Leandro e Vítor devem ganhar mais espaço já a partir do Campeonato Brasileiro de 78, que começa em março.
Para Zico, a má forma dos jogadores prejudica Adílio, o único poupado pela torcida e pela crítica. “Realmente, a má fase dos jogadores prejudica demais o Adílio. Ele é o único que consegue correr os 90 minutos. Nós não conseguimos acompanhá-lo. E ele está jogando o fino também”.
Em um Pacaembu vazio, o Flamengo manteve a rotina. Jogou mal, novamente. Foi inteiramente dominado pelo Santos, que colocou três bolas na trave de Cantareli. O time carioca praticamente não finalizou e teve sorte em deixar o campo com o 0 a 0. Nilton Batata fez o que quis com Júnior, enquanto João Paulo fez o mesmo com Toninho. A fase era realmente negra. Com medo do prejuízo financeiro, a Diretoria propôs ao América, também já eliminado, que houvesse uma rodada dupla no Maracanã, com o rubro-negro enfrentando o Corinthians no jogo de fundo. O acordo acabou não acontecendo.
Resultados da Rodada. Caxias 1x5 Vasco, Londrina 1x0 Corinthians, América-rn 0x0 Bahia, Cruzeiro 5x4 Fast, Grêmio 1x1 Botafogo-sp, Ponte Preta 1x0 XV de Piracicaba, São Paulo 4x3 Sport, América-rj 1x1 Remo e Operário-ms 5x0 Desportiva.
Na sexta feira, a diretoria se contradisse e vazou para a imprensa que o supervisor Dante Rocha e o técnico Jaime Valente seriam demitidos. Joubert, então dirigindo o Remo e funcionário do clube, o que diminuiria e bem os gastos, seria contratado. Entretanto, qualquer mudança só seria discutida depois do jogo contra o Corinthians. Merica, suspenso, era o desfalque. Em seu lugar, foi escalado Valdo, com Carpegiani sendo recuado para a cabeça da área.
A promessa dos atletas era de se despedirem da competição conquistando um grande resultado. Não foi possível. Mesmo tendo a melhor atuação da terceira fase e desperdiçando nove oportunidades claras de gols, a maioria defendida pelo goleiro Jairo, o Flamengo acabou sendo derrotado por 1 a 0, gol de Vaguinho, aos 35 minutos do segundo tempo. Com o resultado, o rubro-negro terminou na quinta colocação do grupo. Para piorar ainda mais a crise, os jornais estampavam que Zico estava acima do peso, o que acarretava a sua má fase técnica e física. O galinho, claro, negou.
Mesmo assim, a torcida achou uma maneira de se alegrar. Ao mesmo tempo que o mengo era derrotado no Maracanã, o Vasco, que precisava vencer o Londrina em São Januário, por dois gols de diferença para avançar a semifinal caia diante da surpreendente equipe paranaense, por 2 a 0.
Resultados da rodada. Vasco 0x2 Londrina, Caxias 3x3 Santos, Bahia 2x0 Fast, Cruzeiro 0x3 Botafogo, Atlético-mg 6x0 américa-rn, São Paulo 3x1 Grêmio, Sport 1x0 Ponte Preta, Botafogo-sp 0x0 XV de Piracicaba, América-rj 0x2 Operário-ms, Desportiva 2x2 Remo e Palmeiras 1x3 Santa Cruz.
Com esses resultados, Londrina e São Paulo venceram suas chaves e garantiram vaga nas semifinais. Botafogo e Atlético-mg e Remo, Operário-ms e Santa Cruz disputavam as vagas dos outros grupos.
Resultados dos jogos atrasados. Remo 2x0 Operário-ms, Botafogo 3x1 Fast, Atlético-mg 4x0 Bahia, América-rn 2x2 Cruzeiro, Desportiva 0x0 América-rj, Santa Cruz 2x1 Remo e Operário-ms 2x0 Palmeiras.
Com estes resultados, Atlético-mg e Operário-ms se qualificaram para a semifinal.
Resultados das semifinais. Atlético-mg 4x2 Londrina, São Paulo 3x0 Operário-ms, Londrina 2x2 Atlético-mg e Operário-ms 1x0 São Paulo.
Com estes resultados, Atlético-mg e São Paulo se classificaram para a final.
Resultado da final. Atlético-mg 0x0 São Paulo. Na prorrogação, 0 a 0. Na disputa de pênaltis, São Paulo 3x2 Atlético-mg. Assim, o tricolor sagrou-se campeão brasileiro de 1977 e o galo tornou-se o único vice campeão invicto da história do certame nacional.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
A era de ouro do Flamengo- Parte 1- 1978- As férias e a pré temporada
Capitulo 1- 1978
1.1) As férias
Depois de perder de maneira traumática o estadual de 77, quando foram derrotados na disputa de pênaltis pelo Vasco, os jogadores do Flamengo se reuniram e firmaram um pacto. Era hora daquela equipe começar a ganhar títulos. Para Zico, “o marco inical daquela equipe vitoriosa foi a derrota no estadual de 77, especialmente pelo Tita. Ele era muito jovem e entrou só pra bater o pênalti. Acabou perdendo e o grupo se fechou em torno dele. Saímos do Maracanã arrasados. Fomos para um restaurante e fizemos um pacto. O time era esse, não precisava de reforços significativos. Nós seremos vencedores. Precisamos acreditar no trabalho que estamos fazendo. E assim foi. Só nós, jogadores e a Comissão Técnica estavam lá. Foi o início de tudo”. O primeiro desafio seria o campeonato nacional. A promessa seria posta a prova.
A campanha no certame nacional foi das melhores. Nas duas fases preliminares, o rubro-negro teve o terceiro melhor aproveitamento, ao lado do Botafogo e atrás apenas de Palmeiras e Atlético-mg. A equipe vinha embalada, mas a bagunça imperava na CBD. As fases decisivas do campeonato só seriam disputadas em 78.
Nas férias, como de costume, muitas especulações. Jairzinho, o furacão da Copa de 70, então jogando na Venezuela, chegou a tentar cavar a sua contratação. O Presidente Marcio Braga tratou logo de rechaçar qualquer possibilidade não somente dele, mas da chegada de qualquer reforço. Não havia dinheiro em caixa para isso. Mesmo assim, a imprensa ventilava os nomes de Mauro e Biro-Biro, atletas do Sport. Claro que ambos não passaram nem perto da Gávea.
A CBD definiu no início de janeiro os grupos da terceira fase. O Grupo S tinha além do Flamengo, Vasco, Santos, Corinthians, Caxias e Londrina. A chave T era composta por Atlético-mg, Botafogo, Cruzeiro, Bahia, Fast e América-rj. No grupo U, encontravam-se Ponte Preta, São Paulo, Xv de Piracicaba, Botafogo-sp, Sport e Grêmio. Finalmente, na chave V ficaram Operário-ms, Palmeiras, Santa Cruz, Remo, Desportiva e América-rn. Somente o primeiro classificado de cada grupo qualificava-se para as semifinais.
Antes da reapresentação dos jogadores, a Comissão Técnica, liderada pelo treinador Jaime Valente (substituto de Claudio Coutinho, dirigindo a Seleção Brasileira) escolheu a cidade de Vassouras para a pré-temporada. Ao mesmo tempo, Marcio Braga convocou uma reunião com os torcedores, para saber de suas aspirações e, especialmente, pedir para que eles se tornassem sócios do clube.
1.2) A Pré-temporada
Logo na reapresentação, no dia 18, Jaime Valente tratou de escalar a equipe que estrearia na terceira fase do brasileirão com Cantareli, Toninho, Rondineli, Nélson e Júnior, Carpegiani, Adílio, Luís Paulo e Zico, Osni e Claudio Adão.
Nos testes físicos, Adílio mostrou uma forma excepcional, nem parecendo estar voltando de inatividade. Quando a CBD divulgou a tabela, a revolta tomou conta do Flamengo. A primeira rodada marcava o clássico contra o Vasco. Os dirigentes afirmavam, com razão, que se a partida fosse marcada mais pra frente, os jogadores estariam com mais ritmo de jogo e melhores preparados para desenvolver um futebol melhor. Além disso, o domingo marcado pela entidade coincidia com a realização do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, o que dividiria a atenção do público. Tudo em vão. Fla e Vasco iriam mesmo abrir a fase decisiva do nacional.
Depois de alguns dias de intenso trabalho físico, onde os preparadores Sebastião Lazaroni e Francalaci comandaram o show, Jaime marcou o primeiro coletivo do ano. Empate de 2 a 2 com os reservas, reforçados por três juniores que foram incorporados ao elenco de profissionais (Tita, Lino e Jorge Luís). Os gols foram marcados por Zico e Claudio Adão para os titulares e Tita e Jorge Luís, para os reservas. Mesmo com o pouco tempo de preparação, a atuação da equipe pouco agradou o treinador. Em sem velocidade e com problemas graves de posicionamento.
No dia 26, foi disputado o único amistoso antes do clássico. Mesmo enfrentando uma equipe amadora, formada pela seleção do Vale do Paraíba, o rubro-negro só venceu por 2 a 1 (gols de Zico e Nélson). Apesar disso, as perspectivas para a estréia eram boas. Afinal, o Vasco vinha tendo problemas para renovar o contrato de Dirceu, titular da Seleção Brasileira.
Na véspera do jogo, Marcio Braga entrou em contato com o Guarani, dono do passe do zagueiro Nélson, e avisou que o Flamengo iria comprar o jogador. O valor estipulado era de 900.000 cruzeiros, já que o fla já havia pago 100.000 quando do empréstimo. E para motivar ainda mais os jogadores, Coutinho, então em observações finais para a convocação da Seleção para a Copa da Argentina, iria assistir a partida. A motivação dos atletas era enorme.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Copa Honor MCBA e Cousenir e Tie Cup-1906- Pra variar, Alumini
Como foi
Somente uma vez em toda a história do futebol amador argentino uma equipe conseguiu a proeza de ganhar no mesmo ano o certame nacional, a Tie Cup e a Copa Honor: o Alumini. Apenas o Nacional, do Uruguai, pode se orgulhar de uma façanha semelhante, em 1915.
A campanha começou em Rosario, onde os ingleses golearam o Central, por 6 a 1. Depois, vitórias sobre o Argentino de Quilmes e o Estudiantes de Buenos Aires, para garantir a vaga na decisão.
O adversário da grande final seria o Nacional, do Uruguai. Na primeira partida, em Montivideo, empate em 2 a 2. Com a igualdade, foi necessário que se agendasse uma nova partida. Demorou quase um mês, mas o Alumni, mesmo voltando a atuar no campo do oponente, venceu por 3 a 1 e conquistou o caneco, mesmo com uma grande confusão antes do fim do jogo.
Os Resultados do Campeão
27-05-1906- Rosario Central 1x6 Alumni
19-08-1906- Alumni 2x0 Argentino de Quilmes
09-09-1906- Estudiantes de Buenos Aires 1x3 Alumni
16-09-1906- Nacional 2x2 Alumni
14-10-1906- Nacional 1x3 Alumni
O Jogo do Título
Nacional 1x3 Alumni
Data: 14-10-1906 Local: Parque Central Gols: Hutton, aos 8. E.Brown, aos 20 e E.Brown, aos 39 do 1 tempo. Montecoral, aos 14 do 2 tempo
Nacional: A.Freitas, Carve Urioste e J.Frommel, Ciblills Juárez, Monagay e Zuázu, Cuadra, Rincón, Daglio, Montecoral e Cordero
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.Brown, Mack, Buchanan e Browne, Weiss, Hutton, E.Brown, Lett e Ernesto Brown
OBS: A partida foi interrompida aos 43 minutos do segundo tempo, depois que o jogador Mongay se lesionou, depois de um choque com Buchanan. A torcida do Nacional invadiu o campo e as equipes foram forçadas a se retirar para os vestiários. Como não havia possibilidade nem segurança para a partida prosseguir, o próprio capitão do time uruguaio, Mongay, resolveu dar o troféu ao Alumni.
Os Jogadores do Campeão
Goleiro: Buruca Laforia
Defensores: Brown, J.Brown e J.G.Brown
Meio-Campistas: MAck, Buchanan e Browne
Atacantes: Weiss, W.Weiss, E.Brown, A.Brown, Lett, Moore, Hutton e Ernesto Brown
Tie Cup
Como Foi
Se a Copa Honor já havia sido fácil, imagine enfrentar os adversários mais fracos, de menos "tradição"? O Alumni simplesmente não tomou conhecimento de nenhum deles e venceu os seus cinco jogos na competição, marcando 21 gols e sofrendo apenas 6. Para completar o passeio, na final, diante do Belgrano Athletic, uma goleada para não ser esquecida: 10 a 1 sobre seus grandes rivais. Não restavam dúvidas sobre quem era o melhor time da América do Sul.
A Campanha do Campeão
03-06-1906- Estudiantes de Buenos Aires 2x4 Alumni
29-06-1906- Reformer 2x3 Alumni
12-08-1906- Alumni 2x1 Belgrano Extra
26-08-1906- Montevideo Wanderes 0x2 Alumni
30-08-1906- Alumni 10x1 Belgrano Athletic
O Jogo do Título
Alumni 10x1 Belgrano Athletic
Data:30-08-1906 Local: Quilmes Árbitro: Guillermo A.Jordan Gols: Ernesto Brown, E.Brown (5), A.Brown (4) e C.Whaley
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.Brown, Mack, Browne e Buchanan, A.Brown, E.Brown, Lett, Weiss e Ernesto Brown.
Belgrano Athletic: Dorning, Gordon e W.Buchanan, Dickinson, Grant e G.N.Dickinson, Forrester, Ratcliff, Whaley, Singers e Stocks
Os Jogadores do Campeão
Goleiro: Buruca Laforia
Defensores: Brown e J.Brown
Meio-Campistas: Mack, Browne e Buchanan
Atacantes: A.Brown, E.Brown, Lett, Weiss e Ernesto Brown
Somente uma vez em toda a história do futebol amador argentino uma equipe conseguiu a proeza de ganhar no mesmo ano o certame nacional, a Tie Cup e a Copa Honor: o Alumini. Apenas o Nacional, do Uruguai, pode se orgulhar de uma façanha semelhante, em 1915.
A campanha começou em Rosario, onde os ingleses golearam o Central, por 6 a 1. Depois, vitórias sobre o Argentino de Quilmes e o Estudiantes de Buenos Aires, para garantir a vaga na decisão.
O adversário da grande final seria o Nacional, do Uruguai. Na primeira partida, em Montivideo, empate em 2 a 2. Com a igualdade, foi necessário que se agendasse uma nova partida. Demorou quase um mês, mas o Alumni, mesmo voltando a atuar no campo do oponente, venceu por 3 a 1 e conquistou o caneco, mesmo com uma grande confusão antes do fim do jogo.
Os Resultados do Campeão
27-05-1906- Rosario Central 1x6 Alumni
19-08-1906- Alumni 2x0 Argentino de Quilmes
09-09-1906- Estudiantes de Buenos Aires 1x3 Alumni
16-09-1906- Nacional 2x2 Alumni
14-10-1906- Nacional 1x3 Alumni
O Jogo do Título
Nacional 1x3 Alumni
Data: 14-10-1906 Local: Parque Central Gols: Hutton, aos 8. E.Brown, aos 20 e E.Brown, aos 39 do 1 tempo. Montecoral, aos 14 do 2 tempo
Nacional: A.Freitas, Carve Urioste e J.Frommel, Ciblills Juárez, Monagay e Zuázu, Cuadra, Rincón, Daglio, Montecoral e Cordero
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.Brown, Mack, Buchanan e Browne, Weiss, Hutton, E.Brown, Lett e Ernesto Brown
OBS: A partida foi interrompida aos 43 minutos do segundo tempo, depois que o jogador Mongay se lesionou, depois de um choque com Buchanan. A torcida do Nacional invadiu o campo e as equipes foram forçadas a se retirar para os vestiários. Como não havia possibilidade nem segurança para a partida prosseguir, o próprio capitão do time uruguaio, Mongay, resolveu dar o troféu ao Alumni.
Os Jogadores do Campeão
Goleiro: Buruca Laforia
Defensores: Brown, J.Brown e J.G.Brown
Meio-Campistas: MAck, Buchanan e Browne
Atacantes: Weiss, W.Weiss, E.Brown, A.Brown, Lett, Moore, Hutton e Ernesto Brown
Tie Cup
Como Foi
Se a Copa Honor já havia sido fácil, imagine enfrentar os adversários mais fracos, de menos "tradição"? O Alumni simplesmente não tomou conhecimento de nenhum deles e venceu os seus cinco jogos na competição, marcando 21 gols e sofrendo apenas 6. Para completar o passeio, na final, diante do Belgrano Athletic, uma goleada para não ser esquecida: 10 a 1 sobre seus grandes rivais. Não restavam dúvidas sobre quem era o melhor time da América do Sul.
A Campanha do Campeão
03-06-1906- Estudiantes de Buenos Aires 2x4 Alumni
29-06-1906- Reformer 2x3 Alumni
12-08-1906- Alumni 2x1 Belgrano Extra
26-08-1906- Montevideo Wanderes 0x2 Alumni
30-08-1906- Alumni 10x1 Belgrano Athletic
O Jogo do Título
Alumni 10x1 Belgrano Athletic
Data:30-08-1906 Local: Quilmes Árbitro: Guillermo A.Jordan Gols: Ernesto Brown, E.Brown (5), A.Brown (4) e C.Whaley
Alumni: Buruca Laforia, Brown e J.Brown, Mack, Browne e Buchanan, A.Brown, E.Brown, Lett, Weiss e Ernesto Brown.
Belgrano Athletic: Dorning, Gordon e W.Buchanan, Dickinson, Grant e G.N.Dickinson, Forrester, Ratcliff, Whaley, Singers e Stocks
Os Jogadores do Campeão
Goleiro: Buruca Laforia
Defensores: Brown e J.Brown
Meio-Campistas: Mack, Browne e Buchanan
Atacantes: A.Brown, E.Brown, Lett, Weiss e Ernesto Brown
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Os Arquivos da Copa do Mundo-1970-Jogo 6- Itália 1x0 Suécia

A sexta partida do mundial de 70 seria um clássico europeu. Itália e Suécia iriam duelar em Toluca. A Azurra, que havia feito vexame em 1966, ao ser eliminada na primeira fase (perdendo para a Coreia do Norte), tinha dado a volta por cima, conquistando a Eurocopa de 68, ao vencer a Iugoslávia na decisão (2 a 0). Para chegar ao México, a equipe passou por País de Gales, em Cardiff (1 a 0), empatou com a Alemanha Oriental, em Berlin (2 a 2), goleou Gales, em Roma (4 a 1) e passou bem pelos alemães orientais, em Nápoles (3 a 0). Tudo isso, comandados pelo talento de Gianni Rivera.
Ausentes desde vice campeonato de 58, quando jogou em casa, a Suécia estreou nas eliminatórias goleando a Noruega, em Estocolmo, po 5 a 0. Na sequência, viajou até Oslo, onde mais uma vez derrotou os noruegueses, dessa vez, por 5 a 2. Beneficiados pelo tropeço da França, que em Estrasburgo perdeu para a Noruega (1 a 0), os suecos precisavam de apenas uma vitória nos dois confrontos contra o bleus. Em Estocolmo, no dia 15 de outubro de 1969, a vaga foi assegurada com um convincente triunfo, por 2 a 0. Pouco importou a derrota de 3 a 0, que aconteceria em Paris. Depois de 12 anos, a Suécia voltava a Copa do Mundo.
Como a partida inaugural do grupo já havia sido realizada (Uruguai 2x0 Israel), ambas as equipes sabiam da importância de conseguir os dois pontos. Os escandinavos contavam com o futebol do meia Grahn e do atacante Kindvall, os dois em grande fase. Porém, o forte calor do México preocupava a seleção. Já os italianos vinham cheios de moral, depois do título europeu. Para variar, o ponto forte do time era a defesa. Na frente, as esperanças eram Luigi Riva e Gianni Rivera, este último barrado do time, pelo treinador Ferrrucio Valcareggi, por motivos disciplinares (na verdade, essa foi a razão alegada por Valcareggi. As publicações da época, dizem que ele não queria escalar Mazzola e Rivera, seus mais talentosos jogadores, juntos, o que poderia comprometer seu sistema defensivo). O craque do Milan chegou a ameaçar abandonar a delegação e voltar para seu país.
De qualquer forma, a Azurra começou o jogo de maneira alucinante. Com trinta segundos, Domenghini já finalizava com perigo. Espertamente, a campeã europeia recuava e atraia os suecos até seu campo. Depois, usavam o que tinham de melhor. Roubavam a bola com sua sólida marcação e saíam em rápidos contra ataques. Aos sete, Mazzola passou por três marcadores e cruzou. Bosnisegna ajeitou de cabeça e Riva, mesmo marcado por dois zagueiros, conseguiu mandar a bola na trave esquerda de Hellstrom. Aos 10, saiu o gol italiano. Fachetti recebeu um escanteio cobrado curto e tocou na meia esquerda para Domenghini, que cortou para o meio e bateu. O chute saiu rasteiro, mas fraco. Hellstrom pulou atrasado e deixou que a pelota passasse por debaixo do seu corpo. Era o primeiro gol da partida e também o primeiro frango do mundial.
Taticamente, a então bicampeã do mundo jogava em um 1-4-3-2, com Burgnich atuando como líbero, enquanto a Suécia atuava no 4-3-3. Aos 15, Riva fez grande jogada, passando como quis por três marcadores, antes de ter sua finalização prensada por Grip. A partida diminuiu de intensidade. A Itália só voltou a ameaçar aos 26, quando Riva aproveitou bom centro de Bertini e, de cabeça, obrigou Hellstrom a praticar boa defesa. Faltando oito minutos para o fim do primeiro tempo, Niccolai sentiu uma lesão e foi substituído por Rosato. Aos 43, De Sisti deixou Riva sozinho, em condições de aumentar a vantagem italiana. Infelizmente, o chute do ponta esquerda foi forte, mas também muito alto. No minuto seguinte, Bonisegna deu bom passe para Riva. O craque ganhou duas dividas, antes de finalizar com perigo, a direita de Hellstrom.
Esperava-se uma Suécia muito mais ofensiva na etapa final. Entretanto, um misto de abalo pelo gol sofrido, pouco costume de jogar debaixo de um calor tão grande e a boa marcação italiana dificultaram as coisas para os escandinavos. Aos 10, Cronqvist deu uma entrada forte em Domenghini e recebeu do árbitro inglês, John Taylor, o cartão amarelo. No minuto seguinte, o técnico Orvar Bergark fez a sua primeira alteração. Saiu Ericksson e entrou Ejderstedt. A realidade é que a partida estava chata. A Itália se fechava atrás e só saia em bolas longas para Riva. E os suecos nada conseguiam criar. Aos 23, Kindvall reclamou de ter sido empurrado dentro da área por Rosato. Penalidade ignorada por John Taylor. Na sequência do lance, Mazzola recebeu na intermediária ofensiva, carregou e soltou uma bomba que Hellstrom teve dificuldades para encaixar. Aos 29, Domenghini arriscou de longe e levou perigo a meta sueca
Faltando 12 minutos para o fim da partida, a Suécia fez sua última substituição. Nicklasson entrou, na vaga de Bo Larsson. Aos 38, Kidvall driblou o goleiro Albertosi e empatou a partida. Para seu desespero, o tento foi invalidado, pois ele estava impedido. Incrivelmente, valendo ou não, essa foi a primeira e única oportunidade da Suécia, em toda a partida. Aos 42, Mazzola deu ótimo passe para Riva, nas costas da defesa. Riva avançou e bateu forte. O remate saiu a direita de Hellstrm. No computo geral, a vitória acabou sendo mais do que justa para a azurra. Até Alemanha Ocidental 2x1 Marrocos!
Ficha técnica do jogo
Itália 1x0 Suécia
Data: 03/06/1970 Local: Estádio Luis Dosal, em Toluca Público: 13.433 Árbitro: John Taylor (Inglaterra)
Gol: Domenghini, aos 10 do 1 tempo.
Itália: Albertosi, Burgnich, Cera, Niccolai (Rosato, 37 do 1) e Fachetti. Bertini, De Sisti e Mazzola, Domenghini, Bonisegna e Riva. Técnico: Ferrugio Valcareggi
Suécia: Hellstrom, Nordqvist, Grip, Svensson e Axelsson, Bo Larsson (Nicklasson, 33 do 2), Grahn e Eriksson (Ejderstedt, 11 do 2), Kindvall, Cronqvist e Olsson. Técnico: Orvar Bergmark
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Os arquivos das Copas do Mundo- 1970-Jogo 5-Bélgica 3x0 El Salvador

O quinto jogo da Copa de 70, foi o primeiro realizado no dia 3 de Junho. Bélgica e El Salvador completaram a rodada do Grupo A. Par chegar ao México, os belgas tiveram que realizar seis partidas. Estrearam derrotando a Finlândia, em Helsinque, por 2 a 1. Em seguida, receberam os finlandeses e os golearam (6 a 1). Em seguida, um grande resultado. Três a zero, em cima da Iugoslávia. O quarto compromisso aconteceu em Madrid. Empate com a Espanha, em um a um. Depois, foi a vez de receber a fúria, em casa. E os anfitriões não foram nada educados. Bateram os espanhóis (2 a 1) e carimbaram , por antecipação, a vaga para a Copa do Mundo. No último jogo, veio a única derrota dos diabos vermelhos, já relaxados e em clima de festa, eles foram batidos pela Iugoslávia, por quatro a zero.
Os salvadorenhos estrearam na primeira fase goleando Suriname(6 a 0). Em seguida, venceram as Antilhas Holandesas, pelo placar mínimo. No terceiro jogo, nova vitória sobre as Antilhas Holandesas (2 a 1). A última partida da fase inicial, aconteceu no Suriname. E os donos da casa prevaleceram, por 4 a 1. Em um mata-mata emocionante, a equipe perdeu para Honduras, fora de casa, por 1 a 0. Na volta, o troco. Três a zero sobre os hondurenhos. Entretanto, não havia saldo de gols, houve uma partida extra, disputada em campo neutro, na Cidade do México. Lá, El Salvador conseguiu o triunfo, por 3 a 2, garantindo vaga na fase final. No dia seguinte à essa vitória, os dois países acabaram entrando em guerra. Na decisão da vaga, novamente foram necessários três partidas. No Haiti, os salvadorenhos levaram a melhor (1 a 0). Em casa, a surpresa. Quando tudo indicava que carimbariam o passaporte, uma derrota, por 3 a 0. No jogo extra, realizado em Kingston, Jamaica, El Salvador derrotou o Haiti, no tempo normal, por um a zero. Por um capricho do regulamento, a equipe ainda teria que segurar o empate, na prorrogação, para assegurar a vaga. Foi o que aconteceu. Depois de mais trinta minutos de futebol e nenhum gol marcado, finalmente, El Salvador jogaria seu primeiro mundial.
Como a partida aconteceu três dias depois da abertura da Copa e do grupo (México 0x0 Urss, pra quem não se recorda) , houve muita provocação de lado a lado. Os centro-americanos diziam que estavam mais acostumados ao calor e que, por isso, levariam vantagem. Os europeus respondiam, afirmando que possuíam uma seleção mais qualificada e que não se preocupavam com o forte calor, pois estavam muito bem preparados fisicamente. Além disso, os belgas, se não contavam com um craque, podiam confiar muito no entrosamento da seleção, já que a equipe era basicamente uma mistura dos dois principais clubes do país, o Anderletcht e o Standard Liége.
De fato, desde o começo, a Bélgica mostrou-se bem superior ao adversário. Taticamente montada em um 4-3-3, com a bola e num 4-2-3-1, sem a pelota (os dois ponteiros recuavam), eles fora logo criando a primeira chance de gol. Aos sete minutos, a zaga salvadorenha rebateu um cruzamento para a entrada da área e Puis bateu forte, assustando o goleiro Magana. Pouco depois, Van Himst, desperdiçou ótima oportunidade, ao furar o cruzamento feito por Lambert. Aos 12, a pressão deu resultado. Van Moer arriscu de longe e contou com a falha de Magana para abrir o marcador.
Apesar de não conseguir passar do meio de campo, El Salvador era abusada taticamente. Quando atacava, formava no 4-3-3. Quando defendia também mantinha esse esquema, algo impensável nos dias de hoje, para uma equipe notoriamente inferior. Aos 20, Van Himst escapou pela direita e tocou para Puis finalizar. Desta vez, Magana agarrou com segurança. Um detalhe chamava atenção. Apesar do intenso calor da Cidade do México, alguns jogadores belgas atuaram com camisas de manga comprida.
A partida estava tão tranquila que a primeira finalização de El Salvador só ocorreu aos 40 minutos. Talvez por isso, os diabos vermelhos tenham se poupado e, apesar de sua superioridade, não ameaçaram mais o gol de Magana na etapa inicial.
Depois de descansar nos vestiários, os europeus voltaram com força total para o segundo tempo. Logo na primeira volta do ponteiro, Van Himst recebeu um escanteio curto, na esquerda, avançou e mandou a bomba. Magana fez boa defesa e espalmou para córner. Aos quatro, o goleiro salvadorenho teve que fazer milagre pra evitar mais um gol belga. Mostrando toda sua ingenuidade, a zaga de El Salvador afastou um cruzamento para a entrada da grande área. Van Moer apanhou a sobra e mandou um petardo. A bola ia no ângulo direito de Magana, que se esticou todo para conseguir a defesa. Contudo, aos oito, ele nada pode fazer. Puis fez boa jogada pela direita, foi a linha de fundo e cruzou. Van Himst fechou na primeira trave. Magana saiu mal do gol e nenhum deles tocou na bola, que passou por ambos e se ofereceu praticamente sobre a linha para Van Moer, que só teve o trabalho de empurrá-la pras redes. Era o segundo gol do até ali, artilheiro da Copa.
Sem conseguir fazer nada, o técnico da seleção centro-americana, Hernán Carrasco, resolveu mudar o seu lateral esquerdo, aos 19 minutos. Manzano deixou o gramado e Cortés entrou em seu lugar. Parece que de nada adiantou, pois foi por ali que os belgas perderam um gol incrível, digno de Inacreditável Futebol Clube. Van Himst cruzou da direita e o centroavante Devrindt, sozinho, na pequena área, bateu de tornozelo na bola, que saiu rente a trave esquerda. A resposta de El Salvador veio no minuto seguinte. Depois de chutão de Magana, Heylens e Thissen se enrolaram e Aparício apareceu cara a cara com Piot. Infelizmente, a finalização do salvadorenho saiu em cima do goleiro, que fez segura defesa. O jogo pegou fogo. o 25, grande jogada da Bélgica. Lambert centrou rasteiro. Devrindt dominou e ajeitou de calcanhar para Puis bater para fora, a direita de Magana.
Aos 33, Rivas derrubou Puis dentro da área. Pênlti, bem assinalado pelo árbitro romeno, Andrei Radulescu. Dois minutos depois, Lambert cobrou com força, rasteiro, no canto direito de Magana, que foi na bola, mas nada pode fazer. Sem muito esforço, Bélgica três a zero. Ao mesmo tempo, Polenius entrava, para substituir Semmeling. Para não ficar atrás, El Salvador também mexeu na equipe. Entrou Sermeno e saiu Rodriguez.
Faltando cinco minutos para o fim da partida, Van Moer tabelou com Van Himst e tocou para Polenius que chutou com violência, mas em cima do goleiro. O resultado acabou sendo bom para ambos, já que os belgas assumiam a liderança do grupo e os salvadorenhos se salvaram de tomar uma goleada histórica.
Ficha Técnica do jogo
Bélgica 3x0 El Salvador
Data: 03/06/1970 Local Estádio Azteca, na Cidade do México Público: 92.205 Árbitro: Andrei Radulescu (Romênia)
Gols: Van Moer, aos 12 do 1 tempo. Van Moer, aos oito e Lambert, de pênalti, aos 35 do 2 tempo.
Bélgica: Piot, Heylens, Thissen, Dewalque e Dockx, Semmeling (Polenius,34 do 2), Van Moer e Van Himst, Puis, Devrindt e Lambert. Técnico: Raymond Goethals
El Salvador: Magana, Rivas, Mariana, Osorio e Manzano (Cortés, 19 do 2), Quintanilla, Vásquez e Cabezas, Rodríguez (Sermeno, 35 do 2), Martinez e Aparício. Técnico: Hernán Carrasco
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
Os Arquivos da Copa do Mundo-1970- Jogo 4-Inglaterra 1x0 Romênia

A quarta e última partida do dia 3 de junho aconteceu em Guadalajara e reunia a atual campeã e grande favorita a conquista da Copa (pelo menos para a imprensa especializada), a Inglaterra e uma das possíveis surpresas do mundial, a Romênia. Como detentores da taça, o English Team teve quatro anos para se preparar. Realizou vários amistosos e o técnico, Alf Ramsey manteve a base da Copa anterior. A única competição oficial da equipe foi a Eurocopa de 6, quando a equipe acabou sendo eliminada na semifinal, pela Iugoslávia. Seus grandes destaques continuavam sendo o goleiro Gordon Banks, o craque Bobby Charlton e o habilidoso meia Alan Ball.
Os Romenos tiveram que jogar as Eliminatórias. Estrearam perdendo para Portugal, em Lisboa, por 3 a 0. Recuperaram-se, vencendo a Suíça, em casa (2 a 0). Depois, empataram com a Grécia, em Atenas, por 2 a 2. Na sequência, foram a Lausanne e bateram os suíços (1 a 0). Conseguiram bater Portugal, em casa, por 1 a 0, com grande atuação de Dumitrache. Na última rodada, bastou um empate, por 1 a 1, com a Grécia, em Bucareste, para a Romênia voltar a disputar uma Copa do Mundo. Dumitrache, seu grande artilheiro era o destaque de uma seleção operária.
A partida começou de forma bastante lenta. Nenhuma das equipes parecia adaptada ao calor intenso de Guadalajara. Se o jogo estava morno, a torcida estava quente. E, devido a uma grande antipatia contra os ingleses (por uma série de motivos)os mexicanos já haviam escolhido: torceriam contra quem quer que fosse o adversário dos atuais campeões mundiais. Dessa forma, cada desarme, ataque ou até mesmo falta mais dura dos romenos era celebrada intensamente nas arquibancadas.
No duelo tático, a Inglaterra mantinha o 4-4-2, que a consagrara quatro anos antes. Já a Romênia saiu em um 4-3-3, com a bola que se transformava em um 4-4-2 sem a pelota. Com uma formação mais dinâmica, os romenos tinham mais a posse de bola. Porém, a primeira oportunidade foi inglesa. Aos 32 minutos, Cooper avançou pela esquerda e cruzou. O centro não saiu muito forte e a bola quicou no meio da área. Lupescu tentou cortar, mas acabou falhando, ao ajeitar a bola para Lee, que bateu forte. Para desespero da Rainha, o tiro foi de encontro ao travessão e saiu pela linha de fundo. Na realidade, essa foi a única oportunidade de gol em um etapa quase sem emoções.
Logo aos seis minutos do segundo tempo, Alf Ramnsey teve que fazer uma substituição. O lateral direito Newton contundiu-se e deu lugar a Wright. Talvez satisfeita com o resultado, a Romênia passou a se fechar mais no seu campo, abdicando do ataque e deixando que os ingleses utilizassem a sua melhor e mais temível arma, o chuveirinho para Hurst. Mesmo assim, aos 17, Dumitrache arriscou de longe e quase surpreendeu Banks, que teve trabalho para espalmar a bola à corner.
Aos 19, não teve jeito. Saiu o gol da Inglaterra. E da maneira mais previsível. Wright cruzou. A zaga desviou e a sobra ficou com o artilheiro Hurst, que matou, deu o corte no zagueiro e bateu rasteiro. A bola passou por baixo do corpo do goleiro Adamache. Mesmo sem jogar bem, os campeões do mundo saíam na frente.
Aos 28, alteração na Romênia. Saiu Tataru entrou Neagu. No lance seguinte, Dembrowschi arriscou de longe e obrigou Banks a realizar mais uma difícil intervenção. Sentindo que seria pressionado se não se cuidasse, Alf Ramsey colocou Osgood na vaga de Lee, aos 32 minutos.
Só houve emoção de novo a três minutos do fim da partida quando Bobby Charlton cruzou da direita e Hurts se antecipou ao zagueiro e cabeceou a esquerda da trave de Adamache. A Inglaterra estreava com vitória, mas com uma atuação muito abaixo das expectativas. E assim terminava o segundo dia de Copa do México. O terceiro dia marcava os seguintes confrontos: Bélgica x El Salvador, Alemanha Ocidental x Marrocos, Itália x Suécia e Brasil x Tchecoslováquia. Até lá.
Ficha do jogo
Inglaterra 1x0 Romênia
Data: 03/06/1970 Local: Estádio Jalisco, em Guadalajara Público: 50.560 Árbitro: Vitral Lourax (França)
Gol: Hurst, aos 19 do 2 tempo
Inglaterra: Banks, Newton (Wright, 6 do 2 tempo), Labone, Bobby Moore e Cooper, Mullery, Ball e Bobby Charlton, Lee (Osgood, 30 do 2 tempo), Hurst e Peters. Técnico: Alf Ramsey
Romênia: Adamache, Satmareanu, Lupescu, Dinu e Mocanu, Dumitru, Tataru (Neagu, 28 do 2 tempo) e Nunweiller, Dembrowschi, Dumitrache e Lusescu. Técnico: Angelo Niculescu
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Os Arquivos da Copa do Mundo-1970-Jogo 3- Uruguai 2x0 Israel

A terceira partida da Copa de 70 reuniria dois extremos. De um lado, um dos favoritos a conquistar o título, o bicampeão mundial, Uruguai, que havia sido eliminado nas quartas de final, quatro anos antes. Do outro, um estreante em Copas, a desconhecida seleção de Israel.
A Celeste, para chegar ao México, usou e abusou de seu ponto forte, a defesa quase que intransponível. Estreou derrotando o Equador, em Guaiaquil, por 2 a 0. Depois, empatou sem gols com o Chile, em Santiago. Nos jogos de volta, fez 1 a 0 no Equador e garantiu a vaga ao bater o Chile, por 2 a 0. Como se vê, em quatro partidas disputadas, a seleção uruguaia não foi vazada uma vez sequer.
Israel, por sua vez, contou com a desistência da Coreia do Norte, o que abriu caminho para que a vaga para a fase final fosse decidida em apenas duas partidas, contra a Nova Zelândia. Na primeira, uma goleada de 4x0. Na volta, nova vitória, desta vez, por 2 a 0. Na fase decisiva, Israel enfrentou a seleção da Austrália. Jogando em casa a partida de ida, Israel tratou de vencer, por 1 a 0, garantindo assim a vantagem do empate. Na volta, em Sydney, empate em 1 a 1 e vaga assegurada pela primeira vez para os israelenses. As bolsas de apostas, no entanto, não acreditavam que a equipe poderia ir longe na Copa. Afinal, o time era quase que exclusivamente formado por amadores. Sendo assim, a expectativa em Puebla era que a Celeste não tivesse problemas para aplicar uma sonora goleada nos debutantes em mundiais.
Surpreendentemente, a primeira oportunidade foi de Israel. Depois de um chutão do goleiro Visoker, o atacante Rom, avançou e conseguiu o remate. Mazurkiewicz, um dos melhores goleiros do mundo, defendeu com segurança. A Celeste sofreria outro baque, quando Pedro Rocha, o craque do time, senti uma contusão logo aos oito minutos. Para desespero uruguaio, a lesão era grave e ele não voltaria mais a atuar na Copa. Em seu lugar, entrou Cortez.
Aos 12, foi a vez do Uruguai chegar perto de abrir o marcador. Espárrago recebeu de Mujica na meia esquerda, derivou para o meio e soltou uma bomba rasteira. Visoker teve dificuldades para espalmar para o lado. O fato é que a Celeste era muito superior, tecnicamente falando. Mas não conseguia traduzir essa superioridade em oportunidades ou em gols. Taticamente, os sul-americanos atuavam no 4-1-2-3, com a bola e no 4-4-2 sem. Já Israel, sabendo de sua inferioridade, jogava no 4-4-2, de posse da pelota e no 4-5-1, sem, procurando sempre jogar atrás da linha da bola e marcar os adversários.
Aos 22, saiu o gol do Uruguai. Montero Castillo, que como único volante não tinha muito com o que se preocupar, foi a frente e abriu boa bola para o lateral esquerdo Mujica. Ele fez o cruzamento, a zaga falhou e Maneiro, que fechava na segunda trave, escorou de cabeça para abrir o marcador.
Somente aos 37, a Celeste voltou a ameaçar. E novamente, foi através de seu volante de contenção, Montero Castillo, que avançou e arriscou de longe, assustando o goleiro Visoker. A realidade é que os primeiros 45 minutos de jogo foram decepcionantes para o público.
Israel voltou do intervalo com uma alteração. O ponta esquerda Talbi deixouo o campo e Bar entrou em seu lugar. E a Celeste voltou querendo matar logo o jogo. Aos quatro minutos, Mujica fez boa jogada pela esquerda e chutou forte. O remate saiu tirando tinta da trave direita de Israel. No minuto seguinte, saiu o segundo gol. Ubinas fez o cruzamento da direita, a zaga afastou mal, Maniero pegou a sobra e finalizou forte. Visoker fez grande defesa, espalmando a bola. Para azar do goleiro israelense, o rebote sobrou para Mujica, que bateu de primeira e marcou o segundo tento uruguaio.
Aos 12, o técnico de Israel fez a sua segunda modificação, colocando em campo Vallach e tirando Rom. Os laterais eram os grandes destaques do Uruguai. Aos 13, Mujica cobrou uma falta com extrema violência. Mais uma vez, o remate passou raspando a trave direita de Visoker. Assim como acontecera na etapa inicial, a equipe sul-americana tirou o pé do acelerador, sabendo que não correria riscos e que a próxima partida, dali a quatro dias, seria contra a poderosa Itália.
Mesmo assim, o Uruguai quase ampliou, aos 28. Mujica fez o chuveirinho na área. Espárrago desviou de cabeça e Cubilla, na linha da pequena área, encheu o pé. Para seu azar, a bola explodiu no travessão. A vitória da Celeste foi mais do que justa. O time não concedeu nenhuma chance para o adversário e mostrou o poder de sua defesa. Fica a dúvida se, contra adversários mais fortes, o volante Montero Castillo e os laterais Ubinas e Mujica irão ter tanta liberdade para apoiar o ataque. Também é necessário checar o quanto será sentida a ausência de Pedro Rocha.
Ficha Técnica
Uruguai 2x0 Israel
Data: 02/06/1970 Local: Estádio Cuauhtemoc, em Puebla Público: 20.564 Árbitro: Robert Davidson (Escócia)
Gols: Maniero, aos 22 do 1 tempo e Mujica, aos 5 do 2 tempo
Uruguai: Mazurkiewicz, Ubinas, Ancheta, Matosas e Mujica, Montero Castillo, Maneiro e Pedro Rocha (Cortez, 12 do 1 tempo), Cubilla, Espárrago e Losada. Técnico: Juan Hohberg
Israel: Visoker,Schwager, Rosen, Rosenthal e Primo, Spiegel, Spiegler e Shum, Faygenbaum, Rom (Vallach, 12 do 2 tempo) e Talbi (Bar, no intervalo). Técnico: Emanuel Schaffer
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